Conceituação e Planejamentode Exploração Olerícola

Conceituação e Planejamentode Exploração Olerícola

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Autores: Luiz Antonio Augusto Gomes Ernani Clarete da Silva Wilson Roberto Maluf

1- INTRODUÇÃO

O mercado de olerícolas no Brasil tem passado por profundas modificações, especialmente nas duas últimas décadas. Tem-se tornado cada vez mais competitivo, e maiores têm sido as exigências em termos de qualidade do produto final. Neste contexto, o produtor está em constante busca por uma produção de melhor qualidade, com maior produtividade e menor custo.

Nivelar o entendimento do que é olericultura é o passo inicial para que técnico e produtor possam discutir de forma produtiva todos os aspectos relacionados à atividade, buscando ser eficientes no planejamento, para atingir com sucesso os objetivos do mercado. Desta forma, é importante inicialmente situar a olericultura como uma atividade dentro de um conceito mais abrangente, que é a fitotecnia. A partir daí fazer alguns esclarecimentos sobre determinados termos, freqüentemente utilizados, bem como apresentar algumas características desta atividade.

O que produzir, quanto produzir, quando produzir e como produzir, invariavelmente, tem sido questionamentos que dificilmente são equacionadas pelo técnico ou produtor no momento de iniciar um empreendimento hortícola, principalmente quando o entendimento prévio da olericultura não existe.

Responder criteriosamente estas questões antes da implantação do empreendimento, significa estar atento à adequação de um planejamento complexo, onde a gestão correta dos fatores de produção (terra, capital e trabalho), de conformidade com o mercado e as tecnologias disponíveis, para cada realidade do produtor, devem ser considerados.

Assim, este texto tem como objetivo discutir alguns conceitos básicos sobre a olericultura, bem como organizar, de maneira prática, as informações e os procedimentos que devem preceder a implantação de um empreendimento de produção de espécies olerícolas.

2- OLERICULTURA

A palavra olericultura muitas vezes não é bem entendida, ou mesmo, é desconhecida de muitos. Ela vem do latim onde “Olus”, “Oleris”, significa hortaliça e “colere” quer dizer cultivar. É, portanto, a dedicação ao cultivo de hortaliças. Para situar a olericultura no contexto das atividades agrícolas a mesma se encontra inserida dentro de um termo mais abrangente, que é a Fitotecnia.

Grandes culturas: refere-se à exploração das culturas anuais ou perenes, normalmente cultivadas em grandes áreas. Como exemplo pode-se citar o milho, a soja, o café, a cana de açúcar, o arroz, o feijão e o algodão, entre outras.

Silvicultura: diz respeito à exploração de espécies florestais, para obtenção de madeira para diversos fins, como celulose, carvão vegetal, móveis etc.

Forragicultura: é o ramo da fitotecnia que trabalha com as plantas forrageiras, destinadas à produção de alimentos para os animais, seja através de pastagens seja através de forrageiras para corte, as quais podem ser fornecidas no cocho tanto de forma fresca como em forma de silagem ou feno.

Horticultura: este é um ramo abrangente dentro da fitotecnia, já que aí se encontram algumas atividades especializadas:

- Floricultura: produção de flores para corte

- Fruticultura: produção de fruteiras como pessego, uva, goiaba e laranja entre outras.

- Jardinocultura: cuida das plantas ornamentais

- Olericultura: é o ramo que se dedica às hortaliças, incluindo aí o morango, melão e melancia. Nos últimos anos, também tem sido incluído neste segmento as plantas medicinais e condimentares.

- Viveiricultura: produção de mudas.

De alguns anos para cá, tem-se desenvolvido no Brasil, uma atividade importante para alguns ramos da horticultura, que é a denominada Plasticultura, a qual normalmente pode ser empregada tanto pela Olericultura, como pela Fruticultura, Floricultura, Viveiricultura, etc. Esta atividade tem exercido uma importância fundamental, tanto na produção de mudas como também em plantios comerciais, contribuindo para melhorar a qualidade e a quantidade de produtos, principalmente fora da época normal de plantio

Os termos utilizados na olericultura muitas vezes não são esclarecedores, podendo causar algumas interpretações errôneas. Por exemplo:

- melão, melancia, morango: em alguns países, são estudados dentro da Fruticultura.

