historia da farmacologia

historia da farmacologia

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I - Princípios gerais

1) História da Farmacologia

A Farmacologia pode ser definida como o estudo dos efeitos das substâncias químicas sobre a função dos sistemas biológicos. (1)

Surge como ciência em meados do século XIX, baseada mais em princípios de experimentação do que em dogma, assim como as outras ciências novas que surgem neste período.

Entretanto, desde o início da civilização, remédios à base de ervas sempre foram utilizados, farmacopéias foram redigidas, mas nada que se utilizasse embasamento cientifico. Registros escritos encontrados na China e na Egito citam muitos tipos de remédios utilizados na época, incluindo alguns que são utilizados até hoje.

Os primeiros acervos terapêuticos eram documentos que refletiam as tradições místicas, religiosas e médicas da sociedade antiga.

O ímpeto para a farmacologia surgiu da necessidade de melhorar a qualidade da intervenção terapêutica dos médicos que, naquela época eram proficientes na observação clínica e diagnóstico, porém amplamente incompetentes quando se tratava de terapia. (1)

Por volta do final do século XVII, a observação e a experimentação começaram a substituir a teorização em medicina, seguindo o exemplo das ciências físicas. Quando o valor desses métodos no estudo das doenças tornou-se claro, os médicos na Grã-Bretanha e em outras regiões da Europa passara a aplicá-los aos efeitos de medicamentos tradicionais utilizados em sua própria prática clínica. Assim, a matéria médica - isto é, a ciência da preparação e do uso clínico de medicamentos - começou a desenvolver-se como precursora da farmacologia. (2)

O primeiro ensaio clinico do qual se tem noticia teria sido conduzido pelo cirurgião James

Lind, da marinha Real Britânica, utilizando-se de metodologia descrita em livros sagrados. Zimmermann em 1774 publicou o Tratado sobre a Experiência em Medicina, porém, vários foram os nomes de contribuintes aos estudos, nomes como São Tomás de Aquino, Galileu Galilei, Francis Bacon e René Descartes, mas sem dúvidas foi Claude Bernard quem mais contribuiu para tais estudos.

No final do século XVIII e início do século XIX, François Magendie e seu aluno Claude

Bernard começam a desenvolver métodos de fisiologia e farmacologia experimentais em animais. Baseado no princípio de prova e contraprova, Claude Bernard tentou trabalhar deixando o enfoque da pesquisa o mais restrito possível. O conceito de randomização, elaborado por Fisher em 1926 foi logo utilizado na terapêutica nos ensaios clínicos.

Os avanços na química e o desenvolvimento da fisiologia nos séculos no séculos XVIII,

XIX e início do século X formaram as bases para o entendimento da atuação dos medicamentos nos tecidos e órgãos.

Em seus primórdios, antes do advento da química orgânica sintética, a farmacologia ocupava-se exclusivamente com a compreensão dos efeitos das substâncias naturais, principalmente extratos vegetais.(1) Somente com o avanço das técnicas de química orgânica pode-se identificar e purificar as estruturas químicas das drogas vegetais usadas na época.

Langley, em 1905 propõe pela primeira vez o conceito de receptores para os mediadores químicos, e desencadeia o desenvolvimento de novos métodos, que possibilitaram melhores conhecimentos sobre mecanismos de ação dos fármacos, e abriram caminho para novas moléculas.

Com o século X, inicia-se o período da química sintética, e junto com ela vêm novas classes de fármacos, e novos integrantes de classes antigas. É nesse período que se iniciam a quimioterapia antimicrobiana e o tratamento de distúrbios psiquiátricos, verdadeiras revoluções no tratamento de enfermidades.

Novas tecnologias de síntese, caracterização e planejamento de novas moléculas possibilitaram o aparecimento de fármacos cada vez mais aprimorados, mais específicos, e com menos efeitos adversos.

A evolução das buscas terapêuticas coincide, provavelmente, com a história da inteligência do homem, superpondo-se à própria medicina. A observação do alívio da dor após fricção da área corporal traumatizada terá contribuído provavelmente para a primeira atitude terapêutica.

A busca incessante através dos tempos foi, certamente, pontilhada pelo uso de métodos nada ortodoxos, e até recentemente não contava com qualquer balizamento ético, formal ou mesmo cientifico.

A exemplo de outras disciplinas biomédicas, as fronteiras da farmacologia não estão claramente definidas e tampouco são constantes. (1) Com o advento da biotecnologia, da genética e da nanotecnologia, novas mudanças estão por vir, tornando o campo da Farmacologia cada vez mais dinâmico.

