Revista Brasileira de Educação Ambiental-n°-3

Revista Brasileira de Educação Ambiental-n°-3

(Parte 1 de 8)

educação ambiental

Brasília - 2008 • Número 03 revista brasileira deeducação ambiental educação ambiental

CAPA 2

Quando a viga mestra do ser por primeiro irrompeu já existiam as pedras; de todas as coisas entre o céu e a terra são alturas dos montes as mais duradouras; elas atravessam incólumes: vento e geada trovão e fogo frio e calor na órbita do universo em permanente tranqüilidade

Publicação da Rede Brasileira de Educação Ambiental w.rebea.org.br w.ufmt.br/remtea/revbea

Coordenação Editorial: Heitor Medeiros (DEA/MMA - REBEA - REMTEA - UNEMAT) Michèle Sato (UFMT - REBEA - REMTEA) Rosemeri Melo e Souza* (UFS - REBEA - RENEA - REASE)

Conselho Editorial:

• Alexandre de Gusmão Pedrini (UERJ-RJ) • Aloísio Ruscheinsky (UNISINOS-RS) • Antônio Fernando Guerra (UNIVALI-SC) • Áttico Chassot (UNISINOS-RS)

• Carlos Saito (UnB-DF) • Carlos Frederico Loureiro (UFRJ-RJ)

• Haydée de Oliveira (UFSCar-SP) • Hedy Vasconcelos (PUC-RJ)

• Irineu Tamaio (MMA-DF) • Isabel Carvalho (ULBRA-RS)

• Laís Mourão (UnB-DF) • Luiz Marcelo de Carvalho (UNESP-SP)

• João Carlos Gomes (REMTEA-MT) • José Vicente de Freitas (FURG-RS)

• Luís Antônio Ferraro Jr. (UEFS-BA/MMA-DF) • Marcos Sorrentino (ESALQ-USP/MMA-DF)

• Maria do Carmo Galiazzi (FURG-RS) • Maria Inês Higuchi (INPA-AM)

• Maria Inês C. Levy (FURG-RS) • Maria Inêz de Oliveira de Araújo (UFS-SE)

• Martha Tristão (UFES-ES) • Mauro Guimarães (UNIGRANRIO-RJ)

• Pedro Jacobi (USP-SP) • Philippe Layrargues (MMA-DF)

• Ramiro Camacho (UERN-RN) • Rosemeire Melo e Souza (UFS-SE)

• Sônia Zakrzevski (URI-RS) • Suíse M. Bordest (UFMT-MT)

• Valdo Barcelos (UFSM-RS) • Waldinete Costa (MPEG-PA)

Os artigos aqui publicados refletem a posição de seus autores e são de sua inteira responsabilidade.

Revista brasileira de educação ambiental / Rede Brasileira de Educação Ambiental. – n. 3 (Jun. 2008). – Brasília: Rede Brasileira de Educação Ambiental, 2008. 142 p. v.:il. ; 28 cm.

Semestral Coordenação editorial: Heitor Medeiros, Michèle Sato e Rosemeri Melo e Souza

ISSN 1981-1764 1. Educação ambiental – Brasil. I. Rede Brasileira de Educação Ambiental. CDU 37:504

Projeto gráfico: Bené Fonteles / Licurgo S. Botelho Revisão: Maria José Teixeira / Ana Célia Luli Ficha catalográfica: Helionídia C. Oliveira (Edições IBAMA/CNIA)

*Especialmente para esta edição temática sobre Redes

Imagens da série de obras “Ex-culturas de Pedras”: Bené Fonteles educação ambiental

Heitor Medeiros e Michèle Sato9

Prefácio - No equilíbrio das Pedras

Vivianne Amaral15

rebea: Processos e desafios de horizoNtalização

MaPeaNdo a educação aMbieNtal

Isabel Cristina Moura Carvalho35

desde uMa Pesquisa eM rede a tessitura da rede caPiXaba de educação aMbieNtal (recea):

Martha Tristão53

uM Modo de PeNsar e agir coletivaMeNte

Michèle Sato e Luiz Augusto Passos63

aracNe, a educadora aMbieNtal do sigNo terra as redes No esPelho: coNceitos e Práticas da cultura de redes de educação aMbieNtal

Liana Márcia Justen e Mara Lúcia Figueiredo Garutti79

Antonio Fernando S. Guerra, Anabel de Lima, o PaPel das redes de iNforMação e coNheciMeNto

Rosemeri Melo e Souza105

Nas traMas da educação aMbieNtal educação aMbieNtal No eNsiNo suPerior brasileiro:

Haydée Torres de Oliveira, Carmen R. O. Farias e Alessandra Pavesi109

caMiNhos Percorridos e PersPectivas Para Políticas PÚblicas

Arlete Pereira de Souza e Mauro Guimarães113

redes coMo aMbieNte educativo Para a educação aMbieNtal crise ecológica e eXPaNsão das redes de educação

Alberto Teixeira da Silva123

aMbieNtal Na aMazôNia

Bené Fonteles131
redes de educação aMbieNtal137
NorMas de Publicação141

MoviMeNto artistas Pela Natureza: trajetória de artistas eM rede s u m á r i o

educação ambiental

Homenagem à semente e ao sonhador

Quinze anos após a efervescência da Eco-92 e 19 anos sem Chico

Mendes, 2007, revelou-se historicamente trágico ao movimento ecologista de Mato Grosso, com focos de queimada sem precedentes, aeroportos congestionados, chuva ácida, índice de desmatamento altíssimo e o agrobusiness aumentando seus lucros. Do caos maior, o ápice da tragédia chegou com o assassinato do ecologista Luiz Carlos Farias Martins, popularmente conhecido como “Mão”, que foi secretário da primeira organização não-governamental, criada em 1985 em plena herança da contracultura. A Associação Mato-grossense de Ecologia (AME MATO GROSSO) talvez não tenha sido apenas referência ecologista no estado, mas em todo o cenário nacional. E foi nessa militância que, juntos, realizamos enfrentamentos, transgressões, ousadias e içamos sonhos para que a Terra fosse sustentável e para todos.

O Mão trabalhava há anos como fiscal da Secretaria Municipal de Meio

Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá, agindo principalmente contra as queimadas descontroladas. Gestos que não revelavam mera ação profissional, senão da bandeira de lutas que carregava em seu coração. Sua luta, entretanto, interrompida tragicamente por um assassinato covarde, trouxe mais uma vez a certeza de que nossa luta está longe de estar finalizada. Na concepção filosófica da palavra, ele foi um herói, pois entregou-se à incansável labuta de todos, transcendendo a sua própria felicidade. Entretanto, não era preciso termos mais um mártir ecologista para sangrar a dor que o ambiente vem sofrendo. Este pequeno manifesto é a explicitação da nossa intolerância ao sistema brutal, que precisa ser urgentemente modificado para que outro mundo seja possível.

Boa viagem, parceiro de sonhosseu legado continua vivo em todos aqueles

que lhe conheceram e que, com você, soltaram as pipas em céus azuis buscando um ambiente mais bonito. Que a memória nos dê força para continuar na luta e que nosso reconhecimento fique registrado nos ecos da educação ambiental.

Um beijo e saudades de todos aqueles que legitimaram sua luta em vida e que continuam a fazê-lo. Que a cosmicidade do significado de sua luta eternize a todos aqueles que ainda acreditam que outro mundo só é possível se o ambiente for respeitado.

Cá na margem do Rio Cuibá, fostes um sonhador. Do outro lado da margem, a infinita: és uma semente de Luz.

educação ambiental

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