Rendimento em Madeira Serrada de Jatobá (Hymenaea courbaril)

Rendimento em Madeira Serrada de Jatobá (Hymenaea courbaril)

(Parte 1 de 2)

IV Semana da Agronomia e I Simpósio de Iniciação

Científica das Ciências Agrárias

18 a 2 de outubro de 2010 Alta Floresta-MT/Brasil

Anais do I SICCA – I Simpósio de Iniciação Científica das Ciências Agrárias. 2010, p. 20-23

Rendimento em Madeira Serrada de Jatobá (Hymenaea courbaril) Yield in sawed wood of Jatobá (Hymenaea courbaril)

¹Graduando em Engenharia Florestal, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) 2Graduando em Agronomia, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) 3Professor, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e-mail: jefersoncavalett@hotmail.com

Resumo O presente trabalho objetivou avaliar o rendimento em madeira serrada da espécie jatobá (Hymenaea courbaril). Foram selecionadas, ao acaso, 30 toras que receberam desdobro primário em uma serra-fita semi automática, e obtendo um rendimento em madeira serrada de 35,18%. A espécie apresentou um baixo rendimento volumétrico quando comparado a outras espécies de propriedade semelhantes. Os principais fatores que influenciaram no baixo rendimento foram estrutura anatômica, rachaduras e intenso ataque de organismos xilófagos.

Palavras-chave: Desdobro madeira tropical, Amazônia.

Introdução O Brasil possui uma aptidão natural para a produção florestal e por isso nos últimos anos acentuou-se a instalações de complexos industriais na Amazônia, bem como o desenvolvimento de métodos de desdobro e técnicas de aproveitamento dos resíduos, com o intuito de atingir a crescente demanda por produtos madeireiros. Este avanço, porém, não foi acompanhado por pesquisas que buscassem desenvolver a utilização sustentável de outras espécies florestais alternativas (VALÉRIO et al., 2007).

No que diz respeito à madeira tropical, concomitantemente, o Brasil é o maior produtor e consumidor do mundo. Em 2002 produziu 69% do volume de madeira tropical da América do Sul e deste total explorado consumiu 86%, sendo a região amazônica a responsável por 87,5% da produção brasileira de madeira (SOUSA & GOMES, 2005 apud BIASI, 2005). No entanto, pela abundância de matéria prima na Amazônia, há níveis elevados de desperdícios por parte das indústrias madeireiras.

Contudo, segundo Lentini et al. (2005), houve uma melhoria na eficiência do processamento da madeira, pois em 1998, o rendimento médio das madeireiras era de apenas 38%, enquanto que em 2004 atingiu 42%.

As pequenas indústrias madeireiras que possuem um baixo padrão tecnológico são responsáveis por 80% do volume de madeira produzida na Amazônia e, isso leva a um desperdício acima dos níveis aceitáveis. As variações com tipo e tamanho das indústrias madeireiras, bem como as espécies utilizadas e as características dos produtos beneficiados resultam em diferenças no que tange o rendimento no desdobro de toras em produtos acabados (IBDF, 1998 apud OLIVEIRA, et al., 2003).

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Para Steele (1984) apud Scanavaca Junior (2003) a relação entre o volume de madeira serrada produzida e o volume da tora antes de ser realizado o desdobro, resulta no rendimento em madeira serrada, porcentagem de aproveitamento ou coeficiente de rendimento volumétrico (CRV), sendo que, diversos fatores afetam o coeficiente de rendimento, onde os mais importantes são: o diâmetro, o comprimento, a conicidade, a qualidade das toras e o número de produtos gerados.

Para Gatto et al. (2004), a espessura do produto gerado e largura de corte produzida pela trava dos dentes de serra durante o desdobro, influem criticamente no rendimento. Ponce (1992) afirma que a quantidade de cortes realizado, incute no rendimento, pois quanto maior o número de corte, menor será o aproveitamento final.

Para Vital (2008) tanto o rendimento quanto a eficiência de uma serraria podem ser afetados pela qualidade das toras, que está diretamente ligado com a conicidade, tortuosidade, bifurcação, tronco sulcado, excentricidade, nós, protuberâncias, inclinação de grã, rachaduras, proporção de lenho inicial e lenho tardio, anéis ondulados e tensões de crescimento.

O jatobá (Hymenaea courbaril) uma espécie arbórea tropical da família Fabaceae, cujo lenho possui alta resistência e durabilidade, tendo massa especifica de 0,85 g.cm-3 , sendo usado principalmente na construção civil, móveis de luxo e pisos. Não se há ainda estudos específicos sobre o percentual de aproveitamento do jatobá, diante desse contexto, o presente trabalho objetivou avaliar o rendimento volumétrico em madeira serrada da espécie no Norte do Estado de Mato Grosso.

Metodologia A pesquisa foi desenvolvida em uma serraria localizada no município de Guarantã do Norte, Estado de Mato Grosso, cuja matéria prima é oriunda de planos de manejo florestal sustentável, sendo realizado somente desdobro primário.

