Antropologia

Antropologia

CENTRO DE ENSINO SUPERIOR ATENAS MARANHENSE

FACULDADE ATENAS MARANHENSE DE IMPERATRIZ

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

FABIANE COSTA DAS CHAGAS

O QUE É CULTURA

Imperatriz 2010

FABIANE COSTA DAS CHAGAS

O QUE É CULTURA

Resumo apresentado à disciplina de Sociologia, do Curso de Administração, Período II, Turma B da Faculdade Atenas Maranhense de Imperatriz – FAMA para obtenção de nota.

Orientador: Mércia Maria de S. dos Santos

Imperatriz 2010

SANTOS, José Luiz dos.O que é Cultura. 14 ed. ­­­- São Paulo: Brasiliense, 1994. – (Coleção primeiros passos; 110)

Cultura é uma preocupação contemporânea, bem viva nos tempos atuais. É uma preocupação em entender os muitos caminhos que conduziram os grupos humanos às suas relações presentes e suas perspectivas de futuro. As transformações por que passam as culturas, seja movida por suas forças internas, seja em conseqüência desses contatos e conflitos, mais freqüentemente por ambos os motivos. Assim, cultura diz respeito à humanidade como um todo e ao mesmo tempo a cada um dos povos, nações, sociedades e grupos humanos.Cada realidade cultural tem sua lógica interna. Entendido assim, o estudo da cultura contribui no combate a preconceitos, oferecendo uma plataforma firme ara o respeito e a dignidade nas relações humanas. Na verdade, se a compreensão a cultura exige que se pense nos diversos povos, nações, sociedades e grupos humanos, é porque eles estão em interação. Se não estivessem não haveria necessidade, nem motivo nem ocasião para que se considerasse variedade nenhuma.Saber se há uma realidade cultural comum à nossa sociedade torna-se uma questão importante. Do mesmo modo evidencia-se a necessidade de relacionar as manifestações e dimensões culturais com as diferentes classes e grupos que a constituem.Vejam, pois que a discussão sobre cultura pode nos ajudar a pensar sobre nossa própria realidade social, o de por que as culturas variam tanto e de quais os sentidos de tanta variação.Mais importante ainda é observar que o destino de cada agrupamento esteve marcado pelas maneiras de organizar e transformar a vida em sociedade e de superar os conflitos de interesse e as tensões geradas na vida social.Cada resultado de uma história particular, e isso incluem também suas relações com outras culturas, as quais podem ter características bem diferentes. Pensa-se em hierarquizar essas culturas segundo algum critério.Argumenta-se aqui que cada cultura tem seus próprios critérios de avaliação e que para tal hierarquização ser construída é necessário subjugar uma cultura aos critérios de outra.Todas as sociedades humanas fariam necessariamente parte dessa escala evolutiva, dessa evolução em linha única. Assim, a diversidade de sociedades existentes no século XIX representaria estágios diferentes da evolução humana: sociedades indígenas da Amazônia poderiam ser classificadas no estágio da selvageria; reinos africanos, no estágio da barbárie. Quanto à Europa classificada no estágio da civilização, considerava-se que ela já teria passado por aqueles outros estágios.As concepções de evolução linear foram atacadas com a idéia de que cada cultura tem sua própria verdade e que a classificação dessas culturas em escalas hierarquizadas era impossível, dada a multiplicidade de critérios culturais.A diversidade das culturas existentes acompanha a variedade da história humana, expressa possibilidades de vida social organizada e registra graus e formas diferentes de domínio humano sobre a natureza. A idéia de uma linha de evolução única para as sociedades humanas é, pois, ingênua e esteve ligada ao preconceito e discriminação raciais. Verifica-se assim que as observações de cultura alheia se fazem segundo pontos de vista definidos pela cultura do observador, que os critérios que se usa para classificar uma cultura são também culturais. Ou seja, segundo essa visão, na avaliação de culturas e traços culturais tudo é relativo. Passa-se assim da demonstração da diversidade das culturas para a constatação do relativismo cultural. Observem o quanto essa equação é enganosa. Só se pode propriamente respeitar a diversidade cultural se entender a inserção dessas culturas particulares na história mundial. Não há superioridade ou inferioridade de culturas ou traços culturais de modo absoluto, não há nenhuma lei natural que diga que as características de uma cultura a façam superior a outras. As culturas e sociedades humanas se relacionam de modo