17100558 - Aptidao - Agricola - dos - Solos - do - Brasil

17100558 - Aptidao - Agricola - dos - Solos - do - Brasil

(Parte 1 de 7)

Número 1

Documentos ISSN 1517-2627 Outubro, 1999

APTIDÃO AGRÍCOLA DAS TERRAS DO BRASIL potencial de terras e análise dos principais métodos de avaliação

República Federativa do Brasil Presidente: Fernando Henrique Cardoso

Ministério da Agricultura e do Abastecimento Ministro: Marcus Vinicius Pratini de Moraes

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Presidente: Alberto Duque Portugal

Diretores: Elza Ângela Battaggia Brito da Cunha

José Roberto Rodrigues Peres Dante Daniel Giacomelli Scolari

Embrapa Solos

Chefe Geral: Antônio Ramalho Filho

Chefe-Adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento: Celso Vainer Manzatto Chefe-Adjunto de Apoio Técnico/Administração: Paulo Augusto da Eira

Antonio Ramalho Filho Lauro Charlet Pereira

DOCUMENTOS N° 1ISSN 1517-2627 Outubro, 1999

APTIDÃO AGRÍCOLA DAS TERRAS DO BRASIL potencial de terras e análise dos principais métodos de avaliação

Solos

Copyright © 1999. Embrapa Embrapa Solos. Documentos n° 1

Projeto gráfico e tratamento editorial André Luiz da Silva Lopes

Jacqueline Silva Rezende Mattos

Normalização bibliográfica Léa Marques de Lima

Revisão final Jacqueline Silva Rezende Mattos Sueli Limp Gonçalves

Tiragem desta edição: 300 exemplares

Embrapa Solos Rua Jardim Botânico, 1.024 22460-0 Rio de Janeiro, RJ Tel: (021) 274-4999 Fax: (021) 274-5291

E-mail: embrapasolos@cnps.embrapa.br Site: http://www.cnps.embrapa.br

Ramalho Filho, Antonio.

Aptidão agrícola das terras do Brasil: potencial de terras e análise dos principais métodos de avaliação / Antonio Ramalho Filho, Lauro Charlet Pereira. – Rio de Janeiro : Embrapa Solos, 1999. ix, 36p. – (Embrapa Solos. Documentos ; 1).

ISSN 1517-2627

1. Solo-Uso. 2. Terra-Aptidão Agrícola. 3. Terra-Uso. I. Pereira, L. C. I. Embrapa Solos (Rio de Janeiro, RJ). I. Título. IV. Série.

CDD (21.ed.) 631.47

Embrapa Solos Catalogação-na-publicação (CIP)

Antonio Ramalho Filho 1 Lauro Charlet Pereira 2

1 Pesquisador, Ph.D., Embrapa Solos. E-mail: ramalho@cnps.embrapa.br 2 Pesquisador, M.Sc., Embrapa Solos. E-mail: charlet@cnps.embrapa.br

RESUMO · vii ABSTRACT • ix

5.3 Avaliação da aptidão agrícola com ênfase nos níveis de manejo • 24

vii

O conhecimento da aptidão de terras é fator de grande importância para propiciar o uso adequado da oferta ambiental e, sobretudo, evitar possível sobreutilização dos recursos naturais. Fundamentalmente, este estudo foi realizado com o objetivo de oferecer uma visão sinóptica sobre o potencial agrícola e disponibilidade das terras do Brasil, bem como apresentar uma análise crítica sobre os principais métodos e sistemas de avaliação da aptidão das terras. Este documento é o resultado da consolidação dos estudos básicos para o planejamento agrícola das terras de cada Estado da Federação, realizados pelo Ministério da Agricultura, através da Secretaria Nacional de Planejamento - SUPLAN - entre 1977 e 1980. Não obstante o nível generalizado dos dados utilizados, foram interpretados os mais atualizados levantamentos de solos realizados no país. O estudo fornece subsídio para projetar e dimensionar a oferta potencial de terras para atender a uma demanda, também projetada, de produtos agrícolas. O método utilizado foi o “sistema de avaliação da aptidão agrícola das terras”, preconizado pela EMBRAPA Solos, no qual são adotados três níveis de manejo (níveis de tecnologia), visando diagnosticar o comportamento das terras em níveis operacionais distintos.

Termos de indexação: interpretação de levantamentos, aptidão de terras, nível de manejo, fatores limitativos das terras, graus de melhoramento.

Land Suitability of Brazil: land potential and analysis of the main land evaluation methods

The knowledge on land evaluation is an important factor which strongly contributes to the adequate management of the environment and, specially, to avoid misuse of the available natural resources. Basicaly, this document is a synopsis of a nationwide study carried out to show the land potential and its availability in Brazil, as well as to present a critical analysis on the main existing methods ordinarily used for interpreting natural resources surveys. This document consolidates the results of the basic studies for agricultural planning carried out by the Ministry of Agriculture through SUPLAN, late in the seventies. Notwithstanding the generalized level of the basic data, on natural resources, it was interpreted the most upto-date existing soil surveys in the country. This study provides subsidies to appraise land potential in the long-term in order to conform with a long-term demand for produces. The method used is the “agricultural land suitability classification system” recomended by Embrapa-Soils. This method recognizes three technological (management) levels in order to evaluate land performance under distinct operational levels.

