Gestos - e-Postura - Para - Falar - Melhor

Gestos - e-Postura - Para - Falar - Melhor

(Parte 1 de 10)

ISBN 85-02-00294-5

Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Polito, Reinaido. Gestos e postura para falar melhor / Reinaido Polito. – 8ª ed. - São Paulo : Saraiva, 1990. ISBN 85^02-00294-5

1. Comunicação não-verbal 2. Falar em público 1. Título.
Índices para catálogo sistemático:
1. Arte de falar em público : Retórica 808-51
2. Brasil : Gestos : Comunicação não verbal 001.560981
3. Expressão corporal : Comunicação não verbal 001.56
4. Gestos : Comunicação não-verbal 001.56
Supervisão editorial: José Lino Fruet
Copy-desk: Eneida Célia da Silva Gordo
Produção dos originais: Rosélys Kairaila Eid
Revisão de texto: Louzã de Oliveira, Raquel Tinei Stein
Programação visual: Fátima Giiberti
Produção gráfica: João Batista Ribeiro
Coordenação de ilustrações: Shirley Martins Nogueira
Revisão de provas: Ana Lúcia C. Franca, Isabel Rebelo, Sandra
Valenzueia, Teresa Cristina J. Costa
Arte final: Carmem Lúcia Simões Escada
Capa: Osvaldo Marchesi
Ilustração: Cristina Ribeiro Lopes
Arte fotográfica: Toao Sato (Jorge)
Fotos: Agência Estado, Agência Folhas
Composição: Aldo Moutinho de Azevedo, Sandra Cipoli
Revisão de fotolito: Liberato Verdile Junior
editora
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LEIA TAMBÉM, DO MESMO AUTOR. ‘Como Falar Correctamente e Sem Inibições’

Prefácio6
Pouco mais de duas palavras7
CAPITULO I - ELEMENTOS INTRODUTIVOS DA POSTURA E DA GESTICULAÇÃO9
A NATURALIDADE .................................................. 9
NERVOSISMO: CAUSA OU CONSEQUENCIA? ............................. 10
A INTERDEPENDENCIA ............................................. 12
O TAMANHO E A INTENSIDADE DO GESTO ............................. 13
A POSTURA ANTES DE FALAR ....................................... 14
CAPITULO I - AS PERNAS15
OS ERROS MAIS COMUNS .......................................... 15
1. Movimentação desordenada ........................... 15
2. Apoio incorreto .................................... 16
3. Cruzamento dos pés em forma de "X" ................. 16
4. Animal enjaulado ................................... 17
5. A gangorra ......................................... 17
6. O pêndulo .......................................... 18
7. A rigidez .......................................... 18
8. Canguru saltitante ................................. 18
9. Cruzar e descruzar ................................. 18
10. Espreguiçadeira .................................... 19
1. O vaivém ........................................... 19
A POSIÇÃO CORRETA EM PÉ ........................................ 19
A POSIÇÃO CORRETA SENTADO ...................................... 21
OS SAPATOS ..................................................... 21
AS CALÇAS ...................................................... 21
FALAR EM PÉ OU SENTADO? ........................................ 2
CADA CASO É UM CASO ............................................ 2
CAPITULO I - OS BRAÇOS E AS MÃOS23
OS ERROS MAIS COMUNS ......................................... 23
1Mãos atrás das costas ................................ 24

