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(Parte 1 de 3)

PROENF | SAÚDE DO ADULTO | Porto Alegre | Ciclo 2 | Módulo 2 | 2007

Associação Brasileira de Enfermagem ABEn Nacional SGAN, Conjunto “B”. CEP: 70830-030 - Brasília, DF Tel (61) 3226-0653 E-mail: aben@abennacional.org.br http://www.abennacional.org.br

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Os autores têm realizado todos os esforços para localizar e indicar os detentores dos direitos de autor das fontes do material utilizado. No entanto, se alguma omissão ocorreu, terão a maior satisfação de na primeira oportunidade reparar as falhas ocorridas.

As ciências da saúde estão em permanente atualização. À medida que as novas pesquisas e a experiência ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências da saúde, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que lanejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.

Estimado leitor

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na web e outros), sem permissão expressa da Editora.

Os inscritos aprovados na Avaliação de Ciclo do Programa de Atualização em Enfermagem (PROENF) receberão certificado de 180 horas-aula, outorgado pela Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e pelo Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância (SESCAD) da Artmed/Panamericana Editora.

PROENFSAÚDE DO
TOSESCAD

Tatiana Sápia – Enfermeira. Mestranda de Administração em Serviços de Enfermagem do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP)

Maria Helena Trench Ciampone – Enfermeira. Professora Titular do Departamento de Orientação Profissional. Coordenadora da Área de Administração em Serviços de Enfermagem do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP)

O avanço da tecnologia e a necessidade da medicina de buscar alternativas cada vez mais precisas e detalhadas, que permitissem o diagnóstico por meio de exames e técnicas menos invasivas e desconfortáveis, contribuíram para o aparecimento e o desenvolvimento de uma especialidade médica denominada medicina diagnóstica.

O diagnóstico pode ser definido como conhecimento ou determinação de uma doença pela observação ou descrição de seus sintomas ou mediante comprovação por meio de exames diversos.

Atualmente, por mérito do desenvolvimento da medicina diagnóstica, os exames diagnósticos, tanto laboratoriais quanto por imagens, antes realizados com imprecisão e despendendo um tempo maior, são feitos com agilidade, precisão, eficiência e confiabilidade.

Na maioria das vezes, submeter-se a um exame laboratorial ou de imagem diagnóstica torna-se imprescindível ao diagnóstico médico, pois possibilita a detecção, a comprovação e o entendimento preciso das alterações que estão ocorrendo no organismo.

A partir da metade do século XIX, surgem os exames laboratoriais como métodos auxiliares ao diagnóstico médico. Esse progresso deve-se ao desenvolvimento da medicina e das áreas de microbiologia, citologia e bioquímica. O processo de trabalho em laboratórios de análises clínicas vem sofrendo mudanças constantes, e o aperfeiçoamento de métodos e técnicas é notório. Cada vez mais, por meio da automatização, são inseridos processos mais rápidos e precisos para suprir as demandas do mercado.

Juntamente com as análises clínicas, a imagem diagnóstica também evoluiu significativamente. De acordo com Radvany, é imensurável a importância do desenvolvimento da tomografia computadorizada, que teve seu primeiro protótipo em 1968. A ressonância magnética também é um produto da tecnologia e representa uma imensa evolução à medicina diagnóstica, uma vez que auxilia no diagnóstico médico e no acompanhamento dos tratamentos.

A evolução tecnológica dos exames diagnósticos exige profissionais capacitados para a realização e o monitoramento de diferentes atividades, dentre elas, a obtenção de amostra biológica. A fase da coleta de material biológico é uma das mais importantes do processo de análises clínicas, uma vez que, se a coleta não for bem feita, o resultado dos exames não será confiável e de qualidade. Mesmo que os equipamentos para a análise sejam modernos, eles não minimizam as interferências ocasionadas por uma coleta que não é adequada ao tipo de exame solicitado.

A obtenção de uma amostra biológica de boa qualidade exige do profissional um saber específico sobre o processo de análises clínicas como um todo, como: ■■■■■orientação e preparo para o exame;

Acompanhando a sofisticação da medicina diagnóstica, a enfermagem tem buscado o aprimoramento contínuo de seus profissionais para atender às demandas desse mercado.

À medida que a tecnologia possibilita várias formas de tratamento ao cliente, ela paralelamente contribui para a sistematização da enfermagem, que há tempo vem propiciando a expansão da maneira de cuidar.

