tipologia dos textos

tipologia dos textos

Prof.ª Mônica Cabral

Comunicação Oral e Escrita

Função social caracteriza-se pela sequência de ações que se sucedem no tempo e no espaço, envolvendo personagens; apresenta relação de anterioridade ou posteridade; tem caráter dinâmico; há predomínio de frases verbais, indicando processo ou ação, verbos nos tempos do passado, especialmente no pretérito perfeito. Percebe-se, também, uso significativo de advérbios de tempo e lugar.

São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência narrativa: relato, crônica, romance, fábula, conto de fada, piada, notícia.

caracteriza-se pela construção de “imagens” que representam cenas, seres, objetos; não apresenta relação de anterioridade ou posteridade, as ocorrências são simultâneas; tem caráter estático; ainda que apareçam ações, elas são predominantemente apresentadas no presente ou no pretérito imperfeito do indicativo, não indicando alterações que evidenciem uma transformação (situação inicial e um situação final). Gramaticalmente, percebe-se, ainda, o predomínio das frases nominais, de orações centradas em predicados nominais; adjetivação frequente; períodos curtos e prevalência da coordenação. Embora tenha na adjetivação um traço marcante, não se deve imaginar que a adjetivação, por si só, seja suficiente para fazer de qualquer texto uma descrição.

São exemplos de gêneros em que predomina a sequência descritiva: folhetos turísticos, anúncio classificado, lista de compras, cardápio, um auto-retrato.

DISSERTAÇÃO (expositiva ou argumentativa):

caracteriza-se pela análise e interpretação da realidade por meio de conceitos abstratos; não apresenta progressão temporal entre os enunciados; apresenta relação de natureza lógica (causa/efeito; fato/condição; premissa/conclusão);

Prof.ª Mônica Cabral

Comunicação Oral e Escrita tem caráter temático, portanto, ainda que apresente transformações de estado, o faz de modo diferente do texto narrativo, que é figurativo. Enquanto a finalidade da narração é o relato das transformações, o objetivo primeiro da dissertação é a análise e a interpretação das informações relatadas; em função do seu aspecto temático, com foco no referente, apresenta predomínio do uso da 3ª pessoa do discurso; traz uma referência ao mundo real, que se faz por meio de conceitos amplos, modelos genéricos; as referências mais específicas ao mundo concreto ocorrem como recurso da argumentação (ou dissertação argumentativa); apresenta caráter argumentativo (argumentação) quando à análise dos fatos se acrescenta um ponto de vista do autor (tese), cuja defesa é feita por meio de argumentos. A argumentação apresenta dois aspectos: o primeiro, ligado à razão, supõe ordenar ideias, justificá-las e relacioná-las; o segundo, referente à emoção, busca capturar o interlocutor por meio de recursos que envolvem a paixão, a sedução, a persuasão.

Constituem exemplos de dissertação expositiva: textos de divulgação científica, revistas especializadas, livros didáticos, verbetes de dicionários e enciclopédias. Constituem exemplos de dissertação argumentativa: sermão, ensaio, editorial, carta argumentativa, redações dissertativas.

tem como marca fundamental o verbo no imperativo (injuntivo é sinônimo de obrigatório).

São exemplos de sequência injuntiva ou instrucional: receita culinária, manual de instrução, orações.

São diversas as considerações sobre tipologia textual, mas, se for levada em conta a forma de estruturação interna do texto, o resultado apontará para três gêneros básicos: descrição, narração e dissertação.

Dificilmente, porém, um texto será construído com um dos gêneros exclusivamente. Um ou outro dos demais gêneros concorrerá para a feitura desse texto, portanto é mais coerente fundamentarmos a análise no estudo de sequências narrativas, sequências descritivas, sequências dissertativas e sequências injuntivas.

Prof.ª Mônica Cabral

Comunicação Oral e Escrita

TEXTO 1

Ele levanta às 6h30min. Toma o ônibus. Chega ao escritório às 8h, bate o cartão e começa a separar e carimbar as fichas. Às 17h, volta para casa. Assiste a uma novela e ao jornal na TV. Vai dormir. Todos os dias, repete os mesmos atos. Ele parece um robô.

TEXTO 2

Ele, com seu corpo magro e cansado, levanta às 6h30min. Toma o ônibus, sempre lotado, abafado, sem o mínimo conforto. Chega, já desarrumado e suado, ao escritório às 8h, bate o cartão e começa a separar e carimbar as fichas, escritas à mão, amareladas pelo tempo. Às 17h, volta para casa, um conjugado simples numa vila, com poucos móveis e muito silêncio. Assiste a uma novela cujo enredo é um drama romântico, e ao jornal na TV, um aparelho já antigo, em que a imagem não é muito nítida. Vai dormir em um sofá-cama, deixado sempre armado como cama para facilitar sua rotina. Todos os dias, repete os mesmos atos. Ele parece um robô.

TEXTO 3

A repetição rotineira e quase inconsciente dos mesmos atos transforma o indivíduo num verdadeiro robô. Uma pessoa pode ter, inclusive, problemas de relacionamento interpessoal por não admitir mudanças no seu dia a dia. Se cada um pensar em satisfazer apenas suas próprias necessidades, o convívio social pode se tornar impraticável.

Imaginemos um funcionário de uma repartição pública que levante às 6h30min, tome o ônibus, chegue ao escritório às 8h, batia o cartão e comece a separar e carimbar fichas de autorização para atendimento às requisições. Às 17h, volte para casa, assista a uma novela e ao jornal na TV e vá dormir às 23h. Repetindo, todos os dias, os mesmos atos, ele mais parecerá um robô.

Essa situação pode transformar o indivíduo num ser anti-social, uma vez que as atitudes mecanizadas transformam a rotina pessoal muito sistematizada. A pessoa adquire hábitos e manias que, muitas vezes, impedem uma convivência harmoniosa na sociedade.

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