Apostila funasa saneamento ambiental auxiliar

Apostila funasa saneamento ambiental auxiliar

Curso Técnico de Nível Médio Subseqüente em Saneamento Ambiental – CEFETRN/FUNASA

Apresentação da Disciplina

Saneamento Ambiental

Caros estudantes.

Bem vindos à disciplina de Saneamento Ambiental. Esse tema tem sido muito explorada ultimamente, pois a falta de ações e obras de saneamento ambiental causa efeitos em toda sociedade. O saneamento ambiental é um conjunto de ações que exerce um controle da prevenção de doenças e da preservação do meio ambiente e da saúde.

Este controle se constitui, dentre outros aspectos, em proporcionar o abastecimento de água de boa qualidade, a disposição e o tratamento de esgotos, o tratamento e disposição adequada dos resíduos sólidos, a drenagem de águas pluviais, o controle de roedores e artrópodes, a recreação, a educação ambiental dentre outros aspectos diversos tais como: cemitérios, monitoramento de ruídos, planejamento territorial.

As ações de saneamento básico se caracterizam como requisitos de infra-estrutura indispensáveis para alavancar o desenvolvimento econômico, social e para preservação ambiental das cidades ou de qualquer aglomerado urbano. A ausência ou inadequação dos serviços de saneamento constitui riscos à saúde pública, com todos os seus reflexos na cadeia produtiva humana, além de contribuir para a degradação do meio ambiente.

Nessa disciplina serão abordados os aspectos técnicos dos sistemas de abastecimento de água, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana, do controle sanitário de alimentos e de sistemas de drenagem que podem fazer a diferença da qualidade de vida das comunidades de atuação de cada um de vocês.

Utilize como texto básico o Manual de Saneamento distribuído pela FUNASA e o conteúdo dessa apostila, para auxiliá-lo na elaboração das atividades relativas às disciplinas de Técnicas de Saneamento Ambiental e de Projetos de Saneamento Ambiental. Essas serão trabalhadas à distância pelos seus professores tutores, que serão os mesmos do momento presencial.

Desejamos sucesso e bons estudos a todos.

EQUIPE DE ELABORAÇÃO:

Professores

André Luis calado Araújo

Francimara Costa de Souza Tavares

Régia Lúcia Lopes

Plano de Estudo

SANEAMENTO AMBIENTAL

Carga horária de dedicação:

20 horas aula.

EMENTA:

Sistema de Abastecimento e Tratamento de Água; Sistema de Esgotamento e Tratamento de Efluentes; Gerenciamento de Resíduos Sólidos; Drenagem Urbana; Controle de Artrópodes e Roedores; Higiene e Segurança de Alimentos.

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

Geral:

Conhecer as técnicas de saneamento ambiental,visando à solução de problemas básicos para a melhoria da qualidade ambiental.

Específicos:

  1. Identificar as unidades constituintes e as formas de funcionamento dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

  2. Identificar as etapas constituintes do sistema de limpeza urbana, relacionando-as com a necessidade de melhoria dos problemas causados pelos resíduos sólidos e suas interferências na qualidade ambiental;

  3. Identificar as unidades constituintes de um sistema público de drenagem urbana;

  4. Aplicar os métodos de controle sanitário dos alimentos;

  5. Utilizar tecnologias apropriadas na área de saneamento ambiental para melhoria da qualidade de vida da população.

AVALIAÇÃO DO MÓDULO

Ao final das atividades desenvolvidas durante momento presencial, haverá uma avaliação, individual, escrita, versando sobre questões abordadas sobre os conteúdos estudados.

Sumário

1. SISTEMA DE ABASTECIMENTO PÚBLICO DE ÁGUA 4

1.1. UNIDADES DO SISTEMA 5

1.2. IMPORTÂNCIA DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA 5

1.3. CONSUMO E VAZÕES MÉDIAS DE ÁGUA 5

1.4. MANANCIAIS DE ÁGUA 6

1.5. CAPTAÇÃO E TOMADA DE ÁGUA SUBTERRÂNeA 6

1.6. CAPTAÇÃO E TOMADA DE ÁGUAS SUPERFICIAIS 8

1.7. ADUÇÃO 10

1.8. ESTAÇÃO ELEVATÓRIA OU DE RECALQUE 13

1.9. RESERVAÇÃO 13

1.10. REDE DE DISTRIBUIÇAO 14

1.11. ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA 15

1.12. exercícios de revisão 21

2. SITEMAS DE COLETA DE ESGOTOS SANITÁRIOS 21

2.1. INTRODUÇÃO 21

2.2. objetivo 22

2.3. TIPOS DE SISTEMAS DE COLETA DE ESGOTOS 23

2.4. CONCEPÇÃO DOS SISTEMAS DE ESGOTOS 26

2.5. CARACTERÍSTICAS DOS ESGOTOS 27

2.6. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE TRATAMENTO 29

2.7. UNIDADES DO TRATAMENTO PRELIMINAR 31

2.8. UNIDADES DE TRATAMENTO PRIMÁRIO 34

2.9. TRATAMENTO SECUNDÁRIO DE ESGOTOS 41

2.10. lagoas de estabilização 43

2.11. Destino do lodo das ETE's 46

2.12. OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DAS ETE’S 48

2.13. Exercícios de revisão 50

3. sistemas de drenagem urbana 52

3.1. INTRODUÇÃO 52

3.2. PRINCIPAIS CONCEITOS E ELEMENTOS ASSOCIADOS À DRENAGEM URBANA 54

3.3. ESTÁGIOS DA DRENAGEM URBANA 60

3.4. SISTEMA DE CONTROLE DA DRENAGEM URBANA 60

4. GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS 62

4.1. Importância 62

4.2. Definição e Classificação 62

4.3. Características 63

4.4. Limpeza de logradouros públicos 70

4.5. Processamento e tratamento 72

4.6. Exercícios de revisão 83

5. CONTROLE SANITÁRIO DOS ALIMENTOS 84

5.1. Introdução 84

5.2. Importância sanitária e econômica 84

5.3. Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) 84

5.4. Controle da Qualidade dos Alimentos 87

5.5. Controle das Instalações e Edificações em Estabelecimentos Alimentares 93

5.6. Controle da Armazenagem e Transporte de Alimentos 96

5.7. Medidas sanitárias para a proteção de matérias-primas e produtos alimentícios: 97

5.8. Considerações Finais 99

5.9. Exercícios de revisão 99

6. Referências bibliográficas 100

1.SISTEMA DE ABASTECIMENTO PÚBLICO DE ÁGUA

Durante muito tempo a água foi considerada como um recurso infinito. Apenas há algumas décadas a humanidade despertou para a dura realidade de que, diante de maus usos, os recursos naturais estão se tornando escassos e que é preciso acabar com a falsa idéia de que os recursos hídricos, ou seja, a água, não é inesgotável. O mau uso, aliado à crescente demanda pelo recurso, vem preocupando especialistas e autoridades no assunto, pelo evidente decréscimo da disponibilidade de água limpa em todo o planeta.

De várias maneiras a água pode afetar a saúde do homem: pela ingestão direta, na preparação de alimentos; na higiene pessoal, na agricultura, na higiene do ambiente, nos processos industriais ou nas atividades de lazer. Os riscos para a saúde relacionados com a água podem ser distribuídos em duas categorias:

  • Riscos relacionados com a ingestão de água contaminada por agentes biológicos (bactérias, vírus, e parasitos), pelo contato direto, ou por meio de insetos vetores que necessitam da água em seu ciclo biológico. Cairncross e Feachem (1993) e Hespanhol (2006) classificam essas doenças em quatro categorias básicas:

a) Com suporte na água: ingestão (ex: cólera, febre tifóide);

b) Associadas a higiene pessoal: falta de água (ex: sarnas, tracoma);

c) De contato com a água: animal aquático (ex: esquistossomose);

d) Vetores desenvolvidos na água (ex: dengue, malária);

  • Riscos derivados de poluentes químicos e radioativos, geralmente efluentes de esgotos industriais, ou causados por acidentes ambientais.

Os sistemas de abastecimento de água é uma solução coletiva para o abstecimento de água de uma comunidade. Representa um conjunto de obras, equipamentos e serviços destinados ao abastecimento de água potável de uma comunidade para fins de consumo doméstico, industrial, de serviços públicos, etc.

O sistema de abastecimento de água é composto por várias unidades desde a captação até a chegada ao usuário (Figura 1.1).

Figura 1.1. Sistema de abastecimento de água com suas unidades.

Fonte: FUNASA (2004)

1.1.UNIDADES DO SISTEMA

a) Captação: Conjunto de equipamentos e instalações utilizado para a tomada de água do manancial. Deve ter condições de retirar a água em quantidade capaz de atender ao consumo;

b) Adução: Destina-se a conduzir água desde a captação até a comunidade abastecida;

c) Tratamento: Visa à eliminação de certas impurezas e/ou correção de algumas propriedades da água, que tornam inadequada para determinado fim;

d) Reservação: Tem por finalidade, amenizar tanto o excesso de água, nas horas em que a quantidade consumida é menor que a aduzida, como a água destinada a combater incêndios ou a que vai garantir o suprimento nos períodos em que a adução for interrompida ou ainda garantir o a pressão na rede de distribuição.

e) Estação Elevatória ou estação de Recalque: Utilizada quando se faz necessário transpor desníveis topográficos ou para reforçar a capacidade de adução de adutoras.

f) Rede de Distribuição: São as canalizações instaladas nas vias públicas que fazem o abastecimento diretamente para os ramais prediais.

g) Ramais Prediais: São as tubulações que interligam as tubulações de rede aos pontos de consumo (casas, edifícios, etc.).

1.2.IMPORTÂNCIA DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

  1. Aspectos Sociais e sanitários:

  • Melhoria de saúde e das condições de vida de uma comunidade;

  • Diminuição da mortalidade em geral;

  • Aumento da esperança de vida da população;

  • Diminuição de doenças relacionadas com a água;

  • Implantação de hábitos de higiene.

  1. Aspectos Econômicos:

  • Aumento de vida da produtiva dos indivíduos economicamente ativos;

  • Facilidade para instalação de indústrias;

  • Diminuição dos gastos públicos com remédios e hospitais.

1.3.CONSUMO E VAZÕES MÉDIAS DE ÁGUA

a) Consumo Médio Per-capita (q): É a relação entre a quantidade de água distribuída (volume) e a população abastecida, durante o período de tempo observado. É expresso geralmente em litros por habitante por dias (L/hab.dia). Assim:

Na elaboração de projetos para cidades ainda não providas de sistema distribuidor, utilizam-se dados recomendados de consumo médio per-capita, para calcular a quantidade de água necessária no decorrer de determinado período de tempo. Quando não há condições de realizar-se um levantamento criterioso, poderá ser feita uma suposição razoável dos diferentes destinos da água.

Consumo médio per-capita (L/hab.dia)CidadesPopulação

(hab.)

Menores6.000100 a 150

Pequenas6.000 a 30.000150 a 200

Médias30.000 a 100.000200 a 250

GrandesAcima de 100.000250 a 300

Fonte: FUNASA (2004)

b) Vazão média (Q): Para o dimensionamento das diversas unidades de um sistema público de abastecimento de água, há necessidade de se definir a seguinte vazão:

Q = vazão média (L/s)

P = população abastecida a ser considerada no período.

q = consumo médio per-capita (L/hab.dia)

h = número de horas de funcionamento do sistema ou da unidade considerada (h)

1.4.MANANCIAIS DE ÁGUA

Os mananciais naturais de água, passíveis de aproveitamento para fins de abastecimento público, podem ser classificados em dois grandes grupos:

a) Manancial Subterrâneo: É todo aquele cuja água provém do subsolo, podendo aflorar à superfície (nascentes, fontes, etc.), ou ser elevada artificialmente através de obras de captação (poços rasos profundos, galerias de infiltração). As reservas de água subterrânea provêm de dois tipos de lençol d’água ou aqüíferos (Figura 1.2).

  • Lençol freático: É aquele em a água se encontra livre, com a sua superfície sobre a ação da pressão atmosférica.

  • Lençol artesiano: É aquele em que a água encontra-se confinada por camadas impermeáveis e sujeita a uma pressão maior que a atmosfera.

b) Manancial Superficial: É constituído pelos córregos, rios, lagos, represas, açudes, barragens, etc., que têm o espelho de água na superfície terrestre.

1.5.CAPTAÇÃO E TOMADA DE ÁGUA SUBTERRÂNeA

Para o aproveitamento da água subterrânea, é importante o estudo prospectivo de avaliação das reservas existentes. Os tipos de captação são:

a) Fontes ou de água (água aflorante): Normalmente fornecem pouca vazão. As obras são basicamente constituídas de uma caixa de recepção e acumulação. Dessa caixa, a água é encaminhada à estação de tratamento, para posterior distribuição. As caixas devem ser protegidas contra enxurradas e agentes poluidores, bem como do acesso de animais.

b) Lençol Freático ou Superficial: Seu aproveitamento é feito normalmente nos fundos de vale ou nas proximidades. Esse aproveitamento pode ser feito na horizontal, através de um sistema de drenos coletores ou na vertical mediante perfuração de poços rasos. Normalmente fornecem pouca vazão. As obras de captação podem ser:

Figura 1.2. Vista em corte dos aqüíferos freático e artesiano.

Fonte: FUNASA (2004)

  • Sistema de drenos coletores: Compostos por tubos perfurados interligados, reunindo a água coletada em um só ponto. Os drenos são envolvidos externamente, com camadas de areia e pedra britada ou pedregulho, a fim de evitar a colmatação dos furos e a queda do rendimento do sistema coletor;

  • Poços rasos: Poço perfurado na vertical, com diâmetro mínimo de  1m, podendo atingir diâmetros maiores em função da capacidade de fornecimento de água do aqüífero do processo de abertura e construção. Com relação à profundidade recomenda-se que os mesmos não ultrapassem 30 m, sendo comuns profundidades em torno de 7 m, dependendo da formação geológica da camada aqüífera e da posição do lençol. Normalmente, a água do poço é bombeada até o ponto de reservação, para se proceder ao seu tratamento (se necessário) e posterior distribuição.

c) Lençol Profundo ou Artesiano: Após o lençol freático, geralmente se encontram camadas de terreno impermeável, quase sempre argilosas, que contêm entre elas camadas aqüíferas, denominadas de lençol profundo ou artesiano. Esse lençol encontra-se, normalmente, entre duas camadas impermeáveis do terreno, que o protegem contra a contaminação. A extração de água desse lençol se faz mediante a perfuração de poços tubulares, que devido à grande variedade de tipos de terreno e de formações aqüíferas, assim como a diversidade dos métodos construídos empregados, apresentam-se com características construtivas que diferem bastante em cada caso. As obras de captação podem ser:

  • Poços tubulares: São de um modo geral revestidos inteiramente com tubo de aço, a fim de evitar a entrada de água indesejável e não permitir o desenvolvimento de camadas instáveis de terreno, que foram atravessados na perfuração. O diâmetro útil é função direta da vazão de aproveitamento do poço, variando de 150 a 300 mm. No extremo do revestimento, são colocados dispositivos que permitem fácil passagem da água a ser captada, para o interior do poço. São conhecidos com filtro, telas e crivos, sendo normalmente constituídos de peças metálicas tubulares com orifícios, grelhas ou fendas.

  • Poços amazonas: São revestidos inteiramente com estruturas de concreto armado ou alvenaria de tijolo, a fim de evitar a entrada de água indesejável e não permitir o desmoronamento de camadas instáveis de terreno, que foram atravessadas na perfuração. São poços de grande diâmetro (acima de 500 mm). No extremo inferior do revestimento, são colocados tijolos cerâmicos espaçados, para permitir a fácil passagem de água a ser captada, para o interior do poço.

1.6.CAPTAÇÃO E TOMADA DE ÁGUAS SUPERFICIAIS

Para o projeto de captação de mananciais superficiais, devem ser examinados todos os dados e elementos relativos às características quantitativas dos mesmos. As captações podem ser:

a) Captação de Rios e Córregos: As obras deverão ser implantadas, de preferência em trechos retilíneos, ou quando em curva, junto a sua curvatura externa (margem côncava), onde as velocidades da água e as profundidades são maiores. Evitar os bancos de areia, que podem obstruir as entradas de água.

b) Captação de Reservatórios Artificiais (represas, açudes, barragens, lagos, lagoas, etc.): É importante levar em consideração as variações da qualidade da água em função da profundidade e as oscilações de nível. As águas represadas propiciam o aparecimento de algas, principalmente nas camadas superiores e excessivo teor de matéria orgânica em decomposição, nas camadas inferiores.

1.6.1Partes Constituídas de uma Captação e Tomada de Água Superficial

  • Barragens de acumulação, vertedores e enrocamentos: Obras executadas em rios ou córregos, a fim de elevar o nível à montante, bem como garantir a vazão requerida na época de estiagem.

  • Dispositivos de tomada de água: Impedir a entrada de materiais estranhos presentes na água tais como sólidos descartáveis, materiais flutuantes, peixes, répteis e moluscos. São usadas as grades, crivos, telas de proteção e caixas de areia ou desarenadoras.

  • Dispositivos para controlar a entrada de água: Visa regular ou vedar a entrada de água para o sistema, quando se deseja realizar serviços de manutenção. São utilizados comportas, válvulas ou registros e adufas.

  • Tubulações e órgãos acessórios: Fazem a interligação entre as unidades físicas da captação. São utilizados os canais abertos e as tubulações.

  • Poços de sucção das bombas: Recebem as tubulações e peças que compõem o trecho de sucção das bombas, bem como servem de reservatório de sucção.

  • Casa de bomba: Para alojamento dos conjuntos elevatórios e seus dispositivos de partida.

1.6.2Tipos de Captação Superficial

  • Captação flutuante: Consiste em uma plataforma flutuante onde são instalados os equipamentos e acessórios necessários ao bombeamento (Figura 1.3).

  • Tomada de Água Direta (Figura 1.4)

  • Sifão (Figura 1.5)

  • Tubulações em Barragem

  • Torre de Tomada de água (Figura 1.6)

Figura 1.3. Vista da captação flutuante em Pendências/RN.

Foto: André L C Araújo

Figura 1.4. Captação direta.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/Captac02.html

Figura 1.5. Captação por sifão.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/Captac02.html

A

B

Figura 1.6. Captação através de torre de tomada (A) e vista da torre de tomada da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves/RN (B)

Fonte A: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/Captac02.html

Foto B: André L C Araújo

1.7.ADUÇÃO

1.7.1Linhas Adutoras

Canalizações principais, destinadas a conduzir água entre as unidades do sistema público de abastecimento que antecedem a rede de distribuição.

1.7.2Sub-adutoras

Canalizações secundárias, derivadas de uma linha adutora destinadas a conduzir água até outros pontos fixos do sistema. Ambas não possuem derivações para alimentar redes de distribuições ou ramais prediais. Para o traçado das adutoras, levam-se em consideração vários fatores, entre os quais a topografia, as características do solo e as facilidades de acesso. É necessário que se efetue um estudo detalhado para a escolha definitiva do caminhamento, levando-se em consideração fatores econômicos, segurança e ampliações futuras.

