Anatomia do Aparelho Urogenital das Aves

Anatomia do Aparelho Urogenital das Aves

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Aparelho Urogenital das Aves

Kyola Sthefanie Camargo¹, Tayná Pires Dobner ², Suzane Souza ³

¹ Graduanda em Medicina Veterinária – IFC ² Graduanda em Medicina Veterinária – IFC ³ Graduanda em Medicina Veterinária – IFC

RESUMO - Este artigo de revisão bibliográfica trás informações sobre o aparelho urogenital das aves, a partir de referências como Sisson (1986) e Dyce (2004) adotando como espécie padrão a galinha. De forma anatomica geral os componentes do aparelho urogenital das aves são muito parecidos com de outras animais, com algumas diferentes importantes, sendo os órgãos urinários compostos de rins com basicamente a mesma estrutura padrão e ureteres, porém não possuem bexiga. Os ureteres conduzem a urina para a cloaca, sendo esta também faz parte do órgãos copulatórios, por onde saí o ovo e as fezes (se misturam com a urina). Os órgãos reprodutores masculinos são compostos de testículo, epidídimo e ducto deferente e falo (órgão copulator), já os órgãos reprodutores femininos são compostos principalmente pelo ovário e pelo oviduto, sendo que na galinha a gônada direita é reduzida e não funcional como um ovário.

Palavras-chave: anatomia de aves, aparelho urogenital, órgãos reprodutores.

Introdução

O estudo da anatomia das aves busca fornecer conhecimento básico, suficiente para o entendimento das características especiais da fisiologia e da patologia aviária e também para a necropsia de rotina. Normalmente, os estudos nessa área usam como base a galinha. Poucos livros trazem informações relevantes de comparação com aves exóticas. (Dyce, 2004).

O aparelho urogenital é dividido em órgãos urinários, órgãos reprodutores femininos e órgãos reprodutores masculinos. Os órgãos urinarios compreendem rins, ureteres, bexiga e uretra. Os órgãos reprodutores masculinos incluem testículos, sistema de ductos gonadais, glândulas acessórias e a uretra masculina. Os órgãos reprodutores femininos são os ovários, tubas uterinas, o útero e a vagina. O aparelho urogenital das aves é mais parecido em muitos aspectos ao aparelho urogenital dos répteis do que ao dos mamíferos. Na parte de órgãos urinários é composto por rins (dividido em córtex e medula) e ureteres que conduzem a urina recém-formada para a cloaca, ao invés da bexiga, já que nas aves a bexiga está ausente (com exceção do avestruz).

Os órgãos reprodutores masculinos são formados por testículos, epidídimo, ducto deferentes e falo, não existem glândulas reprodutoras acessórias. Os órgãos reprodutores femininos são formados por ovário e oviduto. O ovário produz o ovo e o oviduto conduz o ovo até a cloaca e adiciona sucessivamente o albumén, as duas membranas da casca e a casca.

Revisão da Literatura 1. Órgãos Urinários

1.1 Rim

Os rins das aves localizam-se contra o sinsacro, cranialmente estão em contato com os pulmões. Os rins são castanhos e alongados. (Dyce, 2004). Cada rim possui três divisões de comprimento: a divisão cranial arredondada, a divisão média mais delgada, e a divisão caudal mais expandida e de formato irregular. Diversos nervos espinhais e o nervo isquiático passam através do rim. (Sisson, 1986).

1.1.1 Estrutura

O lóbulo é uma área de tecido compreendido entre os ramos terminais das veias portas renais. Os túbulos coletores estão na periferia dos lóbulos sendo interlobular de posição. As veias eferentes e as artérias estão localizadas no centro de cada lóbulo. A parte contendo não só os túbulos coletores mas também, as alças de Henle dos tipos medulares de néfron pode ser denominada de região medular do lóbulo. Já a parte larga do lóbulo, pode ser denominada de região cortical do lóbulo, contendo néfrons. (Sisson, 1986).

O lóbo no rim de aves não é bem definido como nos rins de muitos mamíferos. O conjunto de diversos feixes cônicos de túbulos coletores de diversos lóbulos adjacentes forma um grande tufo com a forma de um cone de túbulos coletores que se assemelha à pirâmide medular dos mamíferos. O tufo cônico juntamete com sua família de lóbulos, é então análogo ao lobo renal dos mamíferos. Cada lobo drena tipicamente no interior de um ramo secudário do ureter. (Sisson, 1986).

