Ambiencia de Suinos na maternidade

Ambiencia de Suinos na maternidade

(Parte 1 de 2)

Fernando Bruno Xavier Júriann C. R. Ramalho Marcelo Cozadi Passos

BAMBUÍ - MG 2010

Trabalho de conclusão de disciplina apresentado ao Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais – Campus Bambuí, como requisito parcial para a aprovação na disciplina de suinocultura.

Professor(a): Sandra

BAMBUÍ - MG 2010

1. INTRODUÇÃO4
2. REFERENCIAL TEÓRICO5
3. CONSTRUÇÕES5
3.1. Orientação da construção7
3.2. Pé direito7
3.3. Cobertura8
4. INSTALAÇÕES8
4.1. Creche ou unidade de crescimento inicial9
4.2. Unidade de crescimento e terminação9
4.3. Setor de reprodução (pré-cobrição e cobricão)9
4.4. Unidade de gestação10
4.5. Maternidade10
5. MATERNIDADE10
5.1. Matrizes1
5.2. Leitões1
5.2.1. Escamoteador12
5.2.2. Aquecimento através de canos13
5.3. Tipo de piso13
5.4. Temperatura da água14
6. ALTERNATIVAS PARA CONFORTO DO AMBIENTE14
6.1. Resfriamento localizado15
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS16

SUMÁRIO 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................. 17

1. INTRODUÇÃO

O aumento da população humana acarreta a necessidade de maiores quantidades de alimentos para satisfazer suas crescentes demandas alimentícias, particularmente as protéicas. É por isso que, a partir da década de 1960, as antigas criações extensivas passaram a se intensificar e ter como característica principal o alojamento de grande número de animais em espaço reduzido. Essa mudança no sistema de criação tornou possível grande aumento na produção de alimentos de origem animal para consumo humano. Por outro lado, trouxe incremento no desconforto dos animais.

O suíno é um exemplo de animal cujo conforto vem sendo prejudicado pela intensificação da produção, caracterizada pela restrição do espaço, movimentação e interação social (PUTTEN, 1989), o que traz consigo o detrimento de seu conforto térmico, assim como da sua produtividade. A determinação das exigências de bem-estar animal em relação à saúde e à economicidade da produção constitui grande desafio para a simplificação do manejo, redução de custos e aumento da produtividade.

O desempenho produtivo e reprodutivo dos animais depende do sistema de manejo empregado, que envolve o sistema de criação escolhido, da nutrição, da sanidade e das instalações. Essas instalações, que demandam maior volume de investimento fixo inicial, são construídas em função dos custos e facilidades para o tratador, ficando negligenciado o conforto do animal. No caso da maternidade, esse problema se evidencia por conviverem nela duas categorias com exigências ambientais muito diferentes, pois a porca precisa ser refrigerada, e o leitão, por outro lado, precisa ser aquecido. A solução dessa problemática, presente em todas as granjas de suínos, é prioritária quando se pretendem melhorar o desempenho de ambas as categorias.

Maternidade é a instalação utilizada para o parto e fase de lactação das porcas que, por ser a fase mais sensível da produção de suínos, deve ser construída atentando com muito cuidado para os detalhes. Qualquer erro na construção poderá trazer graves problemas, como de umidade (empoçamento de fezes e urina), esmagamento de leitões e calor ou frio em excesso que provocam como conseqüência, alta mortalidade de leitões. Na maternidade devem-se prever dois ambientes distintos, um para as porcas e outro para os leitões.

Serão ressaltados a seguir, algumas características que devemos observar no momento da contração de uma maternidade de suínos, para proporcionar uma boa ambiência interna para os animais ali presentes.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

A ambiência é formada por diversos elementos que circundam o ser vivo em determinado local. São principalmente os macrofatores que formam as macro regiões climáticas (latitude, altitude, vento, relação terra e mar); mas são os elementos climáticos como temperatura, umidade relativa, precipitação, luz, radiação, vento, e pressão barométrica, que agem diretamente sobre o animal e indiretamente sobre fatores de disponibilidade e qualidade de alimento, e do metabolismo em si, bem como manifestação de ecto e endoparasitismo, doenças tropicais e principalmente dificuldades na reprodução (MEDEIROS; VIEIRA, 1997).

O conhecimento das necessidades ambientais dos animais e o estudo das condições climáticas da região em que será implantado o sistema são fundamentais na definição das técnicas e dispositivos de construções que maximizem o conforto dos animais (SATOR, et al., 2004). As construções destinadas aos animais deverão estar afastadas do trânsito de veículos, em terreno alto, seco, com declividade adequada de forma a permitir suprimento adequado de água, bom escoamento a acesso fácil. Isto se faz necessário para que sejam evitados problemas de umidade.

