Manual de Atendimento Pré-Hospitalar

Manual de Atendimento Pré-Hospitalar

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Copyright (c) 2006 - CORPO DE BOMBEIROS DO PARANÁ.

É dada permissão para copiar, distribuir e/ou modificar este documento sob os termos da Licença de Documentação Livre GNU, Versão 1.1 ou qualquer versão posterior públicada pela Free Software Foundation; sem Seções Invariantes, com os Textos da Capa da Frente sendo MANUAL DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR DO CORPO DE BOMBEIROS DO PARANÁ, e sem Textos da Quarta-Capa. Uma cópia da licença em está inclusa na seção intitulada Licença de Documentação Livre GNU (pag. 373).

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Com o objetivo maior da contínua capacitação visando ampliar os conhecimentos técnicos dos Bombeiros Militares que atuam como socorristas no atendimento préhospitalar ao trauma no Estado do Paraná. Esperamos que estes conhecimentos sejam de extrema valia para o resgate e salvamentos de vidas.

Este manual é resultado da revisão do Manual de Atendimento Pré-Hospitalar do

SIATE/PR de autoria da Dr. Vera Lúcia de Oliveira e Silva e colaboradores, editado em 1995 pela Imprensa Oficial do Estado do Paraná, este baseado na tradução do conjunto de apostilas produzido pela “Division of Vocational Educations, State Department of Education, Columbus, Ohio, USA”.

Esta revisão foi iniciada no Centro de Ensino e Instrução e concluída como resultado dos trabalhos do curso do Curso de Socorrista 2006 – Categoria Oficiais – do Corpo de Bombeiros do Paraná.

Além da revisão foram acrescentados e excluídos conteúdos o que caracteriza ela como sendo uma obra coletiva de compilação e adaptação, segundo o prescrito nos incisos XI e XIII, e § 2º do art. 7.º da Lei Autoral (9.610/98).

O manual é de livre uso, sendo permitido copiar, distribuir e/ou modificar, sob os termos da Licença de Documentação Livre GNU, devendo permanecer em constante evolução, para isso contamos com a colaboração de todos que enviem sugestões de alteração e/ou correção para o socorristas_parana @ yahoo.com.br , lembrando sempre de citar eventuais fontes bibliográficas originárias destas alterações.

“Por Uma Vida Todo Sacrifício é Dever”

Curitiba, 04 de Agosto de 2006. i

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Autor Nomeado: Porcides; Almir Júnior

Colaboradores:

Aguiar; Eduardo José SlompAlmeida; Geferson Correa de Alves; Nilson Figueiredo JúniorAraujo; Rogério Lima de Araújo; Wagner Lúcio deBarbosa; Adriano Barros; EdmilsonBaumel; Luiz Fernando Silva Becker; ClaudicirBezerra; Marcos Rogério Borba; Dorico GabrielBortolini; Osni José Costa; LaorDaverson ; Kleber Donati; VladimirFerreira; Alexandre Dupas Gross; GersonKapp; Norton Alexandre Konflanz; Douglas MartinsMachado; Fernando Ferreira Manassés; EdsonMenegatti; Dimas Clodomiro Mocelin; Gabriel JuniorMoreira; Paulo Cezar Mota; Cristiano Carrijo G.Mota; Sandro Marcos Oliveira; Charles Elias deRodrigues; Altemistocley Diogo Sales; Arlisson SanchesSantos; Hamilton dos Schreiber; Rogério CortêsSchwambach; Ricardo Silva; Paulo Roberto daSilva; Romero Nunes da Sokolowski; RiveltoSoster; Heitor Spak; José Adriano P.Teixeira; Hudson Leôncio

