Corte de folhosas em cinco países tropicais diferentes

Corte de folhosas em cinco países tropicais diferentes

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Discente: Vinicius Heberty Rosolem Disciplina: Serraria e Beneficiamento I Docente: Dr. Marcos Tadeu Tibúrcio Gonçalves

Itapeva – SP

Corte de folhosas em cinco países tropicais diferentes (Stephen P. Loehnertz1, Iris Vasquez Cooz2, Jorge Guerrero3)

1 Engenheiro Geral de Pesquisas do Laboratório de Produtos Florestais, Madison – Wisconsin

2 Engenheiro Florestal do Instituto Florestal Latino-americano, Merida – Venezuela

3 Engenheiro Florestal da Companhia Nacional de Reflorestamento, Nirgua - Venezuela

Resumo

Nesse estudo foi identificado o corte de folhosas em cinco países tropicais diferentes: Gana, Brasil, Venezuela, Indonésia e Malásia. A densidade da madeira e a presença de sílica nela implicam em uma mudança no método utilizado para o corte das folhosas. A serra-fita é a máquina mais comum e é empregada em várias configurações. Os parâmetros das lâminas da serra e procedimentos da operação variam de acordo com a natureza das espécies a serem cortadas e influenciadas tanto pelo local próprio como pelo conhecimento técnico do processo. O problema mais comum relatado inclui uma fraca manutenção do corte, falta de pessoal treinado, equipamentos obsoletos, inadequadas geometria de dentes e resistência ao desgaste. Alguns problemas podem ser resolvidos pela troca de tecnologia, e outros ainda por pesquisa.

Palavras-Chaves: Corte, tropical, Folhosas, dente de serra, abrasivo, floresta.

1. Introdução

O propósito desse estudo foi identificar a tecnologia de corte de folhosas e os problemas ocorridos por serrarias em países tropicais. Nós estudamos cinco países - Gana, Brasil, Venezuela, Indonésia e Malásia- que podemos obter mais informações. Nós acreditamos que esses países representam uma série de condições similares na África, Ásia e América Latina. Fontes de informações incluem: literaturas avaliáveis, visitas científicas ao Serviço Florestal americano, Laboratório de Produtos Florestais e outros institutos de pesquisa, fabricantes de serras, Organização da comida e agricultura dos Estados Unidos, Organização Internacional de Pesquisas Florestais Internacionais e várias universidades.

É incorreto comparar a colheita de madeira tropical com desflorestamento.

Desflorestamento é primeiramente causado para propagação da agricultura, o qual responsabiliza por 60% das limpezas anuais de terrenos (Lyke, Fletcher 1992) que excede muito o efeito dos cortes de árvores para madeira serrada e lenha. Desflorestamento é direcionado pelo crescimento populacional e pobreza e é provável que continue até que a floresta seja economicamente desenvolvida para fornecer meios de subsistência para a população local.

A tabela 1 mostra a diminuição das áreas florestais de 1980 à 1990. O valor das florestas pode ser aumentado conhecendo como melhorar o processamento da madeira, especialmente por essas espécies que são abundantes mas demonstram dificuldade para processar por causa da sílica, alta densidade e outras características. Pesquisas aplicadas e transferências de tecnologias podem ajudar a providenciar os conhecimentos necessários. Tabela 1 – Área de florestas tropicais (inclui úmidas e secas)a

Localização

Área da Floresta (x103 km2)

Média anual de desflorestamento

América Latina 9230 9399 83

Ásia 3108 2749 36 África 6503 6001 50 Total 18841 17149 169 a Instituto de Pesquisas Mundal (1992)

2. Produção e Exportação de Madeira Serrada

2.1. Produção

A produção de madeira serrada de folhosas para os cinco países (Gana,

Brasil, Venezuela, Indonésia e Malásia) é cerca de 21% da produção mundial. De 1980 à 1990, o aumentou a produção de madeira serrada em cada país, exceto Venezuela e Brasil, que representavam 60% da produção de madeira serrada de folhosas da América do Sul e 7% do mundo.

2.2. Exportação

Para os cinco países, Malásia exporta a maior quantidade de madeira serrada, cerca de 30% do total de exportações mundiais, ou seja, mais que 50% da produção desses países. Gana exportou aproximadamente 40% dessa produção em 1991, onde tal valor representa 14% do total da África e 1% do mundo. As exportações brasileiras eram menores que 5% do total de produção envolvendo esses cinco países em 1991, mas próximo dos 3% do total mundial (Tabela 2). Tabela 2 – Produção e Exportação de madeira serrada de folhosa

Localização Produção (x103 m3) Exportações (x103 m3)

Gana 225 400 69b 161 Brasil 7738 9256c 662 429c

Venezuela 349c 235 - - Indonésia 4800b 9008c 1203 756 Malásia 6284 8860b 3212 4934b África 5621 6112 1104 869 a FAO (1993) b Não oficial c FAO estimado

A. Gana

A.1. Recursos Florestais Recursos florestais africanos são ricos somente na área sudoeste onde 70% da superfície é coberta com florestas, e metade disso são de florestas densas (ITTO 1990). Como resultado de OVERLOGGING (uso de mais da madeira?) e desflorestamento, ou então muitas áreas serão totalmente desflorestadas em 10 anos ou todo estoque conhecido de espécies comerciais será esgotado. Oitenta e cinco por cento da produção é usada como carvão, e somente uma pequena parte é usada como estruturas de madeira. Grandes áreas de florestas são cortadas a cada ano para dar lugar a agricultura (IUFRO 1989).

