Complicações em colostomia e os cuidados de enfermagem

Complicações em colostomia e os cuidados de enfermagem

(Parte 1 de 3)

Monografia submetida à avaliação do curso de graduação em enfermagem da

Faculdade de Ciências da Saúde Archimedes Theodoro, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de enfermeiro.

AUTOR: Mayara Fernandes Junqueira.

PROFESSOR ORIENTADOR: Prof. Doutor Jurandyr Nascimento Silva Jr. Professora Especialista Maria Laura Couto Fortes Araujo.

Além Paraíba 2010

Complicações de colostomia e os cuidados de enfermagem Mayara Fernandes Junqueira.

Fundação Educacional de Além Paraíba

Faculdade de Ciências da Saúde Archimedes Theodoro Faculdade de Enfermagem

Graduação em Enfermagem Bacharel em Enfermagem

Orientador: Jurandyr Nascimento Silva Jr.

Professor Doutor

Maria Laura C. F. Araujo. Professora Especialista

Além Paraíba 2010

Folha de Aprovação Mayara Fernandes Junqueira.

Complicações de colostomia e os cuidados de enfermagem

Trabalho de conclusão de curso (Monografia) submetida ao corpo docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Ciências da Saúde Archimedes Theodoro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Bacharel em Enfermagem.

Aprovado por: Profº. Drº. Jurandyr Nasc. Silva jr. (Orientador)

Profª. Espª. Maria Laura C. F. Araujo. (Orientador)

Profº. Convidado

Ficha catalográfica

JUNQUEIRA, Mayara Fernandes.

Complicações em colstomia e os cuidados de enfermagem. / Mayara

Fernandes Junqueira. Além Paraíba. FEAP/ FAC. SAÚDE ARTHE, graduação em enfermagem, 2010.

Monografia (Bacharel em enfermagem) - Fundação Educacional de Além Paraíba, Faculdade de Ciências da saúde Archimedes Theodoro, Além Paraíba. 2010.

Orientação: Profº. Drº. Jurandyr Nasc. Silva Jr. e Profº. Esp. Maria Laura Couto Fortes Araujo.

1. Enfermagem 2. Colostomia 3. Complicações 4. Cuidados com colostomias. - Monografia. I - Silva Jr., Jurandyr Nasc. (Orient.). I - Araujo, Maria Laura C. Fortes (Orient.). I- Fundação Educacional de Além Paraíba, graduação em enfermagem. IV- Título.

Dedicatória

Essa vitória é dedicada primeiramente a minha mãe Elisabeth, que sempre esteve ao meu lado me incentivando e apoiando, ao meu irmão Patrick que mesmo não estando por perto, sempre se fez presente na minha vida.

Aos meus amigos de Estrala Dalva e os do grupo de estágio que fizeram com que essa caminhada fosse bem menos pesada e mais alegre. Agradeço também a Professora Michelly Baganha Coelho, que me ajudou não só no estagio, mas também na construção da minha monografia.

Mas agradeço principalmente ao meu namorado Alberto que se não fosse por ele talvez hoje eu não estivesse formando em enfermagem, e por não ter me deixado desanimar, me incentivando a sempre buscar por mais conhecimento.

Agradecimentos

Nesse momento alcanço uma grande vitória! Obrigado meu Deus por estar presente em todos os momentos difíceis. Aos meus orientadores, Profº. Drº. Jurandyr Nascimento Silva Júnior e Profª. Espª.

Maria Laura Couto Fortes Araujo, pelo trabalho firme e dedicado ao longo desse processo.

Agradeço também a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização desse trabalho. Meu muito obrigado!

Resumo

JUNQUEIRA, Mayara Fernandes. Complicações em colostomia e os cuidados de enfermagem. Além Paraíba, 2010. Monografia (Bacharel em Enfermagem) – Faculdade de Ciências da Saúde Archimedes Theodoro da Fundação Educacional de Além Paraíba.

