plantio de cana ? manual e mecanizada

plantio de cana ? manual e mecanizada

ETEC Centro Paula Souza Produção vegetal

Técnico em Açúcar e Álcool

Trabalho: plantio de cana – manual e mecanizada 1 semestre

Professor: CAIO COVRE Aluno: Ivail Américo

Tratos Culturais

Os tratos culturais na cana-planta limitam-se apenas ao controle das ervas daninhas, adubação em cobertura e adoção de uma vigilância fitossanitária para controlar a incidência do carvão. No que concerne à adubação em cobertura, já foi visto no item adubação e a vigilância fitossanitária será comentada em doenças e seu controle.

O período crítico da cultura, devido à concorrência de ervas daninhas, vai da emergência aos 90 dias de idade.

O controle mais eficiente as erva, nesse período, é o químico, através da aplicação de herbicidas em pré-emergência, logo após o plantio e em área total. Dependendo das condições de aplicação, infestação da gleba e eficiência do praguicida, há necessidade de uma ou mais carpas mecânicas e catação manual até o fechamento da lavoura. A partir dai a infestação de ervas é praticamente nula.

Outro método é a combinação de carpas mecânicas e manuais. Instalada a cultura, após o surgimento do mato, procede-se seu controle mecanicamente, com o emprego de cultivadores de disco ou de enxadas junto às entrelinhas, sendo complementado com carpa manual nas linhas de plantio, evitando, assim, o assoreamento do sulco. Essa operação é repetida quantas vezes forem necessárias; normalmente três controles são suficientes.

As soqueiras exigem enleiramento do "paliço", permeabilização do solo, controle das ervas daninhas, adubação e vigilância sanitária. Os dois últimos tratos culturais encontram-se em itens próprios.

Após a colheita da cana, ficam no terreno restos de palha, folhas e pontas, cuja permanência prejudica a nova brotação e dificulta os tratos culturais. A maneira de eliminar esse material (paliço) seria a queima pelo fogo, porém essa prática não é indicada devido aos inconvenientes que ela acarreta, como falhas na brotação futura, perdas de umidade e matéria orgânica do solo e quebra do equilíbrio biológico.

O enleiramento consiste no amontoamento em uma rua do "paliço" deixando duas, quatro ou seis ruas livres, dependendo da quantidade desse material. É realizado por enleiradeira tipo Lely, implemento leve com pouca exigência de potência.

Após a retirada da cana, o solo fica superficialmente compactado e impermeável à penetração de água, ar e fertilizantes. Visando à permeabilização do solo e controle das ervas daninhas iniciais, diversos métodos e implementos podem ser usados.

Existem no mercado implementos dotados de hastes semi-subsoladoras ou escarificadoras, adubadeiras e cultivadores que realizam simultaneamente, operações de escarificação, adubação, cultivo e preparo do terreno para receber a carpa química, exigindo, para tanto, tratores de aproximadamente 90 HPs. Normalmente, essa prática, conhecida como operação tríplice, seguida do cultivo químico, é suficiente para manter a soqueira no limpo.

Além desse sistema, o emprego de cultivadores ou enxadas rotativas com tração animal ou mecânica apresenta bons resultados. Devido ao rápido crescimento das soqueiras, o número de carpas exigidos é menor que o da cana planta.

° Corte Mecanizado:

Estima-se que o corte mecanizado proporcione redução de cerca de 20% dos custos de produção, quando comparado com o corte manual. Entretanto, o corte mecanizado no Brasil ainda precisa ser aprimorado, pois as máquinas requerem melhorias assim como os canaviais precisam ser sistematizados e predispostos à colheita mecanizada, visando aumentar a produtividade da colheita e redução das perdas.

O acamamento da cana também pode ser encarado como um problema para propriedades que se utilizam do corte mecanizado, uma vez que nessas condições as máquinas apresentam baixo rendimento. Para que haja uma elevada eficiência do corte mecanizado, o produtor deve associar ao seu cultivo características como menor densidade de colmos na linha de cultivo, alta produtividade, além do não acamamento da planta. É uma tarefa árdua unir as duas primeiras características, mas alguns estudos revelam que uma variação do espaçamento não altera significativ amente a produção. Atualmente, em áreas onde é feito o corte mecanizado da cana-de-açúcar, o espaçamento entre linhas é calculado conforme a largura do eixo da colhedora, para que as rodas da máquina não esmaguem as soqueiras e prejudiquem o rendimento do próximo corte.

Para o corte mecanizado eficiente é necessário que o produtor atente para o peso dos colmos e não para o número de perfilhos. Quanto menor o número de perfilhos, menos colmos a máquina irá cortar, podendo ocorrer menor desgaste. Se os colmos tiverem peso elevado, a produção não será comprometida, mesmo com baixo perfilhamento.

Outro fator que deve ser considerado para o corte mecanizado é a altura e diâmetro dos colmos, pois colmos maiores apresentam maior tendência ao acamamento, diminuindo o rendimento das máquinas. Ou seja, a altura do colmo apresenta correlação negativa com o seu diâmetro.

