CASO CLÍNICO 8

André,16 anos, mora com os pais e dois irmãos mais novos em um bairro popular. Atualmente está na 7ª série do ensino fundamental, tendo repetido duas vezes esta série. É um adolescente bastante comunicativo e tem facilidade de fazer amizades. Um dia, ele foi surpreendido pelo inspetor da escola, na quadra de esportes,fumando maconha com os amigos. Foi, então, encaminhado para a orientadora educacional que, posteriormente, chamou seus pais para conversar sobre o ocorrido. Durante a entrevista conjunta, André ficou calado o tempo todo.Seus pais demonstraram muita preocupação e informaram que,além da maconha, André já vem fazendo uso de cigarro e por várias vezes chegou embriagado em casa. Após essa conversa, chegaram à conclusão de que deveriam procurar a equipe da unidade de saúde para uma orientação. André não gostou da sugestão. Na unidade, o enfermeiro que os atendeu constatou, durante a entrevista com a família, que os pais de André eram tabagistas e faziam o uso abusivo de bebidas alcoólica. O pai demonstrou ser muito autoritário e por vezes gritou com André devido ao baixo rendimento escolar e às saídas noturnas com os amigos. Foi recomendado que a família buscasse a participação em grupos de auto-ajuda e que continuasse em atendimento domiciliar pela equipe de saúde. Quanto a André, sugeriu-se que fosse acompanhado na unidade de saúde e, também, na escola. Embora relutante, André concordou com a idéia.

Discutindo

  • Que problemas você identifica neste caso?

  • Que profissionais devem ser envolvidos para o encaminhamento adequado dos problemas?

  • Como você aborda a questão do uso de drogas?

  • Em relação à repetência, o que você faria? E quem contataria?

  • Que outros dados seriam importantes para a elucidação deste caso?

  • Discuta as ações que devem ser implementadas, de forma intersetorial, em situações nas quais o adolescente abusa de drogas e já apresenta dificuldade escolar.

DROGAS

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2003), droga é qualquer substância química que altera a função biológica. Além desse significado, há um outro, divulgado pela UNDCP (2003), que diz o seguinte: “droga é toda e qualquer substância psicoativa, ou seja, qualquer substância que altere a consciência, a percepção ou as sensações.

Usuários de Drogas

  • Droga é ilegal.

  • Droga mata.

  • Quem usa drogas não tem boa índole.

  • Quem usa drogas são os marginalizados, como prostitutas, meninos de rua, traficantes.

  • Quem usa drogas não teve ou não tem uma boa estrutura familiar.

Classificação

  • As drogas podem ser classificadas de acordo com determinados critérios. Os critérios que se seguem são aqueles descritos pela UNDCP (2003).

  • Entretanto, a classificação mais utilizada é a proposta pelo pesquisador francês Chaulot, que criou três grandes grupos de classificação de drogas, de acordo com seu modo de ação no sistema nervoso central.

Estão assim classificadas:

Depressores da Atividade do SNC (Sistema Nervoso Central)

  • Álcool;

  • Soníferos ou hipnóticos (drogas que promovem o sono): barbitúricos, alguns benzodiazepínicos;

  • Ansiolíticos (acalmam, inibem a ansiedade): benzodiazepínicos como, por exemplo, diazepam, lorazepam etc.;

  • Opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência), como morfina, heroína, codeína, ziperol, meperidina etc.;

  • Inalantes ou solventes (colas, tintas, removedores, lança-perfume, etc.).

Estimulantes da Atividade do SNC

Estimulantes da Atividade do SNC

  • Fumo (tabaco);

  • Esteróides anabolizantes;

  • Anorexígenos (diminuem a fome). As principais drogas pertencentes a essa classificação são as anfetamina;

  • Cocaína, crack, merla.

Perturbadores da Atividade do SNC

De origem vegetal:

  • Mescalina (do cacto mexicano)

  • THC (da maconha e haxixe)

  • Psilocibina (de certos cogumelos)

  • Lírio ou trombeteira ou zabumba ou saia branca

De origem sintética:

  • LSD-25

  • Ectasy

  • Anticolinérgicos (Artame, Bentyl)

Atenção: Apesar das drogas provocarem diferentes efeitos, danos físicos e psicológicos em maior ou menor grau, é o usuário que deve ser focado. O prazer eventual proporcionado pela droga pode se tornar uma dependência para alguns e não para outros.

