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CICLO 2MÓDULO

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As ciências da saúde estão em permanente atualização. À medida que as novas pesquisas e a experiência ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências da saúde, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que lanejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.

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9 METODOLOGIAS DO CUIDADO DE ENFERMAGEM

Maria Bettina Camargo Bub – Professora adjunta do departamento de enfermagem – NFR e programa de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutora em enfermagem – filosofia, saúde e sociedade, pela UFSC, com bolsa CAPES para doutorado sanduíche no Instituto Tema – Saúde de Sociedade da Universidade de Linköping, em Linköping, Suécia. Coordenadora do Núcleo de Estudos em Filosofia e Saúde (NEFIS). Coordenadora de cooperação internacional do departamento de enfermagem e programa de pós-graduação da UFSC

Per-Erik Liss – Professor de filosofia do departamento de saúde e sociedade da Universidade de Linköping, Suécia. Doutor em filosofia

A palavra metodologia deriva da palavra método, que por sua vez, significa pesquisa, busca e, por extensão, estudo metódico de um tema da ciência (Houaiss, 2001, p. 1911).

Método é um procedimento, técnica ou meio de se fazer alguma coisa de acordo com um plano. É um processo organizado, lógico e sistemático de pesquisa, instrução, investigação ou apresentação (Houaiss, 2001, p. 1911). Metodologia é um ramo da lógica que se ocupa dos métodos das diferentes ciências e pode ser entendida como parte de uma ciência que estuda seus próprios métodos. Por extensão, refere-se a um corpo de regras e diligências para realizar uma pesquisa – neste caso, uma referência ao método propriamente dito (Houaiss, 2001, p. 1911). O Quadro 1 traz uma distinção entre método e metodologia.

Quadro 1 MÉTODO E METODOLOGIA: DISTINÇÕES

MétodoMetodologia

No senso comum, na extensa literatura e na legislação que rege o exercício profissional da enfermagem (Lei Federal 7.498 de 25 de junho de 1986; Decreto 94.406 de 8 de junho de 1987 e Resolução COFEN - 272 de 27 de agosto de 2002), encontramos vários termos usados de forma intercambiável para designar o que denominamos, neste capítulo, de metodologia do cuidado, por exemplo:

Em virtude dessa grande quantidade de termos, é muito difícil continuar a escrever este capítulo sem limitá-los. Por esse motivo, daqui para frente vamos tratar de apenas três: a metodologia do cuidado de enfermagem; o processo de enfermagem, amplamente usado no Brasil a partir de Wanda Horta (1979); e a sistematização da assistência de enfermagem (Resolução COFEN- 272/2002).

Embora na literatura de enfermagem existam propostas de metodologia do cuidado originárias das mais diversas correntes teórico-filosóficas, apresentaremos uma proposta de certa forma original, baseada em conceitos da filosofia da saúde, ética, teoria das necessidades humanas básicas e em classificações diagnósticas e de intervenções de enfermagem.

Esperamos que, ao final da leitura deste capítulo, você tenha atualizado seus conhecimentos de forma a ampliar e aprofundar sua compreensão a respeito do que é, por que utilizar e como empregar uma metodologia do cuidado de enfermagem, de forma que consiga:

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1 ESQUEMA CONCEITUAL

Metodologias do cuidado de enfermagem

O que é - conceitos

Metodologia do cuidado de enfermagem A enfermagem como ciência A enfermagem como tecnologia A enfermagem como arte Necessidade, bem-estar e estar bem Saúde Cuidado humano e cuidado de enfermagem

Por que – as razões

Fazer o bem

Respeitar a autonomia Não fazer o mal

Estabelecer prioridades

Princípio de necessidade Princípio do custo-efetividade

Melhorar a saúde

Promoção da saúde Prevenção da má saúde Cuidado de saúde

Processo de enfermagem História de saúde

Como – modos de fazer

Diagnóstico de enfermagem Plano de enfermagem Intervenções Avaliação de enfermagem Caso clínico

A metodologia do cuidado de enfermagem é uma atividade reflexiva realizada por enfermeiros e enfermeiras, centrada na relação dialógica entre pessoas, famílias, grupos sociais (que buscam a atenção à saúde) e profissionais – enfermeiras e enfermeiros –, com a finalidade de satisfazer necessidades, promover o bem-estar, melhorar a saúde e promover a vida.

