Manual criação de algas

Manual criação de algas

(Parte 1 de 4)

1. Introdução3
Como se cultivam algas5
Espécie cultivada5
Ciclo de vida7
2. Seleção do local8
Correnteza8
Salinidade10
Temperatura10
Ocorrência de outras algas1
Tipo de fundo12
Profundidade13
Acesso ao local14
Abrigo de ondas e "ressacas"14
Ausência de conflitos de uso e de interesse14
Aspectos legais15
3. Construção16
Estrutura de cultivo16
4. Manejo19
Instalação19
Manutenção25
Colheita28
5. Secagem e comercialização32
6. Organismos prejudiciais35
7. Avaliação econômica e plano de trabalho38

Série Maricultura Cultivo de Algas

Textos Miguel da Costa Accioly

Produção e Editoração Multitarefa (Lúcia Valente, Paula Arend Laier e Vinícius Carvalho)

Capa

Mãos de mulher trabalhando com algas em Barra dos Carvalhos, BA. Foto de Lúcia Valente.

Ilustrações Ilustrativa (André Valente, Eduardo Belga e Paulo Faria)

Projeto Gráfico Cesar Valente

Impressão Gráfica Agnus

Informações/contato: Miguel da Costa Accioly Instituto de Biologia - UFBA Campus de Ondina 40170-290 - Salvador - BA

A série Maricultura compõe-se de cinco manuais, publicada pelo BMLP (Brazilian Mariculture Linkage Program – Programa Brasileiro de Intercâmbio em Maricultura)

Jack Littlepage – Diretor Geral Patricia Summers – Gerente de Projetos Carlos Rogério Poli – Diretor no Brasil e responsável técnico editorial da coleção

Endereço: multitarefa@terra.com.br DISTRIBUIÇÃO GRATUITA – VENDA PROIBIDA

1. Introdução

Quando se fala em cultivar algas, algumas perguntas costumam surgir.

Porque gastar tempo e trabalho para cultivar algas? Quem vai comprar isto? Para que servem as algas? Na verdade, o interesse em cultivar as algas vem do valor que existe nos produtos extraídos delas. Quando alguém toma uma cerveja - há produto de alga para manter a espuma firme por mais tempo; quando alguém toma sorvete industrializado - há produto de alga para evitar que a água forme pedrinhas de gelo, deixando o sorvete todo macio; quando alguém toma um remédio em cápsulas - há produto de alga na parede daquela cápsula; quando um dentista faz uma prótese dentária, ele usa produto de alga na massa para moldar os dentes. Em alguns lugares do mundo, como por exemplo no Japão, é comum comer algas em saladas, sopas e outros pratos.

dutos de algas e por isto, muita gente compra algas para fabricar estes produtos. Isto significa que a alga tem valor comercial.

O Brasil tem algumas fábricas que extraem estes produtos, mas como as algas que existem naturalmente não são suficientes, estas fábricas compram algas do exterior. Além disso, tirar as algas dos recifes para vender, acaba com o crescimento natural em pouco tempo. Elas não costumam voltar a crescer no mesmo lugar. Isto prejudica não só quem tira as algas, mas também animais, como os peixes e lagostas, que precisam das algas sobre os recifes para viver.

Mas alguém descobriu que é possível cultivar algas, como uma fazenda, só que no mar. E este cultivo pode ser uma fonte de renda e preserva o ambiente, ajudando a manter outras formas de pesca. O mais importante e o melhor de tudo isto é que as algas ajudam a purificar o ambiente, a água, produzindo o oxigênio que respiramos, sendo conhecida como uma atividade ecologicamente desejável. Quer dizer, boa para a natureza, desde que tomemos alguns cuidados e boa para o ser humano.

Cultivo de algas – 5 Como se cultivam algas

Existem algumas maneiras de cultivar algas, em geral todas muito simples. Por esta razão é uma atividade adequada tanto para homens como para mulheres, de todas as idades. O objetivo dos métodos de cultivo é atingir um rápido crescimento e uma alta produção. Isto é, produzir muitas algas em pouco tempo. Existe um método de cultivo próprio para cada lugar e cada época, por isso deve-se encontrar o melhor local, o melhor método para aquele local e suas variações para cada época. Mas é bom sempre lembrar que, qualquer que seja a situação, o mais importante é o comportamento do produtor, que, com interesse, prazer e zelo, sempre achará os melhores procedimentos para o seu cultivo. Um famoso pesquisador, Maxwell Doty afirmou que “o melhor fertilizante para fazer crescer bem as algas é a sombra do produtor.”

Espécie cultivada

As algas, também chamadas de sargasso, cisco, ou limo, são plantas muito simples que geralmente crescem dentro d’água, e não apresentam folhas, raízes, frutos ou flores. O seu corpo é formado por um apressório, queApressório: apêndice pelo qual a alga se fixa no substrato.

TaloI O Apressório

serve apenas para prender a planta, e todo o resto é chamado de talo que serve para tudo: crescer, absorver nutrientes, água e luz, e também reproduzir. O talo pode ter várias formas: cilíndrico como um macarrão, achatado como uma fita, achatado e largo como uma folha, com muitas ramificações formando um grande emaranhado ou até sem ramificações. O importante é que no cultivo qualquer pedaço do talo é capaz de crescer e viver normalmente se for preso, amarrado a alguma estrutura, pois normalmente o talo não forma um novo apressório.

Como qualquer outra planta, as algas precisam de luz do sol, água e nutrientes. Além disso é preciso ter cuidado para que outras plantas indesejáveis não cresçam junto atrapalhando o crescimento do cultivo. Deve-se cuidar também para que animais não comam ou façam “casa” sobre as plantas do cultivo. Por isso, plantar algas se parece com plantar e cuidar de qualquer outro tipo de roça, a diferença é que é dentro d’água.

