enfermagem saude do idoso cofen

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O Programa Proficiência é uma iniciativa do Cofen que oportuniza a atualização dos profissionais de Enfermagem por meio de cursos gratuitos a distância.

Todos os cursos oferecidos pelo Programa Proficiência trazem conteúdos atuais e de grande relevância, cuidadosamente selecionados e analisados por uma competente equipe multiprofissional para proporcionar aos profissionais de enfermagem aprimoramento constante em sua atuação.

Autores: Robson Denis Cordeiro Conto e Shirley Fonseca Farias da Silva

Trata-se do levantamento de questões atualizadas em relação ao envelhecimento populacional, destacando as habilidades para o atendimento global ao idoso e sua família, o atendendimento aos aspectos éticos e humanísticos da sociedade brasileira e a valorização da promoção da saúde e do autocuidado.

Tem-se como objetivo promover a qualificação profissional e o aperfeiçoamento do profissional de enfermagem para reconhecer as possibilidades das intervenções de enfermagem quanto à educação, prevenção e promoção da saúde do idoso.

DE ESTUDO 1 POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA PESSOA IDOSA

A política visa à integração da população reduzindo espaços entre a afluente e a carente. (FREITAS, 2006)

Caro colega

Todos sabemos que qualidade de vida é sinônimo de saúde, não é mesmo?

E sabemos, também, que a qualidade de vida do idoso revela-se fundamental para essa massa populacional que, nos últimos anos, tem mostrado um crescimento vertiginoso. Ou seja, estamos vivendo mais e, por isso mesmo, ações construtivas devem ser pensadas e realizadas neste sentido. .1

Daí a importância de o enfermeiro ter uma clara percepção dos propósitos de uma política de promoção do envelhecimento saudável, na melhoria e na manutenção da capacidade funcional do idoso.

Assim, refletir sobre a prevenção de doenças, a recuperação e a reabilitação da saúde, de modo a garantir ao idoso a permanência no meio em que vive é nossa intenção.

O nosso esforço nesse sentido passa pela qualificação e pelo aperfeiçoamento profissional, pois através do conhecimento e constante atualização temos a possibilidade concreta de, profissionalmente, intervirmos na educação, prevenção e promoção da saúde dessa crescente parcela da sociedade.

Por isso estamos aqui, colega, para juntos compartilharmos experiências e ampliar a nossa competência de enfermeiro e técnico de enfermagem – profissões essenciais na saúde da população.

O propósito primeiro, aqui, é abordar sobre questões da Política

Nacional de Saúde do Idoso, no sentido de especificar suas finalidades e diretrizes essenciais, a fim de que possamos levantar elementos atualizados sobre o envelhecimento populacional da sociedade brasileira.

A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa foi lançada no dia 18 de outubro de 2006. Esta política é um retrato do Pacto pela Saúde, assinado pelo Ministério da Saúde, pelos Conselhos de Secretários Estaduais e Municipais de Saúde (Conass e Conasems) e aprovado pelo Pleno do Conselho Nacional de Saúde.

Essa política vem a concretizar um passo importante para a saúde de mais de 18 milhões de idosos no país, que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2006), correspondem a quase 10% da população brasileira.

Entretanto, outras conquistas já vinham sendo anunciadas!

Desde 1999, o Ministério da Saúde emitiu uma portaria em que instituiu a Política Nacional da Saúde do Idoso e, em 2003, foi aprovado o Estatuto do Idoso. Estes importantes instrumentos ampliaram os conhecimentos na área do envelhecimento e da saúde da pessoa idosa e foram fundamentais para a afirmação de ações dinâmicas e consistentes.

Pode-se afirmar que experiências de gestores locais de Estados e

Municípios, organizando serviços para esta população, viabilizaram a revisão da portaria de 1999, e as diretrizes desse processo serviram de base para um importante documento - o Pacto pela Vida.

É importante ressaltar que as ações, que vem sendo desenvolvidas nas três esferas de governo, tornam evidente a prioridade atribuída à saúde do idoso.

Portanto, colega, a qualidade desse serviço é um desafio que precisamos enfrentar todo dia e precisamos nos engajar nessa dinâmica, com conhecimentos e atitudes, não é mesmo?

Então, vejamos! A política em questão assume o envelhecimento ativo colocado pela Organização Mundial da Saúde – OMS, cujo enfoque se volta ao idoso de modo a reconhecê-lo como participante ativo e condutor de sua vida nas questões familiares e de sua comunidade.

É importante destacar que aproximadamente 75% dos idosos encontram-se vivendo de forma independente, sem precisar de auxílio para as suas atividades cotidianas. Para essa população é fundamental manter as atividades de promoção e de prevenção, a fim de que continue vivendo de forma independente e autônoma, mantendo sua cidadania.