Segundo SATOR, et.al.(2004), um ponto importante referente às instalações é a proteção do sistema (conjunto de construções) contra a propagação de doenças, bem como o isolamento do mesmo com relação a outras explorações localizadas nas proximidades. Assim, normalmente adota-se um cordão sanitário com o objetivo de proteger toda a zona de produção, separando-a da zona externa. O cordão sanitário pode ser obtido por meio de uma cerca metálica de aproximadamente 2m de altura, sobre mureta de alvenaria de 30 cm de altura. Isto evita a entrada de pequenos animais como cães, gatos, galinhas, etc., que podem atuar como vetores de diversas doenças. As figuras abaixo demonstram este sistema sanitário.

3. CONSTRUÇÕES

As construções compreendem o conjunto de prédios que o criador deve possuir para racionalizar sua criação. Devem atender a determinadas condições básicas quanto à higiene, orientação, funcionalidade e custo. Construções suntuosas, onerosas, exageradas e complicadas, além de serem anti-econômicas, revelam mau preparo de quem as projetou.

Devem, portanto merecer cuidado especial do criador, porque de sua eficiência irá depender, em grande parte, o sucesso da empresa. No sentido de aumentar a eficiência dos sistemas de criação de animais e prevenir ou controlar doenças, a tendência atual é de se adotar o confinamento total, o que tem determinado uma modificação dos prédios a dos equipamentos, especialmente nas grandes empresas (SATOR, et al., 2004). As construções deverão obedecer as seguintes condições básicas: - serem higiênicas: terem água disponível e destino adequado dos resíduos;

- serem bem orientadas no terreno;

- serem simples e funcionais;

- serem duráveis e seguras: utilização de materiais e técnicas construtivas adequadas; - serem racionais: rapidez a eficiência no uso de materiais e mão-de-obra;

- permitirem controle das variáveis climáticas;

- permitirem expansão; e

- serem de baixo custo. As construções rurais destinadas à criação de suínos, principalmente aquelas construídas há mais tempo, foram baseadas em projetos oriundos de países tradicionais em suinocultura, localizados em regiões temperadas, como a Europa, por exemplo. Ao serem implantadas no Brasil, um país quente para os animais adultos, verificou-se que seriam necessárias adaptações para se garantir melhores índices zootécnicos. É comum, no campo, encontrar maternidades com pé direito baixo, com pouca ventilação, ou até mesmo quase toda fechada com janelas basculantes que raramente são abertas para não “resfriar” os leitões. Essa concepção deve ser reavaliada, pois, como já visto, a maternidade deve oferecer um macro ambiente com temperatura confortável para a porca e um micro ambiente (escamoteador) com temperaturas mais elevadas, para os leitões. Portanto, a maternidade ideal para maioria das regiões brasileiras deve ser bem ventilada, devendo atender às necessidades da porca no verão e dotada de cortinas que protejam do resfriamento excessivo no período frio.

Há dois tipos principais de sistemas de aquecimento: global e localizado. No primeiro caso, o espaço total destinado ao animal é mantido a uma temperatura uniforme, por ventiladores ou dutos pressurizados, que distribuem o ar aquecido. O controle dos aquecedores e ventiladores para manutenção da temperatura em determinada faixa pode ser feito por meio de termostatos. Quando temperaturas diferentes são necessárias nas diferentes partes da instalação, como para as porcas e leitões em uma maternidade, o aquecimento localizado é, tecnicamente, mais eficiente e econômico.

3.1. Orientação da construção

O sol não é imprescindível à suinocultura. Se possível, o melhor é evitá-lo dentro das instalações. Assim, devem ser construídas com o seu eixo longitudinal orientado no sentido leste-oeste. Nesta posição nas horas mais quentes do dia a sombra vai incidir embaixo da cobertura e a carga calorífica recebida pela instalação será a menor possível. A temperatura do topo da cobertura se eleva, por isso é de grande importância a escolha do material para evitar que esta se torne um coletor solar. Na época da construção da instalação deve ser levada em consideração a trajetória do sol, para que a orientação leste-oeste seja correta para as condições mais críticas de verão.

Por mais que se oriente adequadamente a instalação em relação ao sol, haverá incidência direta de radiação solar em seu interior em algumas horas do dia na face norte, no período de inverno. Providenciar nesta face dispositivos para evitar esta radiação.

3.2. Pé direito O pé direito da instalação é elemento importante para favorecer a ventilação e reduzir a quantidade de energia radiante vinda da cobertura sobre os animais. Estando os suínos mais distantes da superfície inferior do material de cobertura, receberão menor quantidade de energia radiante, por unidade de superfície do corpo, sob condições normais de radiação. Desta forma, quanto maior o pé direito da instalação, menor é a carga térmica recebida pelos animais. Recomenda-se como regra geral pé-direito de 3 a 3,5 m.

3.3. Cobertura O telhado recebe a radiação do sol emitindo-a, tanto para cima, como para o interior da instalação. O mais recomendável é escolher para o telhado, material com grande resistência térmica, como a telha cerâmica. Pode-se utilizar estrutura de madeira, metálica ou pré-fabricada de concreto.

