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PROENF | SAÚDE DO ADULTO | Porto Alegre | Ciclo 2 | Módulo 4 | 2007

4CICLO MÓDULO2

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Os autores têm realizado todos os esforços para localizar e indicar os detentores dos direitos de autor das fontes do material utilizado. No entanto, se alguma omissão ocorreu, terão a maior satisfação de na primeira oportunidade reparar as falhas ocorridas.

As ciências da saúde estão em permanente atualização. À medida que as novas pesquisas e a experiência ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências da saúde, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que lanejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.

Estimado leitor

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na web e outros), sem permissão expressa da Editora.

Os inscritos aprovados na Avaliação de Ciclo do Programa de Atualização em Enfermagem (PROENF) receberão certificado de 180h/aula, outorgado pela Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e pelo Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância (SESCAD) da Artmed/ Panamericana Editora, e créditos a serem contabilizados pela Comissão Nacional de Acreditação (CNA), para obtenção da recertificação (Certificado de Avaliação Profissional).

PROENFSAÚDE DO ADULTO SESCAD

Lolita Dopico da Silva – Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Marta Lenise do Prado – Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Medicamentos são largamente empregados no contexto hospitalar, sendo considerados atribuições da enfermagem, de qualquer unidade hospitalar, o armazenamento, o aprazamento, o preparo e a administração de fármacos. No entanto, a partir de 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem recomendando que se discutam e se avaliem medidas que aumentem a segurança do paciente. Entre elas, incluem-se medidas destinadas a melhorar a qualidade do processo da terapêutica medicamentosa. Urge rever princípios que norteiam todas as etapas de um sistema de medicação e compreender como a enfermagem pode se estruturar para garantir a segurança máxima nas intervenções farmacológicas junto ao paciente.

Os avanços científicos do último século e deste vêm determinando uma crescente complexidade do cuidado em saúde, não só pela multiplicidade de recursos disponíveis, mas, também, pelas rápidas transformações dos próprios processos terapêuticos. No cuidado de enfermagem, essas transformações se manifestam claramente, especialmente, no âmbito do cuidado intrahospitalar e, muito particularmente, no que diz respeito à terapia medicamentosa, impondo importantes desafios para a prática de enfermagem.

Os medicamentos constituem, atualmente, ferramentas poderosas para mitigar o sofrimento humano. Produzem curas, prolongam a vida e retardam o surgimento de complicações associadas às doenças, facilitando o convívio entre o indivíduo e sua enfermidade. Além disso, é possível considerar o uso apropriado e inteligente dos medicamentos como tecnologia altamente custo-efetiva, uma vez que pode influenciar, de modo substantivo, a totalidade do cuidado médico, de enfermagem e de outros profissionais.

O medicamento, como arma terapêutica, apresenta dois gumes. Por um lado, seu emprego inadequado pode provocar eventos adversos. Por outro, enquanto os países desenvolvidos investem na descoberta de novas substâncias com melhores características intrínsecas para o combate de problemas já resolvidos, os países em desenvolvimento ainda apresentam problemas de saúde que emergem das péssimas condições de vida da população, diminuindo a efetividade dos tratamentos medicamentosos já existentes.

Historicamente, os medicamentos vêm sendo utilizados com a intenção de aliviar e combater a dor, bem como curar doenças. No entanto, estudos ao longo dos últimos anos têm evidenciado a presença de fatores que diminuem a segurança no tratamento medicamentoso recebido pelos pacientes, causando prejuízos que vão desde a sua não-administração e administração equivocada, podendo, inclusive, ocorrer eventos adversos e até a morte.

Na 55° Assembléia da Organização Mundial da Saúde, ocorrida em maio de 2002, se recomendou que todos os países membros atentassem o máximo possível para o problema da segurança dos pacientes e do fortalecimento de evidências científicas necessárias para melhorar a segurança dos mesmos, além da qualidade do cuidado em saúde. Mais adiante, em maio de 2004, na 57° Assembléia da Organização Mundial da Saúde, se estabeleceu a Aliança Mundial para a segurança dos pacientes, sendo uma de suas diretrizes o desenvolvimento e a difusão de conhecimentos sobre políticas e melhores práticas na segurança do paciente.

O National Coordinating Council for Medication Error Reporting and Prevention – NCCMERP informa que 4 a 98 mil americanos morrem, anualmente, de eventos adversos na medicação e que esses eventos ocorrem em 2% a 14% dos pacientes hospitalizados.

O NCCMERP realizou um levantamento dos erros com medicamentos registrados no ano de 2003, destacado no Quadro 1.

Quadro 1 ERROS COM MEDICAMENTOS REGISTRADOS NO ANO DE 2003

Allan e Barker referem, também, que a incidência de mortes ocasionadas por eventos adversos na medicação vem crescendo, em média, 2,57% ao ano.

De acordo com Leape e colaboradores, a Associação Médica Americana estima que 2,2 milhões de pessoas contraem doenças anualmente e, dessas, 106 mil morrem devido aos eventos adversos por medicamentos, perfazendo a quarta causa de óbitos no país.

Erros

Protocolos não-obedecidos Transcrição incorreta Registros não-informatizados Letra do médico ilegível Erros de cálculo

PROENFSAÚDE DO ADULTO SESCAD

No contexto hospitalar, a equipe de enfermagem é responsável pelo armazenamento nas clínicas, por aprazamento, preparo e administração dos medicamentos e pelo monitoramento do paciente após administração da droga. Os passos que envolvem a terapia medicamentosa necessitam de total transparência e conscientização dos profissionais para que a administração do fármaco não seja apenas mais um procedimento e, sim, um processo seguro, envolvendo profissionais com conhecimento sobre os medicamentos e o pronto-acesso à correta e completa informação sobre o paciente a ser cuidado.