O córtex no rim das aves é formado pelas regiões largas (corticais) dos lóbulos, sendo composto por tipos corticais e medulares de néfron (exceto pelas alças de Henle deste último). A medula é formada pelas hastes dos lóbulos, sendo composta por feixes cônicos de túbulos coletores, reunidos no interior dos tufos cônicos piramidais do ureter, também incluindo as alças de Henle dos tipos medulares de néfrons. O córtex e a medula formam os estratos contínuos externo e interno, sendo esta um característica do rim de muitos mamíferos. (Sisson, 1986).

Há dois tipos principais de néfrons no rim das aves. Os néfrons do tipo cortical ocorrem em todas as regiões do córtex exceto próximo da medula, sendo semelhantes morfologicamente aos néfrons de répteis. Já os néfrons do tipo medular são limitados às regiões do córtex mais próximas da medula, sendo semelhantes na forma aos néfrons de mamíferos. ( Sisson, 1986).

Quanto ao suprimento sanguíneo do rim, ele é vascularizado pelas artérias renais cranial, média e caudal, uma para cada parte. Após muitas divisões, cada uma dá origem a microscópicas artérias intralobulares, que ocupam o centro dos lóbulos renais. Uma válvula portal regula a quantidade de sanque venoso que penetra no rim. Grande parte do sangue da veia mesentérica caudal passa pela veia porta hepática direita e pelo fígado, antes de chegar ao coração. (Dyce, 2004).

1.2 Ureter

Assim como os rins, os ureteres são pares. Cada ureter pode ser dividido em uma parte renal (passando ao longo do rim) e uma parte pélvica (correndo do rim até a cloaca). A porção cranial da parte renal situa-se na divisão cranial, mais próxima da superfície ventral. No restante do percurso, a parte renal do ureter ocupa um sulco na superfície ventral do rim. O ureter é um tubo que recebe uma série de tributários simples. A parte pélvica corre da extremidade caudal do rim para se abrir no interior da região dorsal do urodeo (dorsal ao óstio genital). Seu suprimento sanguíneo vem da artéria e veia pudenda. Nas aves, a bexiga está ausente. (Sisson, 1986). A excessão é o avestruz. (Criadouro Semear, 2010).

2. Órgãos Reprodutores Masculinos

2.1 Testículos

Os testículos esquerdo e direito estão dispostos simetricamente em cada lado da linha média, no teto do celoma. Cada testículo tem o formato de feijão. A coloração varia do branco amarelado e prateado, no macho imaturo, ao branco puro, durante a atividade sexual. Está situado cranioventralmente à divisão cranial do rim. Caudalmente aproximase da veia ilíaca comum. Cranialmente se relaciona com a superfície ventral do pulmão. Medialmente localiza-se próximo da aorta, veia cava caudal e das glândulas adrenais. O testículo ativo não é firme ao toque, como nos mamíferos. Um curto mesentério suspende o testículo no teto do celoma entre a aorta e o rim. O testículo está circundado pelos sacos aéreos abdominais, especialmente em sua extremidade cranial. A superfície do testículo está coberta pela túnica albugínea, não há mediastino do testículo. Quanto ao suprimento sanguíneo as artérias são ramos da artéria renal cranial. Há diversas pequenos ramos para parte externa do testículo, e um grande ramo que se divide no interior do órgão. (Sisson, 1986).

Fig. 1 Órgãos reprodutores masculinos. Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br

2.2 Epidídimo

O epidídimo é uma estrutura alongada e fusiforme, intimamente inserida ao longo de todo o comprimento da borda dorsomedial do testículo. A rede do testículo se estende do órgão sobre a superfície adjacente das extremidades cranial e caudal do epidídimo. O ducto epididimário é muito curto quando comparado com o do mamífero. É um tanto espiralado, e corre da extremidade cranial para a extremidade caudal da superfície dorsal do epidídimo. (Sisson, 1986).

2.3 Ducto Deferente Em todo o seu percurso o ducto deferente é sinuoso, no formato de um ziguezague apertado. O ducto corre paralelo à linha média, a princípio medial e a seguir lateralmente à parte renal do ureter; continua caudalmente, situado lateralmente à parte caudal do ureter. Juntamente com o ureter, penetra na parede da cloaca, na região dorsal do urodeo, terminando no receptáculo do ducto deferente, uma dilatação envolta em músculo cloacal. Aproximadamente no último centímetro antes do receptáculo tende a se tornar mais ou menos reto, formando a parte reta do ducto deferente. O óstio final é através de uma curta papila do ducto deferente, imediatamente ventral ao óstio do ureter. (Sisson, 1986).