1.7.3Classificação das Adutoras

  1. Quanto a Natureza da Água Transportada

  • Adutora de água bruta

  • Adutora de água tratada

  1. Quanto a Energia para a Movimentação da Água

  • Adutora por gravidade

  • Em conduto forçado

  • Em conduto livre ou aqueduto (Figura 1.7)

  • Combinação de conduto forçado x livre.

  • Adutora por recalque

  • Único recalque (Figura 1.7)

  • Múltiplos recalques

A

B

Figura 1.7. Vista do Canal do Pataxo/RN (A: adutora em conduto livre) e da Adutora Médio Oeste/RN (B: adutora por recalque).

Foto A: André L C Araújo

Fonte B: http://www.semarh.rn.gov.br/

1.7.4Materiais Utilizados em Adutoras

Devido as diferenças existentes entre os matérias e métodos de fabricação de tubos e acessórios a aplicação de um tipo deverá ser estudada anteriormente em cada caso, tendo em vista principalmente as condições de funcionamento hidráulico da adutora, a pressão interna e a durabilidade do material, face as características do solo, as cargas externas, a natureza da água transportada e o custo. Os materiais mais empregados são; PVC, ferro fundido (cimentado internamente), aço soldado, concreto armado, fibra de vidro impregnado em resinas de poliéster e polietileno (Tabela 1.1).

Nas adutoras em conduto forçado funcionando por gravidade, utilizam-se os tubos de ferro fundido, de aço, de cimento-amianto, de concreto simples ou armado e PVC. Nas adutoras de recalque devido maior ocorrências de golpes de aríete, têm sido usados os tubos de ferro fundido ou aço, em vista da maior resistência a pressão interna. Nas adutoras em conduto livre ou nos trechos em aqueduto de adutoras que combinam condutos livre e forçados, tem sido comum o emprego de canalizações a base de cimento.

1.7.5Peças Especiais e Órgãos Especiais

  1. Válvula ou Registro de Parada: Interrompem o fluxo de água. Permitem também regular a vazão, na operação de enchimento da linha de modo gradual e assim evita golpes de aríete. É aconselhável instalar em pontos elevados, onde a pressão é menor, para facilitar a manobra.

  1. Válvula ou Registro de Descarga: Promovem o esvaziamento da linha adutora. São colocadas nos pontos baixos da tubulação, em derivação a linha, para permitir a saída de água que necessário.

  1. Ventosa: Destinam-se a permitir a expulsão e admissão de ar conforme a linha esteja sendo cheia ou esvaziada. São instaladas nos pontos elevados da tubulação. Por outro lado deixam penetrar o ar na tubulação quando está sendo descarregada, sem isso, haverá o aparecimento de pressões internas negativas.

  1. Válvulas Redutoras de Pressão: São dispositivos intercalados na linha para permitir uma diminuição permanente de pressão interna na linha a partir do ponto de instalação.

  1. Válvula de Retenção: Impedem o retorno brusco de água contra o conjunto motor-bomba, na sua paralisação por falta de energia elétrica ou por outra causa qualquer. São instaladas no início das adutoras por recalque, quase sempre, no trecho de saída de cada bomba.

  1. Válvulas Aliviadoras de Pressão ou válvula Anti-golpe: São dispositivos que permitem reduzir a pressão interna das tubulações quando estas sofrem a ação de golpe de aríete. São instaladas geralmente no início das adutoras por recalque de grande diâmetro, nas quais as válvulas de retenção sofrem solicitações maiores e poderão não suportar aos esforços resultantes da sobre elevação de pressão.

Tabela 1.1. Materiais mais empregados na construção de adutoras

Material

Observações

Vantagens

Desvantagens

PVC

  • Longa durabilidade (se não exposta ao sol)

  • Mais utilizado em pequenas comunidades (se atender as condições hidráulicas e de pressão)

  • Baixo custo

  • Facilidade de assentamentos e conexões

  • Média e baixa resistência à pressão interna

  • Moderada resistência a cargas externas

  • Baixa resistência a choques

Ferro Fundido

  • Para dos os diâmetros é cimentado internamente

  • Elevada resistência a pressões internas

  • Elevada resistência a cargas externas

  • Moderadas resistências a choques

  • Longa durabilidade

  • Facilidade de assentamento e conexões

  • Aparecimento de incrustações com o envelhecimento

  • Limitação do diâmetro comercial

  • Alto custo

  • Peso elevado

Aço

  • Diâmetro de 50 a 600 mm – junta elástica e cimentado internamente

  • Diâmetros acima de 600 mm são soldados localmente

  • Elevada resistência a pressões internas

  • Para maiores diâmetros o preço se torna mais competitivo, pois as chapas são soldadas no local

  • Baixa resistência á corrosão

  • Baixa resistência a cargas externas

  • Baixa resistência a pressões internas negativas

  • Alto custo para pequenos diâmetros

  • Necessidade de maiores cuidados para tubulações aparentes (pintura anti-corrosiva)

Concreto Armado

  • Resiste a cargas externas elevadas

  • Utilizado para adutoras em canal com baixas pressões

  • Grande peso (manuseio difícil e transporte oneroso)

  • Uso limitado devido a não resistir a pressões internas

1.8.ESTAÇÃO ELEVATÓRIA OU DE RECALQUE

É a unidade do sistema de abastecimento de água que abriga os equipamentos e os órgãos acessórios destinados ao bombeamento.

1.8.1Constituição Básica

Uma estação elevatória é basicamente composta do seguinte (Azevedo Netto e Alvarez, 1988):

  1. Obras Civis: Constituídas pelo prédio de abrigo do equipamento (casa de bombas); poço de sucção e dependências complementares (escritório, oficina, vestiário, sanitários, etc.);

  1. Equipamentos Eletromecânicos: Conjunto moto bombas, equipamentos de comando e controle do funcionamento dos conjuntos elevatórios (chave de partida e proteção dos motores, amperímetro, voltímetro, horímetro), equipamentos para reparo dos conjuntos (pontes rolantes ou talhas manuais, ferramentaria);

  1. Tubulações, Peças Especiais e Órgãos acessórios: Constituídos de tubulação de sucção e recalque, juntas de dilatação, válvula de retenção, registros, manômetros, medidor de vazão medidor de nível, etc.

1.9.RESERVAÇÃO

O reservatório é a unidade do sistema de abastecimento de água destinada a armazenar a água para atender as variações de consumo, as demandas de emergência e melhorar as condições de pressão nas redes (Viana, 1997).

1.9.1Tipos de reservatórios

a) Quanto à localização no sistema:

    • Reservatórios de montante: São aqueles situados antes da rede de distribuição. Caracterizam-se pelas seguintes peculiaridades:

      • Por ela passa toda água distribuída a jusante;

      • Tem entrada por sobre o nível máximo da água e saída no nível mínimo;

      • São dimensionados para manterem a vazão e a altura manométrica do sistema de adução constante.

  • Reservatórios de jusante: São aqueles que se situam após a rede de distribuição. Também chamados de reservatórios de sobras. Caracterizam-se pelas seguintes particularidades:

      • Armazena água durante as horas de menor consumo e auxiliam o abastecimento da cidade durante as horas de maior pico;

      • Reduzem a altura física e os diâmetros iniciais de montante da rede;

      • Tem uma só tubulação servindo como entrada e saída das vazões.

b) Quanto à localização do terreno:

  • Reservatórios enterrados;

  • Reservatórios semi-enterrados;

  • Reservatórios apoiados;

  • Reservatórios elevados.

c) Quanto aos materiais Empregados na sua Construção

  • Alvenaria; Concreto armada; Concreto protendido;

  • Chapa metálica;

  • Madeira;

  • Cimento amianto;

  • Fibra de vidro.

d) Quanto a Natureza da Água Armazenada

  • Reservatório de água bruta

  • Reservatória de água tratada

1.10.REDE DE DISTRIBUIÇAO

É a unidade do sistema de abastecimento de água constituída por um conjunto de condutos assentados nas vias públicas, junto às edificações, com a função de conduzir a água para os prédios e os pontos de consumo público. Esses condutos caracterizam-se pelas numerosas derivações e uma distribuição em “rede” (Azevedo Netto e Alvarez, 1988).

1.10.1Tipos de Traçados dos Condutos

Na rede de distribuição distinguem-se dois tipos de condutos:

  1. Condutos Principais: Também chamados troncos ou mestres. São as canalizações de maior diâmetro, responsáveis pela alimentação dos condutos secundários.

  1. Condutos Secundários: São as canalizações de menor diâmetro, encarregados do abastecimento das localidades a serem atendidas pelo sistema.

1.10.2Classificação

  1. Redes ramificadas: A disposição dos condutos principais e secundários. Não constituem um anel fechado.

  1. Redes Malhadas: São redes que constituem anéis fechados.

1.10.3Ramais Prediais

São tubulações, peças e conexões que interligam as instalações prediais de água do usuário à rede de distribuição.

  1. Ramais Prediais com Medição: São aqueles dotados de hidrômetro*;

  2. Ramais Prediais sem Medição: Não dispõem de hidrômetro.

*O hidrômetro é o equipamento que mede o volume de água consumido durante um intervalo de tempo.

1.11.ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA

1.11.1Processos de tratamento e suas Unidades

O tratamento de água consiste basicamente na remoção de material suspenso, coloidal, matéria orgânica, e microrganismos. Na grande maioria dos casos são utilizadas operações unitárias físicas e químicas. Por exemplo, em uma estação de tratamento de água convencional, geralmente são utilizadas as seguintes unidades: mistura rápida e coagulação, floculação, decantação, filtração e desinfecção (Di Bernardo e Dantas, 2005) (Figura 1.8).

Dependendo, por exemplo, da qualidade da água a ser tratada, dos custos de implantação, operação e manutenção, algumas dessas unidades podem ser suprimidas assim como outras unidades podem ser necessárias (Libânio, 2005).

Figura 1.8. Esquema de um sistema de abastecimento de água com destaque para a estação de tratamento de água.

Fonte: http://www.copasa.com.br/media/tratamentoagua_img01.jpg

1.11.2Aeração ou Arejamento

Consiste no processo pelo qual a água e o ar são colocados em contato, com a finalidade de transferir substancias voláteis da água para o ar e substancias solúveis do ar para a água, de forma a obter-se o equilíbrio satisfatório entre os teores das mesmas.

a) Objetivos da Aeração:

  • Remoção de gases dissolvidos em excesso nas águas (gás carbono - CO2, gás sulfídrico – H2S, gás metano - CH4 e excesso de cloro).

  • Remoção de substancias voláteis e aromáticas;

  • Introdução de oxigênio, para oxidação de compostos férricos e manganosos;

  • Aumento dos teores de oxigênio e nitrogênio dissolvido na água.

b) Aplicação: Nos casos em que a água apresenta carência ou excessos de gases e substancias voláteis. Exemplo: águas subterrâneas (de poços); água captada em galerias de infiltração; água de partes profundas de grandes represas.

1.11.3Coagulação

A coagulação é o processo unitário que consiste na formação de coágulos, através da reação do coagulante solúvel, disperso na água.

a) Coagulantes: Os produtos mais comuns utilizados com essa finalidade são:

  • Coagulantes primários: Compostos de alumínio e de ferro (sulfato de alumínio, sulfato ferroso, sulfato férrico clorado, sulfato férrico, cloreto férrico, etc.). O coagulante mais comumente empregado é o sulfato de alumínio, pelo fato de ser facilmente obtido e de baixo custo.

  • Álcalis: Carbono de sódio - Na2CO3 (barrilha), bicarbonato de sódio - Na(CO3)2. hidróxido de cálcio-Ca(OH)2 (cal hidratada); óxido de cálcio – Cão (cal virgem).

  • Auxiliares: sílica ativada, argila preparada (bentonita); flocos pré-formadas; polímeros sintéticos ou naturais (polieletrólitos).

b) Mistura Rápida: Operação unitária que consiste em distribuir rápido e homogeneamente um coagulante ou outro reagente químico na água a ser tratada, utilizando-se energia hidráulica, mecânica ou outro meio.

  • Misturadores Mecânicos: São aqueles que utilizam energia produzida por dispositivos eletromecânicos, para produzir a dispersão dos reagentes. Contam de duas partes: O tanque de mistura e o agitador.

  • Misturadores Hidráulicos: São aqueles que utilizam a energia hidráulica para produzir a dispersão dos reagentes. A energia gasta é proveniente de salto (vertedor) ou de um ressalto hidráulico (calha parshall).

  • Difusores: Dispositivo inserido numa seção transversal do fluido de água com o objetivo de distribuir em regente de modo uniforme em diversos pontos.

1.11.4Floculação

É o processo unitário que se segue a coagulação, e que consiste no agrupamento das partículas eletricamente desestabilizadas (coágulos), de modo a forma outra maiores: chamadas flocos, suscetíveis de serem removidas por decantação, flotaçao (flutuação), e filtração.

a) Fatores que Afetam a Floculação: Natureza das partículas a serem removidas: tamanho das partículas; temperatura; concentração da solução do coagulante; alcalinidade; pH.

b) Mistura Lenta: Operação unitária destinada a promover a agitação moderada para boa constituição dos flocos e agregação de impurezas. Pode ser realizada usando-se a energia hidráulica, mecânica ou de outro tipo.

No processo de floculação o tempo de agitação é extremamente importante. É necessário manter-se a agitação durante certo período, que depende das características da água, do tipo de coagulante, e da dosagem, permanecendo constantes outros fatores como pH e a alcalinidade.

É conveniente começar a floculação com velocidade elevada, diminuindo gradativamente, até atingir uma agitação mais suave. Gradiente de velocidade muitos autos podem romper flocos previamente formados, enquanto que valores baixos levam a uma floculação incompleta, prejudicando a decantação e a filtração.

A otimização dos valores do tempo de permanência e do gradiente deve ser conseguidas através de pesquisas em ensaios de jarros-JarTest, em laboratório.

c) Tipos de Floculadores:

  • Floculadores Hidráulicos de Chicana: Utilizam à energia hidráulica disponível. São constituídos de câmaras com chicanas, nas quais a água efetua um movimento sinuoso dentro da unidade, fazendo com que mude de direção em cada extremidade. Nas câmaras o fluxo pode ser na horizontal ou na vertical.

  • Floculadores Mecânicos: Utilizam à energia fornecida por agitadores acionados por sistemas eletromecânicos. Há um agitador para cada câmara ou compartimento, sendo possível regular a agitação fornecida a água através de cada um deles, usando o gradiente de velocidade da forma que se desejar.

d) Classificação dos Floculadores:

  • Quanto à posição do lixo: Vertical e horizontal;

  • Quanto ao tipo de agitador: de paletas, de hélice e de turbina.

Obs.: Todas as combinações do tipo de eixo com o tipo de agitador, são possíveis.

1.11.5Decantação ou Sedimentação

É o processo pelo qual se verifica a deposição de matérias em suspensão, pela ação da gravidade.

a) Tipos de Decantadores

        • Em Função do escoamento da água:

  • Decantador de Escoamento Horizontal: a água entra em uma extremidade, move-se na direção longitudinal e sair pela outra extremidade.

  • Decantador de Escoamento Vertical: a água é dirigida para a parte inferior, elevando-se a seguir em movimento ascendente até a superfície do tanque.

        • De acordo com as condições de funcionamento:

  • Decantador do Tipo Clássico ou Convencional: Recebe a água floculada, nos quais se processa apenas a sedimentação, podem ter remoção mecanizada de lodo ou remoção simples.

  • Decantador com Contato de Sólidos, do Tipo Dinâmico, Compacto ou Acelerado (floco-decantador): São unidade mecanizadas que promovem simultaneamente a agitação, a floculação e a decantação.

  • Decantador com Escoamento Laminar (Tubulares ou de Placas): São tipos mais recentes e com maior eficiência. A decantação é feita com o emprego de módulos tubulares.

1.11.6Filtração

A filtração da água consiste em fazê-la atravessar camadas porosas, capazes de reter impurezas (Di Bernardo e Dantas, 2005; Libânio, 2005).

        • Materiais Utilizados no leito Filtrante:

  • Areia – Classificada pela granulometria;

  • Seixo ou pedregulho – Como camada suporte;

  • Carvão duro ou antracito;

  • Granada, e ilmenita, magnetita.

        • Fenômenos que Ocorrem no Processo da Filtração:

  • Ação Mecânica de coar;

  • Sedimentação de partículas sobre a camada filtrante;

  • Floculação de partículas que estejam em formação, pelo aumento de possibilidades de contato entre elas;

  • Formação de uma película gelatinosa sobre a camada filtrante, promovidas por microorganismos que ali se desenvolveram.

        • Fundo dos Filtros:

  • Fundo falso com bocais ou tubos distribuidores: consiste numa laje onde são instalados bocais distribuidores uniformemente espaçados;

  • Sistema de canalizações perfuradas: consiste em um sistema de drenos coletores, distribuídos no fundo do leito filtrante;

  • Blocos Leopoldi: consiste em instalar sobre toda a laje de fundo, um conjunto de blocos cerâmicos com dutos perfurados.

        • Fluxo de água no filtro:

  • Filtração de fluxo descendente – É o tipo mais comumente encontrado, onde o deslocamento da água, no interior do meio filtrante, dá-se de cima para baixo;

  • Filtração de fluxo ascendente – Funcionam no sentido inverso (de baixo para cima).

        • Lavagem dos filtros: Os filtros geralmente são lavados a contracorrente (por inversão do fluxo) com uma vazão capaz de assegurar uma expansão adequada do meio filtrante, até que os grãos não estejam continuamente em contato com cada um dos outros. Agitando lado a lado e deslocando o material aderente de sua superfície.

        • Tempo de Lavagem: O tempo gasto na lavagem gira em torno de 5 a 7 min. A operação de lavagem deve ser mantida até que a água que através do filtro se torne clara.

        • Lavagem Auxiliar:

  • Lavagem superficial com o sistema móvel (agitador palmer);

  • Lavagem superficial com o sistema de bocais fixos (Baylis);

  • Lavagem com ar e água.

a) Tipos de Filtros

        • Filtros Lentos: São utilizados nos casos em que a água bruta apresenta pouca turbidez e baixa cor, não exigindo tratamento químico anterior. A camada filtrante é constituída de areia mais fina e a velocidade com que a água atravessa a camada filtrante é relativamente baixa. A taxa de filtração é de 2 a 6 m3/ m2. dia;

        • Filtros Rápidos: Recebem água tratada quimicamente. São constituídos de sistema de autolavagem, através de inversão do fluxo normal de funcionamento. São constituídos em concreto armado, chapas metálicas e fibras especiais. Podem se:

  • Filtros Rápidos de Areia: Funcionam pela ação da gravidade. São os mais encontrados atualmente em operação nas ETA’s. A taxa de filtração é cerca de 180 m3/ m2. dia.

  • Filtro Rápido de Antracito (antrafiltros): São filtros que tem na parte superior das camadas filtrante o carvão antracito. O seu funcionamento é idêntico ao do filtro de areia. A taxa de filtração é cerca de 360 m3/ m2. dia.