Espera-se que, ao final da leitura deste capítulo, o enfermeiro possa:

Segurança na terapia medicamentosa: aspectos da prática de enfermagem

Conceito de segurança na terapia medicamentosa

Sistema de medicação

Erros em medicação Segurança na dispensa de medicamentos Segurança no armazenamento Segurança no local do preparo Segurança no preparo da medicação

Soluções endovenosas

Segurança no aprazamento Segurança na administração

Bioconector Sistema fechado de infusão venosa Dosador oral

Administração de drogas concomitantes por infusão contínua Casos clínicos Conclusão

Estudos realizados ao longo dos últimos anos têm evidenciado várias situações que diminuem a segurança no manejo da medicação pelas equipes de enfermagem. As causas desses eventos podem estar relacionadas com fatores individuais, como:

Podem estar relacionados, também, com falhas sistêmicas, como:

Em relação às questões que envolvem a segurança, em cada um dos processos que compõem o sistema de medicação, um estudo brasileiro apontouos índices de ocorrências de eventos adversos:

Os aspectos que diminuem a segurança na terapia medicamentosa, sob a ótica da equipe de enfermagem, devem levar em consideração não só questões individuais relacionadas à capacitação técnico-científica da equipe, mas, também, sua vulnerabilidade frente às condições de trabalho.

Outra questão presente é a forma como a enfermagem tem conduzido situações em que o erro se encontra presente, sendo que o modo mais comum de encarar o erro consiste na busca “de um culpado”, seguido, quase sempre, de uma punição.

Um famoso estudo intitulado Human error, de Reason, demonstra que o medo de punição, além de fortalecer sentimentos de vergonha e receio de demissão, estimula o silêncio dos profissionais frente aos eventos adversos em medicação. Esses sentimentos, provavelmente, contribuem para a subnotificação dos eventos adversos, reforçando a estagnação do quadro de subnotificações.

Estudosrealizados a partir da década de 1990 quebraram paradigmas, pois se concluiu que não basta o medicamento ser seguro no seu sentido intrínseco, mas se deve, também, garantir a segurança do seu processo de uso.

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A partir dessas recomendações passou-se a estudar, entre outros aspectos, a questão da segurança na terapia medicamentosa. A Joint Commission vem contribuindo com a questão, elaborando padrões para uma prática clínica segura através dos guidelines, assim como a NCCMERP.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), através da RDC- 45/2003,apontou as boas práticas para o uso de soluções parenterais. No entanto, não faz menção às barreiras que podem ser empregadas para minimizar a possibilidade de erro de quem manipula soluções.

Nas unidades hospitalares, a segurança na terapia medicamentosa merece enfoque especial, visto que a combinação de múltiplas drogas, gravidade e instabilidade dos pacientes e, às vezes, total dependência dos mesmos em relação à equipe multidisciplinar, são fatores que predispõem o paciente a uma maior vulnerabilidade.

Classen e colaboradores verificou que a ocorrência de eventos adversos relacionados a medicamentos aumenta em duas vezes o risco de morte em pacientes hospitalizados, e a morbimortalidade relacionada ao uso de medicamentos pode ser considerada uma das principais complicações em termos de recursos consumidos, podendo ser minimizada através de correto diagnóstico e prescrição.

A publicação, em 2000, pelo National Academy of Sciences, intitulada To error is human: building a safer health system, mostra que o número de eventos adversos com medicamentos na área de saúde é significativo. O relatório apresentou números alarmantes relacionados à administração de medicamentos. Aliado a esse fato, a subnotificação dos eventos leva a crer que, possivelmente, as taxas sejam maiores, o que aumenta a magnitude do problema.

No Brasil, se inicia o debate por parte do Governo Federal e dos pesquisadores das ciências médica, farmacêutica e de enfermagem, sobre a segurança na utilização de medicamentos. Através da ANVISA, o governo brasileiro implementou o projeto Hospitais Sentinelas, com o propósito de abordar, também, a questão da segurança na utilização de medicamentos.

A estratégia de atuação dos Hospitais Sentinelas fundamenta-se em construir em todo o país uma rede de hospitais preparados para notificar reações adversas relacionadas a medicamentos e queixas técnicas de produtos ligados à saúde, tais como insumos, materiais e medicamentos, saneantes, caixas para provas laboratoriais e equipamentos médico-hospitalares em uso no Brasil.

As informações obtidas integrarão o Sistema Nacional de Vigilância Pós-Comercialização, com a finalidade de subsidiar a ANVISA nas ações de regularização desses produtos no mercado.

Transpondo a discussão da segurança no manejo da terapia medicamentosa para as unidades hospitalares, percebe-se que o modelo de trabalho dessas unidades exige da equipe de enfermagem, capacidade de raciocínio e intervenção rápida em função do perfil da clientela que ali se localiza. Porém, essa rapidez de intervenção vem associada, freqüentemente, à ausência de condições de trabalho para o preparo de medicações. Ao mesmo tempo, os pacientes, em sua grande maioria, estão sendo submetidos à complexa terapia medicamentosa em função da disfunção orgânica, e, assim, um evento adverso com medicação merece enfoque particular, visto que as conseqüências podem ser danosas aos pacientes.

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