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Capítulo 1 - Ética e Humanização1
Capítulo 2 - Anatomia e Fisiologia5
Capítulo 3 - Direção Defensiva47
Capítulo 4 - Cinemática do Trauma60
Capítulo 5 - Equipamentos Usados no Atendimento Pré-Hospitalar74
Capítulo 6 - Sinais Vitais82
Capítulo 7 - Atendimento Inicial92
Capítulo 8 - Vias Aéreas105
Capítulo 9 - Ressuscitação Cardiopulmonar119
Capítulo 10 - Hemorragia e Choque142
Capítulo 1 - Ferimentos, Curativos e Bandagens154
Capítulo 12 - Fraturas e Luxações167
Capítulo 13 - Trauma Cranioencefálico (TCE) e Raquimedular (TRM)177
Capítulo 14 - Imobilização e Remoção189
Capítulo 15 - Trauma de Tórax216
Capítulo 16 - Trauma de Abdome230
Capítulo 17 - Trauma de Face237
Capítulo 18 - Emergências Pediátricas248
Capítulo 19 - Emergências Obstétricas e Trauma na Gestante253
Capítulo 20 - Afogamento266
Capítulo 21 - Queimaduras e Emergências por Frio Ambiental280
Capítulo 2 - Eletricidade e Radiação Ionizante291
Capítulo 23 - Intoxicações Exógenas297
Capítulo 24 - Emergências Psiquiátricas307
Capítulo 25 - Emergências Clínicas311
Capítulo 26 - Rotinas Operacionais323
Capítulo 27 - Preparo de Medicamentos e Biossegurança338
Capítulo 28 - Catástrofes e Atendimento a Múltiplas Vítimas354
Capítulo 29 - Produtos Perigosos364
Capítulo 30 - Emergências Geriátricas369
Referências Bibliográficas380
Apendice I - Licença de Documentação Livre GNU383

Sumário v

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

CAPÍTULO 1 A ÉTICA E HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR

Toda pessoa é dotada de uma consciência moral que a faz distinguir entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, capacitando-a a avaliar suas ações no contexto a que é solicitado, ou seja, é capaz de nortear suas atitudes pela ética, a qual pode-se dizer é um conjunto de valores, que se tornam deveres em determinadas culturas ou grupos, sendo expressos em ações.

A ética é, normalmente, uma norma de cunho moral que obriga a conduta de uma determinada pessoa, sob pena de sanção específica, mas pode também regulamentar o comportamento de um grupo particular de pessoas, como, por exemplo, bombeiros, policiais, médicos, enfermeiros, etc. A partir deste momento, estamos nos referindo à ética profissional, mais conhecida como deontologia, que caracteriza-se como conjunto de normas ou princípios que têm por fim orientar as relações profissionais entre pares, destes com os cidadãos, com sua guarnição de serviço, com as instituições a que servem, entre outros. Como a sua margem de aplicação é limitada ao círculo profissional, faz com que estas normas sejam mais específicas e objetivas, gerando o advento dos Códigos de Ética elaborados por associações de classe, como, por exemplo, o Código de Ética Médica Brasileiro.

5º, que a “deontologia militar é constituída pelo elenco de valores e deveres éticos, tra-

No caso do Corpo de Bombeiros do Paraná, o Decreto Estadual nº 5.075/98 (Regulamento de Ética Profissional dos Militares Estaduais do Paraná), prescreve em seu artigo duzidos em normas de conduta, que se impõem para que o exercício da profissão militar atinja plenamente os ideais de realização do bem comum, através da preservação da ordem pública.” Assim como a atividade do médico e do enfermeiro possuem codificações próprias, o bombeiro militar também tem sua conduta pesada em Código próprio, que o obriga a prestar seu serviço de atendimento pré-hospitalar calcado em valores e deveres militares, não menos importantes, que o dos códigos dos profissionais de saúde.

Ao longo do Curso de Socorristas, são ensinadas normas técnicas que indicam fórmulas do fazer, que são apenas meios de capacitação, levando o homem a atingir resultados. Todavia a técnica não deve perder sua correlação natural com as normas éticas, que atenuam o sofrimento da vítima e humanizam o atendimento.

O socorrista deve saber equilibrar os dois pratos da balança que formam seu caráter profissional: o lado técnico e o lado emocional. Caso haja uma prevalência de qualquer um dos lados, o atendimento pode ser comprometido tanto pelo lado humano, quan-

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Ética e Humanização to pelo lado científico. O bombeiro militar que tenha completo domínio do atendimento pré-hospitalar, mas que não tenha o discernimento necessário para atuar com atenção especial nos casos que assim requeiram, não possui o caráter ético-profissional para ser socorrista. O mesmo se aplica àquele que possua um equilíbrio emocional e não saiba as técnicas pré-hospitalares.

Para um atendimento pré-hospitalar satisfatório o socorrista deve possuir, além do equilíbrio emocional e da competência técnico-científica, uma competência ética, fundamental para a humanização do serviço.

