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Nomenclatura dos Minerais

Comissão de Novos Nomes de Minerais e Novos Minerais (CNMNM) da Associação

Mineralógica Internacional (IMA), criada em 1959. ð por convenção na língua portuguesa a terminação “ita” é usada para minerais e “ito” para rochas.

Critérios utilizados: ð que o nome indique a localização geográfica de sua descoberta; ð que o nome indique umas de suas propriedades físicas, Ex: tetraedrita, cianita; ð que o nome indique a presença de um elemento químico predominante, Ex: molibdenita, cuprita, arsenopirita, lantanita.

ð que o nome homenageie uma pessoa proeminente, Ex: andradita.

Identificação dos Minerais Os minerais mais comuns, muitas vezes, podem ser identificados observando suas propriedades físicas e morfológicas, que são decorrentes de suas composições químicas e de suas estruturas cristalinas. As seguintes propriedades são utilizadas para identificação rápida do mineral:

a) Hábito cristalino É a forma geométrica externa, habitual, exibida pelos cristais dos minerais, que reflete a sua estrutura cristalina. Ex. laminar, prismático, fibroso, acicular, tabular, e equidimensional.

b) Transparência Os minerais que não absorvem ou absorvem pouca luz são chamados transparentes. Os que absorvem a luz consideravelmente são chamados de translúcidos. Esta característica depende da espessura do mineral. A maioria dos minerais translúcidos torna-se transparente quando em lâminas muitos finas. Existem os elementos nativos metálicos, óxidos e sulfetos que absorvem completamente a luz, independente da sua espessura, esses são chamados de opacos.

c) Brilho

É a quantidade de luz refletida pela superfície de um mineral. Os minerais que refletem mais de 75% da luz incidente exibem brilho metálico. O que é o caso da maioria dos minerais opacos. Os que não atingem esse índice tem brilho não-metálico, tais como:

vítreo (brilho da fratura fresca do vidro), o gorduroso (o brilho do azeite), o sedoso (o brilho de um pano de seda), o nacarado (o brilho pálido), e etc.

d) Cor É resultante da absorção seletiva da luz. Os principais fatores que colaboram para essa absorção seletiva são os elementos químicos de transição na composição química do mineral (ferro, cobre, níquel, cromo, vanádio, etc.), os defeitos na sua estrutura atômica, e a presença de inclusões de minerais, todos dispersos através dos minerais. Alguns minerais têm cores bastantes características, são os idiocromáticos (ex: enxofre, amarelo), outros são alocromáticos, isto é, têm uma grande variação de cores (ex.

turmalina e o quartzo). A cor do mineral nem sempre é propriedade confiável na sua identificação.

e) Traço

Traço é a cor do pó do mineral. É obtida riscando o mineral contra uma placa de risco ou um fragmento de porcelana branca. Utilizada para identificar minerais opaco e ferrosos que apresentam traços coloridos (vermelho, amarelo, marrom, laranja, etc.). A maioria dos minerais translúcidos ou transparentes exibem traço branco.

f) Dureza É a resistência que o mineral apresenta ao ser riscado. Para classificá-la utiliza-se a

Escala de Mohs, que varia de 1 a 10.

Mineral Padrão Dureza Padrão Secundário

Talco 1

Gipsita 2 unha (2,5) Calcita 3 alfinete (3,5) Fluorita 4 Apatita 5 lâmina de aço (5 a 5,5)

Ortoclásio 6

Quartzo 7 porcelana (@ 7) Topázio 8 Coríndon 9 Diamante 10 g) Fratura

conchoidais e fratura irregulares

Denomina-se fratura a superfície irregular e curva resultante da quebra de uma mineral. É controlada pela estrutura atômica interna do mineral, as principais são, fraturas h) Clivagem São planos de franquezas predefinidos, regulares em que o mineral tende a romper-se.

