Leitura e Interpretação de Projetos Arquitetonicos

Leitura e Interpretação de Projetos Arquitetonicos

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PROFª MSc. REGINA BRABO

SEMANA DE ENGENHARIA SET/2009

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS Professora – Regina Brabo

OBJETIVOS Este curso tem como objetivo capacitar profissionais em formação, a desenvolver conhecimento e dominar as técnicas de representação gráfica com vistas a compreender e interpretar a leitura de plantas no campo das Engenharias e Arquitetura.

EMENTA Elementos de um projeto arquitetônico, legendas e convenções gráficas, escala, locação de obra, salubridade, conforto e eficiência energética nas edificações, introdução à análise crítica de projetos, escadas (tipos, leitura e marcação), telhados.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1) Instrumentos e materiais a. Normas ABNT 2) Dimensionamento e escalas a. Escalas b. Cotas 3) Convenções e símbolos a. Paredes b. Portas c. Janelas/balancins d. Níveis 4) Projeto arquitetônico completo a. Planta baixa b. Cortes c. Elevações d. Cobertura 5) Projetos Complementares a. Estrutura b. Hidro-sanitário c. Elétrico 6) Escadas e Rampas (acessibilidade) a. ABNT NBR 9050/2004

O que é um Projeto Arquitetônico ?

• Conjunto de passos normativos, voltados para o planejamento formal de um edifício qualquer, regulamentado por um conjunto de normas técnicas e por um código de obras. • fases: – Estudo Preliminar • Estudo da viabilidade de um programa e do partido arquitetônico a ser adotado para sua apreciação e aprovação pelo cliente. Pode servir à consulta prévia para aprovação em órgãos governamentais.

– Anteprojeto • Definição do partido arquitetônico e dos elementos construtivos, considerando os projetos complementares (estrutura, instalações, etc...). Nesta etapa, o projeto deve receber aprovação final do cliente e dos órgãos oficiais envolvidos e possibilitar a contratação da obra.

– Projeto Executivo • Apresenta, de forma clara e organizada, TODAS as informações necessárias à execução da obra e todos os serviços inerentes.

1. INSTRUMENTOS E MATERIAIS

A representação gráfica do desenho em si corresponde a um conjunto de normas internacionais (sob a supervisão da ISO). Porém, geralmente, cada país costuma possuir suas próprias versões das normas, adaptadas por diversos motivos.

No Brasil, as normas são editadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sendo as seguintes as principais:

• NBR-6492 - Representação de projetos de arquitetura • NBR-10067 – Princípios gerais de representação em desenho técnico

Cabe notar, no entanto, que se por um lado recomenda-se a adequação a tais normas quando da apresentação de desenhos para fins de execução de obras ou em situações oficiais (como quando os profissionais enviam seus projetos à aprovação em prefeituras), por outro lado admite-se algum nível de liberdade em relação a elas em outros contextos. Durante o processo de elaboração e evolução do projeto, por exemplo, normalmente os arquitetos utilizam-se de métodos de desenho próprios apropriados às suas necessidades momentâneas, os quais eventualmente se afastam das determinações das normas. Esta liberdade se dá pela necessidade de elaborar desenhos, que exijam uma facilidade de leitura maior por parte de leigos ou para se adequarem a diferentes publicações, por exemplo.

Elementos do desenho

Para que a (futura) realidade do projeto seja bem representada, faz-se uso dos diversos instrumentos disponíveis no desenho tradicional ou geométrico, o desenho arquitetônico manifesta-se principalmente através de linhas e superfícies preenchidas (tramas).

Costuma-se diferenciar no desenho duas entidades: uma é o próprio desenho (o objeto representado, um edifício, por exemplo) e o outro é o conjunto de símbolos, signos, cotas e textos que o complementam.

As principais categorias do desenho de arquitetura são: as plantas, os cortes e seções e as elevações.

Traços

Os traços de um desenho normatizado devem ser regulares, legíveis (visíveis) e devem possuir constraste umas com as outras.

Espessura dos traços

Pesos e categorias de linhas

Normalmente ocorre uma hierarquização das linhas, obtida através do diâmetro da pena (ou do grafite) utilizados para executá-la. Tradicionalmente usam-se quatro espessuras de pena:

• Linhas complementares - Pena 0,1. Usada basicamente para registrar elementos complementares do desenho, como linhas de cota, setas, linhas indicativas, linhas de projeção, etc.

