Filtração Glomerular

Filtração Glomerular

(Parte 2 de 3)

– Pressão capilar10
– Pressão negativa líquido intersticial livre3
– Pressão coloidosmótica líquido intersticial8

• Forças que tendem a deslocar líquido para fora: FORÇA TOTAL PARA FORA 21 FORÇA RESULTANTE PARA DENTRO 7 mmHg Pressão de reabsorção

Equação de Starling

Qf = Kf [(Pc + πi) - (Pi + πP)]

Onde:

QF = movimento de liquido (ml/min) Kf = constante de filtração para a membrana celular Pc = pressão hidrostática capilar πi = pressão oncótica intersticial Pi = pressão hidrostática intersticial πp = pressão oncótica capilar

Constante de Filtração para a Membrana Celular (Kf)

A constante de filtração para a membrana celular define o nível de movimento de liquido em cada órgão do organismo.

– Sendo maior a movimentação de líquidos em regiões de alto Kf (ex: capilares glomerulares) e menor em região de baixo Kf (ex: cérebro).

Filtração Glomerular

Como ocorre nos outros capilares a filtração glomerular é determinada pelo equilíbrio entre as pressões hidrostáticas e coloidosmótica que atuam através da membrana capilar e pelo coeficiente de filtração capilar (kf).

Kf é produto da permeabilidade (inclui o coeficiente de difusão, coeficiente de partição e a espessura da membrana, P= KD/ Δx) pela área de superfície de filtração dos capilares.

FG = Kf x Pressão Efetiva de Filtração Os capilares glomerulares têm intensidade de filtração maior que os outros capilares devido à elevada pressão hidrostática nos glomérulos e um valor de Kf elevado. No ser humano adulto normal a taxa de filtração glomerular é em média de 125 ml/min, ou seja, 180 litros/dia (90 a140 ml/min homens e 80 a 125 ml/min nas mulheres). A partir dos 30 anos a FG começa a diminuir com a idade, sem alteração da função excretora dos rins. Este volume representa a filtração do plasma sangüíneo cerca de 60 vezes.

Fração de filtração: porção do plasma que é filtrada varia 0,15 a 0,20, cerca de 20% do plasma.

A barreira de filtração (endotélio capilar, membrana basal e fendas de filtração dos podócitos) restringe a filtração de moléculas com base no tamanho e na carga elétrica. Em geral as moléculas neutras e com raio menor que 20 Å são livremente filtradas, as maiores que 42 Å não são filtradas e as que têm entre 20 e 42 Å são filtradas em vários níveis (albumina 35,5 Å é pouco filtrada). Cerca de 7g de albumina é filtrada por dia, o que representa 0,01 % do que passa por dia pelos rins (50000g/dia). No entanto o TCP reabsorve avidamente a albumina, a urina quase não apresenta sinais desta PTN (150mg/dia - 2%).

Determinantes da Filtração Glomerular

1) Pressão Hidrostática nos interior dos capilares glomerulares (pressão hidrostática glomerular) que promove a filtração. 2) Pressão Hidrostática da cápsula de Bowman, fora dos capilares que se opõe à filtração. 3) Pressão Coloidosmótica das proteínas capilares no interior dos capilares glomerulares que se opõe à filtração. 4) Pressão Coloidosmótica das proteínas da cápsula de Bowman que promove a filtração.

Forças que Favorecem a Filtração: • Pressão Hidrostática Glomerular = 60 mmHg

• Pressão coloidosmótica da cápsula de Bowman = em condições normais a concentração de proteínas é tão baixa que é considerada nula

Forças que se Opõem a Filtração: • Pressão Hidrostática na cápsula de Bowman = 18 mmHg

• Pressão Coloidosmótica no capilar glomerular = 32 mmHg

Pressão Hidrostática Glomerular Determinada por 3 variáveis: 1) Pressão Arterial (elevação da PA tende a elevar a pressão hidrostática glomerular) 2) Resistência das arteríolas Aferentes 3) Resistência das arteríolas Eferentes.

Avaliação da função Renal

As ações coordenadas dos vários segmentos do néfron determinam a quantidade de substâncias que aparecem na urina. Isso representa os 3 processos gerais: 1) Filtração glomerular 2) Reabsorção tubular 3) Secreção de substâncias do sangue para a luz tubular O conhecimento da intensidade da FG é essencial para a avaliação da função renal. A FG é igual à soma das intensidades da filtração de todos os néfrons em funcionamento. Assim a FG é o índice de função dos rins.

