Manual prático de TN

Manual prático de TN

(Parte 1 de 8)

Manual Prático de

Terapia Nutricional

Professora: Valéria Araújo Cavalcante

http://valeriaaraujocavalcante.blogspot.com/

Revisão em julho de 2010

SUMÁRIO

Apresentação...............................................................03

Resumo.......................................................................05

Conceitos básicos........................................................06

Capítulo 1: Avaliação Nutricional..............................07

Capítulo 2: Avaliação subjetiva global.......................33

Capítulo 3: Métodos para estimar a composição corporal.......................................................................37

Capítulo 4:Estimativa das necessidades calóricas......40

Histórico do Suporte nutricional ................................44

Capítulo 5: Suporte nutricional enteral.......................46

Capítulo 6: Suporte nutricional parenteral..................65

Bibliografia.................................................................75

Apresentação

O presente trabalho surgiu da necessidade de fornecer um material mais objetivo que permitisse aos alunos de pós-graduação formados na área de saúde obter o conhecimento sobre terapia nutricional necessário a sua prática dentro da UTI e/ou hospitais/clínicas.

Tendo em vista que a Terapia Nutricional é de responsabilidade da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional, e que para cada membro há atribuições e responsabilidades, faz-se necessário democratizar esse conhecimento, ainda muito restrito e pouco explorado dentro dos cursos de medicina e de outros cursos diferentes de nutrição.

Devido aos bons resultados na recuperação do paciente grave e dos custos serem potencialmente maiores na presença de desnutrição, a opção pela iniciativa de combate a desnutrição tem sido mais viável como forma de redução de custos. Visto que, pacientes graves, tendem a ficar desnutridos pela própria condição de estresse metabólico, o que piora seu quadro mantendo-o mais tempo na UTI, submetendo-o a maior risco de complicações.

Os requisitos mínimos relativos à Terapia Nutricional estão previstos na Portaria Nº 272/1998 e Resolução Nº 63/2000 da ANS/MS, neles constam as responsabilidades e atribuições dos profissionais da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN).

Através das Portarias Nº 343, 131, 135/2005, o Ministério da Saúde estabeleceu a Terapia Nutricional como Assistência de Alta Complexidade. Com a inclusão desse serviço no SUS, para acesso, os hospitais devem criar protocolos, ter equipe capacitada, fiscalização periódica e acompanhamento do paciente desde a internação até a alta.

Este avanço na saúde brasileira tem se refletido na busca de conhecimento nesta área por vários profissionais que precisam lidar com esta nova ferramenta de trabalho de forma mais eficiente possível.

Se este trabalho, de linguagem simples e acessível, contribuir para o conhecimento e prática clínica dos colegas da área de saúde, o objetivo terá sido alcançado.

Resumo

Nos últimos anos tem-se testemunhado a Terapia Nutricional como uma grande aliada na melhora da resposta metabólica, inflamatória e imunológica dos pacientes de UTI. Deste modo, a classificação e diagnósticos das alterações clínicas, metabólicas e nutricionais, a estimativa das necessidades nutricionais, planejamento, escolha das vias de acesso, conhecimento das complicações, uso de nutrientes específicos, entre outras ações necessárias são indispensáveis para o sucesso do resultado.

Dedico este trabalho aos meus alunos de TN no Paciente Crítico das turmas de especialização em Medicina Intensiva e Terapia Intensiva.

