Produçao de Tilápia Mercado, Espécie, Biologia e Recria (Embrapa)

Produçao de Tilápia Mercado, Espécie, Biologia e Recria (Embrapa)

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a) Segunda alevinagem – O produtor adquire alevinos pós-reversão, com cerca de 14 m de comprimento total e 0,2 g a 1,0 g de peso individual. Ao chegar à fazenda, ele deve estocar os alevinos nos viveiros previamente preparados, numa densidade de 100 mil a 125 mil alevinos ha-1, mantendo uma taxa de renovação diária de 8,0 % da água do viveiro e taxa de arraçoamento de 20 % a 10 % do peso vivo, dividida em quatro a seis refeições. A quantidade de ração está mostrada na Tabela 4. Os peixes devem permanecer nessas condições por 35 dias, quando então deverão ter atingido um peso médio de 10,0 g e sobrevivência de 95 %.

Tabela 4. Quantidade de ração com 50 % de proteína bruta (PB), recomendada para 1.0 alevinos durante a segunda alevinagem em viveiros fertilizados.

(g)(g/dia)acumulada
(kg)

SemanaDiaPeso médioRação Ração

b) Fase de terminação – O produtor deve repicar (dividir os peixes) o viveiro. Para isso, recomenda-se diminuir o volume de água do viveiro e capturar os peixes com puçás quando estes estiverem na caixa de coleta. Os peixes capturados devem ser selecionados quanto ao tamanho e estado sanitário e nutricional e transferidos para um outro viveiro, também preparado previamente, como aquele que recebeu os alevinos pós-reversão. Nesse viveiro, o produtor vai estocar por hectare 25 mil alevinos de 10 g, fazer renovação diária de 5 % a 8 % do volume de água do viveiro, fornecer ração com 40 % a 28 % de PB numa taxa de arraçoamento de 8 % a 2 % do peso vivo, dividida em seis a duas refeições diárias (Tabela 5). Nessas condições, espera-se que, ao final de 133 dias (ou 168 dias a contar do início da segunda alevinagem), os peixes tenham atingido peso médio superior a 600 g e sobrevivência de 95 %.

Recria em sistema intensivo em tanques-rede Características das instalações

Os tanques-rede são estruturas de contenção de peixes, que permitem trocas constantes de água entre o reservatório e o seu interior.

médio (g) (%PB)(g/dia) acumulada(kg)

Tabela 5. Quantidade e teores de proteína bruta da ração, recomendados para 1.0 alevinos durante a fase de terminação (engorda) em viveiros fertilizados.

Fonte: Zimmermann (2005).

9Cultivares de Soja para as Regiões Norte e Nordeste do Brasil

Os tanques-rede mais usados são os construídos com telas de arame galvanizado revestido de PVC de alta aderência (Fig. 1), mas há outros materiais disponíveis no mercado, entre eles, os confeccionados com fios de poliéster revestidos de PVC de alta aderência (Fig. 12a).

Cada tanque-rede (Fig. 1) é composto de: a) tela de contenção que impede a saída dos peixes e permite a passagem da água; b) estrutura de suporte que sustenta a tela de contenção; c) tampa ou cobertura para evitar a fuga dos peixes e o ataque de predadores; d) flutuadores para manter parte do tanque-rede acima do nível da água e evitar que ele afunde; e) comedouros para colocação de ração; f) sistema de ancoragem, que pode ser feito por poitas (Fig. 12b) e/ ou cabo-guia (Fig. 12c) e tem a finalidade de evitar o deslocamento horizontal do tanque-rede.

A quantidade de peixe a ser estocada, bem como as dimensões, volume e tamanho da malha, é variável. Dessa forma, tanques-rede de 1,2 m x 1,2 m x 1,5 m (comprimento, largura e altura respectivamente), com 2 m3 de área útil e malha de 9 m ou 13 m, podem ser usados para recria de 500 tilápias acima de 20 g até atingirem peso médio de 500 g; tanques-rede de 2,0 m x 2,0 m x 1,2 m, com 4 m3 de área útil e malha de 9 m ou 13 m, podem ser usados para recria de 1.0 tilápias acima de 20 g até atingirem peso médio de 500 g; tanques-rede de 2,1 m x 2,1 m x 1,5 m, com 6 m3 de área útil e malha de 25 m, podem ser usados para recria de 1.500 tilápias acima de 50 g até atingirem peso médio de 500 g ou mais.

A produtividade em tanques-rede fica entre 50 e 200 kg de peixes/m3/safra de três a quatro meses.

No Brasil, já há legislação para a exploração de piscicultura em reservatórios públicos, a qual especifica, entre outras coisas, a espécie a ser explorada, a área a ser ocupada pelos tanques-rede, a profundidade do local onde os tanques-rede devem ser colocados e a quantidade de ração a ser administrada.

Tanque-rede em malha de poliéster revestido de PVC (azul) e colocado dentro de bolsão preto para evitar ataque de predadores.

Poita usada para ancoragem individual do tanquerede.

Fig. 1. Tanque-rede. Fonte: http://www.ferbax.com.br/p/index.html.