Index terms: soil survey interpretation, landevaluation, land suitability, land quality, limiting factors, land utilization types, land improvement level, technological level.

Após séculos de melhoria na qualidade de vida dos povos, deparase, neste limiar do terceiro milênio, em termos globais, com um real agravamento dos problemas enfrentados pela humanidade, centrado, fundamentalmente, na redução progressiva da oferta ambiental, bem como no comprometimento da qualidade de vida das populações.

De acordo com os múltiplos relatórios e modelos de simulação publicados nas últimas décadas, a fotografia do ecossistema planetário tem passado por diversas e sombrias mutações. Dentre estas, destacam-se, por exemplo, as estimativas de que o mundo já perdeu, desde a metade deste século, um quinto da superfície cultivável e um quinto das florestas tropicais e que a cada ano são perdidos 25 bilhões de toneladas de húmus por efeito da erosão, desertificação, salinização e de outros processos de degradação do solo (Comissão Interministerial para a preparação da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1991).

Com isso, percebe-se nitidamente que o momento atual impõe o reconhecimento de que a humanidade atravessa um período de autêntica transição ecológica, exigindo uma reavaliação de conceitos e, certamente, mudanças de procedimentos. Na verdade, hoje não mais se admite que a evolução da sociedade busque caminhos quase sem limites em direção ao progresso, nem tampouco deposite uma confiança ilimitada nas possibilidades da tecnologia para resolver todos os problemas existentes.

A crise decorrente da situação de transição ecológica deve ser uma preocupação de todos, visto que seus efeitos deixaram de ser uma das matérias primas da mídia nacional e internacional, passando a incorporar-se ao cotidiano das populações, como parte desta consciência ecológica que, afortunadamente, nelas se instalou. À guisa de ilustração, cita-se o caso da disponibilidade de água para o consumo humano e para a agricultura, que, já na década de 1970, apresentava sérios problemas de escassez em muitos países da África, do Sudeste Asiático, do Oriente Médio e da América Latina, e que hoje converte-se num dos problemas mais preocupantes do planeta.

No caso específico do Brasil, o cenário não é muito diferente. Temse, por exemplo, o Estado de São Paulo que, apesar do grande

Aptidão Agrícola das Terras do Brasil2 desenvolvimento sócio-técnico-cultural, convive com uma perda anual de aproximadamente 130 milhões de toneladas de solo agrícola (Bertoni & Lombardi Neto, 1985). Enquanto isso, no outro extremo encontra-se a região Amazônica, cujos conhecimentos técnico-científicos a respeito de seus inúmeros ecossistemas ainda são muito limitados, permitindo a profusão de usos indiscriminados de seus recursos naturais (Rodrigues et al., 1990).

Por outro lado, poder-se-ia seguir enumerando, indefinidamente, as grandes preocupações, desequilíbrios e inadequação de usos, além de desaparecimentos e/ou comprometimentos de “elos” constituintes da grande cadeia ambiental. Contudo, a questão maior é evitar que isto aconteça, pois quando se trata da própria sobrevivência humana “é preferível estar aproximadamente correto do que precisamente equivocado”.

Deste modo, torna-se lúcido admitir que a preocupação primeira passa, necessariamente, pelo ordenamento e/ou reordenamento territorial, cuja ferramenta básica é o zoneamento agroecológico-econômico. No caso brasileiro, este discernimento faz parte da Constituição (Brasil, 1988), como pode ser observado no seu artigo 21, inciso IX, onde é delegada à União a competência de elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social (Comissão..., 1991).

Com isto, é meritório destacar a ocorrência de um real abandono da visão cartesiana do espaço geográfico, em favor de uma abordagem globalizante e integrativa para implementar uma maior acurácia na percepção da dinâmica de sistemas e subsistemas ambientais, bem como de suas interrelações. As inúmeras vantagens e resultados esperados do zoneamento podem ser resumidos a partir da definição de três grandes categorias/grupamentos de zonas, isto é:

Assim, pela ordem, as primeiras assegurariam a produção e produtividade, fundadas em bases ecodesenvolvimentistas; as segundas

Aptidão Agrícola das Terras do Brasil3 corresponderiam àquelas áreas que apresentam uma série de limitações ao uso, carecendo de técnicas de manejo e investimentos incompatíveis com os rendimentos e danos ambientais previstos; e as últimas englobariam as unidades de conservação, áreas indígenas e sítios de relevante interesse histórico, paisagístico e cultural, regulados por legislação específica.

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