Apostila de Regência

Apostila de Regência

(Parte 1 de 4)

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 1

Autoria e revisão: Wellington Cardoso da Silva Diagramação e arte visual: Marcos Oliveira

& Apostila Livre de Regência ESTUDO DIRIGIDO PARA ORQUESTRAS - CCB

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Regência

É o ato de transmitir a um conjunto vocal ou instrumental o conteúdo rítmico e expressivo de uma obra musical, através de gestos.

Gestos Os gestos devem ser capazes de indicar claramente as diferentes articulações, recriando um tecido sonoro vivo para a expressão musical, transmitida a um conjunto vocal ou instrumental.

Beethoven

“A música é a mediadora entre a vida dos sentidos e a vida do espírito”.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 2

Introdução

Objetivos

É importante começar esclarecendo que este trabalho e conjunto de iniciativas, não possuem o objetivo de inovar ou treinar ninguém para este ministério do louvor.

Simplesmente tem o objetivo de deixar a disposição de nossos irmãos conservos e outros interessados, como material que possa ser consultado, revisado e melhorado para o bem e desenvolvimento de todos os que amam a música e exerce esta arte, que é a regência na igreja para louvar ao nosso grande DEUS, pois ELE, somente ELE é digno de todo louvor, honra e glória por nós seres vivos e por todos os seres celestiais.

“Louvai ao SENHOR, pelos seus atos poderosos, louvai-o conforme a Excelência da sua Grandeza”

Deus seja louvado.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 3

Índice

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1. A Regência6
2. Histórico6
3. Pontos importantes na regência7
Expressão Facial7
Postura7
Uso das mãos7
Entrada7
Fecho ou Corte7
4. Técnica de regência8
Movimento8
Níveis de regência8
Aquecimento e alongamento físico8
Exercícios diários9
5. Concepção da Forma10
6. Postura do regente a frente da Orquestra1
7. Meios de expressão1
8. A Regência na Congregação Cristã no Brasil12
Afinação13
Conceituação Gestual13

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 4

Entradas18
Articulação21
Andamento24
Fecho ou Corte25
Volume da Massa Orquestral26
Formação da Orquestra27
Posição dos Instrumentos na Orquestra28
9. Formação de Músicos eruditos29
Orientação aos alunos29
Considerações30
10. História da Música30
Resumo dos grandes períodos da história da música30

ARTE DA REGÊNCIA – MÓDULO 2 32

1. Introdução32
2. Regência no púlpito3
Espaço do regente3
3. Posicionamento dos pés34
4. Posição das mãos e braços34
Função das mãos35
5. Regência com a batuta35
Escolha da batuta36
Posição de grip da batuta e mão esquerda37
Posição de grip na batuta (mão direita)38
6. Posicionamento para a Regência39
Conceitos fundamentais39
Plano de Regência40
Movimento do pulso41

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 5

Movimento preventivo para o ataque42
Gesto preventivo43
8. Fermatas47
Conclusiva48
Preparação48
Continuativa49
Suspensiva49
9. Gesto de corte / fecho de fermata50
Quartenário - Fermatas51
Ternário - Fermatas51
Binário - Fermatas52
Binário Composto - Fermatas52
10. Duração da fermata53
1. Formas geométricas53
Modelos dos tempos em legato54
12. Distribuição espacial do gesto5
Princípios5
Recomendação56
13. Movimento vertical da mão esquerda58
14. Conceito espacial para o Regente59
Espaço para a Regência do Encarregado59
15. Conceito espacial para a Regência do Encarregado60
Considerações finais61

BIBLIOGRAFIA 62

Módulo I62

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 6

Arte da Regência – Módulo 1

1. A Regência

Definição de regência: Regência é o ato de transmitir a um conjunto vocal ou instrumental o conteúdo rítmico e expressivo de uma obra musical, através de gestos.

2. Histórico

“Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhaivos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a DEUS com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão, em vossos corações” (Col.3:16).

A Regência remonta à época do Teatro Grego (ano 300 AC) na figura do "Diretor de Coro", que dirigia os músicos e cantores que faziam parte das peças.