2.4 Aparelho Copulatório

Está situado na região ventral da extremidade caudal da cloaca, não visível no estado de repouso. Consiste do par de papilas dos ductos deferentes, do par de corpos vasculares, do falo e do par de pregas linfáticas. Cada papila do ducto deferente é uma projeção cônica da parede do urodeo. Cada corpo vascular é um corpo achatado e fusiforme, situado na parede ventrolateral do urodeo e do proctodeo, entre a extremidade ventrolateral do urodeo e do proctodeo, entre a extremidade dilatada do ducto deferente e o falo. Consiste de numerosos tufos de capilares arteriais, cada tufo sendo envolto num ducto linfático; estes numerosos ductos linfáticos se ligam livremente com os abundantes plexos linfáticos do falo e das pregas linfáticas. O falo está situado na linha média ventral do proctodeo, imediatamente caudomedial às papilas dos ductos deferentes. Consiste de um corpo fálico mediano e dos corpos fálicos laterais pares. A prega linfática discreta está interposta entre o corpo fálico lateral e a papila do ducto deferente. Durante a excitação sexual as pregas ficam eretas. Profusos canais linfáticos no falo estão ligadas às dos corpos vasculares e das pregas linfáticas. O músculo retrator caudal do pênis insere-se no corpo mediano do falo, enquanto o músculo retrator cranial do pênis está inserido mais lateralmente na parede cloacal, próximo às pregas linfáticas. (Sisson, 1986).

3. Órgãos Reprodutores Femininos 3.1 Ovário

Desde muito cedo o ovário esquerdo torna-se maior que o direito. Antes da oclusão e por algum tempo após a mesma, o ovário esquerdo consiste de um córtex e uma medula.

A zona Parenquimatosa (córtex) circunda a medula, exceto o hilo, onde a medula está em contato com a parede dorsal do corpo. Ovogônias e oócitos estão situados no córtex.

A zona vascular (medula) é composta de tecido conjuntivo com vasos sanguíneos e nervos, compõe a parte vascular do ovário.

O ovário esquerdo ocupa a parte dorsal da região média do celoma, fica em extenso contato com a divisão cranial do rim direito. Está intimamente relacionado cranialmente com a extremidade caudal do pulmão esquerdo. Ventralmente localiza-se sob o saco aéreo abdominal esquerdo, dorsalmente está em contato com a aorta e a veia cava caudal e cobre as glândulas adrenais direita e esquerda. Contato íntimo com a glandula supra-renal esquerda. A base está inserida na parede dorsal do celoma por uma prega de peritônio, mesovário. (Sisson, 1986).

Com o ínicio da atividade sexual a distinção de córtex e medula é virtualmente perdida. Durante a atividade sexual, o ovário fica semelhante a um cacho de uva. Quando interamente ativo é de forma muito variável, dificultanto a mensuração. Após o término da fase de atividade sexual, o ovário retorna ao tamanho reduzido e ao formato da fase de repouso. (Sisson, 1986).

Já a gônada direita normalmente se comporta mais como um testículo do que como um ovário. Após a formação dos cordões sexuais para constituir a medula da gônada, o epitélio germinativo em geral permanece como uma delgada camada única de células cuboides. Depois deixa de proliferar cordões sexuais secundários e portanto não forma um córtex ativo. Estas gônadas são bipotenciais, ou seja, são parcialmente ovarianas, mas essencialmente testiculares. (Sisson, 1986).

O folículo fica suspenso pelo talo folicular, são pendulares e ficam em contato com o estômago, baço e intestinos.Cada um deles consiste de um grande oócito cheio de gema, cercado por uma parede folicular altamente vascular (Dyce, 2004). Possui 6 camadas: camada mais interna (citolema do oócito, zona radiata e membrana perivetina); estrato granuloso; teca interna; teca externa; túnica externa de tecido conjuntivo e epitélio superficial. (Sisson, 1986).