Atenção: Apesar das drogas provocarem diferentes efeitos, danos físicos e psicológicos em maior ou menor grau, é o usuário que deve ser focado. O prazer eventual proporcionado pela droga pode se tornar uma dependência para alguns e não para outros.

Tipos de usuários de drogas

  • Experimentador (em geral por curiosidade);

  • Usuário ocasional(utiliza uma ou várias subs. quando disponível ou em ambiente favorável);

  • Usuário habitual ou "funcional(faz uso frequente, ainda que controlado);

  • Usuário dependente ou "disfuncional" (toxicômano, dependente químico).

Quando uma pessoa fica dependente?

O adolescente, devido à “crise” por que passa no seu desenvolvimento, está mais vulnerável a usar drogas?

Como entender melhor o adolescente?

Como entender melhor o adolescente?

CUIDADOS DE ENFERMAGEM

NO ATENDIMENTO INICIAL

  • O enfermeiro identifica os problemas associados ao uso das substâncias, ouve as queixas do paciente, percebe os mecanismos de defesa envolvidos (negação, por exemplo), identifica o padrão de consumo da substância no dia, no mês e ao longo da história do paciente, na busca da caracterização do uso nocivo ou dependência.

  • Nessa primeira entrevista, é importante o enfermeiro ouvir as queixas do paciente, valorizar seus problemas e não fazer julgamentos de valor.

Ao finalizar a entrevista inicial, é importante dar um retorno sobre as queixas do paciente e apresentar os objetivos do programa de atendimento, o contrato terapêutico, a necessidade de participação de um familiar no tratamento, possíveis consultas com outros profissionais da equipe e o planejamento do próximo atendimento.

  • Ao finalizar a entrevista inicial, é importante dar um retorno sobre as queixas do paciente e apresentar os objetivos do programa de atendimento, o contrato terapêutico, a necessidade de participação de um familiar no tratamento, possíveis consultas com outros profissionais da equipe e o planejamento do próximo atendimento.

  • No processo de acompanhamento, que pode ter como objetivo a desintoxicação (programa de atendimento que dura de 7 a 10 dias +/-), o enfermeiro realiza o monitoramento dos sintomas da síndrome de abstinência, prevenindo assim maiores complicações futuras.

Uma das estratégias que pode ser utilizada pelo enfermeiro no processo de tratamento é o aconselhamento, buscando fornecer ao paciente conselhos diretos que promovam reflexões e mudanças de comportamento de maneiras enfáticas.

  • Uma das estratégias que pode ser utilizada pelo enfermeiro no processo de tratamento é o aconselhamento, buscando fornecer ao paciente conselhos diretos que promovam reflexões e mudanças de comportamento de maneiras enfáticas.

  • Nesse contexto, o enfermeiro pode utilizar outras estratégias que são desenvolvidas concomitantemente no processo de tratamento e reabilitação do usuário de álcool e outras drogas; a prevenção da recaída, a intervenção motivacional e a intervenção breve.

PREVENÇÃO DA RECAÍDA

  • Consiste num repertório de meios e estratégias que o indivíduo usuário pode utilizar para evitar recaída em certos comportamentos que fazem parte do quadro da dependência.

  • O foco central é a manutenção do processo de mudança do comportamento, objetivando inclusive prevenir a ocorrência de lapso (uso da substância, sem continuidade), mais freqüente no início do tratamento e que esse não se transforme em recaída (retorno ao padrão de uso anterior ao tratamento)

INTERVENÇÃO MOTIVACIONAL

  • Estratégia baseada em pressupostos da psicologia motivacional. O enfermeiro pode exercê-la incentivando a motivação do usuário para mudar seu comportamento de beber, planejando suas ações de maneira a se proteger das situações de risco e a fazer planos para o futuro.

INTERVENÇÃO BREVE

  • Pode ser feita em sessões breves por meio da técnica de aconselhamento, onde o problema é avaliado recebendo retorno personalizado do enfermeiro, que procura trabalhar, nessa intervenção, os mecanismos de resistência e negação do indivíduo.

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