Reprodução de Pirarucu em Cativeiro

Reprodução de Pirarucu em Cativeiro

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em Cativeiro

Projeto Estruturante do Pirarucu da Amazônia Manual de Boas Práticas de

Porto Velho | Novembro 2010 e Cultivo do Pirarucu

Porto Velho | Novembro 2010 em Cativeiro

Projeto Estruturante do Pirarucu da Amazônia Manual de Boas Práticas de e Cultivo do Pirarucu

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Índice

Reprodução de Pirarucu 9 Histórico da Produção de Pirarucu em Cativeiro 10 Pirarucu em seu Ambiente Natural 12 Reprodução em Cativeiro 16 Pesquisa Pratica com Êxito 17 Estratégias de Manejo de Reprodutores 18 Equipamentos e como utilizá-los: 18 A Captura 20 Alimentação de Reprodutores 2 Doenças 23 Reprodução “Natural” 23 Identificação de Sexo 24 Condições Climáticas e Físicas Necessárias 26 Ambientes Apropriados para Reprodução 26 Formação de Casais 26 Agrupamento de Pirarucu 28 Estratégias de Agrupamento 28 Preparação para as Desovas 32 Desovas 3 Condições Físicas Importantes em Tanques de Reprodução 3 Capturar Ovos, Larvas ou Alevinos? 34 Larvicultura e Alevinagem em Laboratório 37 Tratamento de Doenças 39 Produção de Zooplâncton 40 Treinamento alimentar 42 Produção Extensiva 4 Produção Extensiva 4 Manejo e Transporte 4 Densidades Máximas Recomendadas para Transporte 45 Comentários do Autor 46

A reprodução controlada e a produção de juvenis saudáveis são fundamentais para viabilização de qualquer indústria que tem como objetivo produzir uma espécie animal em cativeiro. No caso do pirarucu, espécie com grande potencial reconhecido para desenvolvimento de uma nova indústria, ficou claro que a produção de alevinos de qualidade era o entrave principal na produção em escala desse animal. O pirarucu continua sendo reconhecido pelo IBAMA como espécie ameaçada. A pressão da pesca de peixes adultos, devido ao valor da carne de pirarucu, é constante. Uma procura crescente e oferta limitada de alevinos agravam mais ainda o problema de captura ilegal de animais silvestres da natureza. Alevinos também são vendidos com alto custo. Infelizmente, sofrem alto índice de mortalidade. A situação pede melhoras com certa urgência. A produção de pirarucu para consumo em cativeiro, com alevinos necessários produzidos em cativeiro, é a maneira lógica e sustentável para resolver o problema. Informação e entendimento sobre a biologia e o comportamento dessa espécie ainda não foram adequados para viabilizar a industrialização de sua produção em cativeiro. Devido a essa urgência para comercialização de carne de pirarucu, a tecnologia sobre sua reprodução em cativeiro teve que começar com a aprendizagem básica sobre o comportamento e o histórico natural do pirarucu.

Durante a última década, a proposta de conhecer melhor esse animal e desenvolver técnicas úteis e práticas para viabilizar a produção em cativeiro dessa espécie vem sendo o objetivo do profissional especialista em aquicultura, Martin Richard Halverson. As técnicas utilizadas pelo autor para entender melhor o comportamento reprodutivo do pirarucu foram baseadas no estudo científico de comportamento de animais silvestres, a etologia.

Todos os comportamentos possíveis dos animais estudados são catalogados para análise dos seus significados. Este registro dos comportamentos continua sendo complementado e reavaliado até hoje. Muitas observações e aprendizagens foram possíveis devido a oportunidades de observar o pirarucu de perto, sem ser visto pelos animais. Citando um exemplo, para observar detalhes de uma fêmea chocando seus ovos no seu ninho, é necessário chegar perto e permanecer em silêncio por horas. Assim foi observado que os peixes utilizam um sistema de comunicação sonoro. Foi possível ver e ouvir a chamada, até sentindo as vibrações transmitidas pela terra, o som feito por um movimento brusco da sua cauda. Esta chamada provocou o macho vir e ficar no lugar da fêmea enquanto ela subiu para respirar.

citadasÉ de grande importância agradecer a

As experiências trabalhando com reprodução, alevinagem e engorda de várias espécies de peixe em cativeiro, lições aprendidas em laboratórios de reprodução de tilápia e channel catfish, assim como de outras espécies, foram fundamentais para poder enxergar e entender o significado dos comportamentos envolvidos na reprodução do pirarucu. Hoje, sabemos que a reprodução de pirarucu tem muito em comum com a reprodução dessas duas espécies acima algumas pessoas que se dedicaram em trabalhar com pirarucu e ofereceram oportunidades para aprender junto com eles: Paulo Teodoro Oliveira, Jaime Brum, Jacob Kehdi, João Roberto Garcia, Eduardo Ono, Ângelo Coutinho, Elthon Lago e João Menandro Fair. Agradecimento especial a Roberta Figueiredo do SEBRAE/RO pela sua visão e dedicação no caso do pirarucu e a todos os envolvidos no Projeto Estruturante do Pirarucu da Amazônia do SEBRAE.