Por outro lado – e você sabe disso - temos em torno de 20% a 25% de idosos que já desenvolveram algum grau de dependência, e essas pessoas precisam de um atendimento diferenciado.

O Estatuto do Idoso veio priorizar o atendimento dessa clientela que já apresenta algum grau de dependência. É com essas ações fundamentais de prevenção secundária, de reabilitação, de promoção da saúde, além do cuidado e do tratamento, que podemos garantir melhor qualidade de vida para eles em nosso convívio.

Nessa ótica, a política aponta para diretrizes de gestão, principalmente para o Sistema Único de Saúde - SUS.

Mas o que significa isso? Como se evidenciam as diretrizes de gestão? Certamente você está levantando essas questões e, muito provavelmente, tem várias outras perguntas, não é?

Calcula-se que em torno de 70% a 80% das pessoas idosas são dependentes, única e exclusivamente, dos serviços públicos de saúde. Também é importante enfatizar que os serviços de saúde da rede pública precisam se adequar ao envelhecimento populacional, principalmente no que se refere à atenção básica. Lembrar que esta atenção básica foi praticamente construída para lidar com o binômio mãe/filho e com as doenças transmissíveis é um dado histórico que traz a marca do hábito e, também, certos condicionamentos tradicionais.

No entanto, agora estamos nos deparando cada vez mais com idosos portadores de doenças crônicas, em especial, hipertensão e diabetes, necessitando receber do profissional um novo olhar, não mais focado na doença, mas na funcionalidade desses idosos.

Nesse sentido é que um dos principais objetivos dessa política é a orientação dos Serviços Públicos de Saúde para identificar o nível de dependência desses idosos, dando a eles um acompanhamento diferenciado em cada situação. Essas medidas trazem ações imediatas, como a internação domiciliar no Sistema Único de Saúde (SUS) e a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa.

Falemos um pouco sobre a internação domiciliar.

A internação domiciliar tem como objetivo atender, no próprio lar, pacientes que necessitam de cuidados especializados, mas não da internação hospitalar. A idéia é proporcionar aos idosos atendimento humanizado que possibilite melhor recuperação, permitindo maior autonomia aos pacientes e familiares durante todo o tratamento.

Com um grupo mínimo, formado por um médico, um enfermeiro e um técnico auxiliar de enfermagem, a equipe vai acompanhar o paciente após alta hospitalar em sua residência. Isso faz com que ele tenha atenção no seu próprio domicílio, envolvendo a família, com orientações e acompanhamento, para prestar um atendimento adequado.

É uma interessante estratégia, pois se dinamiza o uso dos leitos nos hospitais, além de reduzir os riscos de infecções em pacientes que precisam de longas internações, mas que exigem cuidados de média complexidade (tais como acompanhamento médico, exames e alguns procedimentos cirúrgicos).

A portaria da internação domiciliar também permite que os idosos que foram internados por quadros agudos, acidente vascular cerebral, fraturas provenientes de quedas e câncer, que não necessitem mais da internação hospitalar, tenham um acompanhamento do tratamento

enquanto persistir a necessidade de atendimento. .1

Entende-se que ambas as situações ainda são merecedores de melhor estudo e aprofundamento quanto à sua prática, mas já existem ações pontuais que têm se revelado satisfatórias e eficientes.

Agora, vamos à segunda medida: a Caderneta da Pessoa Idosa.

Trata-se de um livreto no qual os profissionais de saúde deverão anotar as informações relativas à saúde do idoso a quem prestaram atendimento. A idéia da caderneta é facilitar o constante acompanhamento de cada indivíduo atendido no sistema de saúde público ou privado.

Dessa forma, a caderneta vai permitir, também, que as equipes da

Saúde da Família tenham uma visão mais apurada sobre os pacientes atendidos e, com isso, identificarem os idosos que estão em risco de saúde e aqueles que já estão com algum agravo instalado. É um modo interessante de dar assistência com informações seguras e claras que, certamente, contribuirão para a eficácia do atendimento prestado.

A meta dessa Política, colega, é que todos os brasileiros maiores de 60 anos possuam a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa.

Dá para perceber, até aqui, os grandes desafios presentes no cotidiano de nossa profissão, não é mesmo?

Para superar esses desafios só há uma solução: cada um de nós deve ser um educador da área da saúde. Educador no sentido real da palavra, que é o de motivador e de mediador de ações com as pessoas que atendemos.

Assim, pode-se confirmar que a Política Nacional da Saúde do

Idoso, em consonância com o Ministério da Saúde, tem como finalidade recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos indivíduos idosos, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para esse fim, em consonância com os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde -SUS.

Nesse sentido, apontam-se algumas diretrizes essenciais. Vamos a elas!