SUMARIO 2. Mãos nos bolsos ...................................... 25

3. Braços cruzados ...................................... 26
4. Gestos abaixo da linha da cintura .................... 26
5. Gestos acima da linha da cabeça ...................... 27
6. Apoiar-se sobre a mesa, a cadeira, a tribuna etc. .... 28
7. Partindo do cotovelo ................................. 28
8. Postura do Zé Carioca ................................ 29
9. Movimentos alheios ................................... 29
10. Construtor do universo ............................... 30
1. Detalhes que sobressaem .............................. 30
A POSTURA CORRETA PARA INICIAR31
1. Braços ao longo do corpo .................................. 32
2. Postura inicial com posicionamento aparentemente incorreto. 3
3. O truque da ficha de anotações ............................ 34
4. Mãos fechadas em forma de concha .......................... 35
5. Apoio na tribuna .......................................... 35
6. Inicio sem apoio .......................................... 36
GESTOS CORRETOS E SUAS FUNÇÕES36
seu transporte36
2. Determinar dentro da frase uma informação de maior
importância ............................................... 37
3. Corresponder ao tom da voz37
4. Tomar o lugar de palavras não pronunciadas ................ 38
AS GRANDES "DICAS" PARA A BOA GESTICULAÇÃO38
ORIENTAÇÃO PRATICA DA GESTICULAÇÃO CORRETA40
1. Enumeração das partes ..................................... 41
2. Idéia de separação ........................................ 43
3. Idéia de união ............................................ 45
4. Idéia de força ............................................ 46
5. Idéias de negação e afirmação ............................. 46
6. Idéia de dimensão ......................................... 47
7. Idéia de distância ........................................ 48
8. Idéia de tempo ............................................ 49
9. Idéia de movimento ........................................ 50
a. Mudança .......................................... 50
b. Surgir ........................................... 51
c. Girar ............................................ 52
d. Aumentar ......................................... 52
e. Diminuir ......................................... 53
f. Outras idéias de movimento ....................... 53
10. Idéia de acalmar .......................................... 53
1. Idéia de controlar ........................................ 54
12. Idéia de sentido de direção ............................... 54
a. Linha reta ....................................... 54
b. Linha tortuosa ................................... 54
c. Linha lateral .................................... 54
13. Idéia de próprio .......................................... 5
14. Idéia de pensar ........................................... 5
15. Idéia de desconhecer ...................................... 5
16. Idéia de atenção .......................................... 56
17. Idéia de pedir ............................................ 56
18. Idéia de relacionar ....................................... 56
19. Idéia de abstrato ......................................... 56
20. Idéia de comparação ....................................... 57

1. Interpretar corretamente o sentimento, complementar a mensagem transmitida pelas palavras e auxiliar no 21. Idéia de ordem ............................................ 57

2. Idéia de desordem .......................................... 57
23. Idéia de posição ........................................... 57
aPosição vertical .................................. 58
b. Posição horizontal ................................ 58
24. Idéia de formar ............................................ 58
25. Idéia de interrogar ........................................ 59
26. Diversas idéias ............................................ 59
aOuvir ............................................. 59
bCheirar ........................................... 59
c. Silêncio .......................................... 59
dVer ............................................... 59
eDeus .............................................. 59
f. Diabo ............................................. 59
g. Acusar ............................................ 60
h. Cheio ............................................. 60
i. Introduzir ........................................ 60
27. Gestos para duas idéias .................................... 60
CAPITULO IV - O TRONCO E A CABEÇA61
O TRONCO .................................................... 61
A CABEÇA .................................................... 63
CAPITULO V - O SEMBLANTE64
A IMPORTANCIA DO SEMBLANTE .................................. 64
A BOCA ...................................................... 6
A IMPORTANCIA DO SORRISO .................................... 6
A COMUNICAÇÃO VISUAL ........................................ 67
1. Atitudes que você deve evitar .......................... 68
a. Fugir com os olhos ............................... 68
b. Olhar para um ponto fixo ......................... 68
c. Olhar desconfiado ................................ 69
d. Olhar limpador de pára-brisa ..................... 69
e. Olhar perdido .................................... 69
2. Como olhar ............................................. 69
OU DO QUADRO MAGNÉTICO70
A POSTURA PARA LER EM PUBLICO ............................... 70
1. Como segurar o papel70
2. Como escrever os seus discursos para leitura71
3. Comunicação visual ..................................... 72
4. Uso correto do microfone para ler72
A POSTURA DIANTE DO QUADRO DE GIZ OU DO QUADRO MAGNÉTICO .... 73
1. Para escrever .......................................... 73
2. Para usar as informações do quadro ..................... 73
CAPITULO Vll - QUESTÕES PRATICAS74
1Como comportar-se diante das câmeras? .......................... 74
2. O orador deve beber antes de falar? ............................ 76
3. O orador deve comer antes de falar? ............................ 7
4Como saber, pela postura do auditório, se ele está receptivo? .. 7
5. Que roupa usar numa apresentação? .............................. 78
6. Qual deve ser a postura de quem participa de uma reunião da
empresa? ....................................................... 78
7. Como usar com eficiência o retroprojetor? ...................... 79