        • Filtros Russos (clarificadores de contato): São filtros de fluxo ascendente. As camadas filtrantes são de grande espessura para evitar a expansão da areia, durante a filtração. A taxa de filtração é de 150 m3/ m2. dia.

        • Filtro de Pressão Simples: è essencialmente um leito filtrante, contido em uma carcaça cilíndrica hermeticamente fechada. Os cilindros podem ser colocados na horizontal e vertical. São usados em instalações relativamente pequenas e para águas nas quais a quantidade de material em suspensão é pequena. São utilizados em piscinas.

        • Filtro de Pressão de Dupla Ação: Tem as mesmas características do simples, porém a água a ser filtrada entra por baixo e por cima e é coletada após a filtração por tubos que estão no meio da camada filtrante. Nos filtros de pressão, a taxa de filtração é de cerca de 250 m3/ m2. dia.

Figura 1.9. ETA do sistema adutor Gerônimo Rosado/RN (vista dos clarificadores de contato).

Foto: André L C Araújo

1.11.7Desinfecção

É o processo em que se usa um agente químico ou não químico, na qual se tem por objetivo a eliminação de microorganismos patogênicos presentes na água, incluindo bactérias, protozoários e vírus, além de algas (Di Bernardo e Dantas, 2005; Libânio, 2005).

a) Agentes Desinfetantes

        • Agentes Químicos: cloro, bromo, iodo, ozônio, pergamanato de potássio, peróxido de hidrogênio e os íons metálicos prata e cobre. O principal utilizado nas ETA’s é o cloro, sendo então, a desinfecção comumente denominada de cloração.

        • Agentes Físicos: calor e radiação ultravioleta.

b) Características dos Agentes Desinfetantes

  • Devem destruir, em tempo razoável, os microorganismos patogênicos em quantidade em que se apresentam e nas condições das águas;

  • Não deve ser tóxico ao ser humano e animais domésticos e, nas dosagens usuais, não devem causar cheiro e gosto nas águas;

  • Devem ser disponíveis a custos razoáveis e oferecer condições seguras de transporte, armazenamento, manuseio e aplicação na água;

  • Devem ter sua concentração na água determinada de forma rápida, através de métodos simples;

  • Devem produzir residuais persistentes na água, assegurando desse modo a qualidade da mesma contra eventuais contaminações nas diferentes partes do sistema.

c) Métodos de Cloração

A cloração é comumente realizada utilizando-se cloro gasoso ou liquido ou produtos específicos que contenham cloro. Os principais compostos com a quantidade percentual de cloro disponível são:

  • Cloro (Cl2) 100%

  • Cal clorada 35 a 37%

  • Hipoclorito de cálcio (comercial) 70 a 74%

  • Hipoclorito de sódio (comercial) 10 a 20%

  • Água sanitária 2 a 4%

d) Componentes Básicos de um Sistema de Cloração:

  • Área de armazenamento do produto em cilindros ou de carretas;

  • Dispositivos de entrada e de controle da quantidade de cloro desejada;

  • Equipamento de evaporação quando se tem retirada de cloro líquido de cilindro ou de carretas;

  • Equipamento de dosagem de cloro gasoso;

  • Injetor e água para obtenção da solução de cloro;

  • Aplicação de solução de cloro na água.

1.12.exercícios de revisão

Após a conclusão do Capítulo 1 você pode responder as questões seguintes com base na realidade local de sua área de atuação:

1. Descrever o sistema de abastecimento público de água.

2. Descrever quais as operações unitárias que compõem o sistema de tratamento de água.

3. Existem fontes de poluição próximas ao manancial de água? Quais?

4. Qual a estimativa de população total abastecida e vazão do sistema?

5. Como o sistema é operado e mantido?

2.SITEMAS DE COLETA DE ESGOTOS SANITÁRIOS

2.1.INTRODUÇÃO

O que é SANEAMENTO? "Saneamento é um conjunto de medidas que visam PROMOVER, PROTEGER E PRESERVAR a saúde". São medidas de saneamento: Sistemas de Abastecimento D'água, Sistemas de Esgotos Sanitários, Coleta de Lixo, Controle da Poluição Ambiental, Controle de Vetores Biológicos (ratos, moscas, baratas, etc.), Saneamento das Habitações e Locais de Trabalho e Saneamento dos Alimentos.

O esgotamento sanitário se constitui no único meio seguro para evitar as doenças transmitidas pelos excretas humanos. Sua implantação é tão importante quanto o abastecimento d'água. A experiência mostra que em algumas comunidades onde foi implantado o abastecimento d'água e não foram coletados os esgotos, as condições sanitárias do meio pioraram agravando-se os problemas com os dejetos correndo a céu aberto. O uso inadequado do sistema de drenagem para transportar esgotos também pode gerar problemas. As tubulações dimensionadas para o escoamento das águas pluviais ao receberem durante a estiagem as pequenas vazões dos esgotos geram em seu interior um ambiente bastante propício para a proliferação de muriçocas infestando as áreas vizinhas. Um indivíduo doente abriga agentes patogênicos no seu intestino onde o ambiente é propício para a multiplicação dos mesmos. Ao serem expelidos junto com as fezes e a urina, esses organismos contaminam o meio transmitindo uma série de doenças.A seguir são listadas as principais doenças transmitidas pelos excretas, todas controláveis através da adoção de medidas de saneamento adequadas: amebíase, ancilostomose, ascarídiase, cólera, desinteria bacilar, esquistossomose, febre paratifóide, febre tifóide, salmonelose, teníase. A Figura 2.1 representa os principais vetores do transporte de transmissão das doenças. Contrapondo-se a esses vetores, o sanitarista deve criar barreiras de modo a quebrar a cadeia de transmissão de doenças (Figura 2.2).

Figura 2.10. Principais vetores do transporte de transmissão das doenças.

Figura 2.11. Barreiras Sanitárias.

O rápido desenvolvimento dos centros urbanos nas últimas décadas têm gerado um grande adensamento demográfico nas cidades. Essas concentrações criam sérios problemas com a grande quantidade de águas residuárias que precisam ser removidas. As soluções individuais inicialmente viáveis não são mais possíveis face ao limite restrito dos lotes e a verticalidade das construções. O lançamento de volumes de esgoto excedendo em muito a capacidade de auto depuração dos cursos d'água terminam por transformá-los em verdadeiros esgotos a céu aberto.

Essa realidade passa a impor como solução para o equacionamento dos esgotos a coleta, o tratamento e a disposição final levando-se em conta as especificidades locais e a capacidade de absorção dos corpos receptores.

2.2.objetivo

Com a construção do sistema de esgotos sanitários em uma comunidade, procura-se atingir os seguintesobjetivos:

  • coleta dos esgotos individual ou coletiva;

  • afastamento rápido e seguro dos esgotos, seja através de fossas ou de sistemas de redes coletoras;

  • tratamento e disposição sanitariamente adequada dos esgotos tratados.

Como benefícios tem-se:

  • Conservação dos recursos naturais tais como rios, lagos, lagoas córregos, etc.;

  • Eliminação dos aspectos estéticos e visuais desagradáveis (odores agressivos);

  • Melhoria das condições sanitárias locais de vida;

  • Eliminação de focos de poluição e contaminação;

  • Melhoria do potencial produtivo do ser humano;

  • Redução das doenças ocasionadas pela água contaminada por dejetos;

  • Diminuição dos recursos aplicados no tratamento de doenças.

2.3.TIPOS DE SISTEMAS DE COLETA DE ESGOTOS

Os principais sistemas de esgotamento sanitário estão apresentados na Figura 2.3 e detalhados a seguir (FUNASA, 2004):

Figura 2.12. Sistemas de coleta de esgoto.

2.3.1Sistemas individuais

Sistemas adotados para o atendimento unifamiliar. Consiste no lançamento dos esgotos domésticos gerados por uma unidade habitacional , geralmente em uma fossa séptica seguida de dispositivo de infiltração no solo (sumidouro, valas de infiltração, etc.).

2.3.2Sistemas coletivos

A medida que as cidades crescem, as soluções individuais tornam-se inadequadas, devido a crescente ocupação do solo, necessitando de uma solução coletiva para as maiores populações. Esses sistemas consistem em canalizações que recebem lançamento dos esgotos, transportando-os ao seu destino final, de forma sanitariamente adequada. Eles podem ser:

a) Sistema Unitário: É aquele onde a rede é construída para coletar e conduzir as águas servidas juntamente com as águas pluviais. O sistema também é conhecido como combinado. Esses sistemas apresenta os seguintes inconvenientes:

  • grandes dimensões das canalizações que ficam ociosas nas épocas de estiagens;

  • custo iniciais elevados;

  • riscos de refluxo do esgoto sanitário para o interior das residências, por ocasião de cheias;

  • ocorrência de mau cheiro proveniente das bocas de lobo;

  • as estações de tratamento não podem ser dimensionadas para tratar a vazão gerada no período de chuvas. Assim, uma parcela dos esgotos sanitários não tratados que se encontram diluídos nas águas pluviais será extravasada no corpo receptor, sem receber tratamento.

b) Sistema Separador: Sistema concebido para receber exclusivamente águas residuárias urbanas, fazendo-se o esgotamento das águas pluviais em outro sistema próprio.

Uma variante desse sistema é o Sistema Separador Parcial ou Misto que é o sistema que recebe esgotos sanitários e apenas parte das águas de chuvas (águas dos telhados das casas). Esse sistema teve a vantagem de diminuir um pouco os diâmetros dos sistemas unitários devido as contribuições serem menores, no entanto foi muito pouco utilizado, sendo praticamente inexistente atualmente no mundo. As vantagens são do sistema separador absoluto são:

  • canalizações com dimensões menores;

  • favorecimento de emprego de materiais mais simples (cerâmicas, PVC, etc.);

  • redução de custos e prazos de construção.

2.3.3PARTES CONSTRUTIVAS DE UM SISTEMA DE ESGOTOS

As principais partes de um sistema de esgotamento sanitário estão apresentadas na Figura 2.4.

Figura 2.13. Partes de um sistema convencional de esgotamento sanitário.

Fonte: Adaptado FUNASA (2004)

a) Ramal Domiciliar ou Ramal Predial Individual: Trecho compreendido entre o limite do terreno e o coletor público de esgotos (Figura 2.5);

Figura 2.14. Vista dos ramais prediais em perfil.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/ES07_02.html?submit=Continua

b) Coletor de Esgoto: Tubulação que recebe as contribuições dos ramais domiciliares. Passam em todas as ruas. Obs.: Coletor Tronco ou principal: Coletor de esgoto de maior extensão dentro de uma mesma bacia de esgotamento;

c) Caixas de Passagem ou Poços de Visita: São caixas que servem para facilitar a inspeção e limpeza das redes esgotos (Figura 2.6). São usados em:

  • mudanças de direção do coletor

  • mudança de declividade da rede

  • mudança de diâmetro dos coletores

  • reuniões de dois ou mais trechos de coletores.

A

B

Figura 2.15. Detalhe de poços de visita sem (A) e com (B) tubo de queda..

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/ES07_02.html?submit=Continua

d) Interceptores: São canalizações que normalmente correm nos fundos dos vales, margeando os cursos d’água ou canais, recebendo contribuição da rede coletora situada na mesma sub-bacia, evitando que os mesmos sejam lançados nos corpos d’água;

e) Emissários: Canalizações que recebem esgoto exclusivamente na sua extremidade montante. Pode ser por gravidade ou recalque dependendo das condições topográficas. É destinado a conduzir o efluente ao seu destino final que pode ser uma ETE ou um lançamento em corpo receptor (Figura 2.7);

Figura 2.16. Vista de um emissário por recalque (Macau-RN).

Foto: André L C Araújo

f) Estações Elevatórias: Conjunto de equipamentos destinados a transferir ao líquido esgotado, a energia potencial necessária ao seu deslocamento de um ponto de cota mais baixa para um ponto de cota mais alta;

g) Estações de Tratamento: Local onde o esgoto é acondicionado de modo a reduzir a carga orgânica e microorganismos patogênicos a níveis aceitáveis pela legislação, para o seu lançamento em corpos receptores ou para outro tipo de utilização.

2.4.CONCEPÇÃO DOS SISTEMAS DE ESGOTOS

A fase de concepção dos sistemas é uma das mais importantes. Nela se faz um estudo amplo de todas as diretrizes básicas, análise do tipo de traçado ideal, parâmetros de projetos, etc.

2.4.1Tipos de traçado

a) Rede Convencional : São também chamadas de redes malhadas. São aquelas que passam em todas as ruas (logradouros). Os coletores devem ser assentados, de preferência, do lado da rua no qual ficam os terrenos mais baixos. Quando houver outras canalizações de serviços públicos (drenagem, redes de distribuição de água, adutoras, cabos elétricos ou telefônicos ), o coletor poderá ser deslocado para posições mais convenientes. Para vias públicas com larguras muitos grandes (avenidas), é conveniente se executar dois coletores (um de cada lado).

b) Sistema Condominial: O sistema condominial de esgotos tem sido apresentado como uma alternativa a mais no elenco de opções disponíveis, ao alcance do projetista. É um tipo de traçado que utiliza o fundo dos lotes para o lançamento dos coletores secundários. O traçado se compõe de coletores independentes que recebem ligações de um único ponto da quadra. No Sistema Condominial aparece dois outros tipos de partes construtivas, que são (Figura 2.8):

  • Ramal Condominial: É a rede que é disposta no interior dos lotes em sua direção transversal, passando pelos quintais, constituindo um ramal multifamiliar onde se conectam, através de caixas de passagem, as instalações sanitárias prediais.

  • Rede Básica:É a rede necessária apenas para coletar os ramais condominiais, tocando as quadras sem precisar passar em todas as ruas.

Os fundamentos do sistema condominial são a democratização dos serviços e a universalidade do atendimento. São diretrizes do sistema condominial:

  • participação comunitária

  • mudança dos padrões

  • adequação à realidade

  • integração dos serviços

  • municipalização

Figura 2.17. Traçado condominial de rede de esgotos.

Fonte: FUNASA (2004)

2.5.CARACTERÍSTICAS DOS ESGOTOS

Os esgotos contêm aproximadamente 99,9% de água, e apenas 0,1% de sólidos. É devido a essa fração de sólidos que ocorrem os problemas de poluição nas águas, trazendo a necessidade de se tratar dos esgotos. As características dos esgotos gerados por uma comunidade é função dos usos aos quais a água foi submetida. Esses usos, e a forma com que são exercidos, variam com o clima, situação social e econômica, e hábitos da população.

2.5.1CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

  1. Teor de Matéria Sólida

A fração de sólidos dos esgotos divide-se em matéria sólida volátil que é a parcela que pode se estabilizar e a matéria sólida fixa que são os minerais inorgânicos que não se degradam. A matéria sólida também pode ser dividida em matéria sólida em suspensão que dá a turbidez característica dos esgotos e matéria sólida dissolvida. A determinação dessas várias formas de matéria sólida é importante para a classificação dos esgotos quanto a sua composição e o seu grau de estabilização. A composição básica dos sólidos é vista na figura a seguir:

Figura 2.18. Composição de sólidos nos esgotos.

Fonte: Jordão e Pessoa (1995)

b) Temperatura: A temperatura dos esgotos é geralmente mais quente que as das águas de abastecimento devido a adição de água quente nas atividades domésticas e industriais. A temperatura influencia nos processos de tratamento de natureza biológica, pois a velocidade de decomposição dos esgotos é proporcional ao aumento da temperatura.

c) Cor: A cor bem como a turbidez nos esgotos são condicionados pela idade. Um esgoto fresco é um esgoto novo. Com o passar do tempo ele fica velho entrando em decomposição passando a esgoto séptico de cor escura.

d) Odor: Os odores são devidos aos gases produzidos pela decomposição da matéria orgânica:

  • esgoto fresco tem odor de mofo

  • esgoto séptico tem odor de ovo podre

2.5.2CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS

a) Matéria Orgânica: A matéria orgânica é formada por compostos que combinam geralmente carbono, hidrogênio e oxigênio, juntamente com nitrogênio e outros gases. Os principais grupos de substâncias orgânicas nos esgotos são carboidratos, proteínas e gorduras. As formas mais utilizadas para a determinação da matéria orgânica são (von Sperling, 1996):

  • DBO5 (Demanda Bioquímica de Oxigênio): É a quantidade de oxigênio necessária para decompor a matéria orgânica por via microbiológica.

  • DQO (Demanda Química de Oxigênio): O ensaio de DQO se emprega para medir a quantidade de matéria orgânica que pode oxidar-se por via química em águas residuárias industriais e domésticas que possam conter compostos tóxicos a vida biológica. A grande vantagem da utilização da DQO é o tempo de ensaio que é menor. Enquanto o resultado de uma DBO demora cinco dias a DQO se pode determinar em cerca de 3 horas.

  • COT (Carbono Orgânico Total): É mais utilizado para pequenas concentrações de matéria orgânica .

b) pH: Determina o potencial hidrogeniônico do esgoto. É importante o seu conhecimento devido à sensibilidade dos microorganismos às suas variações. O pH do esgoto doméstico é geralmente alcalino. O pH do esgoto industrial varia de acordo com a atividade fim.

c) Alcalinidade: A alcalinidade nos esgotos é devido a presença de carbonatos, bicarbonatos e hidróxidos. A alcalinidade é importante quando se efetua um tratamento químico.

d) Nitrogênio e Fósforo: São compostos importantes para o crescimento dos microrganismos e plantas. O excesso desses nutrientes pode causar a eutrofização devido ao lançamentos de esgotos em corpos d'água.

2.5.3CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS

a) Microorganismos: Estão presentes nos esgotos bactérias, fungos, protozoários, vírus que são prejudiciais à saúde, havendo a necessidade de eliminação dos microorganismos nocivos.

b) Bactérias Coliformes

São bactérias presentes nos esgotos oriundas de poluição através de excretas humanos. A presença de organismos coliformes é interpretada como uma indicação de que organismos patógenos (organismos causadores de doenças) também podem estar presentes e sua ausência indica que a água se encontra isenta de organismos produtores de enfermidades.

2.6.CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE TRATAMENTO

2.6.1Em função do processo

a) Tratamento Físico: Utilizam apenas operações unitárias físicas. Basicamente tem a finalidade de separar substâncias em suspensão nos esgotos.

Ex. Grades, caixas de areia, filtros, leitos de secagem, etc.

b) Tratamento Químico: São realizados em unidades que utilizam produtos químicos (operações unitárias químicas). Normalmente em algumas etapas dos processos industriais quando se deseja eliminar elementos ou produtos químicos necessitando portanto da utilização desse processo. Só são utilizados quando os processos físicos ou biológicos não atuam eficientemente.

Ex. precipitadores eletrostáticos, químicos, tanques de neutralização de pH, cloradores, etc.

c) Tratamento Biológico: São os que utilizam as operações unitárias biológicas. Dependem essencialmente de ações dos microorganismos presentes. Os processos biológicos procuram reproduzir, em dispositivos racionalmente projetados, os fenômenos biológicos observados na natureza.

Ex. Oxidação biológica em lodos ativados, digestão de lodos em digestores, etc.