A descoberta de uma nova molécula promissora, será previamente testada em seus aspectos de segurança e de eficácia em diversas espécies animais na chamada Fase dos ensaios Pré-Clínicos, que se dividem em, grosso modo, em farmacológico e toxicológico.

Os estudos farmacológicos abordam os aspectos farmacocinéticos e farmacodinâmicos, os toxicológicos deverão abordar ensaios de toxicidade aguda, toxicidade de doses repetidas, toxicidade subcrônica, toxicidade crônica,onde este deve abordar mutagenicidade, embriofetotoxicidade, alterações de fertilidade, carcinogenicidade, indução de dependência.

Uma vez evidenciada, principalmente, a segurança do fármaco em animais, passa-se ao ensaio clinico propriamente dito, dividido em quatro fases, logo esquematicamente podemos separar:

Figura 1: Mural do Ed. Leal do Prado - Escola Paulista de Medicina da UNIFESP

2.1 Conceitos básicos

Fármaco – Uma substância definida, com propriedades ativas, produzindo efeito terapêutico.

Droga – Qualquer substância que interaja com o organismo produzindo algum efeito.

Medicamento – É uma droga utilizada com fins terapêuticos ou de diagnóstico. Muitas substâncias podem ser consideradas medicamentos ou não, depende da finalidade com que foram usadas.

Remédio (re = novamente; medior = curar): substância animal, vegetal, mineral ou sintética; procedimento (ginástica, massagem, acupuntura, banhos); fé ou crença; influência: usados com intenção benéfica.

Placebo (placeo = agradar): tudo o que é feito com intenção benéfica para aliviar o sofrimento: fármaco/medicamento/droga/remédio (em concentração pequena ou mesmo na sua ausência.

2.2 Divisões da farmacologia

Farmacodinâmica: mecanismo de ação. Farmacocinética: destino do fármaco. Farmacologia pré-clínica: eficácia e RAM do fármaco nos animais (mamíferos). Farmacologia clínica: eficácia e RAM do fármaco no homem (voluntário sadio; voluntário doente).

Farmacognosia (gnósis = conhecimento): estudo das substâncias ativas animais, vegetais e minerais no estado natural e sua fontes.

Farmacoterapia (assistência farmacêutica): orientação do uso racional de medicamentos.

Fitoterapia: uso de fármacos vegetais (plantas medicinais). Farmacotécnica: arte do preparo e conservação do medicamento em formas farmacêuticas.

Farmacoepidemiologia: estudo das RAM, do risco/benefício e custo dos medicamentos numa população.

Farmacovigilância: detecção de RAM, validade, concentração, apresentação, eficácia farmacológica, industrialização, comercialização, custo, controle de qualidade de medicamentos já aprovados e licenciados pelo Ministério da Saúde.

2.3 Medicamentos novos:

1 - fármaco (sintético, semi-sintético, vegetal, animal, mineral) ainda não usado no homem;

2 - já é usado, mas o perfil farmacológico e tóxico não é conhecido; 3 - alteração da molécula de medicamento consagrado; 4 - alteração da forma farmacêutica ou de uma nova via de administração.

2.4 Ensaios pré-clínicos [in vitro/in vivo]

DL50
Índice terapêuticoIT = ————
DE50

São obrigatórios antes de iniciar a Farmacologia Clínica: Duração: 1 a 6 anos. a) físico-químico (estrutura, PM, solubilidade, estabilidade). b) toxicidade aguda: animais = 3 espécies, 1 não roedor. dose letal 50% (DL50).

c) toxicidade subaguda: 3 doses/dia diferentes, durante 12 a 24 semanas; animais – roedor e não-roedor; avaliação da reação adversa medicamentosa (RAM).

d) toxicidade crônica: 3 doses/dia diferentes, durante 6 meses; animais – roedor e não-roedor. e) teratogenia / embriotoxicidade: 3 doses/dia diferentes, durante mais de 6 meses; animais: 3 espécies, 1 roedor.

2.5 Placebo (l, placere = agradar)

Substância sob a forma de medicamento, mas não é medicamento. Administrado com a finalidade de causar um efeito sugestivo.

- Placebo inerte: amido, açúcar, solução fisiológica. - Placebo ativo: fármaco em dose subterapêutica.

- Placebo negativo (nocebo): causa RAM.

Efeito placebo: conjunto de fatores não farmacológicos que influenciam o efeito terapêutico.

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