CAPITULO VI - A POSTURA PARA LER EM PUBLICO E PARA FALAR DIANTE DO QUADRO DE GIZ EXERCICIOS .................................................................. 80

INDICE DE IDÉIAS87

5 BIBLIOGRAFIA DIDATICA ...................................................... 93

Reinaldo Polito trilha, com muita competência, o árduo caminho do pioneirismo a partir da iniciativa de criar um curso de expressão verbal há 13 anos, o que teve muito da ousadia dos empreendedores. E deu certo, graças ao conhecimento da matéria e ao domínio das técnicas de oratória que ele possui. Prova disso são os resultados alcançados pelos primeiros alunos, que foram avalistas para os demais. Agora, Polito nos presenteia com este Gestos e postura para falar melhor, obra unica no género e de indispensável utilização para todos aqueles que precisam ou desejam comunicar-se mais corretamente e ser mais facilmente ouvidos e entendidos.

Gestos e postura para falar melhor abre um mundo novo no assunto porque diz

e mostra o que e como fazer atravás de uma linguagem simples e de um amplo painel fotográfico que ilustra os vários capítulos do livro.

"Lembre-se de que a sua postura e as suas atitudes antes de falar poderão predispor o ânimo dos ouvintes de forma favorável ou contrária a sua apresentação." Este alerta de Polito, logo nas primeiras páginas, nos leva a entender a importância dos gestos na comunicação, o que ele confirma com exemplos de famosas figuras do passado e da atualidade do mundo político, artístico e empresarial, como Paulo Autran, Juscelino, Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, entre outros. Com menor ou maior ênfase, o significado de cada gesto - com a intensão do orador e o que é sentido pelos ouvintes - está explicado com uma clareza que demonstra não apenas o conhecimento do autor, mas, também, a sua preocupação em pesquisar e interpretar visualmente o falado e o mostrado.

O que mais apreciamos no livro foi a forma simples e direta como cada detalhe é explicado e como cada gesto é traduzido. Gestos e postura para falar melhor é um curso completo sobre o assunto, permitindo que cada leitor possa aprender, bastando o livro e um espelho. Ele é util até para os mais experientes oradores, quer aqueles de aptidões naturais, os oradores autodidatas, quer aqueles que buscam o aprimoramento na arte de falar mesmo que já tenham lido o livro Como falar corretamente e sem inibições ou concluído o curso completo de expressão verbal, do próprio Reinaldo Polito.

E, para aqueles que pensam que, por ser assunto importante, a sua leitura será dificil, devemos ressaltar uma qualidade ainda pouco conhecida do autor: ele é bem-humorado. O assunto é sério, mas o leitor terá sempre um sorriso nos lábios, umas vezes por se identificar com as situações ou personagens descritas, outras pela leveza do texto, que se alternam com exemplos mais sérios:

"Conta Josué Montello no seu admirável Anedotario geral da Academia

Brasileira que José Maria Paranhos, futuro Visconde de Rio Branco, possuía na tribuna um cacoete: erguia o braço, dedo indicador em riste, nos momentos em que parecia mais arrebatado. E diz que, o próprio orador deu esta explicação ao seu gesto: 'Quando a idéia não vale por si para ir bastante alto, trato de suspendêla na ponta do dedo' ".