Tanques-rede fixados por cabos-guia com 14 m de espessura. A distância entre tanques é de uma a duas vezes o seu comprimento e entre linhas é de 25 m.

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Tabela 6. Quantidade e teores de proteína bruta da ração, recomendados para 1.0 alevinos durante a fase de terminação em tanques.

PesoRação

Semana Dia médio Ração Ração acumulada

(g) (%PB)(g/dia)(kg)
53510,5401.050 —
24168680,032—1051,089

Fonte: Zimmermann (2005).

Todo o material a ser usado na despesca e biometria [rede de arrasto ou tarrafa, baldes, puçás, balança, ictiômetro (régua)] deve ser preparado com antecedência e, com exceção da balança, deve ser desinfectado. Após a captura, os peixes devem ser pesados individualmente, determinado o seu comprimento e os dados anotados.

Feito isso, os peixes devem ser devolvidos ao viveiro ou tanque-rede.

Variáveis a serem determinadas para acompanhar o desempenho dos peixes e do cultivo:

Número de peixes da amostra

a) Peso médio (g) = Soma do peso de todos os peixes

todos os peixes
Número de peixes da amostra

b) Comprimento médio (m) = Soma do comprimento de c) Ganho diário de peso (g) = Peso médio final – Peso médio inicial Dias de cultivo

Área do viveiro ou volume do tanque-rede

d) Produção (kg m ou kg m) = Peso dos peixes e) Ganho diário de biomassa (GDB) – Expresso em kg/ha/dia, kg/m/dia ou kg/m/dia.

Manejo dos peixes

Nesse tipo de cultivo, não deve ser feita calagem e adubação da água, mas deve-se fazer o monitoramento da qualidade da água e a observação do estado sanitário dos peixes, pois qualquer problema pode ocasionar alta mortalidade.

Os cuidados com o transporte de alevinos e o peixamento são os mesmos recomendados no item 6. Já a alimentação das tilápias em tanques-rede é feita com ração comercial extrusada. Teores mais elevados de proteína bruta na ração (42 % a 32 % de PB) e maiores taxas de alimentação 6 % a 1,5 %) são recomendados para as tilápias de 30 g a 600 g criadas em tanques-rede. O número de tratos diários deve ser de quatro a dois, de acordo com o desenvolvimento dos peixes. É importante manter horários fixos de fornecimento da ração e observar se há sobras ou falta de ração, fazendo-se reajustes quando necessário para evitar desperdício ou falta de alimento (Tabela 6).

Nas condições ideais de cultivo em tanques-rede, espera-se uma conversão alimentar de 1,5 a 1,8:1 e sobrevivência de 95 %.

Determinação do desempenho das tilápias

Para acompanhar o desempenho das tilápias, o produtor deve conhecer o número total de peixes estocados em cada viveiro ou tanque-rede, o peso e o comprimento total médio, e estimar a biomassa, que é a soma do peso de todos os peixes. Após a estocagem, o produtor deve fazer biometrias dos peixes a cada 15 ou 30 dias e acompanhar a quantidade de ração administrada e o número de peixes mortos diariamente. Após a contagem, os peixes mortos devem ser retirados e, de preferência, enterrados.

Para fazer a biometria, é necessário coletar uma amostra de cerca de 10 % da população de peixes do ambiente de cultivo. Para capturar os peixes no viveiro, o produtor pode passar uma rede de arrasto ou utilizar uma tarrafa. Já nos tanques-rede, deve-se usar uma tarrafa ou puçá. Essa prática deve ser feita nas horas mais frias do dia para minimizar o estresse e a mortalidade dos peixes.

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Modelos de planilha para acompanhar o cultivo de tilápias em viveiros ou tanques-rede

Planilha para acompanhar a biometria das tilápias

ViveiroTanque-rede
(g)(m) (m)

PeixePesoComprimento total Peso Comprimento total

Dados Viveiro Tanque-rede

Data da estocagem Nº de peixes estocados Biomassa inicial (kg) Data da biometria número 1 Nº de peixes mortos no período Peso médio (g) Biomassa estimada (kg) Quant. de ração fornecida (kg) Conversor alimentar Observações Data da biometria número 2 Nº de peixes mortos no período Peso médio (g) Biomassa estimada (kg) Quant. de ração fornecida (kg) Conversão alimentar Observações

Planilha para avaliar o cultivo de tilápias em viveiros ou tanques-redes GDB = Número total de peixes estocado por área ou m X ganho diário de peso.

Número inicial de peixes

f) Taxa de sobrevivência (%) = Número final de peixes X 100 g) Biomassa líquida (kg) = Peso final total de peixes – Peso inicial total de peixes.

Biomassa líquida (kg)

h) Conversão alimentar = Quantidade de ração fornecida (kg)

Planilha para acompanhar o fornecimento da ração

Data ManhãTarde Manhã Tarde

Viveiro Tanque-rede Data

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Referências

BOYD, C. Manejo do solo e da qualidade da água em viveiro para aqüicultura. Campinas: Associação Americana de Soja, 1997. 5 p.

CASTAGNOLLI, N. Piscicultura de água doce. Jaboticabal: FUNEP, 1992. 189 p.

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