Neste caso a quebra chama-se clivagem, que pode ser perfeita, boa ou imperfeita. A maioria dos minerais exibe um padrão de clivagem em que suas superfícies podem ser comparadas com sólidos geométricos (ex. clivagem cúbica, clivagem romboédrica, etc.) i) Densidade Relativa

É o número que indica quantas vezes certo volume de mineral é mais pesado que o mesmo volume de água a 4ºC. A maioria dos minerais formadores de rocha oscila entre

2,5 a 3,3.

j) Geminação

É a propriedade de certos minerais de aparecerem intercrescidos de maneira regular. A geminação pode ser simples ou múltipla (polissintética). O tipo de geminação pode ser uma propriedade diagnóstica do mineral.

k) Propriedades Elétricas e Magnéticas

Muitos minerais são maus condutores de eletricidade. Exceto os elementos nativos com ligações atômicas totalmente metálicas como o ouro, prato, cobre. Há meinerais semi- condutores, são os que têm ligações atômicas parcialmente metálicas. Nos minerais em que predominem ligações iônicas e covalentes são considerados não-condutores.

Piezoeletricidade Þ é a propriedade que um mineral transformar pressão mecânica em eletricidade Piroeletricidade Þ é a propriedade do mineral geral eletricidade pelo aumento do calor.

Essas propriedades especiais aparecem em minerais que se cristalizam em classes de simetria, mas, porém, sem um centro de simetria definido.

5 Rochas Unidades Formadoras da Crosta Terrestre

Por definição, as rochas são produtos consolidados, resultantes da união natural de minerais. Diferente dos sedimentos, por exemplo areia de praia (um conjunto de minerais soltos), as rochas tem os seus cristais ou grãos constituintes muito bem unidos. Dependendo do processo de formação, a força de ligação dos grãos constituintes varia, resultando em rochas "duras" e rochas "brandas". Chama-se estrutura da rocha o seu aspecto geral externo, que pode ser maciço, com cavidades, orientado ou não etc. A textura se revela por meio da observação mais

.detalhada do tamanho, forma e relacionamento entre os cristais ou grãos constituintes da rocha.

Outra informação importante no estudo das rochas é a determinação dos seus minerais constituintes. Na agregação mineralógica constituinte das rochas, reconhecemos os minerais essenciais e minerais acessórios. Os essenciais estão sempre presentes e são os mais abundantes numa determinada rocha, e as suas proporções determinam o nome dado à rocha. Os acessórios podem ou não estar presentes, sem que isto modifique a classificação da rocha em questão. Quando os minerais agregados pertencerem à mesma espécie mineralógica, a rocha será considerada monominerálica. Quando forem de espécies diferentes, ela será pluriminerálica (Tabela 5.1)

Tabela 5.1 – Rochas monominerálicas e pluriminerálocas

Classificação Genética das Rochas

Classificar as rochas significa usar critérios que permitam agrupá-las segundo características semelhantes. Uma das principais classificações é a genética., em que as rochas são agrupadas de acordo com o seu modo de formação na natureza. Sob este aspecto, as rochas se dividem em três grandes grupos:

Rochas Ígneas ou Magmáticas Estas rochas resultam do resfriamento de material rochoso fundido, chamado magma

(Fig. 2.12a). Quando o resfriamento ocorrer no interior do globo terrestre, a rocha resultante será do tipo ígnea intrusiva.

Se o magma conseguir chegar à superfície, a rocha resultante será do tipo ígnea extrusiva, também chamada de vulcânica (Fig. 2.12b). A rocha vulcânica mais abundante é o basalto, cuja composição química é rica em piroxênios e plagioclásio cálcico. Para reconhecer se a rocha é intrusiva ou extrusiva é necessário avaliar sua textura. O resfriamento dos magmas intrusivos é lento, dando tempo para que os minerais em formação cresçam o suficiente para serem facilmente visíveis. Alguns cristais podem chegar a vários centímetros. O granito (Fig. 2.1) é a rocha ígnea intrusiva mais abundante na crosta terrestre. O resfriamento dos magmas extrusivos é muito mais rápido. Muitas vezes, não há tempo suficiente para os cristais crescerem muito. A rocha extrusiva tende a ter, portanto, uma textura de granulação fina. Outro fato que chama a atenção no estudo das rochas ígneas é que a sua cor é bastante variável. As rochas ígneas escuras são mais ricas em minerais contendo magnésio e ferro (daí o nome "máfíco"). O gabro, de composição equivalente ao basalto, é uma rocha ígnea, intrusiva, plutônica e máfica. As rochas ígneas claras são mais rícas em minerais contendo silício e alumínio (siálicas), que incluem os feldspatos e o quartzo, ou sílica (daí, o nome félsico). O granito é uma rocha ígnea, intrusiva, plutônica, siálica e félsica. Esta diferença na constituição química dos magmas indica que existem diferentes tipos de magmas.