A arte de falar bem, corretamente e sem inibições, dominando gestos e postura para falar melhor, é tema da intimidade e competência de Reinaldo Polito. Disso são testemunhas os milhares de alunos que já passaram por seus cursos em dezenas de turmas, uma das quais tivemos a satisfação de paraninfar. Conhecemos de perto o complexo mundo da comunicação verbal, que tem sido considerada matéria-prima das atividades empresariais e políticas, principalmente destas, onde a identificação de parlamento é uma correta tradução da necessidade de se conversar, buscando entendimento.

O falar é instrumento importante para ofertas e propostas comerciais, para propostas de projetos políticos, assim como o é, também, para a compreensão e harmonia das pessoas nas relações humanas em todos os ambientes, em todos os momentos. Com este Gestos e postura para falar melhor você terá condições de se apresentar em publico, falando para poucos ou muitos ouvintes, sem correr o risco de trocar os pés pelas mãos, evitando que seus gestos interpretem de forma diferente aquilo que você está falando ou que você se sinta como tendo mais mãos do que gostaria na hora em que estiver discursando.

Agora, faça o seu primeiro gesto correto: vire a página e comece a leitura do melhor!

Guilherme Afif Domingos

Estou muito feliz com a realização deste trabalho. Quando comecei a escrever este livro, prometi a mim mesmo que iniciaria assim esta apresentação, mas só o faria se, depois de analisá-lo rigorosamente (não com os olhos de uma coruja que vê os seus filhos), concluísse que honestamente estava convencido de que os leitores conseguiriam aprender a posicionar-se e a gesticular, estudando atentamente cada um dos capítulos. Concluída a obra, revi cada item detidamente e senti que seria possível a qualquer pessoa de boa vontade, depois da sua leitura, penetrar os segredos da arte da postura e da gesticulação.

Esse parecer foi ratificado quando Rosélys Kairalla Eid, a quem aproveito para agradecer, ao fazer a preparação dos originais nas incansáveis noites indormidas, interpretando meus "hieróglifos" em frente das teclas do computador, executou cada gesto recomendado, isolando sua experiência e agindo como se fosse leiga no assunto, e constatou que era possível executá-los.

Em muitos momentos precisei resistir há tentação de discorrer mais profundamente sobre determinados temas, para não avançar em outros tópicos da arte de falar e permanecer nos limites da gesticulação e da postura. Aqueles que desejarem estudar a Expressão Verbal de forma mais abrangente poderão recorrer há leitura da minha obra Como falar corretamente e sem inibições – Editora Saraiva.

Quando me lancei na aventura de escrevê-lo, não imaginava, nem de longe, os

obstáculos que teria de enfrentar. Sabia apenas que era uma tarefa necessária, que precisaria ser realizada.

Objetivando mostrar como as técnicas recomendadas possuem aplicação prática, decidi colocar ilustrações com fotografias das mais diversas personalidades que fizeram e fazem a história do nosso país, tiradas no momento em que executavam o gesto indicado. Para isso fui obrigado a pesquisar mais de 200000 fotografias nos arquivos disponíveis nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S.Paulo. Além das fotografias dessas personalidades, incluí outras por mim mesmo interpretadas, mostrando, no detalhe, as posturas, os gestos e os movimentos importantes, num paciente trabalho do fotógrafo Toao Sato (Jorge), que nos tem acompanhado, fotografando os gestos dos nossos alunos, ao longo de todos esses anos.

Para certificar-me de que não estava esquecendo alguma informação significativa, assisti a mais de 60 horas de gravações em fitas de videoteipe que guardam apresentações dos maiores oradores do nosso tempo e de alunos que passaram pelo nosso Curso de Expressão Verbal, nos últimos anos.

