Estudo de Caso (Saúde Mental)

Estudo de Caso (Saúde Mental)

(Parte 1 de 2)

Trabalho apresentado à Disciplina Trabalho em Campo XI (Saúde MentaI) do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Piauí – UESPI Campus de Picos – PI, ministrada pela professora Alyne Leal.

degrau por degrau”

“A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, Mark Twain

1. INTRODUÇÃO

Droga, segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), é qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento.

Uma droga não é por si só boa ou má. Existem substâncias que são usadas com a finalidade de produzir efeitos benéficos, como o tratamento de doenças, e são consideradas medicamentos. Mas também existem substâncias que provocam malefícios à saúde, os venenos ou tóxicos. É interessante que a mesma substância pode funcionar como medicamento em algumas situações e como tóxico em outras.

Por serem psicoativas produzem prazer, o que pode induzir ao abuso e dependência.

Do ponto de vista legal as drogas são classificadas em lícitas - substâncias psicoativas que estão legalmente disponíveis para o uso, socialmente aceitas e difundidas no mercado e ilícitas - substâncias psicoativas, cuja produção, venda ou uso são proibidas por lei; são prejudiciais à saúde, quando utilizadas em uma dosagem acima da capacidade metabólica do indivíduo.

As drogas lícitas mais consumidas pela população em geral, são as seguintes: álcool, cigarro, benzodiazepínicos (remédios utilizados para reduzir a ansiedade ou induzir o sono); xaropes (remédios para controlar a tosse e que podem ter substâncias como a codeína, um derivado do opióide); descongestionantes nasais (remédios usados para desobstruir o nariz) os anorexígenos (medicamentos utilizados para reduzir o apetite e controlar o peso) e os anabolizantes (Hormônios usados para aumentar a massa muscular.

As drogas ilícitas mais comuns são a cocaína, de efeito estimulante, extraída da coca, vegetal das regiões andinas da América do Sul, pode ser inalada na forma de pó refinado ou injetada na veia, misturada com água; o crack, uma variação da cocaína cujo resíduo é misturado com bicarbonato de sódio e fumado; maconha, de efeito perturbador, extraída da folha da planta Cannabis Sativa. O pó da folha ressecada é fumado; e o “ecstasy”, a chamada “pílula do amor”, por ser adquirida em forma de comprimido, é um composto de substâncias estimulantes e perturbadoras (muitas vezes utilizada em casas noturnas).

Na atualidade, convivemos com um crescimento significativo no consumo de substâncias psicoativas, que vem acompanhado do uso em idades cada vez mais precoces e do desenvolvimento de substâncias novas e vias de administração alternativas de produtos já conhecidos, com incremento nos efeitos e aumento no potencial de desenvolvimento de dependência, como temos observado no consumo de cocaína pela via pulmonar, na forma de crack.

2. OBJETIVOS:

2.1 Geral: Conhecer as características de um dependente de substâncias psicoativas

2.2 Específicos:

Identificar junto ao paciente as possíveis causas desencadeadoras de sua dependência às drogas;

Reconhecer e analisar os principais fatores de risco relacionados ao uso excessivo e indiscriminado de substâncias psicoativas

Analisar o acompanhamento e o andamento de seu tratamento, assiduidade, interesse e participação do paciente e sua familia.

Identificar os problemas pertinentes e descrever as estratégias de intervenção recomendadas ao paciente.

3. MÉTODOS:

Este trabalho constitui-se de dados obtidos através de entrevista realizada com o paciente e da análise do prontuário.

4. IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE:

NOME: E.J.L.S IDADE: 16 anos DATA DE NASCIMENTO: 26/01/1994 SEXO: Masculino ESTADO CIVIL: Solteiro ESCOLARIDADE: Ensino Fundamental Incompleto NATURALIDADE: Picos/PI DATA DE ADMISSÃO: 21/10/2008

5. HISTÓRICO

E.J.L.S, 16 anos, sexo masculino, cor branca, solteiro, natural de Picos/PI, possui ensino fundamental incompleto e não trabalha. Foi admitido no Centro de Atenção Psicossocial para usuários de álcool e drogas (CAPS ad) aos 14 anos, em 21/10/2008, para tratamento de dependência de substâncias psicoativas. Já participou de grupo de apoio psicossocial em outras ocasiões, por duas vezes. É filho de pais separados e mora com a mãe, irmã e o padrasto em casa própria. Tem vida social ativa, com muitas amizades e relacionamento familiar conturbado. Relata não ter nenhum antecedente pessoal ou familiar mórbido. Ao exame físico apresenta bom estado de hidratação e nutrição, pele e mucosas íntegras e normocoradas. No decorrer da entrevista mostrou-se tranquilo, comunicativo, lúcido e orientado, com padrão de linguagem e estado afetivo normais. Tem bom padrão de higiene e sono regular. Relata que bebe frequentemente e diz já ter sofrido três acidentes de motocicleta por andar alcoolizado. Chegou a abandonar o tratamento por duas vezes, sendo readmitido a primeira vez em agosto de 2009 e a segunda vez em agosto de 2010.