Gana tem 0,08 x 106 km2 de florestas com 680 espécies de árvores, dos quais 6 tem maior valor econômico (76,3% do volume em pé). Outras 60 espécies são potencialmente negociáveis (18,3% do volume em pé). Independente como, somente 40 espécies são consideras comerciais pelo qual existem negócios internos e externos. Um segundo grupo de 20 espécies é considerável ligeiramente comercial. Duas abundantes espécies são Wawa (Triplochiton scleroxylon), representa 15% do volume em pé, e esa (Celtis spp.) 12% por cento do volume em pé (ITTO 1990).

As características de algumas espécies de Gana podem causar rápido desgaste da ferramenta de corte durante a usinagem (Densidade básica) incluem as seguintes.

Alta densidade, Kaku (Lophira alata) 0,9 de densidade básica.

Silica, Bediwunua/Eyere (Canarium schweinfurthii) 0,4 de densidade básica.

Depósito de carbonato de cálcio, odoum (Chlorophora excelsa e C. regia) 0,5 de densidade básica.

A.2. Madeira Serrada

Em Gana, a colheita e o corte de madeira são altamente mecanizados com regras e regulamentos (Segoe 1992). A cada árvore de 60 à 62 cm de diâmetro ou mais é numerada e todas elas são registradas. “A maior quantidade de árvores são mesmo processadas em moinhos para a floresta, se possível, porque o transporte é ineficiente” (The largest logs are processed in mills to the forest, if possible, because transportations is inefficient). O fator de conversão de corte varia entre 35% à 40%, mas tem melhorado ultimamente.

O desenvolvimento exportação de painéis de madeira dos estados de

Gana, entre 1990 e 1992, mostrou um aumento na média anual na produção de madeira serrada no período, que era de 576000 m³/ano. Esse é o maior relatório que esta na Tabela 2. O rendimento é de 53%. Madeiras usadas em marcenarias, molduras, construções, painéis, placas de perfil, pisos, móveis, caixas / engradados, caixas, pallets, dormentes, janelas, portas, moldura da janela, e construção de barcos.

São usadas árvores de reflorestamento nos polos. O média local de mercado trabalha com 340000m³/ano, e a média de exportações é de 236000m³/ano. Esse volume é o maior relatado na Tabela 2. As dimensões variam de 25 à 100 m, 150 m ou mais em largura, e com mais de 1,8m de comprimento. A madeira ocasionalmente dependendo do pedido pode ser aplainada.

Na África, mais de 90% das máquinas de corte são serras-fitas(Sales 1992). O diâmetro dos volantes varia entre 1,1 m à 1,8 m. Stellite é o material bade dos dentes; As velocidades de avanço variam entre 5 m/min (serras fitas menores) à 35 m/min para uma profundidade média de corte de 40 cm. Madeiras verdes tem espessurs de corte teoricamente de 21,27, 34, 42 e 54 m, mas podem variar 20% por causa da pouca manutenção nos equipamentos. A madeira não é aplainada, e a média do rendimento é de 40%, aumento para 50% nos melhores casos (“from log boule, not square edged”- sem aproveitar as costaneiras?).

Os parâmetros usados nas serras fitas de Gana para corte de folhosas tropicais são relatados na Tabela 3. Forma de S é normalmente usada (Gyamel 1993). Perfil dos dentes comuns são apresentados na Figura 1.. Convexo para trás reduz o ângulo de incidência para o mínimo aumentando força de corte oferecida pelo dente. Serrarias que processam toras de folhosas normalmente usam dentes rebitados com stellite. Tipicamente, há o desgaste da aresta de corte em pelo menos 3 horas, onde o qual a peça usinada já apresenta defeitos de corte.

A.3. Problemas relatados

Muitos são os problemas relatados para manutenção, uns usando serras desgastadas, garganta queimando enquanto se afia, tensões incorretas e desiguais, raio desigual, brocas erradas durante afiação, rolamentos dos volantes com defeitos, serras muito espessas para diâmetros de volantes inadequados e vibração do equipamento. Esses problemas resultam parcialmente da falta de um desenvolvimento revolucionário nos equipamentos e na gerência. (ITTO 1990). Não tem ocorrido uma desenvolvimento que eliminaria a necessidade de altas técnicas qualificadas e operações para obter resultados ótimos. No futuro, a crescente inacessibilidade à matérias-primas devem forçar a descentralização do processo para ser integrado com as toras, isto é, mobilidade ao processo e poder ao equipamento.

Tabela 3.a – Tipos comuns de geometria de serra

Tabela 3.b – Tipos comuns de geometria de serra Fonte Munoz (1994)

Figura 1 – Perfil dentes: (a) Fundo Chado, (b) Tipo S – preferível para lâminas de serras-fitas largas, (c) Tipo N ou dente de “lobo”

B. Brasil

B.1. Recursos Florestais

O Brasil tem 8,5 x 106 km2 de recursos florestais. Disso, aproximadamente 3,47 x 106 km2 são de florestais tropicais, do qual representam cerca de 30% do total mundial. As florestas do Brasil contem de 15% a 20 % de espécies conhecidas (Figueroa 1987). As indústrias de base florestal da região amazônica são localizadas principalmente às margens dos rios, contribuindo aproximadamente por 4% do Produto Interno Bruto Nacional (PIB) (Setsuo 1992). De 60% à 70% de toda madeira da região amazônica tem densidade próxima de 0,7 g/cm3.

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