Bem mais tarde, já na Idade Média (~ano 1.0 DC), a Regência aparece na Igreja, onde o "Mestre de Capela" conduz o Coro através de sinais manuais de altura das notas (manossolfa), pois ainda não havia escrita musical. Finalmente, o Regente passou a dirigir Orquestras. Ainda assim, na época de Bach e Vivaldi (séc.18) havia uma dupla regência. O Diretor da Orquestra sentava-se ao cravo e dava as ordens necessárias, mas no decorrer da execução a verdadeira regência ficava a cargo do Violinista Principal. O regente é denominado de Spalla (na Itália); Concert Máster (na Inglaterra) e Konzert Meister (na Alemanha) que tinha a função de conduzir o ritmo e a interpretação dos demais músicos.

Hoje estas responsabilidades ficam a cargo do Regente da Orquestra, ficando ao Violinista Principal - (Spalla), apenas a responsabilidade pela comunicação entre a orquestra e o Regente, ou seja, é o porta-voz da Orquestra, além das suas responsabilidades musicais: afinação dos instrumentos da orquestra, solos etc.

O Regente da Orquestra hoje, é urna figura importantíssima na Salas de Concertos, pois ele completa o triângulo musical “Compositor x Regente x Executante”. Em suma, o Regente é o elo entre o compositor e o conjunto executante de sua obra.

Na Congregação Cristã no Brasil o Regente de Orquestra é denominado Encarregado de Orquestra. Portanto deste ponto em diante usaremos o termo “Encarregado de Orquestra”.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 7

3. Pontos importantes na regência

O Encarregado de Orquestra deve ser admirado pelos músicos por sua humanidade e não somente respeitado por seu ministério. Seu verdadeiro trabalho inclui muito além de notas afinadas e ritmos corretos.

Cultive suas qualidades e riqueza interior: humildade, obediência e submissão.

Expressão Facial Não tente substituir a clareza de seus gestos pela sua expressão facial. Embora ela possa ajudar a acentuar a expressão de determinados trechos, não se rege com a face, principalmente utilizando expressão de mau humor para gestos enérgicos.

Postura Corpo ereto, braços acima da cintura em posição confortável e visível a todos os músicos.

Uso das mãos A regência em si é transmitida através das mãos. Uma delas, geralmente a direita marca os tempos do compasso e a outra indica a dinâmica e o colorido orquestral.

Entrada Entrada ou ataque é o início da música. A entrada tem que ser uniforme, ou seja, todos os músicos devem iniciar tocando no mesmo momento.

Fecho ou Corte A finalização da música é tão importante quanto à entrada. Os músicos devem fechar juntos. Não deve sobrar e nem faltar tempo.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 8

4. Técnica de regência

Movimento

A técnica de gesticulação está sujeita ao temperamento artístico do Encarregado e a interpretação do Hino pelo mesmo, para transmitir a orquestra.

Todavia nem sempre as normas e condutas do Encarregado são claras e precisas devido a determinados gestos que causam uma execução falha e imprecisa e muitas vezes imperceptível ao músico e organistas.

O movimento uniforme de ambos os braços, aplicado com insistência, é monótono e inexpressivo. Os gestos com movimentos uniformes de ambos os braços, devem ser dissociados, conservando-se para um dos braços as acentuações rítmicas e para a outra o colorido daquilo que a primeira descreve ritmicamente.

Por este motivo diz-se que o melhor crítico do Encarregado é a própria orquestra que ele conduz. Aconselha-se uma gesticulação discreta mais enriquecida de lances que revelem o verdadeiro sentido emocional do (louvor ou súplica) que se desenvolve no Hino.

Níveis de regência Os níveis da regência, ou seja, o ato de reger acontece em vários níveis distintos:

1 No mais imediato, os gestos do Encarregado devem indicar ao músico quando e como tocar.

2 Num segundo nível, ele deve frasear o discurso musical, conseguindo dar a cada frase sua inflexão adequada, destacando-a dos acompanhamentos, pausas e respirações longas.

3 Do ponto de vista mais elevado, ele deve ser capaz de articular a forma da música, conseguindo estruturar o equilíbrio formado entre o início, meio e conclusão do sentimento em cada Hino.

Aquecimento e alongamento físico

Antes de atender um ensaio, é muito importante fazer exercícios de aquecimento, com o alongamento dos braços e das mãos, isto a ajudará a evitar fadigas fora de hora. Estique os braços, para frente, para trás, puxar o cotovelo (no peito e atrás da cabeça), enfim; várias ações de aquecimento de braços, mãos, etc.