Rochas Sedimentares

Parte das rochas sedimentares é formada a partir da compactação e/ou cimentação de fragmentos produzidos pela ação dos agentes de intemperismo e pedogênese sobre uma rocha preexistente (protólito) (Fig. 2.12b), e após serem transportados pela ação dos ventos, das águas que escoam pela superfície, ou pelo gelo, do ponto de origem até o ponto de deposição (Fig. 2.12c). Para que se forme uma rocha sedimentar é necessário, portanto, que exista uma rocha anterior, que pode ser ígnea, metamórfïca e mesmo outra sedimentar, fornecendo, pelo intemperismo, sedimentos (partículas e/ou compostos químicos dissolvidos) que serão as matérias-primas usadas na formação da futura rocha sedimentar. Os compostos químicos dissolvidos representam a matéria-prima para os sedimentos químicos. Os sedimentos (Fig. 2.12c) sempre se depositam em camadas sobre a superfície terrestre. Quando a rocha sedimentar é constituída por partículas (clastos) preexistentes, ela é classificada como clástica. O processo geológico que une as partículas sedimentares é conhecido como litificação ou diagênese, e compreende uma combinação entre os processos de compactação e cimentaçao. A litificação ocorre em condições geológicas de baixa pressão (peso dos sedimentos posteriores) e baixa temperatura (~250°C) e, por isso, as rochas clásticas não têm, salvo raras exceçôes, a mesma consistência dura das rochas ígneas. As rochas sedimentares clásticas são classificadas de acordo com o tamanho de suas partículas constituintes. Elas são facilmente reconhecidas, pela sequência de camadas horizontais com espessuras variáveis que normalmente exibem. As rochas sedimentares químicas ou não-clásticas são formadas pela precipitação dos radicais salinos, que foram produzidos pelo intemperismo químico, e agora encontramse dissolvidos nas águas dos rios, lagos e mares. Entre os principais ânions salinos estão os carbonatos, cloretos e sulfatos, enquanto os principais cátions são os mais solúveis, os alcalinos Na e K, e os alcalino terrosos Mg e Ca.

Os depósitos sedimentares de origem orgânica são acúmulos de matéria orgânica tais como restos de vegetais, conchas de animais, excrementos de aves etc. que, por compactação, acabam gerando, respectivamente, turfa, coquína e guano. São pseudo- rochas porque as suas partículas agregadas não são minerais

Rochas Metamórficas

As rochas metamórfícas resultam da transformação de uma rocha preexistente (protólito) no estado sólido. O processo geológico de transformação se dá por aumento de pressão e/ou temperatura sobre a rocha preexistente, sem que o ponto de fusão dos seus minerais seja atingido. Os geólogos não consideram transformações metamórficas aquelas que ocorrem durante os processos de intemperismo e de litificação.

O rnetamorfismo regional ocorre em grandes extensões da subsuperfície do globo terrestre, em consequência de eventos geológicos de grande porte como, por exemplo, na edificação de cadeias de montanhas. Dependendo dos valores alcançados pela variação de pressão e temperatura têm-se os metamorfismos regionais de baixo, médio e alto grau. As principais rochas metamórficas formam-se no metamorfismo regional.

Muitas rochas metamórficas são reconhecidas graças a sua estrutura de foliação, ou seja, a orientação preferencial que os minerais placóídes assumem, bem como a sua estrutura de camadas dobradas (Fig. 2.12d), devido às deformações que acompanham o rnetamorfismo regional. O metamorfismo local restringe-se a domínios de terreno que variam entre centímetros e dezenas de metros de extensão. Quando, no metamorfismo local, o aumento de temperatura predomina, fala-se em metamorfísmo termal ou de contato. Por exemplo, as rochas regionais submetidas ao contato com uma câmara magmática podem sofrer este tipo de metamorfismo. As rochas resultantes são chamadas hornfels. No metamorfísmo dinâmico predomina o aumento de pressão no fenómeno da transformação das rochas, como em zonas de falhas.

Quando a temperatura do metamorfísmo ultrapassa um certo limite, determinado pela natureza química da rocha e pela pressão vigente, frequentemente na faixa de 700- 800°C, as rochas começam a se fundir, produzindo novamente um magma (Fig. 2.12e).

intrusiva (granito) ? resfriamento lento Rochas Ígneas

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