Em primeiro lugar, temos Promoção do envelhecimento ativo e saudável que, como já vimos, considera o cidadão idoso não mais como um ser passivo, mas como agente das ações a ele direcionadas, baseandose no reconhecimento dos seus direitos e nos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e auto-realização determinados pela Organização das Nações Unidas - ONU.

Para tal, é necessário ampliar o universo de ações e alertar a população em geral sobre a promoção e prevenção que devem ser incorporadas à atenção à saúde em todas as idades:

Envelhecer mantendo a capacidade funcional e a autonomia como meta de toda ação de saúde.

Permear todas as ações desde o pré-natal até a fase da velhice.

Envelhecer de forma bem sucedida: com diminuição da probabilidade de doença; aumento da capacidade funcional física e mental e engajamento social ativo.

A seguir, destacamos a Atenção integral e integrada à saúde da pessoa idosa.

Esta diretriz se estrutura sobre uma linha de cuidados voltados para o usuário, baseada nos seus direitos, necessidades, preferências e habilidades, tais como:

Estabelecer fluxos bidirecionais funcionantes (referência e contra-referência), aumentando e facilitando o acesso a todos os níveis de atenção.

Prover condições essenciais - infra-estrutura física adequada, insumos e pessoal qualificado para a boa qualidade técnica.

Partilhando desses pontos, podemos afirmar que a prática de cuidados às pessoas idosas exige abordagem global, interdisciplinar e multidimensional, que leve em conta a grande interação entre os fatores físicos, psicológicos e sociais que influenciam a saúde dos idosos e a importância do ambiente no qual está inserido.

Portanto, as intervenções devem ser feitas e orientadas com vistas à promoção da autonomia e independência da pessoa idosa, estimulando-a para o auto-cuidado.

Note, colega, que isso exige grande investimento de nosso profissionalismo, que antes de tudo é dedicação e conhecimento!

A integralidade efetiva dessas ações é pautada por dois grandes eixos norteadores:

1. O do enfrentamento de fragilidades, da pessoa idosa, da família e do sistema de saúde. 2. O da promoção da saúde e da integração social, em todos os níveis de atenção.

A seguir trazemos uma outra diretriz da Política Nacional da Saúde da Pessoa Idosa.

É a que se refere ao Estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção. São ações que devem ser promovidas e implementadas considerando as características e as necessidades locais. Podem ser entendidas da seguinte forma:

a prática da intersetorialidade pressupõe o reconhecimento de parceiros e de órgãos governamentais e nãogovernamentais que trabalham com a população idosa. a organização do cuidado intersetorial a essa população evita duplicidade de ações, corrige distorções e potencializa a rede de solidariedade.

A diretriz Provimento de recursos capazes de assegurar a qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa refere-se às formas de financiamento para aprimoramento da qualidade técnica da atenção à saúde prestada à pessoa idosa, que devem ser definidas e pactuadas com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

Nesse sentido ressalta-se que os mecanismos e os fluxos de financiamento devem ter por base as programações ascendentes de estratégias que possibilitem a valorização do cuidado humanizado ao indivíduo idoso.

Vamos, agora, delinear a proposta que envolve o Estímulo à participação e fortalecimento do controle social.

Esta diretriz propõe a estimulação e a inclusão nas Conferências

Municipais e Estaduais de Saúde de temas relacionados à atenção à população idosa, incluindo o estímulo à participação dos cidadãos idosos na formulação e no controle social das ações deliberadas nessas

Conferências.

Devem ser estimulados e implementados também os vínculos dos serviços de saúde com os seus usuários, privilegiando os núcleos familiares e comunitários, criando, assim, condições para uma efetiva participação e controle social da parcela idosa da população.

Já com relação à Formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa, no que diz respeito ao profissional de enfermagem, esta diretriz vem ao encontro de suas necessidades e expectativas, pois a educação permanente na área do envelhecimento e saúde do idoso aborda os conteúdos específicos das repercussões do processo de envelhecimento populacional para a saúde individual.

Por isso mesmo, colega, é que precisamos conhecer, entender para poder agir, não é mesmo?

Isso se consolida na Divulgação e informação sobre a Política

Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para Profissionais de Saúde, Gestores e Usuários do SUS.

Assim, dentre as medidas adotadas, temos a inclusão desta política na agenda de atividades da comunicação social do SUS, na produção de material de divulgação, apoio e fortalecimento de ações inovadoras de informação e divulgação sobre a atenção à saúde da pessoa idosa em diferentes linguagens culturais, identificando, articulando e apoiando experiências de educação popular, informação e comunicação em atenção à saúde da pessoa idosa.

Frente a esta iniciativa, prevê-se a promoção de ações de informação e divulgação da atenção à saúde da pessoa idosa, respeitando as especificidades regionais e culturais do país e direcionadas aos trabalhadores, aos gestores, aos conselheiros de saúde, bem como aos docentes e discentes da área de saúde e à comunidade em geral.

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