Lembre-se sempre: - Na frente do espelho, para aquecer, tirar a "ferrugem" faça uma regência 4/4, 12/8.

- Use roupas leves, um blazer que não seja curto ou não limite seus movimentos, tenha os braços livres.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 9

Exercícios diários

Todos os dias faça o seguinte exercício: deixe os braços caírem livres, soltos e depois jogue-os para trás, e em seguida, com empulso para frente o braço sobe sozinho sem esforçar a subida e depois deixe cair livre e novamente repetir esta série de exercícios.

Faça os diagramas com a batuta ou um pedaço roliço de madeira em uma parede com cerâmica todos os dias dos símbolos métricos 1/4; 2/4; 3/4; 4/4; 6/8; 9/8 e 12/8.

Vale também, lembrar que depois destes exercícios deve reger normalmente frente a um espelho todos os símbolos métricos e indicar entradas com a mão esquerda em cada tempo separadamente por símbolos métricos 1/4; 2/4 e etc.

Exemplo 1 – estou regendo um 4/4, por exemplo, faço a regência 4 vezes e indico com a mão esquerda o primeiro tempo, e continuo regendo quando reger a segunda vez indico o segundo tempo e assim fazer com todos os símbolos métricos.

Exemplo 2 – faça uma seqüência de regência começando com 1/4; 2/4; 3/4; 4/4; 6/8; 9/8 e 12/8 sem parar indicando sempre o primeiro tempo com as duas mãos.

Exercício útil – praticando os exemplos 1 e 2, use pesos de 1 kg nas mãos e indique entradas no 1º. Tempo, 2º., 3º. e 4º respectivamente, com a mão esquerda.

Outras dicas relevantes: antes de sair de casa faça uma alimentação leve. Pratique estes exercícios todos os dias.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 10

5. Concepção da Forma

A música é uma arte nas quais os compositores têm à disposição um sistema de notação muito claro e preciso, com o qual podem ser grafadas as idéias musicais mais sutis. Por isso, pode parecer para muitos que bastaria respeitar exatamente as indicações dos compositores e a métrica musical, e o tema estaria fielmente interpretado. A verdade, no entanto, está muito longe disso.

Nas melhores orquestras do mundo, aquelas que poderiam tocar sozinhas de tão precisas que são, é necessário a batuta de um Encarregado para dar o "Sopro Divino" que cria a alma e origina a vida da música.

Na Congregação devemos estar em profunda comunhão tocando ou durante a regência, deixando o Espírito Santo nos reger e reger a orquestra, porque é na comunhão que o Senhor nos guia e opera na Igreja.

É neste nível em que se diferenciam os Encarregados, pois junto com a espiritualidade e humildade é importante saber transmitir aos músicos a concepção ou sentimento musical do Hino.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 1

6. Postura do regente a frente da Orquestra

A posição do corpo do Encarregado à frente do conjunto musical, influi semelhantemente na execução.

O Encarregado deve conservar uma atitude de autoridade e respeito diante da orquestra, seus gestos devem estar ao alcance das vistas de qualquer integrante da orquestra.

a) Corpo ereto, sem as características da posição militar de sentido.

b) Braços acima da cintura arqueados e em sentido horizontal, movimentando-se livremente para a direita e esquerda, e ainda para cima até a altura da cabeça.

c) O tórax poderá acompanhar os movimentos dos braços, porém jamais deverá ser curvado para frente em atitude de quem quer tocar as mãos no chão ou inclinado para trás com as mãos para cima como em atitude de quem quer tocar o teto.

d) Constante relaxamento muscular dos braços, pescoços e tórax para fácil flexibilidade dos movimentos graciosos circulares e leves.

e) Dissociação de movimentos simultâneos dos braços.

Advertência: As gesticulações exageradas causam cansaço proveniente das constantes elevações dos braços, além de deselegante prejudica a autoridade de comando, fazendo com que os músicos se esforcem aleatoriamente para tocar juntos e indiferente aos gestos do Encarregado, cujo comportamento é repreensível e comprometedor para a orquestra, e isto não.é.reger.uma.orquestra.

