cartilha eventos adversos pos vacinação

cartilha eventos adversos pos vacinação

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Brasília / DF

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação: cartilha para trabalhadores de sala de vacinação

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação: cartilha paratrabalhadores de sala de vacinação

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica.

Vigilância dos eventos adversos pós-vacinação: cartilha para trabalhadores de sala de vacinação / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2003.

147 pg. – (Série F.Comunicação e Educação em Saúde) ISBN 85-334-0759-9

1.Vacinas. 2. Imunização. 3. Trabalhadores. 4. Serviços de saúde. I. Brasil.

Ministério da Saúde. I Brasil. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. I. Título. IV. Série.

NLM QW 805

©2003. Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial.

Acoleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na íntegra na Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde: w.saude.gov.br/bvs

Elaboração, edição e distribuição MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância Epidemiológica Produção: Núcleo de Comunicação

Endereço Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Edifício Sede, 1.º andar, Sala 134 CEP: 70058-900, Brasília/DF E-mail: svs@saude.gov.br Endereço eletrônico: w.saude.gov.br/svs

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

1ª edição – 2003 – tiragem: 50.0 exemplares Série F. Comunicação e Educação em Saúde

Catalogação na fonte – EditoraMS

Série F.Comunicação e Educação em Saúde

Brasília – DF 2003

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação: cartilha para trabalhadores de sala de vacinação

Esta publicação foi elaborada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz / Ministério da Saúde

Coordenação Editorial: Ieda da Costa Barbosa - EPSJV/FIOCRUZ Gladys Miyashiro Miyashiro - EPSJV/FIOCRUZ Marileide do Nascimento Silva - EPSJV/FIOCRUZ

Coordenação Técnico-Pedagógica: Isabel Brasil Pereira - EPSJV/FIOCRUZ Carlos Eduardo Colpo Batistella - EPSJV/FIOCRUZ

Equipe Técnica de Elaboração da Cartilha: Ieda da Costa Barbosa - EPSJV/FIOCRUZ Marileide do Nascimento Silva - EPSJV/FIOCRUZ Gladys Miyashiro Miyashiro - EPSJV/FIOCRUZ Maurode Lima Gomes - EPSJV/FIOCRUZ Andréia Rodrigues Gonçalves Ayres - HUGG/UNIRIO Regina Fernandes Flauzino - ISC/UFF

Revisão Técnica: Sandrade Sousa RibeiroPetrus - CGPNI/DEVEP/SVS/MS José Evoide de Moura Filho - CGPNI/DEVEP/SVS/MS Maria Lucelena Esteves Correia - Assessoria de Doenças Imunopreveníveis SES/RJ

Revisão de Português: André Luiz de Lima Bueno

Colaboradores: Paulo Sérgio Silva de Alencar - EPSJV/FIOCRUZ Marco Aurelio Soares Jorge - EPSJV/FIOCRUZ

Programação Visual: Lys Portella e Dalila dos Reis Assistente de Direção de Arte:Fernanda Rossi Manipulação e Tratamento de Imagens: Luiz Gaucho

Criação de Ícones (Pictogramas):Bruno Gabriel de Albuquerque Simões

Produção Fotográfica:Cris Isidoro

Imagens Utilizadas: Acervo da CGPNI/MS Acervo da Casa de Oswaldo Cruz, Departamento de Arquivo e Documentação Acervo CCS/FIOCRUZ - Divulgação Rogério Reis e Jorge Carvalho Laboratório de Tecnologias Educacionais - LabTEd/EPSJV/FIOCRUZ Acervo Cris Isidoro Fotografias de Eventos Adversos Pós-Vacinação: Hozana Luz - CRIE Alagoas Edna Akreman Macedo - Centro de Referência Professor Hélio Fraga/RJ-MS Helena Sato - CRIE UNIFESP, Instituto da Criança/FMUSP.

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação: cartilha para trabalhadores de sala de vacinação Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação: cartilha para trabalhadores de sala de vacinação

Medidas de Prevenção dos Eventos Adversos Pós-Vacinação:

Apresentaçãopg. 8 Capítulo Cuidados na Triagem e na Técnica de Aplicação pg. 1

Capítulo 2

OSistema Nacional de Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação e a Importância da Notificaçãopg. 23

Capítulo 3 As Vacinas e os Eventos Adversos Pós-Vacinaçãopg. 37

Vacina contra a Tuberculose – BCG Intradérmica (BCG-ID)pg. 41 Vacina contraaHepatite Bpg. 49

Vacina contra a Difteria, o Tétano, a Coqueluche e a Infecção pelo Haemophilus influenzae tipo b (DTP-Hib)pg. 5

Vacina Oral contra a Poliomielite (VOP)pg. 63 Vacina contra o Sarampo, a Caxumba e a Rubéola (Tríplice Viral)pg. 69 Vacina contraaFebre Amarelapg. 7 Vacina contra a Difteria, o Tétano e a Coqueluche (DTP)pg. 83 Vacina contra a Difteria e o Tétano (DT/dT)pg. 91 Vacina contra a Influenza (Gripe)pg. 97 Vacina contra a Infecção pelo Pneumococo pg. 103 Vacina contra a Raiva Humanapg. 109 Vacina contra a Febre Tifóidepg. 117