Depuração Renal

Depuração ou clearence descreve a intensidade ou a velocidade com que uma substância é removida (depurada) do plasma - depuração renal intensidade de remoção pelos rins. Depuração renal = volume de plasma inteiramente depurado de uma substância pelos rins, na unidade de tempo.

C = [U]x x V [P] x

C = depuração (ml/min) [U] = concentração urinária (mg/ml) V = débito urinário por minuto (ml/min) [P] = concentração plasmática

O princípio da depuração enfatiza a função excretora do rim; ele considera apenas a intensidade com que a substância é excretada na urina e não a sua intensidade de retorno para a circulação sistêmica, pela veia renal. Assim em termos de balanço de massa a

x (Pax)Pax ~ Ux X V

intensidade de excreção urinária de x (Ux X V) é proporcional à concentração plasmática de Para igualar a intensidade de excreção urinária de x à sua concentração plasmática

(artéria renal) é necessário determinar a intensidade com que x é removido do plasma pelos rins (depuração) Pax X Cx = Ux X V

Se assumirmos que a concentração de x, no plasma da artéria renal (Px) é igual à sua concentração em uma amostra de qualquer vaso sangüíneo periférico, a seguinte relação é obtida: Cx = Ux X V

Px A depuração tem as dimensões volume/tempo e ele representa um volume de plasma do qual todas as substâncias foram removidas e excretadas na urina por unidade de tempo. Ex: [x] plasma 1mg/ml; fluxo de urina de 1ml/min; [x] urina 100 mg/ml.

Cx = 100 ml/min (100ml de plasma serão depurados de x a cada minuto).

Intensidade da FG

A Inulina, polímero da frutose de PM 5.0, pode ser usada para medir a FG (ela não é produzida pelo corpo e assim, tem de ser administrada por via venosa).

Ela é filtrada livremente e não é reabsorvida, nem secretada e nem metabolizada pelas células do néfron. Logo a quantidade de inulina excretada na urina, por minuto, é igual à quantidade filtrada a cada minuto. Quantidade filtrada = quantidade excretada

FG (intensidade de filtração glomerular) X Pin = Uin X V

=> FG = Uin X V Pin

A depuração da inulina nos dá a determinação da FG. A inulina não é a única substância que pode ser usada para medir a FG. Qualquer substância que siga os critérios abaixo servirá como marcador apropriado para a medição da FG: 1) Ser filtrada livremente pelo glomérulo para o espaço de Bowman 2) Não ser reabsorvida ou secretada pelo néfron 3) Não ser metabolizada ou produzida pelos rins 4) Não alterar a FG.

A inulina é usada em estudos experimentais (administração venosa), na prática clínica a creatinina é usada para estimar a FG. A creatinina é um subproduto do metabolismo da creatina no músculo esquelético. É produzida com velocidade relativamente constante e a quantidade produzida é proporcional a massa muscular. Não há necessidade de infusão venosa (produção endógena). Pequena quantidade é secretada no TCP (erro de aproximadamente 10%); quantidade excretada excede 10% da filtração esperada; entretanto o método usado para estimar sua concentração no plasma superestima o valor em 10%; os 2 erros se cancelam e sua depuração fornece uma medida razoavelmente precisa da FG.

Depurações Proporcionais

Depuração da Inulina = a intensidade de filtração glomerular (marcador renal perfeito).

• Cx / Cinulina = 1,0 depuração = inulina • Cx / C inulina < 1,0 depuração x menor inulina

• Cx / C inulina > 1,0 depuração > inulina

Sistema Nervoso Simpático

Todos os vasos sangüíneos dos rins incluindo as arteríolas aferentes e eferentes são ricamente inervados por fibras nervosas simpáticas, que se originam do plexo celíaco. Não há inervação parassimpática. As fibras nervosas liberam noradrenalina e dopamina. O SNS inerva também as células justaglomerulares produtoras de renina. As fibras nervosas também inervam o túbulo proximal, a alça de Henle, o túbulo distal e o ducto coletor (ativação intensifica a reabsorção de Sódio). Forte ativação simpática provoca constrição das arteríolas renais, diminuindo o fluxo sangüíneo renal e a filtração glomerular.

Hormônios e Autacóides

Norepinefrina, epinefrina e endotelina: provocam constrição dos vasos sangüíneos renais e diminuição da filtração glomerular.

Angiotensina I: potente vasoconstritor renal provoca preferencialmente constrição das arteríolas eferentes, eleva a pressão hidrostática glomerular, ao mesmo tempo em que reduz o fluxo sangüíneo renal.

Óxido Nítrico: proveniente do endotélio diminui a resistência vascular renal e aumenta a filtração glomerular. Outros vasodilatadores renais que aumentam a filtração glomerular: prostaglandinas

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