2.6.2Em função da eficiência

  1. Tratamento Preliminar: Remove por ação física os sólidos grosseiros, areias e uma parcela das partículas maiores em suspensão no esgoto tais como gorduras. Esse tratamento é geralmente realizados nas grades, caixas de areias e caixas de gordura (Figura 2.10). No tratamento preliminar não se reduz coliformes e a redução de DBO5 e sólidos suspensos é em torno de 5 a 10% (Jordão e Pessoa, 1995).

Figura 2.19. Fluxograma do tratamento preliminar.

b) Tratamento Primário: No tratamento primário, além do tratamento preliminar, pode-se incluir sedimentação simples (decantação primária), digestão de lodos, secagem e disposição no terreno, incineração ou afastamento dos lodos resultantes, ou ainda utilização de filtros-prensa para secagem e tratamento dos lodos (Figura 2.11).

Após passarem pelas grades e caixas de areia, o efluente preliminar pode se dirigir para decantadores ou fossas sépticas enquanto os lodos produzidos são encaminhados aos digestores ou leitos de secagem. O tratamento é dito primário porque remove cerca de 30 a 40% de bactérias patógenas, de 30 a 40% de DBO e de 60 a 70% de sólidos em suspensão através de decantação, flotação, secagem ou digestão (Jordão e Pessoa, 1995).

Figura 2.20. Fluxograma do tratamento primário.

c) Tratamento Secundário: O tratamento secundário ou convencional é o termo utilizado para descrever os métodos-padrão de tratamento de esgotos usados em climas temperados, onde predominam mecanismos biológicos. A depender da modalidade pode atuar sobre efluente primário, preliminar ou até mesmo esgoto bruto.

As ETE's com tratamento biológico diferenciam-se entre si somente pelas unidades que promovem o tratamento. O tratamento secundário reduz de 60 a 99% de bactérias e 90% de DBO (dependendo da unidade utilizada) (Jordão e Pessoa, 1995) (Figura 2.12).

d) Tratamento terciário: O tratamento terciário é utilizado, após o tratamento secundário, quando se deseja obter um alto grau de polimento do efluente (Jordão e Pessoa, 1995). Esse tratamento é mais utilizado quando se quer remover do efluente poluentes específicos (usualmente tóxicos ou compostos não biodegradáveis) ou ainda, a remoção complementar de poluentes não suficiente removidos no tratamento secundário.

Os métodos mais utilizados para o tratamento terciário são lagoas de maturação também chamada aeração prolongada, irrigação no solo, filtração através de peneiras, filtração através de meios porosos (areia e cascalho) por meio de filtração lenta ou rápida.

Nos países de clima tropical onde as temperaturas médias são elevadas, os processos de tratamento de esgotos utilizados podem ser mais simples e econômicos devido aos microorganismos se desenvolverem com mais rapidez em climas quentes. Atualmente os métodos mais utilizados são: Lagoas de estabilização, lagoas aeradas mecanicamente, digestor anaeróbio de fluxo ascendente e valos de oxidação.

Figura 2.21. Fluxograma do tratamento secundário.

2.7.UNIDADES DO TRATAMENTO PRELIMINAR

2.7.1Grades

São equipamentos simples constituídos por barras metálicas paralelas, igualmente espaçadas, que tem por objetivo a retenção de sólidos com dimensões superiores ao espaçamento entre as barras.

a) Tipos de grades

  • Quanto à limpeza

    • manual: Usadas antes de elevatórias e pequenas ETE's (Figura 2.13)

    • mecânica: Usadas antes de ETE's sofisticadas (Figura 2.14)

  • Quanto ao espaçamento: definido de acordo com o tipo de instalação

    • finas - ETE's sofisticadas (espaçamento entre 1,0 a 2,0 cm)

    • médias - ETE's simples (espaçamento entre 2,0 a 4,0 cm)

    • grosseiras - Antes de elevatórias (espaçamento > 4,0 cm)

  • Quanto a inclinação

    • limpeza manual: 30° a 45°

    • limpeza mecânica: 45° a 90°

A

B

Figura 2.22. Vistas de unidades de gradeamento de limpeza manual (A: ETE Ponta Negra/RN) e mecanizada (B: ETE Leste Oeste/CE).

Fotos A e B: André L C Araújo

2.7.2Caixas de Areia

A caixa de areia (Figura 2.14), também denominada de desarenador, é uma unidade de tratamento preliminar necessária para remover do esgoto partículas de areia com diâmetro, via de regra, igual ou superior a 0,20 mm e peso específico de 2,65 g/cm3. Essa remoção tem por finalidade evitar a abrasão nos equipamentos e nas tubulações e as obstruções nas unidades de transporte.

Alguns sintomas de perturbações podem surgir devido a erros na operação da caixa de areia. Um dos exemplos freqüentes é o excesso de matéria orgânica no canal, o que indica que a velocidade está baixa ou o tempo de remoção do material está demasiadamente longo. Quantidade excessiva de areia no efluente indica que a velocidade do fluxo está muito alta ou que o tempo retirada de areia está longo.

Figura 2.23. Vista de tratamento preliminar da ETE Ponta Negra/RN (caixa de areia).

Foto: André L C Araújo

2.8.UNIDADES DE TRATAMENTO PRIMÁRIO

2.8.1Tanques Sépticos (NBR 7229)

É um tanque que separa e transforma a matéria sólida contida nas águas de esgotos através dos fenômenos de decantação, flotação e digestão (Figura 2.15).

a) Partes Constituintes

  • Zona de Escuma: zona que fica na superfície, constituída de materiais sólidos leves e materiais graxos, que são carreados pelas bolhas de gás produzidas no processode digestão.

  • Zona de Lodo: local onde ocorre a digestão da matéria sólida orgânica dos esgotos proveniente dos sólidos sedimentáveis.

  • Dispositivos de Entrada e Saída: São peças instaladas no interior da fossa séptica, destinadas a garantir a distribuição uniforme do líquido e impedir a saída dos sólidos. São compostos por chicanas transversais ao fluxo ou por TÊES e tubos.

b) Uso de tanques sépticos

  • Área desprovida de rede pública de esgoto;

  • Para as edificações providas de suprimento de águas;

  • Serão encaminhadas às fossas sépticas todos os despejos domésticos oriundos de cozinhas, lavanderias, chuveiros, lavatórios, bacias sanitárias, bidês, banheiras e ralos;

  • Os despejos de cozinhas devem passar antes por uma caixa de gordura;

  • Não devem ser lançadas águas de chuva nas fossas.

Figura 2.24. Detalhe de um tanque séptico.

Fonte: FUNASA (2004)

c) Localização dos tanques sépticos: A localização das fossas sépticas e dos elementos destinados a disposição dos efluentes (sumidouros, valas, etc.) devem ter (Figura 2.16):

  • Afastamento mínimo de 15,0 m de poços freáticos e de corpos de água de qualquer natureza;

  • 1,50 m de construções, limites de terreno, sumidouro, valas de infiltração e ramal predial de água;

  • 3,0 m de árvores e de qualquer ponto de rede pública de água

  • Facilidade de acesso, devido a necessidade de remoção periódica do lodo.

Figura 2.25. Detalhe da localização do tanque séptico e valas de infiltração.

Fonte: FUNASA (2004)

d) Detalhes dos tanques sépticos

Figura 2.26. Detalhes de projetos de tanques sépticos de câmara única.

Figura 2.27. Detalhes de projetos de tanques sépticos de câmaras em série.

e) Disposição do efluente

  • No solo

    • Através de Sumidouros;

    • Através de valas de Infiltração

Obs.: Só poderão ser feitas quando o solo for suficientemente permeável e quando as águas subterrâneas não vierem a ser poluídas por esse efluente. As valas são utilizadas quando se dispõe de áreas de dimensões grandes.

  • Em Águas de Superfície

    • Com tratamento complementar por meio de valas de infiltração;

    • Com tratamento complementar por meio de filtro anaeróbios.

2.8.2Sumidouros

São também conhecidos como poços absorventes. Os sumidouros devem ter paredes revestidas com alvenaria de tijolos furados, ou tijolos comuns assentes em juntas livres, ou com anéis pré-moldados de concreto convenientemente furados (Figura 2.19).

Devem ter no fundo, enchimento de cascalho, pedra britada, com pelo menos 50 cm de espessura. As dimensões do sumidouro são determinadas em função da vazão do efluente da fossa e da capacidade de absorção do solo, devendo ser considerada como superfície útil de absorção o fundo e as paredes verticais até o nível de entrada do efluente da fossa”.

Procura-se evitar sumidouros com altura total superior a 5,50 m e diâmetros maiores que 3,50m. Quando houver a necessidade são feitos mais de um sumidouro procurando diminuir as suas dimensões, no entanto a distância entre eles deve ser igual a 3 vezes o diâmetro ou maior que 6 metros.

2.8.3Valas de infiltração

O efluente da fossa séptica é conduzido para uma caixa distribuidora sendo dividido igualmente por caixas de inspeção para as valas. As valas são constituídas por tubulações perfuradas com diâmetro de 100 mm, declividades de 1:300 a 1:500 e extensão máxima de 30 m. Os tubos são assentados em junta livre e terminam numa caixa de inspeção. A profundidade das valas varia de 0,70 a 1,00 m, largura de 0,50 a 1,00 m e devem guardar a distância mínima de 1,00 entre as paredes vizinhas. O dimensionamento da área necessária para infiltração é igual ao dos sumidouros, sendo a área útil de infiltração da vala.

2.8.4Dimensionamento de Fossas e Sumidouros e Valas de infiltração

  1. Tanques sépticos: As fossas devem ter a capacidade mínima para atender uma residência com 5 pessoas e atender aos volumes decorrente do tempo de detenção, do período de armazenamento do lodo digerido e ao volume correspondente ao lodo em digestão. Logo:

V= 1.000 + N (C.T + K.Lf)

Figura 2.28. Detalhe do sumidouro.

Fonte: FUNASA (2004)

Para o caso decâmaras em série:

VT = 1,3 . V

Onde:

V= volume útil (litros)

N = Número de contribuintes (hab.)

C = Contribuição de despejos (L/hab.dia) (Tab. 2.1)

T = Período de detenção (dia) (Tab. 2.2 )

K = Taxa de acumulação de lodo digerido em dias, equivalente ao tempo de acumulação de lodo fresco (Tab. 2.3)

Lf = contribuição de lodo fresco (L/hab.dia) (Tab. 2.1)

  1. Sumidouros: A área necessária para infiltração de um sumidouro é igual a razão entre a vazão e a taxa de infiltração do terreno, que é a quantidade de água infiltrada na unidade de área na unidade de tempo, ou seja:

A = NC / taxa e A = . D. h + (.D2)/4

Onde:

A = Área necessária para o sumidouro (m2)

N = População Contribuinte (hab.)

C = Contribuição per-capita (L/hab.dia)

taxa = taxa de infiltração do terreno (L/m2.dia)

D = Diâmetro do sumidouro (m)

h = Altura útil do sumidouro (m)

Obs. A capacidade do sumidouro deve ser no mínimo igual ao volume do tanque séptico.

Tabela 2.2. Contribuição diária de esgotos ( C ) e de Lodo fresco (Lf) por tipo de prédio.

*

PRÉDIO

Unidade

Contribuição de Esgotos (C) e Lodo fresco (Lf) em litros (L)

1 – Ocupantes Permanentes

  • Residência

Padrão alto

Padrão médio

Padrão baixo

  • Hotel (exceto lavanderia e cozinha)

  • Alojamento provisório

Pessoa

Pessoa

Pessoa

Pessoa

Pessoa

160

130

100

100

80

1

1

1

1

1

2- Ocupantes Temporários

  • Fábrica em geral

  • Escritório

  • Edifícios públicos ou comerciais

  • Escolas (externatos e locais de longa permanência)

  • Bares

  • Restaurantes e similares

  • Cinemas, teatros e locais de curta permanência

  • Sanitários públicos*

Pessoa

Pessoa

Pessoa

Pessoa

Pessoa

Refeição

Lugar

Bacia sanitária

70

50

50

50

6

25

2

480

0,30

0,20

0,20

0,20

0,10

0,10

0,02

4

Apenas de acesso aberto ao público (estação rodoviária, ferroviária, logradouro público, estádio esportivo, etc.

Fonte: ABNT-NBR nº 7.229/1993.

Tabela 2.3. Período de detenção dos despejos, por faixa de contribuição diária.

Contribuição diária (L)

Tempo de detenção

Dias

Horas

Até 1.500

De 1.501 a 3.000

De 3.001 a 4.500

De 4.501 a 6.000

De 6.001 a 7.500

De 7.501 a 9.000

Acima de 9.000

1,00

0,92

0,83

0,75

0,67

0,58

0,50

24

22

20

18

16

14

12

Fonte: ABNT-NBR nº.229/1993.

Tabela 2.4. Taxa de acumulação de lodo (K), em dias por intervalo entre limpezas e temperatura do mês mais frio.

F

Intervalo entre limpezas (anos)

Valores de K por faixa de temperatura ambiente

T  10oC

10oC  T  20oC

T  20oC

1

94

65

57

2

134

105

97

3

174

145

137

4

214

185

177

5

254

225

217

onte: ABNT-NBR nº 7.229/1993.

Tabela 2.5. Profundidade útil mínima e máxima,por faixa de volume útil

Volume útil

(m3)

Profundidade útil

Mínima (m)

Profundidade útil máxima (m)

Até 6,0

De 6,0 a 10,0

Mais que 10,0

1,20

1,50

1,80

2,20

2,50

2,80

Fonte: ABNT-NBR nº 7.229/1993.

2.8.5Decantadores

São unidades de tratamento primário que recebem esgotos provenientes de grades e caixa de areias, onde a velocidade do fluxo é diminuída para que ocorra a deposição de partículas com diâmetro menor que as retidas na caixa de areia, geralmente material orgânico e inorgânico (Figura 2.20). Para que isso ocorra a velocidade nele deve se situar abaixo de 1,0 cm/s.

Os decantadores também são utilizados após unidades de tratamento secundário com o objetivo de separação das fases líquido-sólido (efluente-lodo)

Figura 2.29. Vista do decantator secundário da ETE do Campus Universitário - UFRN.

Foto: André L C Araújo

2.9.TRATAMENTO SECUNDÁRIO DE ESGOTOS

Em uma estação de tratamento de esgotos ocorrem os fenômenos básicos de autodepuração com a introdução de tecnologia que tem por finalidade fazer com que a depuração se desenvolva em condições controladas (controle da eficiência) e em taxas mais elevadas (solução mais compacta). Os processos mais utilizados são valos de oxidação, lodos ativados, filtros biológicos e reatores anaeróbios. Como o tempo de detenção é baixo, é necessário um pós-tratamento para sua reutilização ou lançamento em corpos receptores.

2.9.1Valos de Oxidação

São unidades de tratamento onde os fenômenos de autodepuração são causados pelo contato íntimo entre o esgoto bruto, oxigênio dissolvido e a massa biológica mantida em suspensão. É um tratamento utilizado para esgotos de pequenas localidades e que não disponham de grandes áreas para tratamento. Trata-se de um canal (valo) de pouca profundidade, onde um sistema de aeradores mecânicos aera o líquido e o mantém em circulação contínua (Figura 2.21). É um sistema de aeração extremamente simples, constando de um eixo horizontal, onde é acoplada uma escova. Os valos apresentam uma alta taxa de remoção de matéria orgânica (aproximadamente 90%) com tempos de detenção hidráulica da ordem de um dia.

Figura 2.30. Vista de um valo de oxidação (ETE do Campus Universitário – UFRN).

Foto: André L C Araújo

2.9.2Lodos Ativados

O sistema de lodos ativados (Figuras 2.22 e 2.23) é amplamente utilizado, a nível mundial, para o tratamento de despejos domésticos e industriais, em situações em que é necessária uma elevada qualidade do efluente e reduzidos requisitos de área, incluindo elevados índices de mecanização superior aos outros sistemas de tratamento, implicando numa operação mais sofisticada e em maiores consumos de energia elétrica.

No reator ocorrem reações bioquímicas de remoção da matéria orgânica. No decantador secundário ocorre a sedimentação dos sólidos. A recirculação do lodo do decantador para o reator aumenta a concentração da biomassa sendo responsável pela elevada eficiência do sistema. O sistema de lodos ativados convencional tem como parte integrante o tratamento primário através de um decantador antes do tanque de aeração. Nos lodos ativados de aeração prolongada não se tem esse decantador.

Figura 2.31. Fluxograma de um sistema de lodos ativados.

Figura 2.32. Vista geral de uma ETE tipo lodos ativados.

Fonte: http://web.deu.edu.tr/atiksu/ana52/acti.html

2.9.3Filtros biológicos

Os filtros biológicos são unidades de tratamento composto por um meio de suporte para o crescimento bacteriano (Figura 2.24) que na grande maioria é constituído de pedras, britas ou outro material (existem experiências com tubos plásticos, bambu, rejeitos de siderúrgicas, etc.). Podem ser aeróbios ou anaeróbios. Os filtros anaeróbios são geralmente cobertos para evitar maus odores.

A

B

Figura 2.33. Distribuição de esgoto num filtro biológico (A) e detalhe do enchimento (B).

Fonte: http://web.deu.edu.tr/atiksu/ana52/ani4045.html

2.9.4Reatores Anaeróbios

É um sistema compacto que ocupa pequenas áreas com baixo custo de implantação e operação, baixa produção de lodo, baixo consumo de energia, remoção de DBO na ordem de 65 a 75%, funcionando bem em climas quentes. Tanques sépticos, filtros anaeróbios também são considerados reatores anaeróbios. As desvantagens dos reatores são possibilidade de emanação de maus odores, baixa capacidade de tolerar cargas tóxicas, necessidade de etapa de pós tratamento.

2.10.l

1.1.1A

agoas de estabilização

São grandes tanques de pequena profundidade, escavados na terra ou construídos de concreto, nos quais o esgoto sanitário flui continuamente e é tratado unicamente por processos naturais (Araújo, 1993).

2.10.1Classificação das lagoas

Anaeróbias: São lagoas profundas (de 2,0 a 4,5 metros de profundidade) que recebem carga de matéria orgânica (100 a 400 g DBO/m3.dia). Não têm oxigênio dissolvido. O efluente é escuro e normalmente requerem tratamento posterior (complementar). As lagoas anaeróbias removem matéria orgânica e patogênicos e têm nível de tratamento de primário a secundário.

Aeróbias: Lagoas rasas (cerca de 0,5 metros de profundidade) com algas e oxigênio dissolvido em toda a superfície. Removem matéria orgânica e patogênicos e têm nível de tratamento secundário.

Facultativas: Lagoas com profundidade de 1,5 a 2,0 metros que possuem duas regiões: uma aeróbia superior e uma anaeróbia inferior (uma camada de lodo permanece no fundo). Recebem carga de cerca de 250 kg DBO/ha.dia). Removem matéria orgânica e patogênicos e têm nível de tratamento secundário.

Maturação: Lagoas com cerca de 1,0 metro de profundidade usadas após sistemas secundários de tratamento com o objetivo de melhorar o efluente. Têm a principal finalidade de reduzir coliformes fecais contidos nos despejos de esgotos. São construídas sempre depois do tratamento completo em uma lagoa facultativa. O nível de tratamento de uma a lagoa de maturação é terciário.

