Alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento

Alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento

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“Envelhecimento é um processo seqüencial, individual, acumulativo, irreversível, universal, não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio-ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte”. (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE - OPAS).

Caro colega

O envelhecimento da população brasileira exige de nós uma participação consciente, uma atuação voltada para a melhoria da qualidade de vida dos idosos, não é mesmo?

Envelhecer é uma conseqüente fase de nossas vidas. É um processo natural que ao longo do tempo impõe ao individuo alterações diversas e produz efeitos estruturais e comportamentais que repercutem no contexto biopsicossocial e na qualidade de vida da pessoa.

As alterações que advém do envelhecimento estrutural e orgânico têm interferências multifatoriais, pois tanto fatores intrínsecos como extrínsecos corroboram para a senectude. .1

Conforme conceituado pela OPAS – Organização Pan-Americana de

Saúde - fatores genéticos, o estilo de vida, os hábitos de saúde e alimentar, autoconceitos, níveis de estresse e controle, ocupação e atividades diárias, além das interferências ambientais, interferem positiva ou negativamente na vida das pessoas.

As diferenças funcionais e estruturais que decorrem do envelhecimento distinguem-se particularmente em cada pessoa. Dois indivíduos de mesma idade podem apresentar-se diferentemente envelhecidos mediante as respostas de cada um deles aos agentes estressores, internos e externos.

Você concorda que as diferenças de contexto de vida das pessoas influenciam a saúde delas?

Nossa proposta para este núcleo temático é, inicialmente, descrever importantes alterações estruturais e fisiológicas que o envelhecimento acarreta às pessoas. A seguir nosso intuito é levar você a pensar como intervir ao atender o idoso.

Colega, sabemos que envelhecer é um processo natural que se impõe aos indivíduos e que essa fase da vida pode transcorrer com mais qualidade, dependendo não só das reações individuais frente aos desafios como das políticas sociais a eles destinadas. Concorda?

As alterações estruturais e funcionais produzidas pelo envelhecimento estabelecem modificações fisiológicas importantes nos sistemas orgânicos que têm como resultado uma cascata de efeitos indesejáveis aos aparelhos e órgãos nobres.

As respostas individuais às agressões sofridas ao longo da existência são os fatores que determinam a velocidade com que o envelhecimento acontece.

Estas alterações ocorrem desde cedo embora sejam pouco percebidas, mas é no idoso que estas modificações tornam-se visíveis. Quando o idoso apresenta alguma enfermidade em paralelo, estas mudanças se tornam mais evidentes.

As alterações ocorrem em nível celular, tecidual, orgânico e nos sistemas. Cada compartimento sofre alterações naturais a seu próprio tempo como resultado de agressões intrínsecas e extrínsecas que levam a uma diminuição da reserva fisiológica, ao declínio dos sistemas de defesa e de adaptação ao meio, e deixam a pessoa mais susceptível a enfermidades.

Antes de começarmos a tecer considerações sobre o idoso é imprescindível relembrarmos alguns conceitos. Vejamos alguns:

A população idosa cresce exponencialmente e para cuidar destas pessoas duas especialidades da Medicina se dedicam a elas: a Geriatria e a

Gerontologia. .2

Vale apontar as diferenças entre elas. Acompanhe:

Potter & Perry (2004) dizem que Geriatria é “o ramo da Medicina que lida com os aspectos fisiológicos e psicológicos do envelhecimento bem como com o diagnóstico e tratamento das doenças que afetam aos idosos”.

Gerontologia segundo Potter & Perry (2004) é “o estudo de todos os aspectos do envelhecimento e suas conseqüências”.

Neste entendimento, podemos dizer que a Gerontologia é de atuação mais ampla que a Geriatria. Assiste o idoso nos aspectos biomédico e social. E a Geriatria trata das alterações orgânicas e estruturais, faz o diagnóstico e trata das enfermidades que acometem os idosos.

Você entendeu as diferenças entre os dois ramos da Medicina? Voltemos ao nosso estudo.