Consultei em vão praticamente todas as bibliotecas, tentando encontrar algum material que servisse de subsídio ao desenvolvimento do trabalho. Nada encontrei e descobri assim que era o primeiro no Brasil a escrever um livro no género, isto é, especifico para orientar a postura e a gesticulação para falar.

Um recurso que me auxiliou muito na elaboração de cada capítulo foram as anotações que sempre fiz em sala de aula. Tenho o hábito de escrever em papéis autocolantes, que grudo na carteira, as idéias interpretadas pelos mais diferentes tipos de gestos. Na época em que foram realizadas, não tinham outro objetivo além de servir na preparação das aulas, mas por sorte foram cuidadosamente conservadas. Essas anotações possibilitaram a montagem da "orien- tação prática da gesticulação correta", uma espécie de dicionário de idéias para cada gesto.

Contei ainda com a ajuda dos meus quatro filhos, Roberta, Rachel, Rebeca e

Reinaldo, que, com sua espontaneidade de crianças, constituíram sempre excelente campo de estudo, onde pude identificar a naturalidade do comportamento.

Agradeço a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, contribuiram na elaboração deste trabalho, e a todos os alunos do nosso Curso de Expressão Verbal, que, ao longo de todos esses anos, errando, experimentando e acertando, construiram, com a própria experiência, o conteudo deste livro.

Finalmente agradeço ao meu assistente e amigo leal, Professor Jairo Del

Santo Jorge, que sempre me ouviu pacientemente, e com sua competência colaborou com sugestões apropriadas.

Recordo-me nitidamente da época em que morava em Araraquara, no interior de

A NATURALIDADE São Paulo, e gostava muito de assistir aos comicios políticos que se faziam em praças publicas, com a presença de inumeros oradores. Muito jovem ainda, não me preocupava com o conteudo dos discursos, até nem os entendia muito bem, o que também não importava. Valia mesmo era o episódio em si. A televisão ainda não tinha chegado por aqueles lados e os divertimentos eram escassos; quase nada havia, além dos procurados filmes de Mazzaropi*, que provocavam filas que abraçavam o quarteirão, e uma ou outra quermesse abrilhantada pelos inesquecíveis serviços de alto-falante.

Ora, um comício era, naquelas circunstâncias, um grande acontecimento. A musica da bandinha, as faixas, o povo reunido, a correria das crianças, os xingamentos recíprocos dos candidatos, não tenho certeza, mas parece que até entre os do mesmo partido (alguns fatos são perenes ao longo do tempo), os aplausos, as vaias, os gritos de "apoiado" e "já ganhou", a distribuição de santinhos (propaganda com as fotos dos candidatos), tudo era festa e divertimento.

Eu era sempre, dos primeiros a chegar e só não dos ultimos a sair porque meus pais me levavam mais cedo para dormir. Entre uma brincadeira e outra com os amiguinhos, parava para observar os discursos, e um fato sempre me chamava a atenção - os gestos dos oradores. Alguns pareciam querer voar, tal a velocidade com que movimentavam os braços e as mãos; um deles, um japonesinho de pouco mais de um metro e meio de altura, de voz muito aguda, girava tanto os braços, principalmente o direito, que parecia uma hélice de avião. Diziam que lhe davam corda antes do discurso e só quando ela acabava é que ele encerrava a sua apresentação e parava de se movimentar. Outros, ao contrário, seguravam com tanta força na guarda de proteção da carroçeria do caminhão que servia de palanque, que eu nunca sabia se estavam com problemas de saude (cólicas, dor de estômago, desarranjo intestinal), ou com raiva e querendo arrancar aquela proteção. Sem entender o que ocorria, acabava concluindo ser "defeito" de criança, quando crescesse encontraria a explicação. Ficava ainda mais difícil a compreensão quando surgia um outro orador com gestos que agradavam; eram tão seguros e estáticos que dava gosto vê-los, esquecia-me até de brincar. Por que gostava destes e não daqueles?