desigual. As relações internacionais registram desigualdades de poder em todos os sentidos, os quais hierarquizam de fato os povos e nações. É importante considerar a diversidade cultural interna à nossa sociedade; isso é de fato essencial para compreendermos melhor o país em que vivemos. Mesmo porque essa diversidade não é só feita de idéias; ela está também relacionada com as maneiras de atuar na vida social, é um elemento que faz parte das relações sociais no país. Mesmo as sociedades indígenas mais afastadas têm seu destino ligado à sociedade nacional que em sua expansão as envolve, coloca em risco sua sobrevivência física e cultural, conduz a mudanças em sua forma de viver e as introduz a novas concepções de vida, a novas técnicas, a um novo idioma e a novos problemas. Por cultura se entende muita coisa, e a maneira como falei dela nas páginas anteriores é apenas um entre muitos sentidos comuns de cultura. Cultura está muito associada a estudo, educação, formação escolar.Assim, cultura diz respeito a tudo aquilo que caracteriza a existência social de um povo ou nação, ou então de grupos no interior de uma sociedade. Cultura refere-se a realidades sociais bem distintas. Cultura era então uma preocupação de pensadores engajados em interpretar a história humana, em compreender a particularidade dos costumes e crenças, em entender o desenvolvimento dos povos no contexto das condições materiais em que se desenvolviam. É preciso considerarmos dois aspectos principais aos quais a consolidação das preocupações com cultura esteve associada. Em primeiro lugar, foi no século XIX que se tornou dominante uma visão laica, quer dizer, não-religiosa, do mundo social e da vida humana. Até então o cristianismo tivera força para se impor na definição de práticas e comportamentos; a visão de mundo cristã oferecia à Europa os modelos principais que ordenavam o conhecimento e a interpretação do mundo e das relações sociais. Assim a moderna preocupação com cultura nasceu associada tanto a necessidades do conhecimento quanto às realidades da dominação política. Na América Latina, e o Brasil é bem um caso, as culturas de povos e nações que habitavam suas terras antes da conquista européia foram sistematicamente tratadas como mundos à parte das culturas nacionais que se desenvolveram. O importante para pensarmos a nossa realidade cultural é entendermos o processo histórico que a produz, as relações de poder e o confronto de interesses dentro da sociedade. Cultura pode por um lado referir-se à alta cultura, à cultura dominante, e por outro, a qualquer cultura. No primeiro caso, cultura surge em oposição à selvageria, à barbárie; cultura é então a própria marca da civilização. Ou ainda, a alta cultura surge como marca das comadas dominantes da população de uma sociedade; se opõe à falta de domínio da língua escrita, ou à falta de acesso à ciência, à arte e à religião daquelas camadas dominantes. Nas transformações da idéia de cultura durante os séculos XVIII e XIX, a discussão sobre cultura surgiu associada a uma tentativa de distinguir entre aspectos materiais e não-materiais da vida social, entre a matéria e o espírito de uma sociedade. Cultura é uma construção histórica, seja como concepção, seja como dimensão do processo social. Ou seja, a cultura não é algo natural, não é uma decorrência de leis físicas ou biológicas. Ao contrário, a cultura é um produto coletivo da vida humana. Uma das características de muitas das sociedades contemporâneas, inclusive a nossa própria, é a grande diversificação interna. As preocupações com cultura popular são tentativas de classificar as formas de pensamento e ação das populações mais pobres de uma sociedade, buscando o que há de específico nelas, procurando entender a sua lógica interna, sua dinâmica e, principalmente, as implicações políticas que possam ter. De fato, ao longo da história a cultura dominante desenvolveu um universo de legitimidade própria, expresso pela filosofia, pela ciência e pelo saber produzido e controlado em instituições da sociedade nacional, tais como a universidade, as academias, as ordens profissionais (de médicos, advogados, engenheiros e outras). Para ser pensada assim, a cultura popular tem de ser encarada não como uma criação das instituições dominantes, mas como um universo de saber em si mesmo constituído, uma realidade que não depende de formas externas, ainda que se opondo a elas. Outro problema é que é muito difícil numa sociedade como a nossa estudar