Aeradas: São aquelas onde o oxigênio a ser utilizado no processo biológico é introduzido mecanicamente, não sendo fornecido por algas.

2.10.2Vantagens e desvantagens

Entre as principais vantagens destacam-se:

  • É uma forma de tratamento eficiente;

  • Reduz matéria orgânica semelhante às estações sofisticadas e remove mais patogênicos;

  • Se houver área disponível, o custo de implantação é mais barato que os processos convencionais;

  • Não exige outra forma de energia a não ser a luz solar;

  • Funciona bem em climas quentes;

  • Não produz lodo a ser disposto;

  • Não requer pessoal especializado para a operação, apresentando baixíssimos custos de manutenção;

  • Pode-se utilizar e efluente das lagoas para irrigação de algumas culturas com aproveitamento de nutrientes.

Como desvantagens das lagoas:

  • Se o preço do terreno for muito elevado;

  • Se a topografia for muito acidentada, necessitando de grande movimento de terra;

  • Em terreno muito permeável, com excessiva infiltração;

  • Em terreno muito rochoso, que exija equipamentos mecânicos para movimentação (dinamites);

  • Em regiões muito frias onde haja congelamento de lagoas no inverno.

A

B

Figura 2.34. Vistas de sistemas de lagoas de estabilização (A: lagoa facultativa secundária da ETE Ceará-Mirim/RN; B: ETE Ponta Negra – Natal/RN).

Foto A: André L C Araújo

Foto B: Ronaldo Diniz

2.10.3Dimensionamento básico

Sempre deve ser dimensionada uma série de lagoas ao invés de uma única lagoa com a mesma área haja vista que a série apresenta uma maior eficiência no tratamento. Ou seja, para se obter a mesma eficiência a série necessita de uma área menor que uma única lagoa.

As séries de lagoas são geralmente constituídas por uma lagoa anaeróbia, seguida de uma lagoa facultativa secundária e uma ou mais lagoas de maturação. Também são utilizadas séries sem a lagoa anaeróbia e, nesse caso adota-se uma lagoa facultativa primária seguida de uma ou mais lagoas de maturação.

a) Lagoas anaeróbias

São projetadas com base na carga volumétrica de DBO (g/m3.dia). Aconselha-se uma carga variando entre 100 a 400 g/m3.dia:

Onde:

La = DBO afluente (mg/l)

Q = vazão (m3/dia)

V = volume da lagoa (m3)

b) Lagoas facultativas

Existem diversos modelos matemáticos para o seu dimensionamento. O Procedimento de McGarry e Pescod é baseado na análise de dados operacionais de 143 lagoas facultativas primárias ao redor do mundo:

smáx = 60,3 (1,099)T

Onde:

s – carga orgânica superficial (kg DBO/ha.dia)

T – temperatura média de operação

Mara (1976) sugeriu o uso de um fator de segurança de projeto de 1,5 e a seguinte relação linear:

smáx = 20T - 120

Para lagoas facultativas secundárias também é aplicável o critério de McGarry e Pescod com a introdução de uma correção:

smáx = 0,7 (20T - 60)

  1. Lagoas de maturação

Baseia-se na remoção de microorganismos fecais de acordo com a seguinte expressão:

Ne = Ni / (1+Kb.t) para uma LAGOA

Ne = Ni / {(1+Kb.t1)(1+Kb.t2)(1+Kb.tn) para n LAGOAS

Kb (T) = 2,6 (1,19)T-20

Onde:

Ne - número de microorganismos no efluente;

Ni - número de microorganismos no afluente;

Kb - taxa de remoção de microorganismos;

t - tempo de detenção hidráulica;

T - temperatura

2.11.Destino do lodo das ETE's

O lodo removido de decantadores ou adensadores deverá desaguar em sistemas de desidratação, antes de sua disposição final. Na Figura 2.26 são destacados algumas formas de desaguamentos mais utilizados tanto para lodos provenientes de estações de resíduos domésticos e industriais.

2.11.1Leitos de secagem

São unidades de tratamento, geralmente de forma retangular projetados e construídos com a finalidade de receber os lodos dos decantadores e digestores, provendo a redução da umidade através da infiltração e evaporação (Figura 2.27). Partes Constituintes:

Paredes : alvenaria, concreto ou terra

Cobertura: Ao ar livre ou telha transparente

Camada drenante: camada suporte (tijolos)

meio filtrante (pedras)

sistema de drenagem

Figura 2.35. Esquemas de possíveis destinos de lodos em ETE’s.

Figura 2.36. Leitos de secagem de lodos (UFRN).

Foto: André L C Araújo

2.11.2Filtro Prensa

São unidades mecanizadas que promovem a desidratação do lodo. Só São utilizados em ETE's onde não haja área disponível e a quantidade de lodo produzida for muito grande. Pode ser de esteiras ou de placas. Os filtros prensa em esteira funcionam continuamente enquanto que os de placa funcionam em batelada. Geralmente o lodo desidratado segue para um aterro sanitário.

2.11.3Lagoas de lodo

São tanques destinados a receber lodo para posterior desidratação. De baixo custo são mais econômicos que os leitos de secagem porém requer maiores áreas. O sobrenadante é recolhido a jusante da lagoa e pode retornar a entrada da estação ou ser lançado em um corpo receptor desde que atenda os padrões estabelecidos. Essas lagoas são dimensionadas para operar de um a dois anos e quando enchem é necessário a remoção do lodo. A profundidade varia de 3 a 5 metros e os maiores inconvenientes são a exalação de maus odores e a proliferação de mosquitos, inviabilizando sua adoção próximo de aglomerados urbanos.

2.11.4Fazendas de lodo (landfarming)

Consiste em dispor o lodo ou torta de lodo no solo para degradação biológica na camada superior. Na realidade o lodo é incorporado ao solo em pequenas camadas juntamente com microorganismos para ser degradado. Um rígido monitoramento para evitar a contaminação das águas de superfície e subterrâneas deve ser seguido.

2.12.OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DAS ETE’S

As áreas de tratamento devem ser bem limpas, cercadas e periodicamente inspecionadas por pessoal qualificado. Dependendo do tipo de processo utilizado são determinadas os procedimentos operacionais ligados a cada unidade. Quando se tem unidades de aeração mecânica, a operação e manutenção são mais complicadas devido a possível quebra dos equipamentos e o encarecimento para concerto ou nova aquisição.

São atividades diária do operador de ETE's, medir as características afluente e efluente tais como: temperaturas, pH, anotar problemas de mau cheiro (odor) e procurar solucionar. As outras características mais específicas como DBO, DQO, sólidos e outros são geralmente medidos uma ou duas vezes por semana. Existem outras atividades rotineiras dos operadores de ETE's que são específicas a cada tipo de estação de tratamento.

2.12.1Controle e eficiências

As eficiências nas estações de tratamento são determinadas pela eficiência na remoção de matéria orgânica calculada sob a forma de DBO ou DQO. As eficiências são medidas separadamente em cada unidade e na estação de tratamento como um todo pela seguinte equação:

Onde:

E = eficiência (%)

DBOaf = DBO afluente (mg/l)

DBOef = DBO efluente (mg/l)

2.12.2Estimativas de cargas poluidoras

A quantificação de cargas poluidoras é de fundamental importância para estimar se um determinado corpo receptor de efluentes tem capacidade de suportar tal lançamento. As cargas poluidoras podem ser predominantemente domésticas, industriais, ou uma combinação das duas. Estimando a carga poluidora e a capacidade de assimilação do corpo receptor é possível determinar a eficiência mínima que a estação de tratamento de esgotos deverá ter para que o corpo aquático não seja seriamente impactado.

As cargas poluidoras podem ser estimadas com base em cargas per-capitas (esgoto doméstico) ou cargas referentes ao processo produtivo (esgoto industrial). A seguir são apresentadas as equações comumente utilizadas para tais estimativas:

Esgoto doméstico:

Esgoto industrial:

Equivalente populacional:

O equivalente populacional é utilizado para determinar a população equivalente de uma determinada carga industrial. Ou seja, que população produziria a mesma carga poluidora que uma determinada industria. Pode ser expresso pela expressão a seguir:

Onde:

Ca (kg/dia): Carga poluidora (DBO, DQO, N, P, etc)

Co: Concentração (DBO, DQO, N, P, etc)

Q: Vazão do esgoto

Pop: População

Cp: Contribuição per-capita (por habitante)

Pd: Produção da indústria (unidade/dia)

Cpu: Contribuição per-capita (por unidade)

2.13.Exercícios de revisão

Após a conclusão do Capítulo 2 você pode responder as questões seguintes com base na realidade local de sua área de atuação:

1. Descreva o sistema de esgotamento sanitário da sua cidade.

2. Como é tratado o esgoto do seu município?

3. Qual a forma de disposição final de esgotos na sua cidade?

4. Qual o sistema de tratamento de esgotos mais adequado a sua realidade local? Porque?

5. Para as questões a seguir vamos treinar nossa habilidade com os cálculos. Resolva:

    1. Um esgoto industrial com concentração de 1200 mg/l de cloreto de sódio e vazão de 2000 l/min é lançado em um pequeno rio. Se o rio tem uma concentração de cloreto de sódio de 20 mg/l e vazão de 2 m3/s, qual a concentração de cloreto de sódio após a mistura? Considere condições de mistura completa do esgoto com o rio, que o sal é uma substância conservativa e que o sistema funciona em condições constantes (não há acúmulo de matéria no sistema).

    1. Considere que um parque industrial qualquer produz um volume de 24.400 m3 de esgotos por cada dia de operação. Se a carga diária de DBO e sólidos suspensos desse esgoto é 21.600 kg e 13.400 kg, respectivamente, determine as concentrações de DBO e sólidos suspensos nesse esgoto.

    1. Os esgoto domésticos de uma determinada cidade tem uma contribuição per-capita média de 250 l/hab.dia, com DBO de 200 mg/l e sólidos suspensos de 240 mg/l. Estimar a contribuição per-capita em termos de DBO e sólidos.

    1. Uma indústria de latcíneos processa em média 113 toneladas de leite diariamente, produzindo uma quantidade de efluente de 246 m3 com uma DBO de 1.400 mg/l. Determine a vazão de esgotos e a DBO gerada por cada 1.000 kg de leite processado, a população equivalente da descarga industrial e a população hidráulica equivalente admitindo uma podução per-capita de esgoto de 200 l/hab.dia e uma contribuição per-capita de DBO de 45 g/hab.dia.

    1. Um matadouro sacrifica cerca de 500 toneladas de bovidos por dia. O resíduo líquido do abate é conduzido para a rede coletora de esgotos com uma vazão de 4.500 m3/dia e DBO de 1.300 mg/l. Determine a DBO do efluente por cada 1.000 kg de bovinos abatidos, a população equivalente e a população hidráulica equivalente admitindo uma podução per-capita de esgoto de 200 l/hab.dia e uma contribuição per-capita de DBO de 54 g/hab.dia.

    1. Os esgotos de 3 indústrias (ver tabela abaixo) são misturados e conduzidos para uma única estação de tratamento. Quais as concentrações médias de DBO, DQO e sólidos suspensos afluente a ETE? Qual a população equivalente e hidráulica equivalente considerando uma podução per-capita de esgoto de 200 l/hab.dia e uma contribuição per-capita de DBO de 45 g/hab.dia?

Indústria

Vazão

(m3/dia)

DBO

(kg/dia)

DQO

(kg/dia)

SS

(kg/dia)

Comidas

79

21

33

5

Bebidas

61

29

69

29

Engarrafamen-to de leite

48

11

20

6

    1. As variações de DBO e vazão de um esgoto em função do tempo são apresentadas na tabela abaixo. Determine a concentração média de DBO desse esgoto.

Tempo (h)

DBO

(mg/l)

Vazão

(m3/s)

Tempo (h)

DBO

(mg/l)

Vazão

(m3/s)

0

70

0,40

12

220

0,95

2

70

0,40

14

208

0,58

4

85

0,55

16

160

0,52

6

105

1,20

18

115

0,56

8

178

1,40

20

135

0,70

10

220

1,42

22

135

0,51

    1. Uma estação de tratamento de esgotos sanitários é composta por duas séries de lagoas de estabilização cuja as características são apresentadas na tabela abaixo. Com base nessas características, responda:

h1) O tempo de detenção total em cada série de lagoas.

h2) A concentração de DBO no efluente final de cada série.

h3) A eficiência total de cada estação de tratamento.

H4) A carga orgânica volumétrica total (g/m3.dia) da lagoa anaeróbia e a carga orgânica superficial total (kg/ha.dia) da lagoa facultativa primária

Serie 1 (Vazão = 5000 m3/d;

DBO = 350 mg/l)

Série 2 (Vazão = 3000 m3/d;

DBO = 350 mg/l)

Tipo de

lagoa

Volume

(m3)

Eficiência

(%)

Volume

(m3)

Eficiência

(%)

Anaeróbia

10.000

60

-

-

Facultativa

40.000

40

36.000

70

Maturação 1

15.000

20

9.000

15

Maturação 2

15.000

20

9.000

15

Maturação 3

15.000

15

9.000

15

    1. Considerando que os efluentes das duas série do exercício anterior serão lançados em um ponto comum no rio que apresenta uma vazão mínima no período de estiagem de 1 m3/s e DBO de 3mg/l, determine a concentração de DBO no rio após a mistura com o efluente combinado das ETE´s.

j) Uma cidade com população de 25.000 habitantes tem contribuição per-capita DBO e vazão de esgotos de 50 g/hab.dia e 100 l/hab.dia, respectivamente. Considere que toda a cidade será saneada através de coleta e tratamento de esgotos, e que o efluente será lançado em um rio que pela legislação vigente está enquadrado como um rio de classe 2 (DBO  5 mg/l e coliformes fecais  1000 CF/100 ml) que apresenta vazão = 1,40 m3/s, DBO = 2 mg/l e 250 coliformes fecais por 100 ml. Sabendo que a concentração média de coliformes fecais no esgoto bruto é de aproximadamente 1,01 x 108 CF/100 ml, determine qual a eficiência mínima que a ETE deve apresentar na remoção de DBO e coliformes para que o rio continue enquadrado como classe 2.

3.sistemas de drenagem urbana

3.1.INTRODUÇÃO

O crescimento desordenado dos centros urbanos no Brasil, observado nas últimas 4 décadas resultou em uma ocupação desordenada do solo e consequentemente sérios problemas relacionados à falta de infra-estrutura de saneamento básico.

A Tabela 1 a seguir apresenta dados relacionados ao crescimento urbano de algumas das principais cidades brasileiras e das suas periferias.

Tabela 3.6. Dados de crescimento urbano no Brasil.

CidadePopulação em 1996 (milhões)Aumento do núcleo entre 91 e 96 (%)

Aumento da periferia entre 91 e 96 (%)

São Paulo16,6672

16,3

Rio de Janeiro10,5321,3

7,1

Belo Horizonte3,8293,5

20,9

Porto Alegre3,2922,0

9,4

Recife3,2583,7

7,4

Salvador2,7766,6

18,1

Fortaleza2,63911,1

14,7

Curitiba2,34912,3

28,2

Belém1,629-8,1

157,9

Fonte: IBGE

Percebe-se que o “inchaço” da periferia foi acelerado quando comparado ao próprio crescimento do núcleo urbano. Este fato se explica pela falta de uma política pública voltada ao enfrentamento das questões habitacionais e de infra-estrutura. Priorizando-se o investimento na saúde curativa em detrimento de medidas associadas ao saneamento básico e ambiental.

Avaliando o conceito de saneamento básico, entende-se o mesmo como sendo o conjunto de barreiras que o homem desenvolveu de modo a evitar o contato com agentes físicos, químicos e biológicos que pudessem trazer riscos à saúde humana.

Pode-se destacar entre os principais itens do saneamento básico os seguintes:

  • Abastecimento de água;

  • Coleta e tratamento dos resíduos sólidos;

  • Coleta e tratamento dos efluentes líquidos;

  • Drenagem das águas pluviais.

Todas essas ferramentas estão interligadas e hoje, quando se pretende resolver questões ligadas ao saneamento básico, todas devem ser consideradas em conjunto.

A drenagem urbana sofre interferência direta de uma má coleta dos resíduos sólidos, mais adiante serão vistas situações de inundações e enchentes ocasionadas pela obstrução dos elementos de drenagem, devido à grande quantidade de lixo lançada em vias públicas. Outro problema fundamental nas grandes cidades é aquele originado pelas ligações clandestinas de efluentes domésticos na rede de drenagem.

Figura 3.37. Lagoa de captação de águas pluviais recebendo lixo e esgotos.

3.1.1Drenagem Urbana e Rede de Esgotamento Sanitário

No Brasil, devido às condições climáticas e pluviométricas adotou-se que as águas de chuva deveriam ser coletadas em redes diferentes daquelas que coletam e transportam os efluentes líquidos domésticos. Este método é denominado Sistema Separador Absoluto, pois separa integralmente as águas de chuva dos esgotos domésticos.

Figura 3.38. Boca de lobo recebendo esgotos e lixo domésticos.

Apesar de não ser permitido, um dos fatos mais comuns nos municípios brasileiros é o lançamento de águas servidas na via pública e que naturalmente chegam aos sistemas de drenagem. Este problema, que se torna ainda mais grave devido aos baixos índices de locai que contam com a coleta e o tratamento dos efluentes domésticos, talvez seja um dos principais problemas a serem enfrentados pela engenharia sanitária nacional, pois trata-se de uma prática que traz riscos à saúde pública como também favorece à poluição e contaminação dos ambientes aquáticos, principalmente aqueles situados nos centros urbanos.

3.2.PRINCIPAIS CONCEITOS E ELEMENTOS ASSOCIADOS À DRENAGEM URBANA

3.2.1Ciclo da água

De forma didática, pode-se considerar que a água circula entre os ambientes do planeta terra em um ciclo denominado ciclo da água. Pode-se considerar que o período para se concluir um ciclo é de aproximadamente 2.000 anos.

A Figura 3.3 a seguir apresenta os principais componentes do ciclo hidrológico.

Figura 3.39. Esquema do ciclo hidrológico e suas principais etapas.

P – precipitação;

Tr – Transpiração (animais e vegetais);

Ev – Evaporação;

Es – Escoamento superficial;

I – Infiltração;

Ess – Escoamento sub-superficial;

Esb – Escoamento subterrâneo;

3.2.2Efeitos da Urbanização sobre o Ciclo Hidrológico

O acelerado crescimento das cidades traz junto altas taxas de impermeabilização. Com isso, áreas que serviam para a infiltração das chuvas passam a contribuir para um aumento do volume escoado. Assim, para coletar e transportar este volume adicional de águas pluviais, deve-se instalar os elementos de drenagem urbana, conforme visto mais à frente.

A Figura 3.4 a seguir apresenta a influência da urbanização sobre as etapas do ciclo hidrológico.

3.2.3Inundações naturais e Inundações devido à urbanização

A resolução dos problemas de drenagem deve considerar a diferença entre os tipos de inundação natural e aquela causada pelo processo de urbanização.