Hoje vem a elucidação: a diferença entre gestos errados ou artificiais e gestos corretos e naturais pode ser percebida até por uma criança. Dá para imaginar, a partir desta afirmação, o que poder ocorrer com a mensagem do orador quando seus gestos forem observados por um publico mais bem preparado.

A solução é estudar e treinar a gesticulação e a postura para não nos apresentarmos de maneira errada. Mas devemos dedicar-nos ao estudo e exercitar com tal empenho que a técnica passe a pertencer naturalmente ao nosso comportamento.

Tenho dito reiteradamente e repetirei sempre que puder: não existe técnica que possa ser mais importante que a naturalidade - acima de tudo, a naturalidade.

*Comediante do cinema brasileiro.

Agora, ser natural não significa permanecer no erro. Assim, talvez pudesse complementar dizendo que o errado natural é preferível ao errado artificial e ao correto artificial, mas o correto natural é sempre preferível a qualquer comportamento.

Este livro pretende mostrar a boa técnica da postura e da gesticulação, mas

quer principalmente que esta técnica seja utilizada com naturalidade, visando sempre a atender às características do orador e a preservar sua espontaneidade.

É preciso buscar o autoconhecimento, aprender a sentir o próprio corpo, saber do que ele é capaz, observar suas dimensões e seus limites, ter consciência da sua força para identificar o pensamento e o sentimento e descobrir suas possibilidades de expressão; verificar como ocorre o movimento dos braços, das mãos, das pernas, da cabeça; enfim, sentir como age e reage o próprio corpo e, aí sim, gesticular bem.

A gesticulação nunca poderá parecer ter sido treinada e programada para a fala do orador. Isso evidenciaria artificialismo e provocaria resistência na receptividade do ouvinte. O publico não deseja ver uma máquina de falar, deseja, sim, ver e ouvir um ser humano. O gesto deverá surgir de tal forma natural e espontâneo que trabalhar para complementar e conduzir a mensagem sem que o auditório o perceba conscientemente.

A gesticulação obedece mesmo a um processo natural. Pensamos na mensagem, ao mesmo tempo que informamos ao corpo o movimento a ser executado; o corpo reage e só depois pronunciamos as palavras. Por isso o gesto vem antes da palavra ou junto com ela, e não depois*. Se queremos falar que fomos a algum lu- gar, pensamos na mensagem que é ir, informamos ao corpo sobre qual o movimento a ser executado, o corpo cumpre naturalmente o seu papel, estendendo o braço para a frente, e depois pronunciamos a frase eu fui. Se ocorresse o contrário, ou seja, o movimento do braço depois da pronuncia da frase, haveria uma anormalidade facilmente percebida pelo ouvinte.

Não se deve confundir o gesto complementar da mensagem ou indicador da idéia com a ação determinante do fato em si. Assim, por exemplo, se eu falo que vou pegar no seu braço, o movimento de pegar deve sair depois das palavras. Da mesma forma, a mãe que diz ao filho que o trenzinho vai entrar no tunel, para colocar comida na sua boca, irá fazer o movimento depois de falar. Cada gesto deverá corresponder a uma idéia ou informação predominante e não a cada palavra, a não ser que esta palavra encerre em si uma idéia completa. Por exemplo, eu posso representar a frase seguinte com um unico gesto: nós estamos aqui para estudar. Não devo, portanto, fazer um gesto para nós, outro para estamos, outro para aqui etc. Repito (repetir é mania de professor): faça um gesto para cada idéia ou informação predominante e não um gesto para cada palavra.

O estudo da gesticulação não é tarefa simples. Exigir aplicação constante, observação e muita força de vontade. Por outro lado posso garantir, com a experiência no treinamento de mais de 1000 alunos por ano, que é uma qualidade da comunicação que poder ser conquistada por todos aqueles que a pretenderem.

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