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MARA BRANDAO DE CASTRO

O ENVELHECIMENTO E QUALIDADE DE VIDA: UMA ANÁLISE SOBRE A IMPORTÂNCIA DO GRUPO DE CONVIVÊNCIA PARA IDOSOS NO CRAS - REDENÇÃO: DIREITOS E QUALIDADE DE VIDA

MANAUS-AM

2010

MARA BRANDAO DE CASTRO

O ENVELHECIMENTO E QUALIDADE DE VIDA: UMA ANÁLISE SOBRE A IMPORTÂNCIA DO GRUPO DE CONVIVÊNCIA PARA IDOSOS NO CRAS - REDENÇÃO: DIREITOS E QUALIDADE DE VIDA

MANAUS-AM

2010

EPIGRAFE

“O Crescimento profissional do Assistente Social depende de sua habilidade e de sua responsabilidade em garantir ou pelo menos, tentar uma melhor qualidade de vida para a população carente. “

RESUMO

O envelhecimento populacional é hoje um fenômeno universal, característico tanto dos países desenvolvidos como, de modo crescente, do Terceiro Mundo. São apresentados dados que ilustram a verdadeira revolução demográfica desde o início do século e estimativas até o ano 2025. Os fatores responsáveis pelo envelhecimento são discutidos, com especial referência ao declínio tanto das taxas de fecundidade como das de mortalidade.

A partir do surgimento do fenômeno do envelhecimento, o estado tem se preparado para o enfrentamento, a partir do reconhecimento do idoso como sujeito de direito, e criando espaços institucionais que atendem a esta demanda, a partir dos Centros de Referencias de Assistência Social, conhecido como CRAS, onde os idos podem desenvolver atividades voltadas para a sua qualidade de vida, assim, como para discutir o seu papel social na sociedade, fomentando a emancipação de cada individuo.

Palavras-chave: Idoso, Envelhecimento, CRAS, Direitos. Qualidade de Vida. .

ABSTRACT

Population aging is now a universal phenomenon, characteristic of both developed countries and, increasingly, the Third World. Are given to illustrate the demographic revolution since the beginning of the century and estimates by the year 2025. The factors responsible for aging are discussed, with particular reference to the decline of both fertility rates and the mortality.

From the emergence of the phenomenon of aging, the state has prepared for the confrontation, from the recognition of the elderly as a subject of law, and creating institutional spaces to meet this demand from the Reference Center of Social Assistance, known as CRAS, where the elderly can develop activities aimed at a their quality of life, so as to discuss its social role in society, promoting the empowerment of individual each. 

Keywords: Aged, Aging, CRAS, Rights. Quality of Life.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...................................................................................................01

CAPITULO I

1.1 O Que É Velhice ?.......................................................................................04

1.2 Tipos De Envelhecimento E Suas Características......................................07

      1. Envelhecimento Populacional.................................................................07

1.2.1.2 O Envelhecimento Da População Brasileira........................................13

1.2.2 Envelhecimento Cronológico ................................................................16

1.2.3 Envelhecimento Funcional.....................................................................19

1.3 Alterações Fisiológicas No Envelhecimento.............................................19

1.4 Alterações Psicológicas E Socias No Envelhecimento............................24

1.5 Idoso E Qualidade De Vida........................................................................26

CAPITULO II

2.1 O Idoso Como Sujeito De Direitos.............................................................31

    1. A Dignidade , Os Direitos Sociais E O Idoso............................................32

    2. Políticas Públicas e Direitos No Contexto Democrático Brasileiro.............34

    3. Atores e Cenário Envolvidos na Construção das Políticas e Direitos dos Idosos...........................................................................................................37

    4. As Conquistas Dos Idosos Com A Constituição De 1988..........................40

    5. Lei Orgânica Assistência Social.................................................................45

    6. Política Nacional Do Idoso.........................................................................48

    7. O Estatuto Do Idoso ..................................................................................51

    8. Política Nacional De Assistência Social e o CRAS....................................53

    9. Caracterizando Os Centros De Referencia Da Assistência Social.........................................................................................................58

    10. O CRAS -Redenção ..............................................................................65

3. CONCLUSAO.................................................................................................73

4.REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS.............................................................75

INTRODUÇÃO

No Brasil, nas décadas de 50 e 60 as taxas de crescimento anual da população mantiveram-se altas, no entanto, a partir da década de 70, essa taxa mostrou significativa redução, acentuando-se na década de 80. Simultaneamente, a distribuição etária da população brasileira se alterou. Sendo assim, vem ocorrendo mudanças progressivas na pirâmide populacional, pois o número de pessoas com 60 anos ou mais está aumentando significativamente (CARVALHO; FORTI, 2008).

Segundo os mesmos autores, vivemos em uma sociedade onde a juventude e a beleza estética é mais valorizada do que a experiência, essa realidade permite, muitas vezes, que a pessoa idosa seja vista com preconceitos referentes à inutilidade, dependência e improdutividade. Esses conceitos errôneos por parte da sociedade, fazem com que muitos idosos encontrem dificuldade em manter-se inserido na mesma, preferindo assim, manter-se isolado.