A atuação da enfermagem em laboratórios de análises clínicas está assegurada pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS) na Portaria CVS-01, de 18 de janeiro de 2000. A portaria habilita o enfermeiro, o técnico de enfermagem e o auxiliar de enfermagem a atuarem no setor de coleta em laboratórios de análises clínicas, assim como outros profissionais de diferentes subáreas da saúde, por exemplo, médicos, farmacêuticos, biomédicos, biólogos, químicos, técnicos de laboratório e técnicos em patologia clínica. O subitem VI.3.2 menciona que o enfermeiro pode assumir a responsabilidade pelos programas de coleta domiciliar de material humano.

Os técnicos de laboratório e de patologia clínica visam à obtenção e ao processamento de amostras biológicas, de modo que sua ênfase está na exatidão do processamento dessas amostras, atingindo eficácia técnica. Já os técnicos de enfermagem têm como objeto de trabalho o cuidado de enfermagem direcionado ao cliente, focando na execução de técnicas permeadas pela interação e pelo vínculo com o cliente, o que possibilita o reconhecimento das suas necessidades de saúde e a eficácia do cuidado.

PROENFSAÚDE DO
TOSESCAD

A Resolução COFEN nº 146, de 1º de junho de 1992, preconiza a presença/responsabilidade de um enfermeiro nos locais onde são executadas ações de enfermagem. Essa resolução aplica-se aos laboratórios de análises clínicas que possuam, no seu quadro de funcionários, auxiliares e/ou técnicos de enfermagem realizando ações de enfermagem, como: ■■■■■punção venosa;

DIAGNÓSTICAESQUEMA CONCEITUAL Atuação do enfermeiro em um centro de medicina diagnóstica

Áreas de atuação em um centro de medicina diagnóstica

Análises clínicas Capilaroscopia Exames de cardiologia Check-up

Colonoscopia Colposcopia

Densitometria óssea Eletroencefalografia Eletroneuromiografia Endoscopia

Histeroscopia Mamografia

Exames de medicina fetal Exames de medicina nuclear Exames de oftalmologia Exames de otorrinolaringologia

Exames de pneumologia Polissonografia

Exames de radiologia Ressonância magnética Tomografia Ultra-sonografia

Caso clínico Conclusão

Atuação do enfermeiro em medicina diagnóstica

PROENFSAÚDE DO
TOSESCAD

“Ser enfermeiro implica ter conhecimento técnico-científico, habilidade e capacidade para assistir e cuidar de pessoas direta ou indiretamente através de supervisão, coordenação e liderança da equipe de enfermagem, objetivando a prestação de uma assistência integral e de qualidade ao indivíduo”.

O enfermeiro exerce atividades voltadas ao gerenciamento dos cuidados, da equipe e dos serviços, estabelecendo condições para que os auxiliares e técnicos de enfermagem (cuja natureza do trabalho agrega características mais técnicas, como realização de punção venosa, coleta de secreções em geral e sondagens) executem as atividades que lhes competem e que são legalmente atribuídas a essas categorias profissionais.

O enfermeiro desempenha algumas atividades técnicas exclusivas, como a punção/ manipulação de cateteres de longa permanência e totalmente implantados e a punção arterial. Esses procedimentos são exclusivos do enfermeiro e não podem ser delegados e executados por auxiliares e técnicos de enfermagem.

No seu conjunto, todos os profissionais que executam as coletas — auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem e enfermeiros — necessitam desenvolver a consciência e a responsabilidade de que o sucesso do processo depende, principalmente de como a coleta é realizada.

Além das atividades técnico-administrativas, o enfermeiro desenvolve atividades educativas, executadas junto à sua equipe de trabalho por meio de treinamentos e discussões de casos. O enfermeiro, como líder, deve ser capaz de apreender as necessidades do seu pessoal e de buscar instrumentalizações técnica e pedagógica para desenvolver treinamentos e realizar diferentes estratégias de discussão com a sua equipe.

De acordo com Trevizan, o objetivo do trabalho do enfermeiro não se limita ao processo de assistência ao cliente. O enfermeiro desenvolve funções administrativas classificadas em: ■■■■■burocráticas – quando há o uso do conhecimento técnico sobre administração para atingir os objetivos da instituição. Baseiam-se em normas e rotinas preestabelecidas pela organização; ■■■■■não-burocráticas – assumem caráter organizacional e estão vinculadas às competências gerenciais do enfermeiro, tendo como objetivo promover condições para um trabalho de qualidade.

Esse conjunto de funções chamadas administrativas faz parte do processo de trabalho gerencial e implica o domínio de saberes e instrumentos específicos, como planejamento, supervisão, liderança, desenvolvimento de pessoal e avaliação.