As Inundações naturais são resultados da flutuação dos rios e lagoas durante os períodos secos e chuvosos. Os problemas ocorrem devido a ocupação das áreas de riscos pela população. Nesta situação as comunidades invadem as áreas inundáveis, geralmente após longos períodos de estiagem.

As Inundações devido a urbanização (drenagem urbana): escoamento em áreas urbanizadas, geralmente pequenas bacias. A urbanização amplia as vazões devido a canalização e a impermeabilização do solo.

Figura 3.40. Impacto devido a urbanização.

Fonte: SCHUELER, 1987, apud CIDADES, 2007

3.2.4Elementos de um sistema de drenagem urbana

Os sistemas de drenagem são classificados de acordo com suas dimensões, em sistemas de microdrenagem, também denominados de sistemas iniciais de drenagem e de macrodrenagem.

A microdrenagem inclui a coleta e afastamento das águas superficiais ou subterrâneas através de pequenas e médias galerias, fazendo ainda parte do sistema todos os componentes do projeto.

A macrodrenagem inclui, além da microdrenagem, as galerias de grande porte (Diâmetros > 1,5m) e os corpos receptores tais como canais e rios canalizados.

Um sistema de drenagem de águas pluviais é composto de uma série de unidades e dispositivos hidráulicos para os quais existe uma terminologia própria e cujos elementos mais freqüentes são conceituados a seguir.

Greide - é uma linha do perfil correspondente ao eixo longitudinal da superfície livre da via pública.

Guia - também conhecida como meio-fio, é a faixa longitudinal de separação do passeio com o leito viário, constituindo-se geralmente de peças de granito argamassadas.

Sarjeta - é o canal longitudinal, em geral triangular, situado entre a guia e a pista de rolamento, destinado a coletar e conduzir as águas de escoamento superficial até os pontos de coleta (Figura 3.6).

Sarjetões - canal de seção triangular situado nos pontos baixos ou nos encontros dos leitos viários das vias públicas, destinados a conectar sarjetas ou encaminhar efluentes destas para os pontos de coleta (Figura 3.7).

Bocas coletoras - também denominadas de bocas de lobo, são estruturas hidráulicas para captação das águas superficiais transportadas pelas sarjetas e sarjetões; em geral situam-se sob o passeio ou sob a sarjeta (Figura 3.8).

Figura 3.41. Modelo de sargeta.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento<acessado em 25/05/2007>

Figura 3.42. Sarjetão típico em paralelepípedos.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento<acessado em 25/05/2007>

Figura 3.43. Boca coletora sob passeio.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento<acessado em 25/05/2007>

G alerias - são condutos destinados ao transporte das águas captadas nas bocas coletoras até os pontos de lançamento; tecnicamente denominada de galerias tendo em vista serem construídas com diâmetro mínimo de 400mm.

Condutos de ligação - também denominados de tubulações de ligação, são destinados ao transporte da água coletada nas bocas coletoras até às galerias pluviais.

Poços de visita - são câmaras visitáveis situadas em pontos previamente determinados, destinadas a permitir a inspeção e limpeza dos condutos subterrâneos (Figura 3.9).

Trecho de galeria - é a parte da galeria situada entre dois poços de visita consecutivos.

Figura 3.44. Poço de visita típico

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento<acessado em 25/05/2007>

Caixas de ligação - também denominadas de caixas mortas, são caixas de alvenaria subterrâneas não visitáveis, com finalidade de reunir condutos de ligação ou estes à galeria..

Bacias de drenagem - é a área contribuinte para a seção em estudo (Figura 3.10).

Tempo de concentração - é o menor tempo necessário para que toda a bacia de drenagem possa contribuir para a secção em estudo, durante uma precipitação torrencial. Tempo de recorrência - intervalo de tempo onde determinada chuva de projeto é igualada ou suplantada estatisticamente; também conhecido como período de recorrência ou de retorno.

Figura 3.45. Posições das unidades de drenagem.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento<acessado em 25/05/2007>

3.3.ESTÁGIOS DA DRENAGEM URBANA

3.3.1Até 1970 – Período Higienista

Características:

● cidades implantando o abastecimento de água;

● praticamente inexistente sistemas de tratamento de esgoto;

● transferência para jusante do escoamento pluvial por canalização.

3.3.21970 a 1990 – Período Corretivo

Características:

● Consolidação do abastecimento de água com a década da água nos anos 80;

● algumas cidades implantando o tratamento de esgoto;

● o amortecimentoquantitativo da drenagem e controle do impacto existente da qualidade da água pluvial. Envolve principalmente a atuação sobre os impactos.

3.3.3Dias atuais – Período Sustentável

Características:

Planejamento da ocupação do espaço urbano obedecendo os mecanismos naturais de escoamento; Controle dos micro-poluentes, da poluição difusa e o desenvolvimento sustentável do escoamento pluvial através da recuperação da infiltração.

3.4.SISTEMA DE CONTROLE DA DRENAGEM URBANA

  • Controle na fonte: dentro de um desenvolvimento: lote, loteamento, etc

  • Controle na micro-drenagem: drenagem secundária.

  • Controle na macro-drenagem: rios urbanos

Medidas de controle na fonte

  • Aumentam a área de infiltração através de: valos, poços e bacias de infiltração, trincheiras de infiltração ou bacias de percolação, pavimentos permeáveis e mantas de infiltração;

  • Armazenam temporariamente a água em reservatórios locais

Medidas na macrodrenagem

  • Detenção são reservatórios mantidos secos na maior parte do tempo e são utilizados para controle de pico, ou seja controle quantitativo;

  • Retenção são reservatórios mantidos com lâminas de água que têm a função de reduzir o pico e melhoria da qualidade da água. Por exemplo, banhados ou reservatórios urbanos.

  • As retenções necessitam de maior volume e mais espaço;

  • As detenções fechadas podem custar até 7 vezes as enterradas (sem considerar desapropriação).

  • A primeira parte da precipitação efetiva (~25 mm) possui 90% da carga poluente.

4.GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

4.1.Importância

O gerenciamento de resíduos sólidos se relaciona integral e continuo com os outros temas do saneamento como águas, efluentes e drenagem.

A importância de seu estudo versa no fato de que a população humana gera em quantidade cada vez maior, resíduos de origem e características diversas, com potencialidades na maioria das vezes desconhecidas.

A geração de resíduos sólidos no Brasil é em média aproximadamente 0,7 Kg/hab/dia, no entanto cidades como Rio de Janeiro e São Paulo esse valor pode chegar a 1,5 Kg/hab/dia. Esses resíduos quando multiplicados pelo número de habitantes de cada cidade, se mal gerenciados, formam uma quantidade, capaz de causar muitos problemas. De acordo com Pesquisa Nacional de Saneamento Básico –PNSB a média das regiões brasileiras é mostrada na Tabela 4.1.

Tabela 4.7. Geração per-capita de resíduos no Brasil.

População

Geração de resíduos

Geração

per-capita

(kg/hab.dia)

Valor (ton)

%

Valor (ton)

%

Brasil

169.799.170

149.000

0,88

Norte

12.900.704

8%

7.152

4,8%

0,55

Nordeste

47.741.711

28%

27.118

18,2

0,57

Sudeste

72.412.411

43%

92.380

62%

1,28

Sul

25.107.616

15%

12.963

8,7%

0,52

Centro-Oeste

11.636.728

7%

9.380

6,3%

0,81

Fonte: PNSB (2000)

O gerenciamento adequado deve priorizar a minimização de resíduos, a recuperação seja de energia ou matéria prima proveniente dos mesmos e por fim deve sugerir alternativas de tratamento capazes de solucionar o problema do que deveria ser a menor parcela desses resíduos.

O gerenciamento inadequado que não leva em consideração as peculiaridades do local e as formas de minimização e reciclagem dos resíduos tende a não perdurar, causando danos a saúde humana muitas vezes com doenças que podem permanecer em muitas gerações.

4.2.Definição e Classificação

A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – define "lixo" ou "resíduos sólidos" como os "restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis, podendo-se apresentar no estado sólido, semi-sólido ou líquido, desde que não seja passível de tratamento convencional".

Assim como a literatura convencional sugere diversos conceitos e novas idéias sobre como mudar “pré – conceitos”, a população assume cada vez com maior responsabilidade a preocupação em mudar as atitudes diante do gerenciamento dos resíduos, conjuntamente com o município, principal responsável por este processo.

A classificação dos resíduos sólidos é baseada em vários fatores preponderantes e , segundo a literatura especializada, e a Norma Brasileira existem dois tipos de classificações muito importantes, citadas abaixo:

a) Segundo a origem

  • Domiciliares, provenientes de residências (casas e apartamentos);

  • Comerciais, provenientes de lojas, restaurantes, mercados e supermercados, escritórios, hotéis, etc;

  • Institucionais, originados em escolas e instituições governamentais;

  • Serviços municipais, resultantes de podas e manutenção de jardins, praças públicas, áreas de recreação, varrição de ruas, etc.

  • Especiais (resíduos da construção civil, resíduos de serviços de saúde, resíduos industriais, agropastoris, portos e aeroportos entre outros).

  1. Segundo os riscos potenciais

De acordo com a NBR 10.004 (2004) da ABNT, aplicada para definir a periculosidade do material. Esta classificação é usual para resíduos sólidos industriais, mas pode ser aplicada para outros tipos de resíduos sólidos.

  • Resíduos Classe I - Perigosos: São aqueles que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas, podem apresentar riscos à saúde pública ou ao meio ambiente, ou ainda inflamável, corrosivo, reativo, toxicidade ou patogênicos;

  • Resíduos Classe II - Não perigosos:

    • Resíduos Classe II A - Não Inertes: São aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classes I - perigosos ou de resíduos classe II B - inertes. Esses podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água;

    • Resíduos Classe II B - Inertes: Quaisquer resíduos que, quando amostrados de forma representativa e submetidos a ABNT 10007 - Amostragem de resíduos sólidos, e submetidos a um contato dinâmico ou estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10006 - Procedimento para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, excetuando-se os padrões de aspecto, cor turbidez e sabor (ABNT, 2004).

4.3.Características

As características dos resíduos podem variar em função de aspectos sociais, econômicos, culturais, geográficos e climáticos, fatores esses que também diferenciam as comunidades entre si e as próprias cidades.

Deduzindo-se que a participação da matéria orgânica tende a se reduzir nos países mais desenvolvidos ou industrializados, provavelmente em razão da grande incidência de alimentos semipreparados disponíveis no mercado consumidor.

As características podem ser divididas em físicas, químicas e biológicas e são de grande importância para análise, concepção e dimensionamento dos sistemas de gerenciamentos dos resíduos sólidos. Possibilita a escolha de alternativas para coleta, tratamento destinação, assim como dos equipamentos envolvidos.

4.3.1Características físicas

Dentre as propriedades físicas mais importantes dos resíduos sólidos urbanos, segundo a NBR – ABNT 10004 (2004) destacam-se: geração per-capita, composição gravimétrica, peso específico aparente, teor de umidade e grau de compactação ou compressividade.

a) Geração per – capita: relaciona a quantidade de resíduos urbanos gerada diariamente e o número de habitantes de determinada região. Muitos técnicos consideram de 0,5 a 0,8kg/hab./dia como a faixa de variação média para o Brasil;

b) Composição Gravimétrica: Representa o percentual de cada componente em relação ao peso total dos resíduos sólidos. No Brasil, em geral, o constituinte presente com maior percentual na composição dos resíduos sólidos é a matéria orgânica, que representa mais de 50% seguido pelo papel e papelão, plásticos, materiais metálicos e vidros;

c) Peso Específico: É o peso dos resíduos sólidos em função do volume ocupado por ele. Sendo usual adotar-se valores na faixa de 200 a 300 kg/m3;

d) Teor de Umidade: Representa a quantidade relativa de água contida na massa dos resíduos sólidos, e varia em função de sua composição, das estações do ano da incidência de chuvas. No Brasil, o teor de umidade varia entre 35 a 55%;

e) Grau de Compactação: Indica a redução de volume que a massa de resíduos sólidos pode sofrer, ao ser submetido a uma pressão determinada. Normalmente varia de 3 a 5 vezes;

4.3.2Características químicas

Neste item destacam-se: Poder calorífico, Potencial hidrogeniônico (pH), Composição Química, Relação Carbono/Nitrogênio (C:N).

a) Poder Calorífico: Esta característica química indica a capacidade potencial de um material desprender determinada quantidade de calor quando submetido à queima. O poder calorífico médio do lixo domiciliar se situa na faixa de 5.000kcal/kg.

b) Potencial Hidrogeniônico (pH): O potencial hidrogeniônico indica o teor de acidez ou alcalinidade dos resíduos. Em geral, situa-se na faixa de 5 a 7.

c) Composição Química: A composição química consiste na determinação dos teores de cinzas, matéria orgânica, carbono, nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo, resíduo mineral total, resíduo mineral solúvel e gorduras.

d) Relação Carbono/Nitrogênio (C:N): A relação carbono/nitrogênio indica o grau de decomposição da matéria orgânica do lixo nos processos de tratamento/disposição final. Em geral, essa relação encontra-se na ordem de 35/1 a 20/1.

4.3.3Características biológicas

As características biológicas do lixo são aquelas determinadas pela população microbiana e dos agentes patogênicos presentes no lixo que, ao lado das suas características químicas, permitem que sejam selecionados os métodos de tratamento e disposição final mais adequados.

O conhecimento das características biológicas dos resíduos tem sido muito utilizado no desenvolvimento de inibidores de cheiro e de retardadores/aceleradores da decomposição da matéria orgânica, normalmente aplicados no interior de veículos de coleta para evitar ou minimizar problemas com a população ao longo do percurso dos veículos. Da mesma forma, estão em desenvolvimento processos de destinação final e de recuperação de áreas degradadas com base nas características biológicas dos resíduos. A Tabela 4.2mostra as principais doenças relacionadas com os resíduos sólidos.

Tabela 4.8. Doenças relacionadas com os Resíduos Sólidos e a Transmissão pelos Vetores.

VetoresFormas de TransmissãoPrincipais Doenças

- peste bubônica;Ratos- através da mordida, urina e fezes;

- tifo murino;

- leptospirose

- através da pulga que vive no corpo do rato

- febre tifóide;Moscas- por via mecânica (através das asas, patas e corpo);

- disenteria

- através das fezes e saliva

Mosquito- através da picada da fêmea- malária;

- febre amarela;

- dengue;

- filariose

Baratas- por via mecânica ( através das asas, patas e corpo) e pelas fezes- febre tifóide;

Suínos- pela ingestão de carne contaminada- cisticercose;

- toxoplasmose;

- teníase

Aves- através das fezes- toxoplasmose

Fonte: adaptado de Manual de Saneamento – FUNASA (2004).

4.3.4Acondicionamento de resíduos

O acondicionamento é primeiro passo após a geração dos resíduos e é a fase em que os resíduos sólidos são preparados de modo a serem mais facilmente manuseados nas etapas de coleta e de destinação final.

Acondicionar significa dar ao resíduo sólido uma “embalagem” adequada, cujos tipos dependem de suas características e da forma de remoção, aumentando assim a segurança e a eficiência do serviço.

Se esta etapa de acondicionamento for mal executada retarda o serviço e o encarece. Recipientes inadequados ou improvisados (pouco resistentes, mal fechados ou muito pesados), com materiais sem a devida proteção, aumentam o risco de acidentes de trabalho. Os materiais agressivos ou perigosos devem ser acondicionados em separado do restante dos resíduos sólidos, para uma correta disposição. Os líquidos devem ser previamente retirados. Vidros quebrados e superfícies cortantes devem ser embrulhados em jornal. Idealmente os recipientes devem:

  • Ser padronizados e estar disponíveis para o usuário;

  • Obedecer aos requisitos mínimos de funcionalidade e de higiene;

  • Quando forem reutilizáveis: Ter um formato que facilite seu esvaziamento, sem aderência nas paredes internas e nos cantos;

  • Ser de material resistente e evite vazamentos;

  • Ter sua capacidade limitada de modo a não tornar penosa a manipulação pelos operários (em torno de 20 kg/homem);

  • Ter tampas e alças laterais.

O acondicionamento dos resíduos sólidos depende das características e da produção destes resíduos, pode ser feito de diversas formas:

  • Vasilhame Padrão: Depósitos metálicos ou de plásticos, estanques, leves, com tampa e alças, e de capacidade de até 100 L;

  • Sacos Plásticos: Com capacidade para 20, 30, 40, 60, 80 ou 100 litros, apresentam as seguintes vantagens: não há necessidade de devolver os recipientes, dispensam a lavagem do recipiente, evitam ruídos na movimentação, não há roubo do recipiente, maior proteção contra insetos e roedores, proporcionam a redução do tempo de coleta (cerca de um terço do tempo), mas apresentam as seguintes desvantagens: de poderem ser rompidos por animais ou por excesso de peso, inadequado para objetos cortantes e pontudos;

  • Cestos para Locais Públicos: Pequenos vasilhames destinados a receber os resíduos sólidos de pequena monta;

  • Carrinhos Basculantes para Locais Públicos: Carrinhos em polietileno rígido para pequenos volumes;

  • Containers”: Depósitos indicados para locais onde há maior produção de resíduos sólidos, têm capacidade de 1,0 a 1,5 m3, são geralmente, basculáveis nos caminhões compactadores de coleta;

  • Caçambas Estacionárias: Grandes depósitos, com capacidade de até 7,0 m3, usados em mercados, “shopping-centers”, feiras livres, indústrias, etc., são intercambiáveis, havendo necessidade de caminhões com poliguindastes, para a sua remoção.

4.3.5Coleta e Transporte de Resíduos

A coleta dos resíduos sólidos deve ser feita obedecendo a um planejamento, o qual deve considerar, entre outros, os seguintes aspectos:

  • Condições de tráfego;

  • Condições de relevo e pavimentação das ruas;

  • Ocupação dos lotes;

  • Divulgação à população das informações do dia e hora da coleta;

  • Traçado das vias públicas;

  • Sentido do tráfego;

  • Quantidade estimada de resíduos sólidos produzidos;

  • Peso específico dos resíduos sólidos;

  • Topografia;

  • Local de saída dos veículos de coleta;

  • Local de disposição final dos resíduos sólidos;

  • Velocidade estimada para os veículos de coleta;

  • Tipos de veículos coletores (capacidades);

  • Localização de grandes produtores de resíduos sólidos.

A norma da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT, NBR - 12980 define os diferentes tipos de serviços de coleta de resíduos sólidos:

  • A Coleta Domiciliar (ou convencional): Que consiste na coleta dos resíduos das residências, estabelecimentos comerciais e industriais, cujo volume não ultrapasse o previsto na legislação municipal, será detalhada a frente;

  • Coleta de Feiras, Praias, Calçadas e demais Equipamentos Públicos: Englobando feiras, praias, limpezas das calçadas, etc.;

  • Coleta de Resíduos dos Serviços de Saúde: Englobando hospitais, ambulatórios, postos de saúde, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias, clínicas médicas e consultórios odontológicos;

  • A Coleta Especial: Contempla os resíduos não recolhidos pela coleta regular, tais como entulhos, animais mortos e podas de jardins;

  • A Coleta Seletiva: Tem por objetivo recolher os resíduos segregados na origem. Esta modalidade de coleta está ligada a reciclagem.