Haja vista esse problema de cunho social tenta-se formar múltiplas alternativas, para inserir as pessoas idosas em diferentes espaços sociais, visando dar condições para que os mesmos venham a ter uma melhor qualidade de vida.

Com essas iniciativas, muitos idosos procuram melhorar sua qualidade de vida realizando atividades educativas como, por exemplo, os grupos de convivência apresentados neste trabalho. Estando inserido nesse ambiente os mesmos convivem continuamente com pessoas de várias faixas etárias, participam de atividades sociais. Porém, outros idosos gostam de permanecer em seu ambiente domiciliar e preferem não participar de nenhuma atividade de trabalho ou social.

Visando essa parte específica da população, atualmente, os esforços no sentido de manter o idoso inserido socialmente têm aumentado. Uma das formas para manter essa inserção é através da formação de grupos de convivência, nos quais a pessoa idosa encontra espaço para colocar-se e/ou desenvolver atividades como: trabalhos manuais, exercícios físicos, bailes, teatro, comemorações de datas importantes e passeios. Realizando assim, diferentes tarefas propostas pelo grupo e socializando informações e conhecimentos, desenvolvendo o relacionamento interpessoal, facilitando até mesmo, a comunicação com seus familiares.

Como estagiária de Serviço Social no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), localizado na cidade de Manaus-AM bairro Redenção, atuando dentro do grupo de convivência para idosos “Água Viva”, pôde-se perceber que este grupo específico possuía um número freqüente de participantes, surge a partir daí indagações referente à importância das atividades realizadas em grupo para melhoria na qualidade de vida desses idosos.

Esta pesquisa constitui-se qualitativa/quantitativa, exploratória, bibliográfica e de campo. Tem como objetivo conhecer as mudanças ocorridas na vida das pessoas idosas a partir de sua inserção no grupo de convivência do Centro de Referência da Assistência Social e como o grupo influência na qualidade de vida dos mesmos.

No primeiro capítulo abordaremos a questão da velhice com resultado do envelhecimento subdividindo-se nos seguintes tópicos: ser idoso em sociedade, dando destaque ao modo como cada cultura enxerga o idoso. O segundo tópico trata dos fatores do envelhecimento populacional. O terceiro tópico discorre sobre os tipos de envelhecimento, dando destaque ao Cronológico e o Funcional. O quarto tópico trata sobre o construto qualidade de vida na visão de alguns autores. O quinto tópico discorre sobre o histórico da política brasileira para idosos e a legislação. O sexto tópico apresenta um breve histórico sobre a Política Nacional de Assistência Social e o Centro de Referência da Assistência Social.

No segundo capítulo, serão explicados os recursos utilizados no processo metodológico para a realização dessa pesquisa e também será apresentada a tabulação dos dados coletados durante a pesquisa de campo no Centro de Referência da Assistência Social – CRAS/Redenção, os gráficos contêm as porcentagens das respostas dadas pelos entrevistados (idosos que participam ativamente do grupo de convivência “Água Viva”) para que o leitor possa compreender melhor. Abaixo de cada gráfico está a análise dos mesmos.

O propósito desse trabalho é saber se os idosos (pesquisados) que participam do grupo de convivência “Água Viva” tiveram uma melhoria na qualidade de vida, devido ás atividades desenvolvidas durante as reuniões do grupo no Centro de Referência da Assistência Social – CRAS/Redenção.

CAPÍTULO I - VELHICE, RESULTADO DO ENVELHECIMENTO

Apesar de muitas vezes a velhice ser considerada como uma realidade que afeta somente uma parte da população (MORAGAS, 1997), o envelhecimento é um fenômeno que está presente em todos os seres vivos, dessa forma, é um processo inerente a todo ser humano, tendo essa fase da vida um caráter universal, multifatorial e é inexorável.

Segundo o dicionário Luft o termo “velho” significa: que tem muita idade; que dura desde há muito tempo; indivíduo idoso; ancião.

Segundo o autor Marco Antonio Vilas Boas, explica que a palavra idoso tem sua origem latina no substantivo aetas, aetatis (substantivo feminino que corresponde a idade ou espaço de tempo humano, cujo caso acusativo aetatem, deu-se a existência a palavra “idade”. Idoso é o vocábulo de duas componentes: “idade” mais sufixo “oso”, no léxico, denota-se “abundância ou qualificação acentuada”. Portanto, o vocábulo “idoso” pode significar: cheio de idade, abundante em idade etc. (apud, INDALENCIO, 2007)

Na sociedade, já algum tempo, se fazem comuns referências as pessoas idosas como: pessoas da melhor idade, pessoas da terceira idade, pessoas da maior idade, pessoas da idade madura, etc..

1.1 SER IDOSO EM SOCIEDADE

Cada tipo de sociedade (grupo) possui sua particularidade onde se varia à cultura e/ou os costumes, por esse motivo Wootmann e Woortmann (1999), afirmam que:

...A velhice é dada pelo contexto social, cultural e histórico de uma sociedade. Nem todos com a mesma idade são igualmente velhos; tudo depende da história de vida de cada um (apud ALCÂNTARA, 2004).