Reprodução de Pirarucu Introdução

As tentativas de estabelecer produção em escala comercial de pirarucu em cativeiro, em geral, encontraram dificuldades e, até agora, não existe uma indústria bem-sucedida produzindo essa espécie em cativeiro. Apesar do fato de que alevinos de pirarucu foram produzidos em cativeiro durante a década de 1950, por um grupo de biólogos que trabalhou dentro do projeto federal do DNOCS no Ceará (1), a produção comercial de pirarucu em cativeiro não deslanchou. Naquela época, não existia tecnologia adequada, muito menos elementos de uma cadeia produtiva de piscicultura para estimular e sustentar uma indústria produzindo esse peixe em cativeiro. Alevinos produzidos dentro do projeto do DNOCS foram soltos em lagoas e reservatórios para controlar uma população indesejável de piranhas, onde sobreviveram e cresceram bem até que todos foram eliminados por pescadores. Devido à disponibilidade limitada, alevinos de pirarucu sempre foram caros. Frequentemente capturados da natureza e geralmente de baixa qualidade, apresentando enfermidades variadas, como verminose e parasitos protozoários nas brânquias, mostrando-se malnutridos e malpreparados para entrar em engordas, não tiveram muita chance de sobreviver em cativeiro. Produtores enfrentando estas dificuldades geralmente ficaram desanimados com as experiências com pirarucu.

Na natureza, peixes adultos cuidam dos filhotes constantemente durante os primeiros meses de vida, protegendo-os de um grande leque de predadores nativos da Bacia Amazônica. Mesmo com este cuidado, peixes pequenos são vulneráveis aos insetos, pássaros, peixes, tartarugas, cobras, jacarés e até outros pirarucus. Reservatórios utilizados em sistemas extensivos de cultivo ao redor da Região Norte do Brasil acabam formando ecossistemas ricos em fauna, incluindo estes predadores capazes de comer pirarucu. Sem a proteção dos pais, muitos peixes pequenos estocados nesses reservatórios sumiram. A não realização de práticas de manejo apropriadas em geral dificultou as tentativas de cultivo intensivo dessa espécie em cativeiro. Rações adequadas para peixes carnívoros somente apareceram no mercado brasileiro em anos recentes, com interesse crescente no cultivo comercial de outras espécies carnívoras nativas, como o pintado e outras espécies de peixes marinhos.

Estratégias extensivas que funcionaram melhor envolviam estocagem de alevinos maiores em reservatórios junto com peixes forrageiros. Nesta situação, pirarucus crescem rapidamente, alcançando maturidade sexual em 4 ou 5 anos quando pesam de 50 a 100 kg. Apesar das dificuldades citadas, principalmente durante a última década, a produção de pirarucu vem aumentando, resultando em estoques significativos de peixes em cativeiro. Como os pirarucus reproduzem naturalmente em reservatórios, que apresentam condições parecidas com seu ambiente natural, alevinos produzidos extensivamente em reservatórios viraram a primeira geração de pirarucu produzido em cativeiro. Existem peixes hoje em cativeiro varias gerações removidas dos seus ancestres selvagens. Esses peixes servem hoje como base genética de uma nova indústria. Produtores que controlaram melhor a reprodução desses animais ganharam mais experiência com pirarucu, repassando sua produção limitada de alevinos para outros produtores, e aumentando mais ainda os estoques e alimentando o interesse no pirarucu.

Histórico da Produção de Pirarucu em Cativeiro

Anos de observação de pirarucu em cativeiro vêm trazendo maior conhecimento do processo reprodutivo da espécie. Experimentação e manipulação dentro do ambiente de cativeiro foram fundamentais na identificação dos fatoreschaves que estimulam a reprodução do pirarucu. Trabalhos com pesquisa e desenvolvimento realizados dentro do setor privado, incluindo a piscicultura Só Peixes da Amazônia em Pimenta Bueno, Rondônia, vêm mostrando resultados animadores. Hoje, a reprodução de pirarucu em cativeiro é bem mais previsível, sendo já uma realidade a produção em escala de alevinos de alta qualidade. Alevinos de qualidade utilizados em projetos de engorda de pirarucu mostraram claramente a sua importância, com crescimento rápido, conversão alimentar boa, uniformidade de tamanho e alta taxa de sobrevivência em sistemas tradicionais de cultivo, criando assim uma nova realidade para a longa espera da indústria de criação de pirarucu em cativeiro.

Com fornecimento seguro de alevinos de qualidade, surgiu a oportunidade para a montagem de testes a campo com diferentes rações, sistemas produtivos e estratégias de engorda. Análise dos resultados destas experiências em “unidades de observação” serve para indicar boas práticas para engorda de pirarucu. Ao longo dos últimos três anos, estes trabalhos com reprodução e engordas foram realizados dentro do Projeto Estruturante da Pirarucu da Amazônia do Sebrae.

Em seu ambiente natural, durante a época de chuva, o pirarucu explora as áreas alagadas da Bacia Amazônica, nadando tranquilamente no meio da vegetação em busca de comida. Mostrando grande flexibilidade no seu comportamento alimentar, esse peixe possui uma boca enorme que produz uma sucção explosiva, sendo possível ouvir o momento da captura de peixes, cardumes de camarão ou outros pequenos animais de longas distâncias. O pirarucu também é capaz de filtrar organismos pequenos da água utilizando seus “rastros branquiais”.

Estrutura da Cavidade Oral do Pirarucu

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