A coleta dos resíduos sólidos deve ser feita em toda a cidade, de acordo com as características de cada região. Com relação a freqüência de coleta é comum adotar-se:

  • Coleta Diária: Em áreas centrais, comerciais, de interesse turístico, onde a produção de resíduos sólidos é grande (geralmente noturna nas cidades maiores);

  • Coleta em Dias Alternados: Em áreas residenciais, menos adensadas;

  • Coleta Especial: Em favelas, áreas de topografia acidentada, de urbanização desordenada e precária, onde, além de se atentar para os riscos advindos da existência de lixo espalhado (entupimento de galerias de drenagem, atração de vetores, etc.), aspectos estéticos não são menos importantes;

  • A Coleta Particular: É obrigatoriamente de responsabilidade do gerador, em decorrência do tipo de resíduo ou da quantidade ser superior à prevista em legislação municipal. Indústrias, supermercados, “shopping centers”, construtoras e empreiteiras, entre outros, devem providenciar a coleta dos seus resíduos em função do volume gerado. Hospitais, ambulatórios, centros de saúde e farmácias, entre outros, devem ter coleta particular em função do tipo de resíduo. O papel da fiscalização fica por parte da prefeitura.

A coleta do lixo domiciliar deve ser efetuada em cada imóvel, sempre nos mesmos dias e horários, regularmente. Somente assim os cidadãos habituar-se-ão e serão condicionados a colocar os recipientes ou embalagens do lixo nas calçadas, em frente aos imóveis, sempre nos dias e horários em que o veículo coletor irá passar. Em conseqüência, o lixo domiciliar não ficará exposto, a não ser

pelo tempo necessário à execução da coleta. A população não jogará lixo em qualquer local, evitando prejuízos ao aspecto estético dos logradouros e o espalhamento por animais ou pessoas

Referentes a coleta de resíduos sólidos a freqüência e o horário de coleta devem merecer especial atenção.

4.3.6Freqüência de coleta

Por razões climáticas, no Brasil, o tempo decorrido entre a geração de o lixo domiciliar e seu destino final não deverão exceder uma semana para evitar proliferação de moscas, aumento do mau cheiro e a atratividade que o lixo exerce sobre roedores, insetos e outros animais.

Se a freqüência da coleta de lixo for de três vezes por semana, o lixo produzido, por exemplo, no sábado, só vai ser coletado na terça-feira seguinte.(três dias depois). A freqüência mínima de coleta admissível em um país de clima quente como o Brasil é, portanto, de três vezes por semana.

Há que se considerar ainda a capacidade de armazenamento dos resíduos nos domicílios. Nas favelas e em comunidades carentes, as edificações não têm capacidade para armazená-lo por mais de um dia, o mesmo ocorrendo nos centros das cidades, onde os estabelecimentos comerciais e de serviços, além da falta de local apropriado para o armazenamento, produzem lixo em quantidade considerável. Em ambas as situações é conveniente estabelecer a coleta domiciliar com freqüência diária.

4.3.7Horário de coleta

Para redução significativa dos custos e otimização da frota a coleta deve ser realizada em dois turnos. Geralmente divididos em: segundas, quartas e sextas e terças, quintas e sábados.

É conveniente estabelecer turnos de 12 horas (dividindo-se o dia ao meio, mas trabalhando efetivamente cerca de oito horas por turno). Tem-se então, por exemplo, o primeiro turno iniciando às sete horas e o segundo turno às 19 horas, "sobrando" algum tempo para manutenção e reparos. Em vias que possuem varrição pouco freqüente, é muito importante a LIMPEZA DA COLETA, ou seja, o recolhimento sem deixar resíduos.

Nos centros comerciais, a coleta deve ser noturna, quando as ruas estão com pouco movimento. Já em cidades turísticas deve-se estar atento para o período de uso mais intensivo das áreas por turistas, período no qual a coleta deverá ser evitada.

Nos bairros estritamente residenciais, a coleta deve preferencialmente ser realizada durante o dia. Deve-se, entretanto, evitar fazer coleta em horários de grande movimento de veículos nas vias principais.

A coleta noturna deve ser cercada de cuidados em relação ao controle dos ruídos. As guarnições devem ser instruídas para não altear as vozes. O comando de anda/pára do veículo, por parte do líder da guarnição, deve ser efetuado através de interruptor luminoso, acionado na traseira do veículo, e o silenciador deve estar em perfeito estado. O motor não deve ser levado a alta rotação para apressar o ciclo de compactação, devendo existir um dispositivo automático de aceleração, sempre operante. Veículos mais modernos e silenciosos, talvez até elétricos, serão necessários no futuro, para atender às crescentes reclamações da população, especialmente nos grandes centros urbanos.

Para o transporte dos resíduos sólidos são utilizados diferentes tipos de veículos, desde os de tração animal até os dotados de dispositivos compactadores. Para escolha do veículo coletor, devem ser levados em consideração o tipo e a quantidade de resíduos sólidos, os custos dos equipamentos, as condições e custos de operação e manutenção e outras condições locais, com a mão-de-obra, as características das vias (largura, declividade e pavimentação) e as densidades populacionais e de tráfego.

São utilizados os seguintes equipamentos coletores (qualquer que seja o veículo, a altura da carroceria no ponto de carregamento não deverá ser superior a 1,10 m, de modo a diminuir o esforço dos coletores):

  • Reboque Puxado por Trator: Indicado para a coleta de resíduos sólidos em cidades pequenas (Figura 3.1);

Figura 4.46. Reboque puxado por trator.

Fonte: UNESP (2006)

  • Caminhão Basculante Convencional: Utilizado para remoção de grandes volumes, de material oriundo da raspagem e capinação, de entulhos, etc., não deve ser usado na coleta de resíduos sólidos domiciliares ou similares, devido à possibilidade de espalhamento do material pelo vento;

  • Caminhão Tipo Baú ou Prefeitura: Dispõe de caçamba basculante, com cobertura, veículo próprio para coleta de resíduos sólidos, indicado para pequenos e médios núcleos urbanos ou para periferias de cidades grandes, de acordo com a NBR - 12980/93;

  • Caminhão com Compactador: Realiza a compactação dos resíduos, tendo, assim, maior capacidade de transportar o lixo, indicado para coleta em áreas de maior densidade populacional, de acordo com a NBR - 12980/93 (Figura 3.2);

Figura 4.47. Caminhão com compactador.

Fonte: UNESP (2006)

  • Caminhão com Poliguindaste: Utilizado na remoção das caçambas estacionárias intercambiáveis.

Figura 4.48. Caminhão Poliguindaste.

Fonte: Manual do IBAM (2001)

4.4.Limpeza de logradouros públicos

4.4.1Sistema de Varrição

Varrição é a principal atividade de limpeza de logradouros públicos. O conjunto de resíduos como areia, folhas carregadas pelo vento, papais, pontas de cigarro, por exemplo, constitui o chamado lixo público, cuja composição, em cada local, é função de:

  • Arborização existente;

  • Intensidade de trânsito de veículos;

  • Calçamento e estado de conservação do logradouro;

  • Uso dominante (residencial, comercial, etc.);

  • Circulação de pedestres.

a) Métodos de varrição

As maneiras de varrer dependerão dos utensílios e equipamentos auxiliares usados pelos trabalhadores. Em um País onde a mão-de-obra é abundante e é preciso gerar empregos, convém que a maioria das operações seja manual.

Apenas em algumas situações particulares recomenda-se o uso de máquinas. A limpeza por meio de jatos de água deve ser restrita a situações especiais. Água, em geral, é cara demais para ser gasta em uso tão pouco nobre. Normalmente não é preciso varrer a faixa mais central de uma via. O trânsito de veículos basta para empurrar a sujeira para as sarjetas e estas, sim, deverão ser varridas. É hábito no Brasil que a limpeza das calçadas fique por conta dos moradores. O costume é excelente e deve ser incentivado podendo, inclusive, constar do Código de Posturas ou outra legislação pertinente.

Os equipamentos auxiliares de remoção mais utilizados são:

  • Carrocinha de madeira;

  • Carrinho de ferro com rodas de pneus;

  • Carrinho de mão convencional;

  • Caçamba estacionária;

  • Varrição mecanizada;

  • Cestas coletoras.

4.4.2Sistema de Capinação

A capinação também é uma atividade muito importante a ser executada pelos serviços de limpeza pública, não apenas em ruas e passeios sem asfalto, mas também nas margens de rios e canais. O método de capina vai depender basicamente:

  • Da forma de utilização da mão-de-obra: pode-se utilizar a mão-de-obra excedente dos serviços de varrição não havendo portanto uma freqüência definida. Quando as características da cidade exigirem uma atuação mais efetiva da limpeza urbana através de operação de capina, será preciso manter uma equipe especial para efetuar tais serviços.

  • Das ferramentas e equipamentos empregados: Manual; Mecânica e Química

4.4.3Limpeza de feiras

Após o término da feira, a retirada do lixo deve ser rápida. É preciso desobstruir logo o trânsito no logradouro e, acima de tudo, evitar a fermentação da matéria orgânica que, no nosso País, é acelerada devido ao clima. Para diminuir os problemas, deve ser estabelecido um horário rígido para término da feira livre. Além disso, os feirantes terão de manter, ao lado dos pontos de venda, recipientes para lixo. Para executar uma limpeza eficiente é recomendado:

  • Iniciar o serviço tão logo a feira termine;

  • Varrer toda a área utilizada, e não, como freqüentemente ocorre, apenas a faixa das sarjetas;

  • Varrer o lixo do passeio e do centro da rua para as sarjetas, de onde será removido (feiras instaladas em ruas);

  • Recolher o lixo, à medida que for varrendo, através de equipamento adequado (caminhão basculante, por exemplo);

  • Lavar o logradouro após a varredura e remoção (quando o piso for pavimentado);

  • Aplicar desodorizante no setor de venda de peixe.

4.4.4Limpeza de praias

O lixo de praia compõe-se basicamente de restos descartados pelos banhistas e detritos trazidos pela maré, tendo geralmente areia misturada.

Quanto à forma de operação, a limpeza das praias poderá ser manual ou mecânica. Considerando o custo de aquisição e manutenção do equipamento, seu emprego geralmente não se justifica na maioria das cidades litorâneas brasileiras. O método manual, utilizando-se ancinhos, pás, etc. Permite uma operação rápida e com elevada produtividade dos trabalhadores. É importante proceder ao mesmo tempo à varrição da calçada e da sarjeta marginal à praia, usando vassouras, pás e carrinhos de mão.

4.4.5Limpeza de bocas-de-lobo ou caixas de ralo

É uma atividade que deve ser executada regularmente junto com a varrição. Tem por objetivo garantir o perfeito escoamento das águas pluviais e impedir que o material sólido, retido durante as chuvas, seja levado para os ramais e galerias.

O sistema manual é o mais normalmente utilizado e, se bem planejado, poderá atender eficientemente às necessidades de serviço. Uma enxada, uma pá e uma chave de ralo são os utensílios usados. Veículos com equipamentos especiais de sucção somente deverão ser adotados em cidades grandes, devido ao seu alto custo de aquisição e manutenção. Costuma-se incumbir ao próprio varredor do logradouro a tarefa de limpeza das caixas de ralo.

4.5.Processamento e tratamento

4.5.1Secregração, Coleta Seletiva e Reciclagem

A segregação do material é a forma preliminar de recuperar cada resíduo que foi utilizado anteriormente. Segregando é possível para o município bem como para a população agregar valores para aqueles resíduos que já foram utilizados.

A coleta seletiva pode ser definida como um sistema de segregação e recolhimento de materiais recicláveis, tais como papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos, na fonte geradora. Esse sistema faz parte da gestão integrada de resíduos e para a sua implantação podemos relacionar as vantagens e desvantagens:

Vantagens:

  • Redução de custos com a disposição final do lixo;

  • Aumento da vida útil de aterros sanitários;

  • Diminuição de gastos com remediação de áreas degradadas pelo mau acondicionamento do lixo (ex. lixões clandestinos);

  • Educação / conscientização ambiental da população;

  • Diminuição de gastos gerais com limpeza pública, considerando-se que o comportamento de comunidades educadas e conscientizadas ambientalmente traduz-se em necessidade menor de intervenção do Estado;

  • Melhoria das condições ambientais e de saúde pública do município;

  • Geração de emprego e renda para os catadores envolvidos no programa;

  • Resgate social de indivíduos, através da criação de associações / cooperativas de catadores, ou mesmo através do trabalho de catação;

  • Economia de energia;

  • Diminuição da poluição do solo, ar e das águas;

Desvantagens:

  • Custo complementar para as ações de limpeza;

  • Necessidade de centros de triagem;

  • Necessidade de mercado consumidor dos produtos próximos aos centros geradores.

Gestão da logística de transporte pra minimizar custos

A segregação pode ocorrer basicamente de duas formas: na fonte geradora e no destino final dos resíduos.

  • Centros de triagem: locais para onde os resíduos são encaminhados e separados pelos trabalhadores em esteiras ou mesas de catação;

  • Porta a porta: sistema onde os trabalhadores coletam os materiais recicláveis na fonte geradora seja em residências ou pontos comerciais, indústrias, etc.

  • Postos de entrega voluntária: locais fixos na cidade onde a população encaminha os materiais recicláveis para posterior coleta pela municipalidade;

  • Postos de troca: modalidade de troca de lixo por algum tipo de produto ou capital.

  • Através de catadores autônomos ou carrinheiros: pessoas autônomas que separaram os materiais nas avenidas e centros urbanos, tendo como principais materiais de coleta o papelão e alumínio.

Na fonte geradora é feita pelo munícipe com o apoio do poder público através da Coleta Seletiva. Está poderá ser feitaatravés de cooperativas em porta – porta ou através de pontos de entrega voluntários (PEVs) (Figura 4.4).

Figura 4.49. Recipientes para entrega de material reciclável.

Fonte: IPT (2000)

Antes de uma comunidade decidir estimular ou implantar a segregação de materiais, visando a reciclagem, é importante verificar se existe na região mercado para o escoamento desses materiais, pois segregar sem mercado é o mesmo que enterrar separado. Para que haja reciclagem é necessário programas de coleta seletiva, para termos um lixo com melhor qualidade e uma permanente educação ambiental da comunidade.

Para que projetos de coleta seletiva sejam bem sucedidos é fundamental que os programas de educação ambiental estejam em sintonia com os mesmos.

A educação ambiental torna a população consciente do seu papel junto ao projeto de coleta seletiva, ciente do seu dever de segregar, a participação é cada vez maior. A educação ambiental deverá ser de forma continua até o engajamento total e depois deverá ser intermitente com um período mensal, e cada vez mais espaçado, informando os critérios de coleta, as formas de separação, os dias e horários de coleta entre outros.

A Resolução nº 275 de 25 de abril 2001 do CONAMA estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos para programas de coleta seletiva conforme o quadro II.

Tabela 4.9. Código de cores pra coleta seletiva.

PAPELAZUL

PLÁSTICOVERMELHO

METALAMARELO

VIDROVERDE

MADEIRAPRETO

PERIGOSOLARANJA

RADIOATIVOROXO

RSSBRANCO

ORGÃNICOMARRON

NÃO RECICLÁVELCINZA

Um dos princípios básicos da educação ambiental sobre os resíduos sólidos é o conceito dos três R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar:

  • Reduzir: O cidadão deve aprender a reduzir a quantidade de resíduos que gera, quando possível. Deve entender que redução não implica padrão de vida menos agradável. É simplesmente uma questão de reordenar os materiais que usamos no dia-a-dia. Uma das formas de se reduzir a quantidade de resíduos gerado é combatendo o desperdício de produtos e alimentos consumidos. Menos resíduos gerados também implicará em estrutura de coleta menor, e também em redução de custos de disposição final e tratamento;

  • Reutilizar: Existem inúmeras formas de reutilizar os mesmos objetos, até por motivos econômicos. Escrever nos dois lados da folha de papel, usar embalagens retornáveis e reaproveitar embalagens descartáveis para outros fins. São apenas alguns exemplos. Uma parcela do comércio formal já contribui para essa prática, na medida em que os sebos trabalham basicamente com livros usados, assim como os brechós comercializam desde roupas até móveis usados;

  • Reciclar: A reciclagem forma o terceiro ponto do tripé, sendo a alternativa quando não é mais possível reduzir nem reutilizar.

4.5.2Usinas de Triagem e Compostagem de Resíduos Sólidos Domiciliares

As usinas de triagem e compostagem são centros de separação das frações orgânicas e inorgânicas dos resíduos sólidos domésticos, operacionalizados em maior em menor escala por equipamentos eletro-mecânicos. É uma alternativa à coleta seletiva, podendo existir independentemente de haver ou não o sistema de compostagem.

São instalações para onde vai o lixo de uma cidade, ou parte dele, para que os materiais sejam separados e depois comercializados. A triagem é uma atividade que não dá prejuízo e garante ganhos ambientais e sociais podendo ser administrada pela prefeitura ou por associações ou cooperativas de catadores.

As instalações das usinas de triagem e compostagem podem ser agrupadas em cinco setores: recepção e expedição, usina de triagem, pátio de compostagem, beneficiamento e armazenamento de composto e outras instalações conforme pode ser observado na figura 15.

Figura 4.50. Usinas de compostagem

Fonte: IPT (2000)

A compostagem é definida como um processo biológico aeróbico e controlado de tratamento e estabilização de resíduos orgânicos para a produção de húmus. É um método de transformação, através de processos físicos, químicos e biológicos, da fração orgânica contida no lixo, em composto orgânico estabilizado, que se constitui num excelente condicionador de solos, sendo de desenvolvida por uma população diversificada de microorganismos presentes no lixo.

O processo de compostagem é simples, porém necessita de acompanhamento para que se consiga obter um material de qualidade que possa ser utilizado com segurança pela comunidade. Vários são os fatores que vão afetar o processo, porém os mais importantes são a umidade, a temperatura, a oxigenação, a concentração de nutrientes, o tamanho das partículas e o pH.

Todos os restos de alimentos, estercos de animais, aparas de gramas, folhas, galhos, enfim, todo material de origem animal ou vegetal podem entrar na composição do composto. O que não deve ser adicionado a pilha é madeira tratada com pesticidas ou envernizadas, tais como, óleo, tinta e couro e os materiais recicláveis vidro, plástico, metal e papel que podem ter destino mais nobre. Os restos de alimentos devem ser misturados com palhas e folhas ou cobertos com terra para não atrair vetores.

Os materiais são colocados em pátios para que se processe a degradação da matéria orgânica que se dá num período de 2 a 3 meses para atingir a bioestabilização e de 3 a 4 meses para a humificação.

Como a utilização de composto orgânico é aconselhada para melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, para que o composto orgânico produzido através de resíduos urbanos domiciliares seja considerado de boa qualidade precisa ser enquadrado na lei como fertilizante orgânico.