O corte mecanizado pode reduzir a longevidade da cana-de-açúcar, pois algumas máquinas não possuem o corte eficiente, podendo chegar a cortar próximo a 50 cm acima da superfície do solo. Portanto, durante o cultivo é necessário que o relevo da área seja uniformizado, facilitando, assim, o corte dos colmos.

Cortar a cana em alturas elevadas pode trazer prejuízos de diversas naturezas, como o desperdício deixado pelo toco no campo e a diminuição do perfilhamento.

O corte dos ponteiros também é muito importante, pois assim pode-se obter uma cana de melhor qualidade e com menos palha para a indústria, o que compromete o rendimento da moagem da cana.

° Plantio Mecanizado:

A mecanização é uma tendência no cultivo da cana-de-açúcar. As grandes extensões de plantio e o período curto com as condições ótimas de clima, além da economia em mão-de-obra têm sido as causas da mecanização das operações de plantio.

Existem plantadoras semi-mecanizadas, da qual dois trabalhadores sentados sobre a carroceria do veículo vão direcionando as mudas para o sistema de corte e distribuição da máquina.

No plantio totalmente mecanizado, as mudas que alimentam a plantadora devem estar picadas e, por isso, são colhidas mecanicamente com colhedoras.

Estas distribuem as mudas, o adubo e o inseticida, se for necessário.

Existe um modelo de plantadora que possui, também, uma carreta para aplicação de torta de filtro no sulco. Com o auxílio de plantadoras, vários processos que antes eram realizados de forma manual, podem ser feitos com maior eficiência e rapidez.

A mecanização do plantio exigiu desenvolvimento das técnicas para garantir eficiência e qualidade na operação. Um dos principais problemas já contornados é o ferimento das gemas pela colhedora, as falhas ocorridas por espaços onde as mudas não caíam da colhedora, cobertura mal feita, entre outros.

Atualmente, não se verifica diferenças quanto à brotação dos talhões plantados manual ou mecanicamente. No entanto, existem avaliações com algumas máquinas plantadoras, em que todas elas lançam as mudas na forma de colmos inteiros, mostrando que o sistema convencional de plantio (manual) apresenta uma melhor uniformidade de distribuição dos colmos nos sulcos, enquanto o mecanizado apresenta uma tendência de menor danificação das mudas.

Diversos fatores influenciam o plantio mecanizado, como:

° Variedade da cana; ° Idade da muda;

° Tamanho do tolete;

° Temperatura;

° Umidade;

° Preparo do solo;

° Terra sobre a muda;

° Tempo de exposição;

° Distância da muda;

° Relevo da área;

° Posicionamento do talhão;

° Colhedora;

° Transbordo e plantadora, entre outros.

Plantio da Cana-de-Açúcar ° Plantio Manual:

O plantio convencional de cana-de-açúcar, também denominado manual é, tecnicamente, considerado semi-mecanizado por envolver operações manuais e mecanizadas em suas etapas. As operações envolvidas no plantio semimecanizado são: sulcação mecanizada, juntamente com a aplicação de defensivos e fertilizantes; distribuição de mudas, manualmente; picação e alinhamento das mudas dentro do sulco, manualmente, e cobertura (fechamento) dos sulcos, mecanicamente.

Estas etapas são adotadas em canaviais das regiões Centro-Sul e Oeste do País e em algumas áreas do Nordeste, onde são possíveis operações mecanizadas.

Nas áreas de maior declividade desta região, onde se encontram culturas de cana-de-açúcar em relevos com até mais que 40% de declividade, as etapas de um sistema de plantio são bem diferentes, chegando a apresentar somente etapas manuais e com tração animal, em função da impossibilidade de se utilizar máquinas. A seguir, há um detalhamento de algumas dessas atividades.

° Plantio Manual (cont.): - Corte da Muda:

Essa atividade deve ser realizada apenas quebrando as mudas, sem o uso do facão (podão). Se porventura o podão for utilizado, devem-se tomar cuidados para que não ocorra contaminação do instrumento, o que poderá comprometer as mudas e a produção. É recomendável que o podão seja desinfetado com creolina, periodicamente, para evitar a proliferação de microrganismos fitopatogênicos. Nesse momento, é recomendada a despalha dos colmos, feita com cautela para não ferir as gemas, e, dessa forma, não dificultar sua brotação.

- Carregamento e Transporte:

A carga deve ser organizada na carroceria do veículo de forma a facilitar a distribuição manual. Geralmente, utiliza-se carretas puxadas por trator para o transporte das mudas.

- Sulcação, Adubação e Aplicação de Defensivos:

A operação de sulcação está relacionada com os seguintes aspectos: espaçamento da cultura, profundidade e largura do sulco.

Geralmente, os implementos utilizados para a sulcação também são capazes de efetuar a adubação, simultaneamente. Nessa etapa pode-se efetuar, também, a aplicação de defensivos, como, por exemplo, inseticidas.

Como já mencionado, os sulcos devem ter profundidade entre 25 e 30 centímetros - medida que não deve ser excedida - a não ser que o preparo do solo tenha sido mais profundo. As novas raízes devem encontrar um solo preparado para formar um sistema radicular amplo e eficiente.

Cobertura dos Sulcos

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