7. Meios de expressão

Os meios de expressões de que o Encarregado dispõe para comunicar-se com os músicos são três: - O gesto.

- A mímica.

- A palavra.

A expressão mais completa e importante é o gesto.

A mímica, nem sempre produz o efeito desejado. A palavra, obviamente deverá ser usada somente nos ensaios, porém instruindo no essencial referente a determinado detalhe da composição musical.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 12

8. A Regência na Congregação Cristã no Brasil

É usada somente nos Ensaios, através dos Encarregados de Orquestras (Locais ou Regionais).

Embora a finalidade dos Ensaios seja tão somente preparar os músicos para uma boa execução dos Hinos nos Cultos, os princípios básicos da Regência podem e devem ser utilizados para haver um bom aproveitamento sempre levando em consideração:

a) Afinação b) Conceituação Gestual c) Marcação do compasso (Símbolo Métrico) d) Entradas e) Articulação f) Andamento g) Fecho/Corte h) Volume da massa orquestral i) Formação da Orquestra j) Posição dos Instrumentos na Orquestra

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 13

Afinação

Como é do conhecimento de todos, a afinação correta é a primeira coisa que o Encarregado deve procurar ao iniciar o ensaio, afinando primeiro cada categoria de instrumentos, lembrando sempre dos naipes das cordas que precisam ser afinados todas as (4) quatro cordas conforme a seguinte sugestão da corda grave para a corda aguda:

- Violinos: Sol, Ré, Lá e Mí - Violas: Dó, Sol, Ré e Lá

- Violoncelos: Dó, Sol, Ré e Lá

Normalmente as cordas são afinadas em cordas “dobles” soltas (quinta justas), entretanto pode se escolher entre dar o tempo para a afinação individual em quintas justas ou se preferir afinação por corda para todos do mesmo naipe, este procedimento (no ensaio) é melhor pois é mais prático para se afinar e garante a afinação dos instrumentos de cordas de uma só vez tendo como base o apoio do órgão para cada corda.

Após proceder a afinação de todas as categorias de instrumentos dá-se a afinação geral, através da “Nota Lá”. Normalmente isto é o bastante, entretanto se antes de começar a ensaiar os hinos, o Encarregado quiser confirmar a afinação, ele pode pedir que a orquestra execute uma escala qualquer, pois é comum, ao se iniciar o ensaio, aparecer algum instrumento desafinado. Em principio, qualquer escala serve, mas como sugestão recomenda-se a “escala de Dó Maior” por ser mais fácil execução sem partitura.

Durante a afinação o Encarregado deve observar que quando for solicitada a escala em “Dó Maior” toda a orquestra soe em uníssono seguindo a correspondência abaixo:

Hinário/Instrumento Escala Em “Dó” Dó Maior (Natural) Em “Sib” Ré Maior (2#) Em” Mib” Lá Maior (3#)

Conceituação Gestual

Nosso propósito consiste, pois em levar aos nossos irmãos Encarregados o conhecimento básico aplicável aos nossos Hinos e orquestra através dos quais nossos irmãos músicos e organistas muito lucrarão com este simples conhecimento, muito embora não se lhe exija a prática da gesticulação.

Quanto maior for o nosso gesto, menores serão as possibilidades de expressão, quanto mais altos forem os gestos menores a possibilidade de expansão do gestual. Atenção deve ser dada na gesticulação, porque se ao bater um tempo, se articular batuta, pulso, cotovelo, ombro, cabeça e tronco, os músicos terão muita dificuldade em entender qual dos movimentos está indicando o tempo.

Autor: Wellington Cardoso da Silva – A venda é proibida. Página 14

Assim, através de análises os gestos foram classificados de acordo com os movimentos rítmicos e expressivos. Esta classificação compreende cinco (05) gestos principais e característicos, conforme a seguir:

1) Ligadoarticulado

contínuo

ligadocontínuo
3) Subdividido
destacadoacentuado

2) Destacado articulado leve 4) Isolado

5) ”Staccato” da mão (golpe que compreende somente o movimento da mão).

Recomendamos o “Ligado” como a gesticulação básica para regência aplicável aos nossos Hinos, portanto todos os esclarecimentos serão levando em consideração esta gesticulação, não entraremos em detalhes nos demais gestos.

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