Existem muitos tipos de algas no mar, várias delas podem ser vendidas para várias finalidades. Este manual vai tratar das Gracilarias, que são algas vermelhas importantes

Nutrientes: matéria orgânica em decomposição, resultado dos dejetos dos peixes, folhas velhas de plantas e restos de comida. O nitrato é um dos principais.

Cistocarpos: plantas microscópicas que vivem como parasitas sobre as plantas-mãe, formando pequenas “verrugas” sobre as plantas femininas.

Esporos: algo como sementes microscópicas.

Tetrasporofíticas: plantas que têm a mesma forma das masculinas e femininas.

Ágar: tipo de gelatina, parecida com uma goma, extraída de algas vermelhas.

Talo: é o corpo da alga; dá sustentação.

Cultivo de algas – 7 para indústrias que extraem delas uma goma chamada Ágar.

Existem muitas espécies de Gracilaria que crescem no Brasil, algumas com mais valor para a indústria que outras. As mais importantes são as que apresentam talo cilíndrico, grosso e firme, como a Gracilaria cornea. Esta espécie cresce sobre os recifes, mais ou menos cobertos por areia, e geralmente não fica fora d’água na maré baixa. Quando cultivada é normal que ela cresça muito rápido e fique mais fina e ramificada do que normalmente encontramos nos recifes.

Ciclo de vida

As algas vermelhas crescem normalmente no mar ou nos manguezais, sempre presas a alguma superfície. Quando vemos uma alga vermelha solta na água ela já morreu ou certamente irá morrer. Existem plantas masculinas e plantas femininas, as quais geralmente têm forma semelhante. Do cruzamento destas plantas surgem plantas microscópicas que vivem como parasitas sobre as plantas-mãe, formando pequenas “verrugas” escuras sobre as plantas femininas – os cistocarpos. Estes cistocarpos produzem esporos que germinam e dão origem a plantas tetrasporofíticas. Estas plantas tetrasporofíticas também produzem esporos que germinam e dão origem a novas plantas femininas e masculinas. Para o cultivo é interessante usar plantas inférteis, que só crescem, não gastando energia com a reprodução.

2. Seleção do local

Para escolher o local de cultivo deve-se pensar em aspectos técnicos, para que seja bem produtivo, e nos aspectos legais, para que o cultivo tenha uma boa convivência com o ambiente, com a comunidade local e com os órgãos públicos que regulam esta atividade. O principal ponto é oferecer às plantas condições para que elas se desenvolvam bem, e ao mesmo tempo verificar também boas condições de trabalho, para que este seja realizado com disposição e satisfação.

Tecnicamente existem vários parâmetros que devem ser observados para indicar a adequação do local ao cultivo de algas. Os mais importantes são os seguintes:

Correnteza

Esta é uma característica importante que afeta o cultivo de várias formas. Com relação às plantas, é bom que haja correnteza, pois é o movimento da água que trará nutrientes e movimentará as plantas fazendo com que elas tomem sol

Parâmetros: característica do ambiente, que podemos medir, como temperatura e correnteza.

Cultivo de algas – 9 por todo o talo, além de fazer com que se limpem. Um local sem correnteza é completamente inadequado. No entanto, uma correnteza muito forte impedirá que as plantas cresçam muito, fazendo com que elas se quebrem ao atingir um determinado tamanho, obrigando a fazer colheitas mais freqüentes.

Outro ponto importante é que uma forte correnteza dificulta muito o trabalho que é realizado dentro d’água, além de danificar mais rapidamente os equipamentos e estruturas, obrigando a uma manutenção mais intensa e maior reposição de materiais.

Para medir a correnteza do local deve-se usar uma garrafa plástica (PET) de uns dois litros, amarrada a uma retinida fina de 5 metros. Enche-se a garrafa quase toda com água do local para que ela fique só um pouco abaixo da superfície, assim o vento quase não vai mexer com ela. Solta-se a garrafa na água e, com um relógio, marcase quanto tempo leva para a garrafa correr os 5 metros, até que a retinida esteja praticamente estirada. Se este tempo for maior que 50 segundos (velocidade menor do que 0,1m/s) o local não é muito adequado. Esta medida deve ser repetida em alguns momentos diferentes para conferir as diversas situações de vento e maré que normalmente ocorrem no local.

Retinida: pequena corda com diâmetro entre 3 e 8 m, resistente, que pode ter diversas utilidades.

10 – Manuais BMLP de maricultura Salinidade

Esse é um parâmetro necessário para o crescimento das algas, pois informa a quantidade de sal contida na água. Para a Gracilaria cornea quanto mais alta a salinidade melhor, ou seja, quanto mais afastado de rios e estuários melhor para o seu cultivo. Outra característica importante é a variação da salinidade: deve ser pequena entre a maré alta e a baixa. Para medir a salinidade pode-se usar salinômetros eletrônicos, refratômetro que é um aparelho óptico, ou ainda densímetro que é muito barato e pode ser comprado em lojas de material para aquários. Na falta de qualquer aparelho é muito fácil encher um pequeno frasco de plástico ou vidro com a água do local, fechar bem e enviar para alguém do serviço de extensão fazer a medição da salinidade. Isto tem que ser feito com duas amostras, pelo menos: uma na maré cheia e outra na maré baixa.

Temperatura

No nordeste, não há problemas com temperaturas baixas, que impediriam o crescimento da Gracilaria ou mesmo a matariam. Mas deve-se ter cuidado com locais onde a temperatura sobe demais. Pequenas baías rasas ou áreas abrigadas por recifes podem esquentar demais na baixamar durante o dia. Em geral a água deverá estar entre

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