Toda sociedade possui alguma opinião sobre a passagem do tempo e suas mudanças, e são essas idéias que fazem a diferença na forma como cada sociedade atua sobre o envelhecer, levando em consideração à visão de homem e de mundo, particular para cada período social, passando por momentos de valorização e de desvalorização. Silva completa colocando que:

Em algumas sociedades os mais velhos possuíam muita autoridade e eram detestados, em outras eram valorizados pelos poderes míticos e ao mesmo tempo eram ridicularizados por isso (2007).

A velhice está estritamente relacionada à sociedade em que se vive, por isso, mesmo sendo um fenômeno universal, possui tratamentos e atitudes diferenciados. Provando que a velhice não pode ser descaracterizada de um conjunto total de aspectos.

Na contemporaneidade brasileira a forma exagerada de valorizar a juventude, contribui de forma significativa para distorcer (dando uma visão negativa ou até mesmo preconceituosa) o conceito de idoso (AZEVEDO, 2003). Vinculado a este conceito, contemporâneo, na maioria das vezes a concepção da sociedade acerca do idoso – vale ressaltar que este pensamento não está presente em todas as formas de sociedade - é de que ele encontra-se inapto ao trabalho, sem condições de manter uma boa relação social, de que apresenta uma visão alienada da atualidade.

Segundo a autora Rodrigues (2000) esse fato ocorre porque há no contexto brasileiro duas formas de compreender a velhice: numa delas a velhice é entendida como um momento de perdas, inutilidade e decrepitude. Tende a ser vista como um período dramático, associado à pobreza e a invalidez. Essa forma de pensar da sociedade é semelhante ao que acontecia antigamente na França, o indivíduo chamado de velho ou velhote não possuía estatus social, mas o indivíduo que dispunha deste estatus era chamado de idoso (ALCÂNTARA, 2004), criando assim, uma subdivisão entre esses indivíduos.

Na segunda forma de compreender o envelhecimento, a visão traz o entendimento da velhice como sendo uma fase da vida de realizações. “Esta nova visão do envelhecimento vem associada ao lazer” (RODRIGUES, 2000).

Essas ambigüidades se perpetuam dentro das sociedades pelo fato do homem não aceitar o seu próprio envelhecimento e busca atacar, de alguma maneira, a representação real do envelhecimento (SILVA, 2007).

A maneira como o Brasil foi colonizado os valores de outras sociedades foram impostos e de certa forma determinou o modelo de desenvolvimento social e conseqüentemente as formas pelas quais constituíram-se as representações sociais, sob esse ponto de vista, Silva afirma que:

No Brasil tanto a percepção sobre a velhice como a forma de lidar com essa questão, foram determinadas por conjunturas internacionais, mesmo que estas fossem totalmente distintas de nossa realidade (2007).

Como já fora mencionado, a forma exagerada de valorizar a juventude, própria da sociedade moderna, contribui de forma significativa para distorcer o conceito de terceira idade (AZEVEDO, 2003). Apesar disso e, talvez por isso, o conceito de velhice é passível de mudança, se tratando de que toda sociedade está vinculada a alguma idéia sobre o envelhecimento e como ele acontece, a partir desses conceitos e, sendo levado em consideração à visão de homem, de mundo e o contexto histórico em que vive, é que vai mudar a maneira pela qual cada sociedade atua sobre o envelhecer (SILVA, 2007).

Nas sociedades orientais o idoso é respeitado e considerado como fonte de conhecimento e sabedoria, embora este padrão pareça estar se modificando devido à mercantilização. Já no Ocidente associamos o idoso à imagem do indivíduo ultrapassado, sendo a velhice descrita de forma negativa – como perda ou falta de algo – do que é socialmente valorizado (REIS; BETRÃO, 2005).

Sendo a família uma instituição fundamental para os homens e tendo um importante papel como agente socializador, a perda dos valores morais, das funções e do papel da família acarreta alterações significativas no idoso pelo simples fato do mesmo, na maioria das vezes, ter se afastado da vida produtiva e com isso perderem seu poder econômico, político e social, os idosos, em conseqüência disso, sofrem o desprestígio no seio da própria família e também da sociedade.

Diante das sucessivas transformações, a família pode interferir diretamente na vida social e na autonomia do idoso levando-o a sentir-se dependente, pelo fato de lhe ter tirado o poder de decisão e de lhe darem limites, como: deixar de sair sozinho, deixar de praticar inúmeras atividades que supostamente lhes fariam mal, tudo isso muitas vezes como uma forma de proteção.

O idoso que não está inserido no seio familiar – vale aqui ressaltar que essa situação independe do estado de viuvez, da quantidade de filhos e de parentes - e mora sozinho, está mais propenso a ter sentimentos de solidão e abandono “levando-os ao processo de morte social, pelo total afastamento da vida em sociedade” (RAMOS, 2004).

Foi com todo esse panorama demográfico do Brasil que a família brasileira começou a despertar, porém lentamente, para essa realidade levando em conta que envelhecer no final deste século já não é uma proeza reservada a uma pequena parcela da população.

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