O Jatobá foi à espécie escolhida (Hymenaea courbaril) por ter alta importância econômica na Região Amazônica. Foram selecionadas 30 toras, sendo obtida a área basal das extremidades, através da média de dois diâmetros mensurados de forma cruzada sem considerar a espessura da casca, bem como o respectivo comprimento, tendo assim o volume das toras pela equação de Smalian. Para a posterior identificação das peças, as toras receberam pinturas de diferentes cores em seus respectivos topos.

As toras foram admitidas no processo de desdobro passando pela serra-fita semi automática, onde foram realizados cortes tangenciais aos anéis de crescimento, retirando costaneiras e primeiras pranchas formando posterior, há giros na tora, um semi bloco, que sofreu desdobros sucessivos originando pranchas e pranchões. Com a tora desdobrada em sua totalidade, procedeu-se a obtenção das peças e retirada do refilo na serra circular (alinhadeira), obtendo pranchões, pranchas, vigas, caibros, tábuas e sarrafos. O processo de destopo era realizado em peças que apresentavam rachaduras, apodrecimentos e padronização do comprimento comercial. Peças com comprimento inferior a 80 cm e que não apresentara defeitos foram classificadas como aproveitamento, para futuro aplicação na produção de peças menores, como cabo de espeto e de ferramentas. Ao término do processo de alinhamento e destopo, as peças eram encaminhadas a depósito para secagem natural.

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Com o término do destopo, todas as peças foram mensuradas individualmente utilizando uma trena, sendo aferido o comprimento, largura e espessura e obtendo assim o volume da peça. Pela somatória do volume individual de cada peça, calculou-se o volume de madeira serrada para as toras individualmente. Assim pela relação do volume da tora e a quantidade de madeira serrada produzida obteve-se o rendimento volumétrico de cada tora, que posteriormente realizando a média geral das toras determinou-se o rendimento volumétrico para a espécie.

Resultados e discussões O volume total de toras usado foi de 56, 964 m³, que após o desdobro resultou num volume total em madeira serrada de 20,305 m³.

A média de rendimento das trinta toras foi de 35,18%, sendo este o valor do rendimento volumétrico em madeira serrada para a espécie jatobá.

De acordo com os dados obtidos pode-se dizer que o jatobá possui um baixo rendimento volumétrico quando comparada a outras espécies que também se caracterizam como espécies de alta densidade como a itaúba (Mezilaurus itauba) com rendimento de 54% (BIASI & ROCHA, 2007), Angelim pedra (Dinizia excelsa) com 6,2% e Copiúba (Goupia glabra) com 51,93% (TONINI & ANTÔNIO, 2004).

FIGURA 1. Vista transversal das toras mostrando alburno e defeitos.

O fato de o jatobá ter apresentado um baixo rendimento pode ser explicado pela sua estrutura anatômica, pois possui uma alta proporção de alburno, o qual não possui boas propriedades físicas e mecânicas sendo descartado como resíduo; e as toras apresentarem defeitos como tortuosidade, rachaduras e intenso ataque de organismos xilófagos (FIGURA 1).

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FIGURA 2. Rendimento volumétrico das toras analisadas.

Na figura 2 são apresentados os rendimentos volumétricos das toras analisadas, onde o menor foi 24,32% e o maior 49,06%, tendo 16 toras abaixo da média, e 14 acima, obtendo um desvio padrão de 5,64. Diante da variação entre o maior e o menor rendimento pode-se afirmar novamente que a qualidade das toras é o principal fator que afeta a porcentagem de aproveitamento, visto que, o processo, os equipamentos e a equipe de trabalho são os mesmos para todas as toras.

Conclusões Conclui-se que o rendimento volumétrico do jatobá é baixo quando comparado a outras espécies, que assim como ele possuem alta densidade básica.

A estrutura anatômica, rachaduras e o intenso ataque de organismos xilófagos são os principais fatores que influenciaram no baixo rendimento.

Referências BIASI, C. P. Rendimento e eficiência no desdobro de três espécies tropicais. 2000. 73 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2005.

BIASI, C.P. ROCHA, M.P. Rendimento em madeira serrada e quantificação de resíduos para três espécies tropicais. Floresta, Curitiba, v. 37, n. 1, 14p., 2007.

GATTO, D.A.; SANTINI, E.J.; HASELEIN, C.R.; DURLO, M.D.; Qualidade da madeira serrada na região da quarta colônia de imigração italiana do rio grande do sul. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 14, n. 1, p. 223-233, 2004.

LENTINI, M.; PEREIRA, D.; CELENTANO, D.; PEREIRA, R. Fatos florestais da Amazônia 2005. Imazon, Belém, 2005. 141 p.

OLIVEIRA, A.D.; MARTINS, E.P.; SCOLFORO, J.R.S.; REZENDE, J.L.; SOUZA, A.N. Viabilidade econômica de serrarias que processam madeira de florestas nativas – o caso do município de Jaru, Estado de Rondônia. Cerne, Lavras, v.9, n.1, p. 01-15, 2003.

PONCE, R.H. Tecnologia de desdobro de pinus e eucaliptos a busca da competitividade. In: SIMPÓSIO FLORESTAL DO RIO GRANDE DO SUL – TECNOLOGIA DA MADEIRA, 2., 1992, Esteio. Anais... Santa Maria: UFSM/AGEFLOR/CEPEF/FATEC, 1992. p. 154-162.

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