- batata: algumas escolas e instituições de pesquisa consideram como parte de Grandes Culturas.

- em Portugal, Horticultura em geral é empregado numa concepção mais restrita, como sinônimo de Olericultura.

2.1- CARACTERÍSTICAS DA EXPLORAÇÃO DE HORTALIÇAS

A atividade olerícola possui algumas características próprias que a diferenciam da maioria das outras culturas.

Ciclo cultural curto: isto permite que vários plantios com a mesma espécie, ou com espécies diferentes, possam ocupar o mesmo local durante o ano. Exceções existem para as hortaliças perenes ou semi-perenes, como chuchu, aspargo e alcachofra.

Aproveitamento de áreas marginais: permite aproveitamento de áreas marginais para grandes culturas, como na periferia de grandes centros, onde as terras normalmente são muito caras, ou em regiões onde as terras são de baixa fertilidade natural. Em ambos os casos a atividade comporta tanto o maior custo de aquisição da terra ou da recuperação da mesma através de adubações químicas pesadas. É uma atividade que se caracteriza pelo uso intensivo de insumos.

Utilização de pequenas áreas: em grande parte dos casos é praticada em pequenas propriedades, sendo uma característica da atividade o uso intensivo do solo.

Existem muitas exceções, como no caso da ervilha para conserva, tomate industrial e batata, que são cultivados em geral por grandes produtores.

Utilização intensiva de mão de obra: a atividade olerícola demanda um grande número de práticas culturais na condução das culturas, tais como tutoramento, amontoa, desbrota, desbaste ou raleio, adubações de cobertura, etc.

Possibilidade de alta renda bruta e líquida por unidade de área: a produção da maioria das hortaliças normalmente se dá na casa das dezenas de toneladas por hectare. As produtividades que se consegue com algumas culturas como tomate (80 t.ha-1), pimentão (45 t.ha-1), repolho (40 t.ha-1), beterraba (40 t.ha-1), entre outras servem como exemplo do que é possível se produzir por unidade de área.

Existem cerca de 70 espécies olerícolas que são cultivadas no Brasil, considerando-se apenas as três de maior importância, cebola batata e tomate, temse o seguinte quadro:

Produto Área (ha) Quantidade (1.0 t) Valor total

Valor por ha

Fonte – Agrianual 2004 – adaptado. Obs.: no caso do tomate inclui-se o tomate para indústria.

Estas características dão à olericultura um aspecto social muito importante no contexto da agricultura, já que a utilização intensiva de mão de obra e a exploração de pequenas propriedades pela própria família, permitem principalmente a fixação do homem no campo e uma maior renda para as pequenas propriedades.

2.2- TIPOS DE EXPLORAÇÃO OLERÍCOLA 2.2.1- Exploração comercial diversificada:

A exploração diversificada normalmente tem as seguintes características: - Exploração feita em áreas pequenas, porém com várias culturas.

- O produtor na maioria das vezes comercializa sua produção junto a varejistas (feiras, mercados, supermercados), ou ele próprio é o varejista, que faz a comercialização quase sempre em feiras.

- Em geral é uma atividade típica de cinturões verdes, que tenta explorar a vantagem de estar próxima de centros urbanos.

- É comum, com o tempo, tender a entrar em competição com empreendimentos imobiliários, mudando-se para terrenos mais afastados.

2.2.2- Exploração comercial especializada:

A exploração especializada, de forma diferente da anterior atua normalmente com as seguintes características:

- Normalmente trabalha com um menor número de hortaliças, variando de uma a no máximo três ou quatro.

- A tecnologia de produção utilizada é mais avançada, com maior uso de máquinas e de insumos modernos.

- Exploram áreas quase sempre maiores.

- A comercialização em geral é feita via atacadistas, em Centrais de Abastecimento (CEASA’s), ou redes de Supermercados.

- Freqüentemente praticada por empresários, mais predisposto a assimilar e a investir em novas tecnologias.

2.2.3- Para fins de industrialização

A exploração com finalidade industrial possui algumas características específicas como:

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