Anexos

Imunobiológicos Especiais (CRIE)pg. 125
3-Relação e Endereços das Coordenações Estaduais de Imunizaçõespg. 129

Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE)pg. 123 2-Relação e Endereços dos Centros de Referência de Glossáriopg. 133 Siglaspg. 143 Referências Bibliográficaspg. 145 Agradecimentos pg. 147

1 Sumário

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação presentaçãoA

Este material foi criado pensando no vacinador, que está na linha de frente do Programa Nacional de Imunizações (PNI). É com esse profissional que o cliente, ou responsável, estabelece o primeiro contato na sala de vacinação. Por isso, o mesmo precisa estar preparado para dar informações e responder às dúvidas que se apresentem. Em seguida, um resumo que justifica o porquê desta cartilha.

Nestes mais de 30 anos, o Programa Nacional de Imunizações tem alcançado significativos avanços em termos de coberturas vacinais. A descentralização das ações de imunizações, a parceria e a participação cada vez maior dos gestores municipais, em muito têm contribuído para que os municípios brasileiros venham alcançando suas metas de vacinação. Está ocorrendo um declínio acelerado das doenças preveníveis por vacinas, bem como das mortes ocasionadas por estas doenças.

Mas, também tem sido observado, por parte dos profissionais que atuam principalmente nas áreas de saúde pública, epidemiologia, infectologia e imunizações, uma maior evidência na visibilidade quando da ocorrência de casos de eventos adversos pós-vacinais, ainda que em sua grande maioria benignos e transitórios. Esse conhecimento está, cada vez mais, sendo de domínio da sociedade, e os clientes ou responsáveis buscam, conseqüentemente, ter informações sobre as possibilidades de aparecimento dos eventos adversos provocados por vacinas e como lidar com eles, uma vez que é reconhecido que os benefícios de uma vacinação em muito superam os riscos de um possível evento adverso.

Por essas razões, buscando manter a qualidade bem como a credibilidade no Programa Nacional de Imunizações, construída ao longo dos 32 anos, em conjunto com a sociedade, o Ministério da Saúde vem realizando investimentos para garantir a qualidade dos imunobiológicos disponibilizados à população brasileira. Isto se traduz numa Rede de Frio, capaz de garantir as características iniciais do produto até o nível local, e na aquisição de produtos mais modernos, seguros e eficazes, provenientes de processos de produção que atendem às normas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde, referentes às boas práticas de fabricação e devidamente analisados pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz).

Entretanto, nenhuma vacina está totalmente livre de provocar eventos adversos, apesar do aprimoramento dos processos utilizados em sua produção e purificação. Além disso, a grande freqüência de quadros infecciosos e de natureza alérgica na população, bem como os quadros neurológicos que surgem inevitavelmente, com ou sem vacinação, tornam inevitáveis estas associações temporais, especialmente em crianças. Verifica-se, também, que estudos científicos, com base em observações de campo sobre o tema, tornam-se mais freqüentes, no país e no mundo, e os conceitos e informações técnicas são a cada dia mais consistentes.

Muitos desses motivos levaram o PNI a investir na implantação de um Sistema Nacional de Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação, em 1992, para viabilizar a realização da notificação, investigação, acompanhamento, assim como a adoção de condutas adequadas e padronizadas, frente às ocorrências. Em 1997, o Programa promoveu os primeiros cursos de capacitação para profissionais de saúde, a fim de unificar as condutas e procedimentos no país. Outra estratégia foi a elaboração e publicação, em 1998, do Manual de Vigilância Epidemiológica dos Eventos Adversos Pós-vacinação, cuja nova edição está prevista para 2006. Mas estava faltando um material específico para o trabalhador de nível médio de sala de vacinação.

Em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz, RJ, foi preparado este material didático que contém: o que são os eventos adversos pós-vacinação; que cuidados ter na triagem, para diminuir a sua freqüência; o que informar ao cliente sobre a possível ocorrência desses eventos; quais os eventos adversos que podem ocorrer após a aplicação de cada uma das vacinas do calendário de vacinação; quais os eventos adversos que contra-indicam doses posteriores; como e o quê notificar; e quais os eventos que exigem notificação imediata.

Assim, espera-se que esta publicação contribua na criação das condições para eliminar, o máximo possível, as oportunidades perdidas, proporcionando os conhecimentos necessários sobre as vacinas e os eventos adversos, de modo que o trabalhador de saúde da sala de vacinação tenha segurança no repasse de informações à clientela.

Se o vacinador tiver dúvidas, ou precisar de outras informações, recomenda-se que o mesmo procure a chefia imediata de sua unidade de saúde. Informações adicionais podem ser obtidas no Setor de Imunizações ou de Vigilância das Secretarias Municipal e Estadual da Saúde, assim como na Coordenação Geral do PNI.

Portanto possa este livro colaborar com a qualificação dos trabalhadores da sala de vacinação que são profissionais tão importantes para a continuidade do sucesso do Programa Nacional de Imunizações no Brasil.

Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação

Secretaria de Vigilância em Saúde/MS11

Durante muitos anos, no dia-a-dia da sala de vacina, seu trabalho era verificar as condições de saúde do paciente, marcar a vacina a ser aplicada no cartão do cliente e no cartão espelho, registrando tambémo retorno para as doses posteriores, e preparar a estatística diária das doses de vacinas aplicadas.

Após esta triagem inicial, encaminhava-se o cliente para a aplicação da vacina, alertando quanto à possibilidade de aparecimento de reações. Por exemplo, a dor local após a aplicação da vacina DTP (tríplice bacteriana) ou a febre após a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba). A essas reações que surgem após a aplicação da vacina chamamos de eventos adversos.

Com a introdução de novas vacinas, e os avanços significativos em termos de cobertura, estas recomendações tornam-se cada vez mais necessárias. O aumento da cobertura vacinal tem contribuído, dentre outros fatores, para o aumento da ocorrência dos eventos adversos.

Todo e qualquer sinal ou sintoma que a pessoa vacinada apresentar após a vacinação é um evento adverso pós-vacinação.

Medidas de Prevenção dos Eventos Adversos Pós-√Vacinação: Cuidados na Triagem e na Técnica de Aplicação.

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação

Secretaria de Vigilância em Saúde/MS12

Em geral, após a aplicação da vacina, qualquer sinal ou sintoma que ocorrer é, imediatamente, associado à vacinação. Esta relação que se estabelece entre o evento adverso e a vacinação é denominada associação temporal. Isto é, inicialmente, assume-se que o evento ocorreu por causa da vacinação. Após ser analisada, esta relação poderá, ou não, ser confirmada.

Assim, após a aplicação da vacina, poderiam surgir sinais e sintomas decorrentes de outra doença que estivesse em período de incubação. Neste caso, seriaum evento que ocorreu por coincidência e não devido à vacinação. Para se confirmar a relação do evento adverso com a vacinação, após a notificação, deve proceder-se à investigação do caso.

Neste capítulo, apresentaremos os cuidados e as orientações necessários para a prevenção dos eventos adversos pós-vacinação verificados no seu dia-a-dia de trabalho, de forma que, na triagem e na técnica de aplicação das vacinas, você possa contribuir para diminuir esses eventos.

Como você mesmo deve ter observado ao longo de sua experiência, a maioria dos eventos adversos pós-vacinação são leves e desaparecem rapidamente. Muito raramente, ocorrem eventos adversos graves.

Porque acontecem os eventos adversos pós-vacinação?

Os eventos adversos pós-vacinação podem acontecer devido a aspectos relacionados aos vacinadosou à vacinação. Consideraremos aspectos relacionados aos vacinados aqueles que envolvem respostas do organismo do cliente. Quanto aos aspectos relacionados à vacinação, estaremos considerando, por um lado, os componentes da vacina, sua produção e a relação destes com a predisposição orgânica dos vacinados. Por outro lado, a técnica de preparo e de aplicação das vacinas também podem ocasionar eventos adversos.

Todo evento que surge após a vacinação é, inicialmente, a ela relacionado, o que se denomina associação temporal. Significa dizer que, até se confirmar a verdadeira causa, o sinal ou sintoma estará temporariamente associado à vacinação.

Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação

Secretaria de Vigilância em Saúde/MS13

Eventos Adversos Pós-Vacinação Relacionados aos Vacinados

Técnica de Preparo e de Aplicação das Vacinas.

Componentes da Vacina/Produção/ Predisposição Orgânica dos Vacinados.

Relacionados à Vacinação

Aspectos Relacionados aos Eventos Adversos Pós-Vacinação

O que deve ser observado e como orientar os clientes durante a triagem?

1. Conversar com o cliente sobre os benefícios da vacina.

2. Compartilhar com o cliente a segurança de que não existe nenhuma contra-indicação para a vacinação naquele momento.

3. Informar sobre os eventos adversos mais comuns ou esperados das vacinas a serem aplicadas.

4. Orientar o cliente ou responsável para retornar à unidade de saúde, caso observe que os eventos adversos comuns ou esperados se apresentem com maior intensidade, demorem muito a passar e se, além destes, surgirem outros sinais e sintomas.

5. As vacinas de bactérias e vírus vivos atenuados injetáveis podem ser aplicadas no mesmo dia. Caso não seja possível, deve ser dado um intervalo de 30 dias, no mínimo 15 dias, entre a aplicação de vacinas que tenham esta composição, tais como BCG-ID, tríplice viral, entre outras.

6. Considerar as doses já recebidas de cada vacina, para completar o respectivo esquema vacinal.

7. Orientar para que não se coloquem pomadas no local de aplicação das vacinas.

8.Registrar no cartão do cliente e no cartão espelho, a vacina administrada com seu respectivo lote. Na vacina contra a febre amarela esta é uma recomendação internacional.

Primeiramente, apresentaremos algumas considerações sobre os aspectos que provocam eventos adversos, devido à resposta do organismo do vacinado.

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