O enfermeiro que atua em um centro de medicina diagnóstica tem como objetivo principal fazer com que o cliente e sua família sintam-se seguros desde o preparo para o exame até a sua realização. Essa segurança é transmitida por meio de informações claras, objetivas e precisas e de um atendimento acolhedor.

A competência técnica do enfermeiro é, sem dúvida, um requisito necessário e valorizado. A competência mais cobrada pelas instituições, no entanto, é a garantia da qualidade da coleta do material biológico e do exame de imagem diagnóstica. O enfermeiro deve ter excelência técnica na realização dos procedimentos, e essa dimensão é imprescindível, mas não suficiente, visto que as atividades gerenciais estão intimamente ligadas à gestão do cotidiano profissional.

É função do enfermeiro desenvolver a equipe de enfermagem para prestar um atendimento integral e acolhedor. Os auxiliares e técnicos de enfermagem devem estar aptos a lidar com os sentimentos e as reações do cliente. Necessitam ter sensibilidade para perceber que o cliente e seus familiares têm a preocupação com o procedimento, o resultado do exame, o diagnóstico e o possível tratamento.

Em um centro de medicina diagnóstica, o enfermeiro deve ficar muito atento às particularidades de cada exame. Por exemplo, o cliente não deve entrar na sala para realizar uma ressonância magnética usando maquiagem e/ou portando acessórios de metal. Essas orientações são extremamente importantes e devem estar bem claras à equipe multidisciplinar.

Pensar na segurança do cliente enquanto realiza os exames na instituição também é uma das funções do enfermeiro. Dessa forma, o enfermeiro deve ter em mente os riscos a que o seu cliente está vulnerável antes, durante e após a realização do exame. Por exemplo, uma criança de 2 anos que vai realizar uma punção venosa na instituição, corre o risco de cair da maca no momento do procedimento. Assim, devem-se estabelecer protocolos e rotinas para cada procedimento. No caso do exemplo, esses protocolos e rotinas seriam a realização do procedimento com dois profissionais da enfermagem e o uso de grades nas macas.

PROENFSAÚDE DO
TOSESCAD

O enfermeiro vem ganhando espaços de atuação nos centros de medicina diagnóstica por demonstrar competências no gerenciamento de recursos, materiais e humanos e na assistência aos clientes, bem como por garantir que os processos de trabalho sejam seguidos com qualidade do início ao fim. O Quadro 1 ilustra as atividades assistenciais típicas do enfermeiro nesses centros.

Quadro 1

O Quadro 2 sintetiza algumas das atividades peculiares do enfermeiro no processo de trabalho gerencial.

Quadro 2

PROENFSAÚDE DO
TOSESCAD1. O surgimento da medicina diagnóstica se deu por meio de:

ADUL A) desenvolvimento tecnológico.

B)avanço da medicina e necessidade de buscar alternativas precisas e detalhadas que permitissem o diagnóstico por meio de exames.

C)luta individual de um médico americano. D)as alternativas A e B estão corretas.

Resposta no final do capítulo

2. Qual a função desempenhada pelo exame laboratorial ou de imagem diagnóstica na área da saúde?

3. Quais são as implicações da evolução da medicina diagnóstica no trabalho desenvolvido pelo enfermeiro?

4. Indique que competências são esperadas do enfermeiro de um centro de medicina diagnóstica.

A)Liderar a equipe, ter comunicação clara, ser flexível e adaptar-se às mudanças. B)Executar ações inovadoras e ter visão ampla do negócio da empresa. C)Ser proativo e antever-se às mudanças de modo autoritário. D)As alternativas A e B estão corretas.

Resposta no final do capítulo

DIAGNÓSTICA5. O que o enfermeiro deve fazer para que a sua atuação em um centro de medicina diagnóstica seja valorizada e reconhecida?

A)Buscar conhecimentos, manifestar-se pela regulamentação e valorização da profissão e divulgar as suas experiências através de pesquisas e publicações.

B)Exigir mudanças imediatas dentro da sua instituição. C)Discutir com o presidente da instituição e exigir a contratação de mais enfermeiros. D)Nenhuma das alternativas anteriores.

6. Indique qual o cuidado inicial após o aparecimento do hematoma decorrente de uma punção venosa ocorrida com menos de 24 horas.

A)Fazer compressas de gelo no local da punção. B)Fazer compressas com água morna no local da punção. C)Imobilizar o local com uma faixa. D)Nenhuma das alternativas anteriores.

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