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Acadêmica:Amanda Danielle Beleza de Souza Orientadora: Profa. Esp. Raimunda Lúcia F. de Andrade

MANAUS 2010

O enfermeiro estaria psicologicamente preparado e com conhecimento técnico-cientifico para atender esse tipo de paciente. E a família? O enfermeiro deve envolver-se também com a família naquele momento?

Justifica-se pela importância de proporcionar um estudo direcionado para acadêmicos e profissionais de enfermagem com a finalidade de proporcionar um melhor atendimento ao paciente terminal e sua família.

Segundo Prestes (2007) compreende-se que através de referênciais bibliográficas utilizando o método qualitativo dedutivo, a pesquisa é capaz de atender aos objetivos da abordagem.

Compreender a dor do paciente terminal e orientar sua respectiva família para o desenlace.

Descrever a morte e suas características psicológicas, sociais, biológicas e religiosas;

Caracterizar paciente terminal e seu envolvimento com a família;

Contextualizar um envolvimento maior da enfermagem com o paciente terminal e sua família na hora da morte.

Conforme Ariès (2003), durante muito tempo, nas culturas cristãs ocidentais, as atitudes diante da morte eram vistas com muita naturalidade e envolvida por ritos culturais de cada lugar. Era importante que esses ritos se realizassem com simplicidade, sem dramaticidade ou gestos de emoção excessivos.

De acordo com Moreira (2006) morrer, cientificamente, é deixar de existir; quando o corpo acometido por uma patologia ou acidente qualquer tem a falência de seus órgãos vitais, tendo uma parada progressiva de toda atividade do organismo.

Silva (2004) afirma que “a forma como a morte é encarada em uma sociedade, e para a família varia drasticamente de cultura para cultura, e de uma época para outra”.

De acordo com França (2001) o processo morte ocorre na seguinte seqüência: Morte Aparente: sinais externos apenas aparentes;

Morte Relativa: é possível o retorno a partir de uma intervenção violenta;

Morte Absoluta: se caracteriza pelo desaparecimento definitivo de toda atividade biológica do organismo;

Morte Cárdio-Respiratória: repentinamente, sem previsão, sem sinais de trauma ou violência;

Morte Encefálica: morte baseada na ausência de todas as funções neurológicas.

Segundo Elsen (2003) a família é como uma unidade de cuidados, o cuidado familial se dá ao longo do processo de viver da família e nas diferentes etapas da vida de cada ser humano, ou seja ele está presente desde o nascimento até senilidade.

Conforme Susaki; Silva; Possari (2006) uma das justificativas colocadas para tentar responder o porquê da dificuldade que as pessoas têm para trabalhar com pacientes em fase terminal e sua família, é a falta ou pouca abordagem do tema nos cursos da área da saúde.

Para Silva (2006) esse é um momento de crise para a família que pode resultar em sofrimento, dúvidas e conflitos. Está intimamente relacionada com sua preparação para enfrentar o processo de morte, a estrutura social na qual está inserida, a intensidade e a forma como tudo ocorreu.

Segundo Kübler-Ross (2000), durante a fase de enfrentamento da morte, o paciente é estimulado a profundas reflexões sobre a própria vida que podem ser chamados de estágios do processo de morrer, tais como: Negação;

Barganha;

Depressão;

Aceitação;

Segundo Kovács (2007) a morte tornou-se presente no trabalho dos profissionais de saúde a partir do século X, quando o morrer passou a ocorrer nos hospitais, solitária, na companhia de tubos, máquinas com profissionais atarefados e não mais no domicílio na companhia de familiares e amigos.

Brandão (2005) denomina de Período de Cuidados

Terminais (PCT) aquele onde há evidência de progressão de doença maligna, e no qual a terapia aplicada não pode aumentar a sobrevida de uma forma significativa.

Para Cintra; Nishide (2001) o enfermeiro deve reconhecer que sua presença é tão importante quanto o procedimento técnico. Se não mais.

O papel do enfermeiro é ajudar o paciente em todos os momentos, dando apoio emocional, atenção, respeitando seus sentimentos e limitações. O profissional deve estar preparado para prestar um atendimento de qualidade aos pacientes terminais, como também estar atento para os questionamentos e queixas da família, fortalecendo o vínculo oriundo desta situação. Esta assistência prestada deve estar de acordo com a Lei do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem estabelecida na resolução do COFEN – 240/2000 de 2005 (COFEN, 2007)

Segundo Aguiar (2006), a formação acadêmica, no entanto, pode deixar algumas lacunas fazendo com que o profissional acredite que somente a cura e o restabelecimento são características de um bom cuidado

Para Houaiss; Villar (2001), uma reflexão sobre o significado da palavra humanização é: “ato e humanizar; dar condição humana a; tornar benévolo, afável, tratável; tornar-se humano”.

Para Silva (2005) há falta de habilidade e conhecimento por parte do enfermeiro no que se refere à comunicação com o paciente terminal.

As faculdades deveriam incluir nos currículos de enfermagem assuntos inerentes à morte e o processo de morrer, criar oficinas de discussões entre docentes, pois este é um bom caminho para sanar falhas importantes no que diz respeito ao ensinar o processo de morte e do morrer. Talvez assim, os professores possam se tornar profissionais habilitados para ensinar o processo de morte e morrer, compartilhando e discutindo com seus alunos a melhor forma de lidar com a morte de seus pacientes e de amparar seus familiares no momento triste, porém inevitável (OLIVEIRA et al, 2006).

É necessário ajudar os profissionais de Saúde a ultrapassarem os seus próprios temores relativos á morte, sensibilizando-os para o papel preponderante, que têm no acompanhamento do doente e família.

Conclui-se que as escolas de Enfermagem precisam se instrumentalizar para oferecer aos futuros profissionais, um ensino de morte e morrer de qualidade.

E o mais importante, as Escola de Graduação devem sempre abordar esse tema ao longo do curso, e não em uma matéria isolada, visando a melhoria da assistência prestada pelos seus acadêmicos, e diminuindo o receio e a insegurança que a maioria deles demonstram diante dessa situação.

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