manifestações culturais que não estejam relacionadas às poderosas instituições dominantes e suas concepções. Observem que uma insistência em opor popular e erudito acabaria por operar às avessas: ao invés de nos preocuparmos com a realidade cultural de um setor da população, definiríamos o setor da população de acordo com a realidade cultural. Apesar das diferenças que pode haver entre as duas preocupações, falar em cultura de classe tem dificuldades em comum com o estudo da cultura popular. O que se pode fazer ao falar em cultura de uma classe social é procurar localizar os núcleos mais importantes de sua existência social, as relações que definem essa existência, procurando a expressão cultural deles. Mas essa é sempre uma preocupação limitada. No caso das modernas sociedades industrializadas é comum que elas sejam consideradas como sociedades de massa, onde as instituições dominantes têm de prover e até mesmo criar as necessidades de multidões e de seus participantes anônimos, da mesma forma que desenvolvem mecanismos eficazes para controlar essas massas humanas, fazê-las produzir, consumir e se conformar com seus destinos e sonhos. Vimos que entre cultura e nação há relações antigas; ambas são áreas de preocupação que estiveram associadas de perto em seu desenvolvimento.Cultura e nação são dimensões de referência necessárias para se entender o mundo contemporâneo. Pode-se, assim, entender a cultura nacional como a cultura comum de uma sociedade nacional, uma dimensão dinâmica e viva, importante nos processos internos dessa sociedade, importante para entender as relações internacionais. É importante ressaltar que a ciência e a tecnologia são aspectos da cultura por causa do impacto direto que têm nos destinos das sociedades atuais. O seu controle é um dos aspectos das relações de poder contemporâneas. A cultura em nossa sociedade não é imune às relações de dominação que a caracterizam. Mas é ingênuo pensar que, se a cultura comum é usada para fortalecer os interesses das classes dominantes, ela deve ser por isso jogada fora. Não podemos fazer é discutir sobre cultura ignorando as relações de poder dentro de uma sociedade ou entre sociedades. Elas se consolidaram junto com o processo de formação de nações modernas dominadas por uma classe social. As preocupações com cultura surgiram assim associadas tanto ao progresso da sociedade e do conhecimento quanto a novas formas de dominação. Hoje em dia os centros de poder da sociedade se preocupam com a cultura, procuram defini-la, entendê-la, controlá-la, agir sobre seu desenvolvimento. Como vocês podem ver, as preocupações com a cultura mantêm sua proximidade com as relações de poder. Da mesma forma, a cultura pode ser tratada como uma realidade estanque, de características acabadas, capaz de explicar a vida da sociedade e o comportamento de seus membros: se a cultura não mudasse não haveria o que fazer senão aceitar como naturais as suas características, e estariam justificadas assim as suas relações de poder.Insistir no entanto em que o equívoco está na maneira de tratar a cultura, e nem sempre nos temas e preocupações que essas maneiras revelam. Assim, podemos reter da comparação entre culturas e realidades culturais diversas, a compreensão de que suas características não são absolutas, não respondem a exigências naturais, mas sim que são históricas e sujeitas a transformações.

A cultura é uma produção coletiva, mas nas sociedades de classe seu controle e benefícios não pertencem a todos. Entendemos neste caso que a cultura diz respeito a uma esfera, a um domínio, da vida social. Contam-se inúmeras definições de cultura, mas podemos nos valer de certos procedimentos metodológicos: 1) partir de uma noção básica de cultura; 2) não erigir nenhuma definição de cultura como a única verdadeira e exata; 3) procurar sempre captar ou explicitar a área conceitual em que se está trabalhando no momento; 4) distinguir claramente cultura de outros termos próximos ou costumeiramente aproximados; 5) perceber e diferenciar os enfoques mais constantes e mais ricos de cultura, a saber, o enfoque filosófico, o humanista, o etnológico e o da antropologia cultural. A cultura é o desenvolvimento intelectual do ser humano, são os costumes e valores de uma sociedade.

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

SANTOS, José Luiz dos. O que é Cultura. 14 ed. ­­­- São Paulo: Brasiliense, 1994. – (Coleção primeiros passos; 110)

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