O tema dessa pesquisa é “Complicações em colostomias e os cuidados de enfermagem”. Sua relevância baseia-se na importância da assistência de enfermagem, para atender as necessidades do paciente. Como problema: qual a importância dos cuidados de enfermagem em pacientes colostomizados? A Hipótese será, a importância da especialização do enfermeiro, no tratamento das colostomias para evitar os casos de complicações. O objetivo é analisar, os cuidados de enfermagem prestados a pacientes colostomizados, a fim de evitar complicações posteriores. Usou-se de pesquisa bibliográfica. No primeiro capítulo, apresentou a anatomia, fisiologia e conceito de colostomia. No segundo abordo as complicações e os cuidados direcionados as colostomias. Conclui-se que os pacientes colostomizados, necessitam de um atendimento humanizado e especializado, devido à nova situação de vida.

Abstract

JUNQUEIRA, Mayara Fernandes. Complicações em colostomia e os cuidados de enfermagem. Além Paraíba, 2010. Monografia (Bacharel em Enfermagem) – Faculdade de Ciências da Saúde Archimedes Theodoro da Fundação Educacional de Além Paraíba.

The theme of this research is "Complications in colostomy and nursing care." Its relevance is based on the importance of nursing care to meet patient needs. As a problem: what is the importance of nursing care in patients colostomists? Hypothesis is the importance of specialization of nurses in the treatment of colostomy to prevent cases of complications. The goal is to examine the nursing care provided to patients colostomists in order to avoid further complications. It used literature search. The first chapter presented the anatomy, physiology and the concept of colostomy. In the second aboard the complications and care directed the colostomies. We conclude that patients colostomists, require a humanized and specialized due to the new life situation.

Sumário

INTRODUÇÃO9
I - COLOSTOMIA1
1.1 - Definição de colostomia12
1.2 - Classificação e tipos de colostomias14
1.3 - Irrigações da colostomia16
I - COMPLICAÇÕES PÓS-COLOSTOMIA18
2.1 - Classificação das colostomias18
2.1.1 - Abscesso19
2.1.2 - Dermatite19
2.1.3 - Edema20
2.1.4 - Estenose20
2.1.5 - Foliculite20
2.1.6 - Hemorragia21
2.1.7 - Hérnia Perístomal21
2.1.8 - Necrose2
2.1.9 - Prolapso2

Página CAPÍTULO 2.1.10 - Retração ............................................................................................... 23

2.2.1 - Colocação e cuidados com a bolsa de ostomia25
2.2.2 - Ação educativa em saúde da enfermagem26
CONCLUSÃO31
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS3

O tema dessa pesquisa é referente às complicações em colostomias e os cuidados de enfermagem. Sua relevância baseia-se na importância da assistência de enfermagem, que implica em intervenções para atender as necessidades do paciente, tais como: orientação sobre os cuidados de higiene e troca das bolsas nos pacientes colostomizados a fim de reduzir as complicações.

Durante o estágio¹ pude observar casos de pacientes que foram submetidos ao procedimento de colostomia, e que na maioria dos casos havia a presença de complicações. Pude então, compreender a importância e a necessidade da especialização dos profissionais de enfermagem que estão diretamente ligados ao cuidado com pacientes colostomizados.

Remetendo a necessidade de compreender as modificações que ocorrem na vida do paciente e a importância das intervenções na pratica, com o intuito de favorecer ao paciente, a recuperação dos aspectos físicos, social e ambiental, a pesquisa propôs como problema: qual a importância dos cuidados de enfermagem em pacientes colostomizados, para a redução da incidência dos casos de complicações? Nesse sentido, a hipótese seria a importância da especialização e atuação do enfermeiro, no tratamento das colostomias e do diagnóstico antecipado para que se evitem os casos de complicações.

¹ Estágio em questão sendo realizado no Hospital São Salvador localizado na cidade de Além Paraíba – MG, a partir de abril de 2010, com supervisão da enfermeira Maria Luiza Ferreira Barbosa.

Tendo em vista a importância da assistência de enfermagem aos pacientes colostomizados, os objetivos propostos foram: mostra a importância da abordagem técnica pelo enfermeiro relacionada ao cuidado especifico e humanizado ao paciente colostomizado, a fim de prevenir complicações relacionadas ao uso da bolsa de colostomia e a importância da assistência educacional aos pacientes, no que se refere à proteção da pele ao redor do estoma e higiene do estoma.