Conceitos básicos

Avaliação Nutricional: determina o estado nutricional por meio de análise da história clínica, dietética e social, dados antropométricos, bioquímicos e interações drogas X nutrientes;

Terapia Nutricional: ação que comporta 2 etapas, a avaliação nutricional e o tratamento ou terapia;

Terapia Nutricional: conjunto de procedimentos como destinados a recuperar e/ou manter o estado nutricional do paciente por meio da nutrição Enteral ou Parenteral;

Nutricional Enteral: administração de alimentos para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou estimada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializada ou não, utilizada exclusiva ou parcialmente para substituição total ou parcial da alimentação oral para pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou a manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas;

Nutrição Parenteral: solução ou emulsão, composta basicamente de carboidratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais, estéril e apirogênica, acondicionada em recipiente de vidro ou plástico, destinada à administração intravenosa em pacientes desnutridos ou não, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando à síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas;

Equipe Multiprofissional em Terapia Nutricional: composta por médico, nutricionista, enfermeiro e farmacêutico e outros profissionais de saúde devidamente habilitados na área;

1. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL

Considera:

História Clínica: principais queixas, doenças atuais ou passadas, cirurgia, condições atuais de saúde, alergias, historia familiar de doenças, aspectos psicológicos, revisão do problema orgânico sob o ponto de vista do paciente;

História Nutricional: anorexia, ageusia, disgeusia, anosmia, uso de álcool, uso de dentadura, modismo alimentar, problemas de mastigação e deglutição, refeições fora de casa e freqüência, interação drogas x nutrientes, restrições alimentares por motivos religiosos ou culturais (tabus), incapacidade se alimentar por mais de 7(sete) dias, mudanças no paladar, dependência alimentar;

Dados antroprométricos: método barato, simples, seguro, fácil de executar, com confiabilidade ↑ 90% quando medidos com precisão, fornecem boa interpretação quando medidos durante um período de tempo, sofrem influências de fatores étnicos, familiares, ambientais e peso ao nascer;

Peso:

  • Soma de todos os componentes do corpo;

  • Alterações refletem mudanças nos níveis de proteínas e energia, ou seja, reserva adiposa e muscular;

  • Reflete uma condição nutricional recente;

  • Métodos para medir peso corpóreo: peso ideal/altura, peso habitual e peso atual;

  • Medida de peso em pessoas com amputações considera a parte amputada:

P = P x 100 / 100% - % amputado

Mão = 0,8%

Antebraço = 2,3%

Braço até o ombro = 6,6%

Pé = 1,7%

Perna abaixo do joelho = 7,0%

Perna acima do joelho = 11,0%

Perna inteira = 18,6%

Em pacientes edemaciados estima-se o peso seco considerando:

Edema

localização

Excesso de peso hídrico

+

tornozelo

1kg

++

joelho

3 a 4kg

+++

base da coxa

5 a 6kg

++++

anasarca

10 a 12kg

Martins, C., 2000

Em paciente com ascite estima-se o peso de acordo com o grau:

Grau da ascite

Peso Ascítico

Edema periférico

Leve

2,2kg

1,0kg

Moderada

6,0kg

5,0kg

Grave

14,0kg

10,0kg

Castellani, 2002

A compleição óssea deve ser considerada subtendendo uma variação +/- 10% do Peso em relação peso ideal:

Compleição óssea = Altura (cm)/Circunferência de punho (cm)

Homens

>10,4

pequena

9,6 a 10,4

média

< 9,6

grande

Castellani, 2002

Mulheres

> 11

pequena

10,1 a 11

Média

< 10,1

grande

Castellani, 2002

Pode-se ainda estimar o peso de pacientes acamados através da balança-maca (ideal) ou pela estimativa do peso teórico/ideal considerando as variações de +/-10% acima ou abaixo desse peso, usando o índice de massa corporal (IMC) médio proposto pela FAO (1985):

Peso Teórico = altura (cm) X IMC médio

Considerando: IMC médio para Homens = 22kg/m²

IMC médio para Mulheres = 20,8kg/m²

Segundo a ASPEN (1988) o peso teórico de pacientes com IMC>27kg/m², deve ser calculado usando-se a fórmula de ajuste de peso ideal, já que o peso ajustado é o que melhor se correlaciona com a massa metabolicamente ativa desses indivíduos:

Ajuste do Peso Ideal = (Peso atual – peso ideal) x 0,25 + Peso ideal

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