Neste momento, precisamos diferençar dois termos: senescência1 e senilidade2. São conceitos que precisam estar bem claros. Muitas vezes são confundidos. Veja por quê:

A Senescência é um processo natural vivido por cada espécie.

Expressa as alterações bio-psico-funcionais que decorrem do envelhecimento que a pessoa sofre ao longo dos anos e que implica em perda progressiva das reservas funcionais que, a princípio, significa ausência de doença.

Senilidade é a fase derradeira do envelhecimento. Nesta fase, podemos observar o esmorecimento da memória e a ocorrência de perda significativa das capacidades física e funcional que tende a estabelecer limitações que podem originar necessidade de assistência à saúde.

Um lembrete: isto não é uma regra!

Senilidade pode ser entendida como presença de doença? Qual sua opinião?

Você já percebeu que, muitas vezes, os termos senescência e senilidade são utilizados inadequadamente?

Neste entendimento vale recordar os conceitos de saúde e bem-estar e repensar um pouco sobre eles.

Colega, observe, saúde para a Organização Mundial da Saúde -

OMS, “é um estado de bem-estar físico, mental e social completo, não apenas a ausência de doença e enfermidade”.

Brunner & Suddarth contestam esta definição quando dizem que o conceito da OMS não permite variação nos graus de bem-estar e doença. Para as autoras o estado de saúde de uma pessoa é mutável e pode apresentar potencial para variantes, desde a sensação de bem-estar pleno até a saúde comprometida, isto é, saúde é uma condição dinâmica que deve ser considerada de forma global e holística.

Conceitos que apreciam a ausência de sintomas como indicador de saúde devem ser esquecidos. Concorda?

Você sabe que quando falamos em saúde incluímos bem-estar. Há uma relação estreita entre os dois termos, podemos dizer que estão atrelados.

Observe o conceito de bem-estar:

Bem-estar está indicado pela capacidade da pessoa para realizar o máximo de sua capacidade, a capacidade de ajustar-se e adaptar-se a situações variadas, o registro de sensação de bem-estar e sensação de que “tudo está bem” e harmonioso. (LEDDY & PEPPER apud BRUNNER & SUDDARTH, 2005).

Neste pensar, bem-estar é um estado próprio, particular, que pode ter como base as crenças de saúde e doença, idade, cenário sociocultural, as expectativas e experiências pessoais relacionadas à saúde e à doença.

O que você pensa a respeito disto?

Neste discurso não trataremos do conceito de qualidade de vida por entendermos que é um conceito individual atrelado a pré-conceitos, à percepção e visão de mundo de cada um. Deixamos para você a decisão sobre aprofundar-se ou não no assunto, mas acreditamos ser importante e relevante a discussão sobre o tema, pois é de interesse de todos.

Pronto! Agora já podemos conversar sobre a nossa unidade de estudo: alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento.

É importante saber que, necessariamente, deve ser realizado um histórico e exame físico completo do idoso para que você possa observar as alterações.

Você encontrará abaixo uma seqüência de informações quanto a alterações, estruturais e fisiológicas, que o envelhecimento acarreta ao nosso corpo. Para descrever as modificações baseamos nossas informações nas seguintes autoras: Baikie (2006), Craven (2004), Freitas (2006), Jarvis (2002), Potter & Perry (2004) e Brunner & Suddarth (2005). Elas ressaltam várias alterações. Vejamos o que dizem:

1- ALTERAÇÕES NEUROLÓGICAS

O Sistema Nervoso Central e o Periférico sofrem alterações importantes e as respostas, sensoriais e motoras, são refletidas de forma equivalente de acordo com a extensão do dano.

Paralisia, distúrbios de comunicação, fraqueza motora, lentidão e diminuição das respostas sensoriais estão entre estas perdas.

O que você acha de pegar aquele livro de Anatomia esquecido no baú e recordar um pouco de Anatomia e Fisiologia?

Segundo Lueckenotte (2002), a avaliação do sistema neurológico deve ser pautada na observação do estado emocional e mental, na função dos nervos cranianos, na função motora, sensorial e reflexos do idoso.

A alteração estrutural de uma área cerebral específica modifica a resposta funcional particular à área afetada.

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