Uma metodologia também tem como propósito orientar a organização da atenção de enfermagem a partir da compreensão mútua e da decisão compartilhada, na qual usuários, clientes e profissionais são vistos como parceiros. Os principais elementos dessa atividade são:

Nesse contexto, a enfermagem é a ciência, a tecnologia e a arte de assistir os seres humanos no atendimento de suas necessidades, promover o bem-estar, ajudá-los a melhorar sua saúde e a promover a vida, por meio de ações de promoção da saúde, de prevenção de má saúde e de cuidado de saúde (Bub e Liss, 2004).

A enfermagem como ciência tem como objetivo principal produzir conhecimento novo, freqüentemente para uso prático. Porém, o critério de sucesso da pesquisa científica não é determinado pelo uso prático, mas pelo valor explanatório de teorias, por sua capacidade de síntese e sobrevivência à crítica (Nordin, 1996, p. 56).

A investigação científica em enfermagem, para ficar mais afinada ao uso prático, deve estar próxima de clientes e usuários e dos profissionais que atuam no cuidado. Também é preciso não perder de vista a finalidade e os instrumentos utilizados no cuidado para não se atrapalhar nos excessos e na inadequação do método, no cientificismo e na sua pior conseqüência: a pobreza de conteúdos profissionais.

A enfermagem como tecnologia tem o objetivo de produzir técnicas úteis. Técnica é um processo artificial, um método, uma ferramenta ou um procedimento criado com a intenção de resolver problemas práticos e que pode ser usada repetidamente. O critério de usabilidade de uma tecnologia é dependente do julgamento do potencial usuário e não pode ser decidida por critérios internos ou pelo expert em tecnologia; é um pacote de ações que pode ser comprado ou vendido (Nordin, 1996, p. 56).

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No caso da enfermagem, o potencial usuário pode ser enfermeiros e enfermeiras e os demais membros da equipe de enfermagem, usuários, clientes, famílias, grupos. Enfim, todos aqueles que estão vinculados ao uso de uma dada tecnologia.

De acordo com Collière (1989), o corpo foi e ainda é o primeiro instrumento de cuidado. É por meio do nosso corpo que prestamos o cuidado a nós mesmos e aos outros e que utilizamos nossos sentidos, nossas mãos e nossa sensitividade. Mas o cuidado demanda também certas tecnologias de manutenção da vida, de reparação e de informação (Collière, 1989).

As tecnologias de manutenção da vida são tecnologias de compensação de incapacidades funcionais. Incluem uma série de instrumentos e meios técnicos que tem por meta permitir a realização de atividades básicas da vida diária – ABVDs, compensam as conseqüências das lesões, restituem a autonomia total ou parcial, ao mesmo tempo em que também aliviam cuidadores e familiares (Collière, 1989).

As tecnologias de reparação “[...] vão de simples instrumentos a equipamentos mais complexos e colocam o difícil problema do limite da sua utilização e da sua finalidade real” (Collière, 1989, p. 265).

As tecnologias de informação incluem a utilização de instrumentos e técnicas de coleta, análise e registro de dados e informações. Fazem parte desse tipo de tecnologia os instrumentos de transmissão e de coordenação de informações.

Para saber mais: Informações sobre tecnologia, consulte o capítulo “Informática na assistência e no ensino de enfermagem e telenfermagem: avanços tecnológicos na prática profissional” (Peres e leite, 2006).

Collière (1989) também problematiza a utilização de tecnologias interrogando até que ponto essas tecnologias são “convivais”, ou seja, até que ponto elas convêm à vida e são ajustadas às necessidades das pessoas, das famílias e dos grupos sociais. A autora também enfatiza a importância da utilização da tecnologia integrada ao processo relacional que deve acompanhá-la e, mais do que isso, lhe confere significado.

A enfermagem como arte tem o objetivo de satisfazer necessidades, promover bem-estar, melhorar a saúde e promover a vida. Embora seja esperado que um enfermeiro ou enfermeira expert tenha competência científica e tecnológica, só essa competência não é suficiente.

É preciso, por parte do profissional de enfermagem, sensibilidade para identificar necessidades individuais e propor intervenções. Para tanto, é necessário um relacionamento de abertura para o outro no qual a compreensão mútua e a decisão compartilhada sejam elementos fundamentais (Nordin, 1996, p. 56; Bub e Liss, 2004).

A enfermagem não é só ciência e tecnologia, mas também arte e, como tal, nos remete ao mundo da sensibilidade, no qual é possível a identificação de necessidades individuais.

Para saber mais: Informações sobre outras perspectivas de arte da enfermagem, acesse http://www.blackwellsynergy.com e leia “The aesthetic experience of nursing”, artigo publicado na Nursing Philosophy por

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