A competência ética no atendimento pré-hospitalar é formada por quatro vertentes de relacionamento, sendo elas:

●Socorrista e outros militares; ●Socorrista e profissionais de saúde;

●Socorrista e vítima;

●Socorrista e parentes/conhecidos/outros envolvidos.

As relações dos socorristas com outros militares e profissionais de saúde não trazem muitos problemas, pois a formação militar facilita o relacionamento. Resta-nos analisar e fundamentar os princípios para um relacionamento ético entre bombeiros e vítimas, e bombeiros e parentes/conhecidos/outros envolvidos no trauma. Estes dois tipos de relacionamentos estão baseados em três princípios fundamentais:

●Respeito à pessoa; ● Solidariedade;

●Sentimento do dever cumprido.

Tendo por base estas três premissas, o socorrista saberá pautar suas atitudes e considerar as alterações emocionais decorrentes do trauma. Não se deixará influenciar pela conduta social da vítima incorrendo num julgamento errôneo (fará um atendimento imparcial), atentará para os cuidados com a exposição da vítima, terá atenção especial com crianças, e terá a seriedade como base para uma postura profissional que se espera.

Um atendimento perfeito ocorre quando, mesmo com o sucesso do emprego de todas as técnicas dominadas pelo socorrista, atende-se a dignidade da pessoa humana em todo seu alcance, angariando o respeito e a admiração da vítima e outras pessoas envolvidas, pelo elevado grau de profissionalismo existente na corporação.

2. Humanização: Um Abrandamento do Caráter Técnico da Medicina

A Portaria GM/MS n.º 1.863, de 29 de setembro de 2003, trata da “Política Nacional de Atenção às Urgências” trazendo novos elementos conceituais, como o princípio da humanização.

Parece estranho falar de humanização num campo em que deveria ser implícito o “amor ao próximo”, como é o caso da medicina. Todavia, com o advento da vida moderna,

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR a explosão demográfica e os parcos e poucos recursos e investimentos na área da saúde, fazem com que o profissional, muitas vezes, tenha uma sensação de impotência frente ao sofrimento de milhares de pessoas, e, com isso faz crescer no seu íntimo, mesmo que de modo imperceptível, mecanismos de defesa em que cria uma verdadeira “casca”, não vendo na vítima uma pessoa, mas um objeto que necessita de seus cuidados profissionais, visto que não tem a solução para todas as mazelas criadas por falta de políticas públicas de saúde.

Necessário foi ao Ministério da Saúde humanizar o serviço, através de um programa próprio, visando atenuar os efeitos desumanizantes, que retira da pessoa humana seu mais importante valor: a dignidade.

No caso do atendimento pré-hospitalar, o conhecimento cientifico deveria ser, por si só, motivo de sucesso para um resultado positivo quando no socorro à vítima. O que se tem observado recentemente é que este fator, somado à estressante rotina dos numerosos atendimentos diários nos grandes centros, bem como a fragilidade do ser humano, tanto do paciente como do socorrista (ambos envolvidos com sentimentos de respeito, simpatia, empatia, angústia, raiva, medo, compaixão), o que tem gerado problemas no atendimento à vítima. Deixamos de ver nele muitas vezes o ser humano que está necessitado, hora pelo enfoque direto no trauma, hora pela banalização do acidente.

Necessário, então, é falar em humanização no atendimento pré-hospitalar. Então: o que é humanização ? Podemos entende-la como valor, na medida em que resgata o respeito à vida humana, levando-se em conta as circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas presentes em todo relacionamento humano.

Humanizar o atendimento não é apenas chamar a vítima pelo nome, nem ter um sorriso nos lábios constantemente, mas também compreender seus medos, angústias e incertezas, dando-lhe apoio e atenção permanente.

O profissional humanizado deve apresentar algumas características que tornam o atendimento a um traumatizado mais digno:

●Focalizar não somente o objeto traumático, mas também os aspectos globais que envolvem o paciente, não se limitando apenas às questões físicas, mas também aos aspectos emocionais;

●Manter sempre contato com a vitima, buscando uma empatia por parte da mesma;

●Prestar atenção nas queixas do paciente, tentando sempre que possível aliviar a dor do paciente;

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