• Linha fina - Pena 0,2 (ou 0,3). Usada para representar os elementos em vista.

• Linha média - Pena 0.4 (ou 0,5). Usada para representar os elementos que se encontram imediatamente a frente da linha de corte.

• Linha grossa - Pena 0.6 (ou 0,7). Usada para representar elementos especiais, como as linhas indicativas de corte (eventualmente é usada para representar também elementos em corte, como a pena anterior).

Tipos de traços

Quanto ao tipo de traços, é possível classificá-los em: • Traço contínuo. São as linhas comuns.

(traço-ponto) (traço-ponto)

(traço-traço)

• Traço interrompido. Representa um elemento de desenho "invisível" (ou seja, que esteja além do plano de corte).

• Traço-ponto. Usado para indicar eixos de simetria ou linhas indicativas de planos de corte.

Tramas

Os elementos que em um desenho projetivo estão sendo cortados aparecem delimitados com um traço de espessura maior no desenho. Além do traço mais grosso, esses elementos podem estar preenchidos por um tracejado ou trama. Cada material é representado com uma trama diferente.

Materiais de desenho

Com a ampla difusão do desenho auxiliado pelo computador, a lista de materiais que tradicionalmente se usava para executar desenhos de arquitetura tem se tornado cada dia mais obsoleta. Alguns desses materiais, no entanto, ainda são eventualmente usados para verificar algum problema com os desenhos impressos, ou no processo de treinamento de futuros desenhistas técnicos. Após a impressão de pranchas produzidas em CAD, ainda está em uso o escalímetro, que é uma multi-régua com 6 escalas, que serve para conferir medidas, se o desenho foi impresso na escala 1/50 utiliza-se a mesma escala em uma de suas bordas visíveis.

Desenho gerado em um programa do tipo CAD

A execução de desenhos de arquitetura no computador em geral exige a operação programas gráficos do tipo CAD que normalmente demandam um hardware robusto e de alta capacidade de processamento, e memória. Atualmente, o principal programa para lidar com estes tipos de desenho é o AutoCad, um software produzido pela empresa americana Autodesk. O formato em que nativamente grava seus arquivos, o .dwg, é considerado o padrão "de facto" no mercado da construção civil para troca de informações de projeto.

Existem, no entanto, diversos outros softwares de CAD para arquitetura. A maioria deles nem sempre é capaz de ler e escrever arquivos no formato .dwg, embora muitos utilizem-se do alternativo formato .dxf. Além de programas CAD destinados ao desenho técnico de uma forma geral, como o AutoCAD e o Microstation, também existem softwares designados especificamente para o trabalho de projeto arquitetônico, como o ArchiCAD, o ArchiStation, o Autodesk Architectural Desktop, o Revit, entre outros, com os quais é possível visualizar o modelo arquitetônico em suas várias etapas de projeto, mais do que meramente representá-lo na forma de desenho técnico.

Desenho à mão

A seguinte lista apresenta os materiais que tradicionalmente foram utilizados no desenho dito instrumentado (ou seja, o desenho feito à mão com auxílio de instrumentos de desenho). Ressalta-se, porém, que muitos destes materiais estão se tornando raros nos escritórios de arquitetura, dada a sua informatização.

- Usada para informação, indicação e identificação do desenho, a saber: designação da firma, projetista, local, data, assinatura, conteúdo do desenho, escala, número do desenho, símbolo de projeção, logotipo da firma, unidade empregada, escala, etc.

- A legenda deve ter 178 m de comprimento nos formatos A2, A3 e A4, e 175 m nos formatos A0 e A1.

2. DIMENSIONAMENTO E ESCALAS

ESCALAS Norma ABNT NBR 8196, Dezembro 1999.

A designação de uma escala deve consistir na palavra ESCALA ou ESC, seguida da indicação da relação:

ESCALA 1:1 para escala natural ESCALA X:1 para escala de ampliação (X > 1) ESCALA 1:X para escala de redução (X > 1) A escala deve ser indicada na legenda. O valor de X deve ser igual a 2, 5 ou 10, ou múltiplos destes. Por exemplo, 1:2, 50:1, 1:100.

• Escalas utilizadas para desenhos arquitetônicos: • 1:200 ou 1:100 = rascunhos / estudos (papel manteiga)

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