Solos - Manejo Integrado e Ecológico

Solos - Manejo Integrado e Ecológico

(Parte 1 de 7)

Porto Alegre, 2000

http://w.emater.tche.br

EMATER/RS – Rua Botafogo, 1051 – 901150-053 – Porto Alegre – RS – Brasil fone (0XX51) 233-3144 – fax (0XX51) 233-9598 tiragem: 1.0

F382s FERREIRA, T.N. (Coord.); SCHWARZ, R.A. Coord.);

STRECK, E.V. (Coord.) Solos: manejo integrado e ecologico - elementos básicos. Porto Alegre: EMATER/RS, 2000. 95p.

- Claudino Monegat - Edemar Valdir Streck

- Fernando Ripalda de Freitas

- Itacir Barreto de Melo

- Luiz Antônio Rocha Barcellos

- Jorge Silvano Silveira

- Jorge Vivan

- Ricardo Altair Schwarz

- Soel Antônio Claro

- Tabajara Nunes Ferreira

- Alberto Bracagioli Neto – EMATER - RS - Antoninho L. Berton – EMATER - RS

- Claudino Monegat – EPAGRI – SC

- Edemar Valdir Streck – EMATER – RS

- Ernildo Rowe – EPAGRI - SC

- Fernando Ripalda de Freitas – EMATER – RS

- Francisco Roberto Caporal – EMATER – RS

- Gervásio Paulus – EMATER - RS

- Itacir Barreto de Melo – EMATER – RS

- Jackson Ernani Fiorin – FUNDACEP

- José Antônio Costabeber – EMATER - RS

- Leandro Wildner – EPAGRI - SC

- Luiz Antônio Rocha Barcelos – EMATER – RS

- Marimônio Alberto Weingärtner – CAPA – São Lourenço do Sul

- Mário Antônio Bianchi –FUNDACEP

- Ricardo Altair Schwarz – EMATER - RS

- Soel Antônio Claro – EMATER – RS

- Tabajara Nunes Ferreira – EMATER- RS

Tabajara Nunes Ferreira Ricardo Altair Schwarz Edemar Valdir Streck

1 Introdução07
2 Levantamento e classificação dos solos08
2.1 Referências Bibliográficas1
3 Capacidade de uso das terras12
3.1 Referências Bibliográficas14
4 Amostragem do solo no sistema plantio direto15
4.1 Referências Bibliográficas15
5 Correção da acidez do solo16
5.1 Referências Bibliográficas20
6 Adubação do solo no sistema plantio direto21
6.1 Adubação verde23
6.1.1 Reciclagem de nutrientes23
6.1.2 Adubação somente com biomassa30
6.2 Adubos orgânicos31
6.3 Uso de cinzas vegetais35
6.4 Fosfatos naturais reativos37
6.5 Referências Bibliográficas38
7 Plantas protetoras e melhoradoras do solo41
7.1 Efeito das plantas de cobertura sobre as condições químicas do solo42
7.2 Efeito das plantas de cobertura sobre as condições físicas do solo45
7.3 Efeito das plantas de cobertura sobre as condições biológicas do solo47
7.4 Outros benefícios das plantas de cobertura49
7.4.1 Apicultura49
7.4.2 Forrageiras50
7.4.3 Alelopatia50
7.5 Espécies usadas para cobertura verde5
7.6 Manejo das plantas de cobertura58
7.6.1 Áreas com pedregosidade58
7.6.2 Áreas localizadas em terrenos mais favoráveis59
7.6.2.1 Azevém59
7.6.2.2 Mucuna59
7.6.2.4 Aveia preta61
7.6.2.5 Ervilhaca comum61
7.6.2.6 Gorga61
7.7 Considerações finais62
7.8 Referências Bibliográficas63
8 Máquinas e equipamentos para manejo das plantas de cobertura65
8.1 Rolo faca65
8.1.1 Manejo da operação de rolagem6
8.2 Grade de discos67
8.3 Grade de dentes68
8.4 Rolo disco69
8.5 Rolo picador70
8.6 Roçadeira70
8.7 Segadeira71
8.8 Triturador72
8.9 Distribuidores de calcário e de estercos sólidos72
8.10 Referências Bibliográficas73
9 Técnicas conservacionistas complementares74
9.1 Métodos de preparo do solo74
9.1.1 Preparo reduzido do solo74
9.1.2 Cultivo mínimo75
9.2 Métodos mecânicos e vegetativos para redução da enxurrada76
9.3 Rotação lavoura-pecuária78
9.3.1 Sistema melhorado79
9.3.2 Pastagens permanentes80
9.3.3 Período de retirada dos animais81
9.3.4 Zoneamento agroclimático para forrageiras83
9.4 Referências Bibliográficas86
10 Florestas ecológicas8
10.1 Referências Bibliográficas91
no período de verão92

5 ANEXO A Características de algumas espécies protetoras e melhoradoras do solo

ANEXO B Utilização do densímetro para estimar o teor de matéria seca, N, P2O5 e K2O no esterco líquido de bovinos e matéria seca e N no esterco líquido de

suínos93

SOLOS - MANEJO INTEGRADO E ECOLÓGICO Elementos básicos

1 INTRODUÇÃO

A presente publicação se propõe a apontar caminhos teóricos e práticos, com vistas a implantar sistemas de produção a partir do manejo ecológico do solo, sem o uso de agrotóxicos, embasados na cobertura permanente do solo e no Sistema Plantio Direto.