Sugere-se a pintura da parte superior da cobertura na cor branca e na face inferior na cor preta. Antes da pintura deve ser feita lavagem do telhado para retirar o limo ou crostas que estiverem aderidos à telha e facilitar assim, a fixação da tinta.

A proteção contra a radiação recebida e emitida pela cobertura para o interior da instalação, pode ser feita com uso de forro. Este atua como segunda barreira física, permitindo a formação de camada de ar junto à cobertura e contribuindo na redução da transferência de calor para o interior da construção.

Outras técnicas para melhorar o desempenho das coberturas e condicionar ótima proteção contra a radiação solar, tem sido o uso de isolantes sobre as telhas (poliuretano), sob as telhas (poliuretano, poliestireno extrusado, lã de vidro ou similares), ou mesmo forro à altura do pé-direito.

4. INSTALAÇÕES

A maioria das instalações brasileiras, destinadas a maternidade de suínos, apresentam características construtivas que não permite a otimização da ventilação natural. Elas têm sido compostas por salas fechadas, sem lanternim com aberturas de janelas muito pequenas, o que dificulta a renovação interna de ar. A maior preocupação na utilização de salas de maternidade de suínos mais abertas, que aproveitam melhor a ventilação natural, tem sido a redução da temperatura durante a noite, principalmente no inverno, quando a inversão térmica é grande em relação ao período diurno, constituindo-se em um fator estressante para os leitões.

No Brasil, as concepções construtivas da maioria das instalações conduzem a problemas de desconforto térmico e diminuição do desempenho dos animais. Pesquisas realizadas analisaram as condições ambientais de verão de diferentes tipos de construções para suínos, e verificaram que: as temperaturas internas foram elevadas, em relação às consideradas ótimas; a ventilação interna foi deficiente; os criadores não utilizaram adequadamente os dispositivos de modificações ambientais (janelas, cortinas, etc.); altura do pé-direito foi considerada baixa (2,0 a 2,2 m); e as instalações não possuíam lanternim.

Em salas de maternidade com dimensões de 8,3 x 4,2m pé-direito de 2,5 m, superfícies de abertura de 2,8 x 1,0m presença de forro e cobertura com telha cerâmica concluíram que as características construtivas em questão não foram suficientes para permitirem o condicionamento ambiental desejado em condições de verão.

Uma concepção construtiva que tem sido largamente empregada e que permite que se tenha um melhor controle das condições ambientais e um melhor manejo para cada fase da criação, é a divisão das edificações para abrigar suínos pela fase de vida e pela atividade.

Dessa forma, têm-se galpões distintos para creche, crescimento e terminação, reprodução, gestação e maternidade.

4.1. Creche ou unidade de crescimento inicial

Projetada para abrigar os leitões após o desmame até atingirem 25 kg de peso corporal (o que ocorre por volta de 65 dias de idade). A instalação pode possuir gaiolas para 10 leitões ou baias para grupos de 20 leitões.

4.2. Unidade de crescimento e terminação

Utilizadas para animais com 25 a 60 kg de peso corporal (65 a 110 dias de idade, aproximadamente), criados em baias coletivas do setor de crescimento; e de 60 a aproximadamente 100 kg (peso de abate), também em baias coletivas. Em cada uma destas fases, são utilizados prédios separados, a não ser em caso de plantel pequeno (menor ou igual a 36 fêmeas criadeiras).

4.3. Setor de reprodução (pré-cobrição e cobricão) As fêmeas já podem ser selecionadas para reprodução logo ao nascimento, caso apresentem peso corporal maior ou igual a 1,4 kg. Depois, podem ser separadas pelas suas tetas em quantidade (número > 14 tetas) a em qualidade (ausência de tetas invertidas). Além destas, outras características podem ser usadas para o agrupamento do plantel de fêmeas reprodutoras, as quais já apresentam o primeiro cio no 5° mês de vida a estão aptas para reprodução com aproximadamente 7 meses de idade, quando apresentam peso corporal de 100 a 110 kg. Então, são encaminhadas ao setor de reprodução, onde são cobertas a permanecem até a confirmação da prenhes. Podem serem também adquiridas de empresas especializadas.

4.4. Unidade de gestação

Confirmada a prenhes são encaminhadas para a unidade de gestação (baias coletivas ou gaiolas individuais) onde permanecem até uma semana antes do parto, sendo que a gestação dura aproximadamente 114 dias (3 meses, 3 semanas e 3 dias).

4.5. Maternidade

Uma semana antes do parto são levadas para a maternidade (gaiolas individuais com abrigo para proteção dos leitões) onde permanecem até terminar a fase de aleitamento. A desmama ocorre, normalmente, quando os leitões atingem entre 21 e 28 dias de idade, sendo os leitões encaminhados para a creche e as porcas retornam para o setor de reprodução.

5. MATERNIDADE

(Parte 1 de 2)

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