Para sustentar a hipótese e atender os objetivos propostos, a metodologia utilizada foi à pesquisa bibliográfica em livros, artigos, bem como textos disponíveis na internet de autores clássicos e contemporâneos que abordam o tema em questão. Após a revisão da literatura, foi realizada análise dos textos relevantes à investigação. A pesquisa dividiu-se em dois capítulos.

No primeiro capitulo, inicialmente apresentou a anatomia, fisiologia do intestino grosso, para melhor compreensão de seu funcionamento e, em seguida o conceito de colostomia, os tipos e sua classificação, de acordo com sua localização. No segundo capitulo, abordo os tipos de complicações, dando ênfase aos cuidados de enfermagem especializados e humanizados direcionados a esses pacientes colostomizados.

Conclui-se a partir das literaturas consultadas, que cada vez mais aumenta a freqüência de procedimentos de colostomias, e que os pacientes colostomizados, necessitam de um atendimento humanizado e especializado, já que a assistência de enfermagem a esses pacientes consiste nos cuidados direcionados ao estoma e nas orientações dadas ao paciente colostomizado. Porém existem poucos profissionais capacitados, fazendo com que as complicações em colostomias sejam tão comuns.

CAPÍTULO 1 Colostomia

Tendo em vista que este capítulo aborda colostomia, procedimento realizado quando a parte inferior do intestino grosso está impossibilitado de funcionar normalmente ou quando necessita de um repouso para as funções normais, verifica-se a necessidade de, inicialmente, explanar a anatomia do intestino grosso, para melhor entendimento de seu funcionamento.

O intestino grosso² divide-se em ceco, cólon e reto, sendo responsável pela absorção de água e é o principal órgão de eliminação intestinal. O cólon é dividido em: ascendente, transverso, descendente e sigmóide. A primeira é o ceco, segmento de maior calibre, que se comunica com o íleo. Para impedir o refluxo do material proveniente do intestino delgado, existe uma válvula localizada na junção do material proveniente do intestino delgado, existe uma válvula localizada na junção do íleo com o ceco, válvula ileocecal (iliocólica). No fundo do ceco, encontramos o apêndice vermiforme. A porção seguinte do intestino grosso é o cólon, segmento que se prolonga do ceco até o ânus (GOFFI, 1997).

O intestino grosso tem como característica própria uma quantidade grande de bactérias que auxiliam na absorção de certos elementos e na formação do bolo fecal, e que em princípio, não causam dano ao organismo. Os alimentos e materiais de secreção atravessam o intestino, movidos por contrações rítmicas ou movimentos peristálticos de seus músculos, que produz sete vezes por minuto. Com a continuação dos movimentos intestinais, as fezes passam para o

_ ² Conforme figura 1, em anexo.

reto sendo em seguida libertadas para o exterior através do ânus. Aqui existe um músculo, esfíncter anal, que depende da nossa vontade. Portanto, a distensão do reto implica em contrações do cólon, do reto e relaxamento do ânus. A partir de então, o ato de evacuar pode ser efetuado mediante ao relaxamento voluntário do esfíncter externo, controlando assim, a saída das fazes (SILVA, 2010).

O intestino grosso não possui vilosidades nem segrega sucos digestivos, normalmente só absorve água, em quantidades bem consideráveis. Como o intestino grosso absorve muita água, o conteúdo intestinal se condensa até formar detritos inúteis, que serão evacuados. O intestino grosso tem como função: absorção de água e de certos eletrólitos, síntese de determinadas vitaminas pelas bactérias intestinais, armazenagem temporária dos resíduos e eliminação de resíduos do corpo (POSSO, 1999).

1.1 Definição de colostomia

De acordo com Barbutti, Silva e Abreu (2008), colostomia refere-se a uma abertura feita cirurgicamente no abdômen, onde se exterioriza parte dos intestinos, através de um orifício. A proposta dessa cirurgia é o desvio do conteúdo do intestino (gazes e fezes) para uma bolsa externa. A colostomia³ é utilizada, quando o paciente apresenta qualquer problema que o impede de evacuar normalmente pelo ânus. Esse desvio pode ser temporário ou definitivo.