As informações contidas neste trabalho têm fundamentação científica, na tentativa de oferecer maior segurança nas discussões, debates e indicações das técnicas e procedimentos aos agricultores. Apesar das limitações quanto à disponibilidade deste tipo de informação, procurou-se ordenar os conteúdos, dando-se um sentido didático e prático para o exercício de um trabalho melhor tecnificado na agricultura.

Nos primeiros capítulos são abordadas, de forma sucinta, as principais características dos solos e suas relações com as propriedades e limitações de uso, e que conduzem à conceituação das categorias de capacidade de uso das terras. O uso adequado das terras é o primeiro passo para uma agricultura sustentável.

Os capítulos seguintes tratam de aspectos relacionados a fertilidade do solo, tendo como pressuposto básico a adoção do sistema plantio direto, tendo em vista as diversas vantagens que o mesmo representa em relação aos outros sistemas de preparo e plantio. Procurou-se apresentar informações que possam servir de subsídio às atividades dos extensionistas rurais, usando uma linguagem que fosse acessível, com destaque para os assuntos relativos a reciclagem de nutrientes e uso de formas orgânicas de adubação.

Capítulo especial foi destinado ao uso de espécies protetoras e melhoradoras do solo, salientando-se os seus efeitos sobre as condições físicas, químicas e biológicas do solo e a ação alelopática de algumas espécies vegetais, tema que ainda requer muitos estudos. O manejo das principais espécies de cobertura, objetivando o não uso de herbicidas, também é tratado neste capítulo, bem como no seguinte, onde são mostrados os equipamentos e máquinas mais utilizados pelos agricultores.

Em seqüência são apresentadas técnicas complementares para a conservação do solo e água, desde sistemas de preparo do solo até a rotação lavoura-pecuária, com a relação das principais forrageiras indicadas para o estado do Rio Grande do Sul. Finalmente, salientou-se o papel da floresta no equilíbrio dos ecossistemas, na influência que promove sobre o clima, solo e água, e nos reflexos que produz sobre a vida urbana e rural.

Temos consciência que o nível e o volume de informações da Pesquisa Oficial relacionadas a agricultura convencional estão sedimentadas na sua difusão, com apoio dos fóruns tecnológicos específicos (fertilidade, conservação do solo, etc.) formados por praticamente todas as instituições do estado. Acredita-se que no período de transição o conteúdo deva ser bastante discutido com os segmentos geradores de informações, na expectativa de ver implantado o almejado manejo integrado e ecológico do solo.

O presente trabalho poderá ser útil nesta fase de transição, enquanto mais resultados de pesquisa e maior número de validações científicas venham a oferecer a necessária segurança, para que as recomendações possam ser generalizadas, principalmente no âmbito da agricultura familiar.

Em consonância com a linha ecológica preconizada pela Secretaria da

Agricultura e Abastecimento e EMATER/RS, espera-se que estes Elementos Básicos possam nortear as ações extensionistas junto aos produtores rurais, para uma agricultura e produção de melhor qualidade, na trilha do desenvolvimento sustentável no Rio Grande do Sul.

2 LEVANTAMENTO E CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS

A intervenção do homem no meio ambiente tem ocorrido no sentido de usar os recursos naturais para a obtenção de alimentos e, com a expansão populacional, na busca do aumento da produtividade e produção. Os preparos intensivos do solo, os desmatamentos e as queimadas provocaram, no passado, o desequilíbrio e o comprometimento da flora e fauna, da água e do solo, bem como, causaram modificações no clima regional. O manejo inadequado do solo tende a alterar as características químicas, físicas e biológicas, e acelerar o processo de degradação deste e do meio ambiente. Para que o solo seja usado de forma adequada é importante caracterizá-lo quanto às suas propriedades morfológicas, físicas e químicas, que normalmente é feito através dos levantamentos pedológicos. Estes levantamentos têm por objetivo sistematizar o conhecimento dos solos, possibilitando a sua identificação, mapeamento e recomendação de uso.

As informações sobre classificação dos solos, atualmente disponíveis no Rio

Grande do Sul, com exceção de algumas áreas restritas onde foram feitos levantamentos mais detalhados, restringem-se a relatórios de levantamentos feitos ao nível de reconhecimento. Nestes, o mapeamento é pouco preciso e inadequado para o planejamento conservacionista em propriedades agrícolas ou em microbacias hidrográficas. Esta forma de planejamento requer levantamentos detalhados dos tipos de solos e das características do meio físico, como profundidade, fases de declive, pedregosidade, grau de erosão e condições de drenagem.

O levantamento de solos é importante para a realização de zoneamentos agroecológicos e previsões quanto a utilização e produtividade das terras de uma região, sob determinadas condições de manejo. Para isso, é essencial dispor-se de conhecimentos sobre a formação do solo, ambiente onde ele se desenvolve e sobre as alterações que, eventualmente, venham ocorrer em conseqüência do uso. Estas informações podem ser consubstanciadas através da identificação das características morfológicas, físicas e químicas, classificação do solo, mapeamento das unidades e elaboração das interpretações (Soil Survey Manual, 1951; Ranzani, 1969).

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