O suprimento sanguíneo do ovário esquerdo tem uma parte arterial que é nutrida pela artéria ovariana, a drenagem venosa ocorre por uma ou duas veias ovarianas formadas pelas anastomoses das veias dos talos foliculares. (Sisson, 1986).

Fig. 2 Órgãos reprodutores femininos. Fonte: w.mcguido.vet.br/anatomia.htm

3.2 Oviduto

Além de conduzir o ovo fertilizado até a cloaca, também adiciona a ele quantidades de substâncias de nutrientes e envolvendo o ovo com membranas e uma casca dá proteção ao embrião. Pode ser divido em infundíbulo, magno, istmo, útero e vagina, de acordo com a função de suas partes. O oviduto ocupa a parte dorsal esquerda da cavidade corporal, se relacionada com o rim, os intestinos e a moela. Quase totalmente funcional, é uma espiral maciça. Reduzido em aves jovens e durante o período em que não há postura. Fica suspenso a partir do teto da cavidade corporal por uma prega peritoneal (mesoviduto), e algumas espirais unem-se por uma continuação ventral, que forma o proeminente ligamento ventral muscular. (Sisson, 1986).

O Infundíbulo forma a extremidade cranial, consistindo de partes acanalada e tubular. A parte acanalada possui finas paredes e fica esticada, formando uma fenda que recebe o nome de óstio infundibular, sua extremidade lateral fica fixada à parede corporal, junto à última costela. O óstio fica posicionado pelo saco aéreo abdominal esquerdo, de tal forma que pode apanhar o oócito recém-liberado. O oócito passa pelo infundíbulo em cerca de 15 minutos, mas, durante este período, as glândulas infundibulares abastecem-no com sua camada chalazífera, fina cobertura de albúmen denso ao redor da gema. As chalazas (filamentos espiralados que suspendem a gema e permitem que ela gire para o disco germinativo permaneça para cima), embora façam parte dessa camada, desenvolvem-se mais longe, ao longo do ducto genital. (Dyce, 2004).

O magno é altamente espiralado, segmento mais longo do ducto. Suas paredes apresentam pregas mucosas e maciças, espessadas pelas glândulas que adicionam ao ovo cerca de metade do albúmen total. Na extremidade distal do magno, as pregas mucosas são baixas e a secreção é mais mucosa. O ovo leva cerca de 3 horas para atravessar essa parte. (Dyce, 2004).

O istmo é diferenciado do magno por ter uma estreita zona aglandular, mais fino e tem pregas mucosas mais baixas do que o magno. Suas glândulas secretam mais albúmen e um material que coagula rapidamente para formas duas membranas homogêneas encontradas entre o albúmen e a casca. O ovo leva mais de 1 horas para atravessar o istmo. (Dyce, 2004).

O útero é uma câmara de paredes finas, ligeiramente aumentada, com cerca de 8 cm de comprimento. Sua mucosa possui muitas pregas e cristas baixas que se achatam contra o ovo, que permanece nesse local por cerca de 20 horas. É adicionado um pouco de albúmen aquoso, arrendondando o ovo pela passagem através das membranas permeáveis. É seguido pela deposição da casca e dos pigmentos da casca, e de uma camada externa com aspecto de porcelana, a cutícula (Dyce, 2004).

A vagina é um tubo muscular em forma de S, do qual o ovo completo passa em segundos quando é expelido. Sua junção com o útero é assinalada por um esfíncter. A vagina termina em uma abertura semelhante a uma fenda, na parede lateral do urodeu. Quando o ovo é posto a abertura vaginal projeta-se através do ânus, minimizando o contato com as fezes. (Dyce, 2004).

O oviduto está suspenso no teto do celoma por uma lâmina de duas camadas de peritônio. Esta lâmina está dividida pela oviduto nos ligamentos dorsal e ventral do oviduto. (Sisson, 1986).

O suprimento sanguíneo do oviduto por quatro artérias, sendo elas, artéria cranial do oviduto, artéria média do oviduto e artéria caudal do oviduto, artéria vaginal do oviduto. Possui de 3 a 5 veias médias do oviduto, também veias uterinas caudais e veias vaginais. (Sisson, 1986).

4. Considerações finais

O aparelho urogenital das aves apesar da semelhança com os mamíferos, apresenta diversas particularidades, como a cloaca que é um orifício comum para diversas funções, desde a excreação até a postura de ovos. Porém, as funções principais dos órgãos funcionais são basicamente as mesmas, por exemplo, os rins.

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