O estoma caracteriza-se por uma coloração vermelho vivo, semelhante à mucosa da boca. O estoma não tem terminações nervosas, por isso não dói ao se tocado, no entanto, é

_ ³ Conforme figura 2, em anexo.

sensível e pode sangrar ao ser tocado ou esfregado. (NOGUEIRA et al, 1994).

“Os estomas permanentes são realizados quando não é possível manter a função normal da evacuação de maneira definitiva. Normalmente acontece nos casos de neoplasia no cólon ou reto cuja conseqüência é a amputação do trato intestinal comprometido” (SONOBE et al, 2002, p.341).

A colostomia temporária é realizada por qualquer problema transitório no trato intestinal ou urinário, para evitar que as fazes passem pelo local operado antes de uma cicatrização completa. Por exemplo, na cirurgia para tratamento do câncer de reto, os estomas temporários são fechados depois da cicatrização da cirurgia, que ocorre geralmente após um mês da cirurgia. Após o fechamento do estoma, o paciente volta a evacuar pelo ânus (idem, ibidem).

De acordo com Silva (2009), “o tecido sadio do intestino é preso no abdômen (colostomia). Em seguida, uma bolsa adesiva para drenagem (dispositivo para o estoma0 é posicionada em torno da abertura. A incisão abdominal é fechada”. A colostomia começará a funcionar de 2 a 3 dias do pós-operatório.

Existem vários fatores que podem levar as pessoas a serem submetidas a uma cirurgia para a construção de uma ostomia. Seguem alguns destes fatores: Câncer de cólon e reto, retocolite ulcerativa, doença de Crohn, doença de chagas e perfurações causadas por armas de fogo ou objetos pérfuro-cortantes entre outros. A característica desses pacientes é a perda da continência intestinal, resultando em saída constante das eliminações intestinais pelo estoma, e isso leva ao uso da bolsa de colostomia (OLIVEIRA, 1991).

A colostomia pode ser indicada, também para descomprimir, drenar, aliviar tensões de anastomoses intestinais, união de parte do intestino com outra região do intestino, e proteger suturas de um órgão danificado, no caso, o intestino grosso.

1.2 Classificação e tipos de colostomias

Quando o cólon é ligado à pele, diz-se que temos uma colostomia. E como o cólon está dividido em quatro partes, que são denominados: Colostomia ascendente, colostomia transversa, colostomia descendente e sigmoidostomia (SONOBE et al, 2002,).

As colostomias podem ser dispostas em: Colostomia ascendente quando o estoma é feito na alça ascendente, no lado direito do abdômen e as fezes têm consistência semi-líquida; Colostomia transversa quando o estoma é feito na alça transveso, no lado esquerdo ou direito do abdômen e as fezes têm consistência pastosa; Colostomia descendente quando o estoma é feito na alça descendente, no lado esquerdo do abdômen e as fezes têm consistência semi-sólida; Colostomia sigmóide quando envolve o cólon sigmóide e as fezes são firmes e sólidas (NETTINA, 2003, p.1694).

As características das fezes são diferentes nas diversas colostomias. Quanto maior for à atividade funcional do intestino grosso, mais sólidas são as fezes, porque mais água foi absorvida pelo organismo. Portanto, a consistência da evacuação, que vem de uma colostomia, depende da região em que o intestino foi interrompido (SONOBE et al, 2002).

Na colostomia ascendente as fazes apresentam-se semi-líquidas nos primeiros dias após a cirurgia e pastosas após a readaptação intestinal. Na colostomia transversa as fezes são semi-líquidas a pastosas. Na colostomia ascendente ocorrem fezes pastosas a sólidas, semelhante às fazes eliminadas pelo ânus (idem, ibidem).

Na colostomia transversa ou sigmóide não é necessário um esvaziamento freqüente, porque os movimentos peristálticos ocorrem algumas vezes ao dia, a média de funcionamento intestinal ocorre de duas a três vezes ao dia. Alguns pacientes optam em não usar a bolsa todo o tempo. O controle dos movimentos intestinais depende da alimentação e do intervalo entre as refeições, que constituem aspectos que o próprio paciente pode aprender a observar e controlar (BRITO, 2010).

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