6. EXAME DOS PROCESSOS COGNITIVOS

Consciência: O paciente apresenta-se consciente. Atenção: O paciente apresenta-se atento. Orientação: O paciente apresenta-se orientado de acordo com o lugar, pessoa e tempo. Pensamento: O paciente exibe pensamentos e idéias organizados. Percepção: O paciente não apresenta perturbações da percepção. Linguagem: O paciente apresenta padrão de linguagem normal. Memória: Não se verificou qualquer alteração em relação à memória. Afeto: Paciente encontra-se com estado afetivo normal. Coordenação motora: Não apresenta alterações na coordenação motora.

7. INÍCIO E CURSO DO PROBLEMA ATUAL

O paciente atualmente faz uso de cocaína e de crack, além do álcool e do tabaco. Iniciou o uso de nicotina e de álcool aos 10 anos de idade, de cocaína aos 12 anos e usa crack a mais ou menos 2 anos. Refere que iniciou o uso das drogas por curiosidade, influenciado pelo primo; provavelmente teve certa influência também da irmã, mesmo que indiretamente. Segundo ele, a irmã faz uso de álcool de vez em quando e de nicotina excessivamente; e o primo faz uso de cocaína, inclusive é traficante da droga.

8. PRESCRIÇÃO MÉDICA

- LEVOZINE 25 mg 20:00h

9. FARMACOLOGIA

ALDOL 1mg

Indicações:

É indicado para o alívio de transtornos do pensamento, de afeto e do comportamento.

Contra- indicações:

Não deve ser tomado por: pacientes portadores de Doença de Parkinson; pessoas que apresentam sonolência e lentidão decorrentes de doença ou do uso de medicamentos ou bebidas alcoólicas; pacientes com sensibilidade exacerbada (alérgicos) ao haloperidol ou aos excipientes (componentes) da formulação.

DIAZEPAM 10mg

Indicações:

O Diazepam está indicado no alívio sintomático da ansiedade, agitação e tensão, causadas por estados psiconeuróticos e distúrbios passageiros por stress. Pode ser útil como coadjuvante no tratamento de distúrbios psíquicos e orgânicos. A ansiedade, principal sintoma sensível ao tratamento, pode se expressar por humor ansioso ou comportamento apreensivo, e/ou sob forma de sintomas funcionais, neurovegetativos ou motores, tais como: palpitação, sudorese, insônia, tremor, agitação, etc.

Contra- indicações e precauções:

O produto não deve ser usado por pacientes com hipersensibilidade aos componentes da fórmula ou por pacientes dependentes de outras drogas inclusive o álcool, exceto, neste último caso, quando utilizado para os sintomas agudos de abstinência. Informe seu médico sobre qualquer medicamento que esteja usando, antes do início ou durante o tratamento. Não deve ser utilizado no primeiro trimestre de gravidez e lactação. Durante o tratamento o paciente não deve dirigir veículos ou operar máquinas, pois suas habilidades e atenção podem estar prejudicadas.

FENERGAN 25 mg

Indicações:

É indicado no tratamento sintomático de todos os distúrbios incluídos no grupo das reações anafiláticas e alérgicas. Graças à sua atividade antiemética, é utilizado também na prevenção de vômitos do pós- operatório e dos enjôos de viagens. Pode ser utilizado, ainda, na pré-anestesia e na potencialização deanalgésicos, devido à sua ação sedativa.

Contra-indicações:

Pacientes com conhecida hipersensibilidade à prometazina ou outros derivados fenotiazínicos, assim como aos portadores de discrasias sangüíneas. Ligadas a efeito anticolinérgico: glaucoma por fechadura de ângulo; pacientes com risco de retenção urinária ligado a distúrbios uretroprostáticos.

Informações técnicas:

A levomepromazina é um derivado fenotiazínico com ação tranquilizante, anti- histamínica, antiespasmódica e antiemética, além de propriedades analgésicas. Sua potência é metade da morfina em doses equianalgésicas; o início e duração são comparáveis à morfina.

A levomepromazina é dotada de notáveis propriedades farmacológicas que permitem as mais variadas aplicações terapêuticas, tornando- a útil nos campos da Psiquiatria e da Clínica Médica (Dermatologia, Ginecologia e Obstetrícia), como o mais sedativo dos neurolépticos e o mais antiálgico dos derivados fenotiazínicos.

A levomepromazina possui ação farmacológica e terapêutica muito semelhante à Clorpromazina, sendo porém, mais potente. Possui eficiente ação sobre a agitação e ansiedade; associada à Clorpromazina, sobre a mania e outras formas de agitação.

As concentrações séricas máximas são atingidas em média de 1 a 3 horas após ingestão oral. A meia- vida é muito variável, de 15 a 78 horas, dependendo do paciente. Os metabólitos são derivados sulfóxidos e um derivado desmetilado ativo. A eliminação é urinária e fecal.

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