Os textos legais que dispõem sobre o assunto são o Decreto Lei 76.955 de 18/02/82 – condicionam a comercialização do composto a seu prévio registro no Ministério da Agricultura e a Portaria MA-84 de 29/03/82 e Portaria 01 da Secretaria de Fiscalização agropecuária do Ministério da Agricultura – fixa parâmetros físicos, químicos e de granulometria e tolerâncias admitidas conforme mostrado na Tabela 4.4.

Tabela 4.10. Limites permitidos para composto orgânico.

ParâmetroValorTolerância

pHMínimo de 6,0Até 5,4

Matéria OrgânicaMínimo de 40%Até 36%

Nitrogênio TotalMínimo de 1,0%Até 0,9%

UmidadeMáximo de 40%Até 44%

Relação C/NMáximo de 18/1Até 21/1

GranulometriaExigênciaTolerância

FareladoPassando 100% em peneira 4,8 mm e 90% em peneira 2,8 mmAté 88%

Farelado grossoPassando 100% em peneira de 38 mm e 90% em peneira de 25 mmNão admite

Fonte: IPT (2000)

4.5.3Aterro Sanitário

O aterro sanitário é uma obra de engenharia, aliados aos conhecimentos de geologia, topografia, química e uma série de técnicas operacionais que procura eliminar ou reduzir os impactos que a decomposição dos resíduos pode gerar.

Segundo a NBR 8419 (ABNT 1992), “aterro sanitário de resíduos sólidos urbanos consiste na técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais, método este que utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada ou intervalos menores se for necessários”.

O aterro sanitário é amplamente utilizado para disposição dos resíduos sólidos de origem urbana, mas praticamente a maioria dos resíduos pode ser admitida nesses locais, inclusive os de origem industrial, com exceção daqueles especiais ou perigosos, que requerem tratamentos específicos.

Na construção de aterros sanitários, independentemente da técnica construtiva empregada, o risco de contaminação das águas superficiais e subterrâneas existe. Esse risco está aliado à infiltração do chorume, às falhas que eventualmente podem ocorrer na construção e operação de aterros e à infiltração das águas de chuva, que aumentam consideravelmente a quantidade de percolado. A resolução CONAMA no. 001/86 institui a obrigatoriedade de EIA e RIMA para as atividades modificadoras do meio ambiente.

Quando da construção de aterros sanitários, devem ser tomados as seguintes medidas.

  • Proteger as águas superficiais e subterrâneas de possível contaminação oriunda do aterro;

  • Dispor, acumular e compactar diariamente o lixo na forma de células trabalhando com técnicas corretas para possibilitar o tráfego imediato de caminhões coletores, equipamentos e para reduzir recalques futuros do local;

  • Recobrir diariamente o lixo com uma fina camada de terra para impedir a procriação de roedores, insetos e outros vetores e a presença de catadores e animais a procura de matérias e alimentos;

  • Controlar os gases e líquidos que são formados no aterro;

  • Manter os acessos internos e externos em boas condições, mesmo em tempo de chuva;

  • Isolar e tornar indevassável o aterro e evitar incômodos à vizinhança.

a) Projetos de aterros sanitários

Deverá ser feito um levantamento das características do local, como topografia, hidrografia, investigação geotécnica, o levantamento das ocupações e usos do entorno, informações de uso e ocupação, levantamento das condições da flora e da fauna, definindo áreas de interface.

A seleção de áreas de aterro pode ser divida em critérios como: técnicos, econômico – financeiros e político – social. Serão descritos a seguir em tabelas os tipos de critérios e as observações.

CRITÉRIOS TÉCNICOS

CRITÉRIOS

OBSERVAÇÕES

Usos do solo

As áreas têm que se localizar numa região onde o uso do solo seja rural (agrícola) ou industrial e fora de qualquer Unidade de Conservação Ambiental.

Proximidades a cursos d’água relevantes

As áreas não podem se situar a menos de 200 metros de corpos d'água relevantes, tais como, rios, lagos, lagoas e oceano. Também não poderão estar a menos de 50 metros de qualquer corpo d'água, inclusive valas de drenagem que pertençam ao sistema de drenagem municipal ou estadual.

Proximidade a núcleos residenciais urbanos

As áreas não devem se situar a menos de mil metros de núcleos residenciais urbanos que abriguem 200 ou mais habitantes.

Proximidades de aeroportos

As áreas não podem se situar próximas a aeroportos ou aeródromos e devem respeitar a legislação em vigor.

Distância do lençol freático

As distâncias mínimas recomendadas pelas normas federais e estaduais são as seguintes:

• Para aterros com impermeabilização inferior através de manta plástica sintética, a distância do lençol freático à manta não poderá ser inferior a 1,5 metros.

• Para aterros com impermeabilização inferior através de camada de argila, a distância do lençol freático à camada impermeabilizante não poderá ser inferior a 2,5 metros e a camada impermeabilizante deverá ter um coeficiente de permeabilidade menor que 10-6cm/s.

Permeabilidade do solo natural

É desejável que o solo do terreno selecionado tenha uma certa impermeabilidade natural, com vistas a reduzir as possibilidades de contaminação do aqüífero. As áreas selecionadas devem ter características argilosas e jamais deverão ser arenosas.

Facilidade de acesso para veículos pesados

O acesso ao terreno deve ter pavimentação de boa qualidade, sem rampas íngremes e sem curvas acentuadas, de forma a minimizar o desgaste dos veículos coletores e permitir seu livre acesso ao local de vazamento mesmo na época de chuvas muito intensas.

Disponibilidade de material de cobertura

Preferencialmente, o terreno deve possuir ou se situar próximo a jazidas de material de cobertura, de modo a assegurar a permanente cobertura do lixo a baixo custo.

Fonte: Manual do IBAM (2001)

CRITÉRIOS ECONÔMICOS FINANCEIROS

CRITÉRIOS

OBSERVAÇÕES

Distância ao centro geométrico ao centro de coleta

É desejável que o percurso de ida (ou de volta) que os veículos de coleta fazem até o aterro, através das ruas e estradas existentes, seja o menor possível, com vistas a reduzir o seu desgaste e o custo de transporte do lixo.

Custo e aquisição do terreno

Se o terreno não for de propriedade da prefeitura, deverá estar, preferencialmente, em área rural, uma vez que o seu custo de aquisição será menor do que o de terrenos situados em áreas industriais.

Custo de investimento em construção e infra-estrutura

É importante que a área escolhida disponha de infra-estrutura completa, reduzindo os gastos de investimento em abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, drenagem de águas pluviais, distribuição de energia elétrica e telefonia.

Custos com a manutenção do sistema de drenagem

A área escolhida deve ter um relevo suave, de modo a minimizar a erosão do solo e reduzir os gastos com a limpeza e manutenção dos componentes do sistema de drenagem.

Fonte: Manual do IBAM (2001)

CRITÉRIOS POLÍTICO-SOCIAIS

CRITÉRIOS

OBSERVAÇÕES

Distância de núcleos urbanos de baixa renda

Aterros são locais que atraem pessoas desempregadas, de baixa renda ou sem outra qualificação profissional, que buscam a catação do lixo como forma de sobrevivência e que passam a viver desse tipo de trabalho em condições insalubres, gerando, para a prefeitura, uma série de responsabilidades sociais e políticas. Por isso, caso a nova área se localize próxima a núcleos urbanos de baixa renda, deverão ser criados mecanismos alternativos de geração de emprego e/ou renda que minimizem as pressões sobre a administração do aterro em busca da oportunidade de catação. Entre tais mecanismos poderão estar iniciativas de incentivo à formação de cooperativas de catadores, que podem trabalhar em instalações de reciclagem dentro do próprio aterro ou mesmo nas ruas da cidade, de forma organizada, fiscalizada e incentivada pela prefeitura.

Acesso à área através de vias com baixa densidade de ocupação

O tráfego de veículos transportando lixo é um transtorno para os moradores das ruas por onde estes veículos passam, sendo desejável que o acesso à área do aterro passe por locais de baixa densidade demográfica.

Inexistência de problemas com a comunidade local

É desejável que, nas proximidades da área selecionada, não tenha havido nenhum tipo de problema da prefeitura com a comunidade local, com organizações não-governamentais (ONG's) e com a mídia, pois esta indisposição com o poder público irá gerar reações negativas à instalação do aterro.

Fonte: Manual do IBAM (2001)

b) Escolha do local para o aterro sanitário

Em resumo, é importante observar nos projetos de aterros sanitários:

  • Propriedade do terreno;

  • Tamanho da área: ideal p/ um mínimo de 10 anos de operação;

  • Localização: próxima da zona de coleta, afastada de aeroportos (raio de 20 Km), afastada de residência (mínimo de 2 Km), servida de infra-estrutura, afastada de cursos d’ água, nascentes (no mínimo 200m), poços artesianos e próximo de jazidas para a cobertura do lixo, revestimento das pistas de acesso e impermeabilização do solo;

  • Características topográficas: depressões naturais, minas abandonadas, jazidas de argila e saibros já exploradas;

  • Tipo de solo propício: solos argilosos com coeficiente de permeabilidade inferior a 10-6 cm/s

  • Fundo do aterro distante de no mínimo 3,0 m de águas subterrâneas;

  • Direção de ventos contrários a comunidade.

c) Operação

Todos os métodos de construção de aterros sanitários diferem na forma de execução, entretanto a sistemática de acondicionamento do lixo é a mesma, ou seja, consiste na construção de células sanitárias. Para tanto o lixo deve ser disposto no solo previamente preparado como mostrado na Figura 4.6.

A cada três viagens de descarregamento, de acordo com a capacidade do veículo coletor, o lixo deve ser empurrado de baixo para cima contra uma elevação natural ou célula anterior e distribuído pelo seu talude, com inclinação de 1:1 ou 1:2. A altura da célula pode variar de 2 a 4 metros. O lixo deve ser compactado por um trator de esteiras por 3 a 5 vezes e no final do dia deve receber uma camada de terra de 15 a 30 cm. Uma vez preenchida toda a área disponível do aterro, as células de lixo deverão receber uma camada de 60 cm de terra selando o aterro.

O recobrimento final e o encerramento do aterro sanitário são muito importantes, pois essa área deverá ser incorporada ao meio ambiente, em condições de uso sem causar incômodos à vizinhança.

Figura 4.51. Operação de aterro sanitário.

Fonte: TELES (1994)

Existem três métodos distintos para se construir um aterro sanitário, a saber:

  • Método de rampa – se utiliza terreno com declive, aonde o lixo vai sendo depositado seguindo a declividade existente, fazendo o recobrimento necessário no final de cada dia e assim prossegue até a célula em construção fica no mesmo plano do topo do declive na parte superior e lateralmente continuar ainda em forma de rampa.

Figura 4.52 Método da rampa.

Fonte: Lima (2005)

  • Método de trincheira – se utiliza terreno plano onde se escavam valas ou trincheiras de dois ou três metros de profundidade. Dependendo do lençol freático, a profundidade pode atingir valores superiores a três metros. Nesse método o material escavado da vala serve para a cobertura do próprio aterro.

Figura 4.53. Método de trincheira.

Fonte: Lima (2006)

  • Método de área. Empregado quando o terreno não é adequado à escavação de células ou trincheiras ou então em situações em que o nível do lençol freático é muito alto (próximo à superfície). A preparação do local inclui a instalação de revestimentos e sistemas de controle de chorume.

Os tipos de aterros sanitários mais comuns são:

  • Aterro de superfície;

  • Aterro com depressão e ondulações;

  • Aterro em valas.

Figura 4.54. Aterro de superfícies.

Fonte: Lima (2006)

d) Projetos necessários

  • Projeto de conformação das células e recobrimento diário;

  • Drenagem de águas superficiais e encaminhamento para fora da área do aterro

  • Coleta de líquidos gerados pela biodegradação (chorume)

  • Tratamento de chorume através de ETE´s

  • Coleta de gases gerados na biodegradação

  • Tratamento dos gases através da queima e/ou reaproveitamento energético

  • Tratamento superficial da cobertura do aterro p/ encerramento das atividades – transformação em áreas de proteção ambiental para uso recreativo

e) Infra-estrutura necessária

  • Cercamento da área;

  • Serviços de limpeza de área;

  • Serviço de terraplanagem;

  • Serviços de montagem eletromecânica;

  • Estradas de acesso e de serviço;

  • Serviços de impermeabilização;

  • Serviços de drenagem;

  • Drenagem de chorume;

  • Drenagem dos gases;

  • Serviços de construção civil;

  • Execução complementares;

  • Suprimentos de matérias e equipamentos

4.5.4Incineração

É uma tecnologia térmica para tratamento de resíduos, é a queima em alta temperatura (200oC a 1200 oC) em mistura com uma quantidade de ar adequada durante um determinado intervalo de tempo. No caso de resíduos sólidos, os compostos orgânicos são reduzidos aos seus constituintes minerais, principalmente, dióxido de carbono gasoso e vapor de água e cinzas.

Para atingir os padrões de controle de emissão para a atmosfera, a incineração deve conter duas fases: a combustão primária e a combustão secundária.

Na primeira fase ocorre, a secagem, o aquecimento, a liberação de substâncias voláteis e a transformação do resíduo remanescente em cinzas. Nesse processo é gerado o material particulado, que basicamente é a fumaça escura gerada em uma queima não controlada.

A combustão secundária os gases, vapores e material particulado, liberados na combustão primária, são soprados ou succionados para a câmara de combustão, onde permanecem por cerca de 2 segundos expostos a 1000 oC ou mais. Nestas condições ocorre a destruição das substâncias voláteis e parte do material particulado.

Os parâmetros permitidos pela legislação brasileira apresentam valores máximos de emissão em conformidade com a tabela abaixo.

  • HF – 5 mg/Nm3

  • CO – 125 mg/Nm3

  • SO2 -1.200 mg/Nm3

  • Material particulado -150 mg/Nm3

  • Dioxinas – 0,14 mg/Nm3

  • Cádmio e mercúrio -0,28 mg/Nm3

  • Arsênio e níquel -1,4 mg/Nm3

  • Chumbo e cromo -7 mg/Nm3

4.5.5Gerenciamento de resíduos Especiais

a) Resíduos Sólidos da Construção Civil

Entulho é o conjunto de fragmentos ou restos de tijolo, concreto, argamassa, aço, madeira etc., provenientes do desperdício na construção, reforma ou demolição de estruturas, como prédios, residências e pontes (IPT/CEMPRE, 2000).

De acordo com o IBAM (2000), a reciclagem dos resíduos da construção civil apresenta as seguintes vantagens:

  • Redução de volume de extração de matérias-primas;

  • Conservação de matérias-primas não-renováveis;

  • Correção dos problemas ambientais urbanos gerados pela deposição indiscriminada de resíduos de construção na malha urbana;

  • Colocação no mercado de materiais de construção de custo mais baixo;

  • Criação de novos postos de trabalho para mão-de-obra com baixa qualificação.

A resolução CONAMA, no. 307/2002 estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil.

b) Resíduos Sólidos de Serviço de Saúde

Os resíduos de serviços de saúde constituem numa grande preocupação para quem gerencia os serviços de limpeza urbana de uma cidade. A Resolução CONAMA NO. 358/2005 classifica os resíduos gerados em estabelecimentos de saúde e aponta formas de acondicionamento, transporte e tratamento para cada resíduo.

Os resíduos de serviços de saúde por sua especificidade necessitam de coleta e tratamento diferenciado. Cada município deve estabelecer através de dispositivos legais a melhor forma o destino final desses resíduos. Dentre as principais formas de destiná-los podemos citar:

  • Vala Séptica

  • Processos térmicos com oxidação – Incineração

  • Plasma térmico

  • Óleo Térmico

  • Microondas

  • Autoclave

  • Tratamento químico

  • Radiação

4.6.Exercícios de revisão

Para pesquisar e responder:

Após a leitura desse material e refletindo um pouco sobre sua comunidade, propomos algumas atividades:

1. Visite o setor da prefeitura responsável pela limpeza urbana do município.

2. Visite se possível, o local de disposição do lixo fazendo observações e registros fotográficos e entreviste quem toma conta da local.

3. Elabore um pequeno diagnóstico da situação

Quanto de lixo é gerado diariamente, qual a geração per-capita média, como é coletado e disposto e avalie sob o ponto de vista técnico se estão sendo bem conduzidas as ações de limpeza da cidade. Precisa de melhorias? Quais?

4. Existe alguma atividade em particular que caracterize algum tipo de resíduos especial gerado no seu município?

5 Para conhecer melhor o assunto de resíduos sólidos visite os seguintes sites na Internet:

www.resol.com.br

www.cempre.org.br

www.recicláveis.com.br

www.slu.df.gov.br

http://federativo.bndes.gov.br/dicas

5.CONTROLE SANITÁRIO DOS ALIMENTOS

5.1.Introdução

Para a maior parte, das pessoas a palavra higiene significa “limpeza”. Se alguma coisa tem uma aparência limpa, supõe-se que também deve ser higiênica. As pessoas que trabalham com o processamento de produtos alimentícios devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para certificar-se de que os alimentos que manipulam são 100% higiênicos e têm condições de serem ingeridos sem o perigo de causarem doenças, (HAZELWOOD E ZARAGOZA, 1991).

A alimentação higiênica é uma das condições essenciais para a promoção e a manutenção da saúde e deve ser assegurada pelo controle eficiente da qualidade sanitária do alimento em todas as etapas da cadeia alimentar, ou seja, as etapas que envolvem a obtenção do alimento, desde a produção da matéria-prima até o consumo.

A deficiência nesse controle é um dos fatores responsáveis pela ocorrência das DTAs (Doenças Transmitidas por Alimentos), que geralmente são ocasionadas pela má utilização de agrotóxicos e dos aditivos alimentares e pela manipulação inadequada durante o preparo e consumo de alimentos (FUNASA, 2004).

É essencial que as boas práticas de higiene, dentro dos estabelecimentos alimentares, sejam levadas a cabo de modo corriqueiro por todas as pessoas que trabalham nesses ambientes, para que se possa garantir a qualidade higiênica dos alimentos produzidos. De forma geral, a higiene alimentar tem por objetivos:

  • Proteger os alimentos contra qualquer tipo de contaminação, física, química ou biológica, durante todo o seu processo de produção.

  • Manter a qualidade higiênica dos alimentos até o momento do seu consumo (FUNASA, 2004).

5.2.Importância sanitária e econômica

A prática de a higiene alimentar em estabelecimentos alimentares traz vários benefícios para a população de forma geral, entre elas:

  • Prevenção de doenças cuja transmissão esteja relacionada ao consumo de água e alimentos;

  • Prevenção da poluição ambiental ocasionada por resíduos provenientes de estabelecimentos alimentares.

  • Aumento da produção e consumo de alimentos com qualidade e segurança.

  • Aumento da capacidade de produção do homem em razão de melhor condição de saúde proporcionada pela alimentação higiênica (FUNASA, 2004).

5.3.Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs)

Apenas nos Estados Unidos, estima-se que ocorram até setenta e seis milhões de casos de doenças de origem alimentar a cada ano. No Brasil, cerca de 4,5% das internações nos hospitais do SUS, no período de 1998 a 2001, tiveram diagnóstico de infecções intestinais causadas por cólera, febre tifóide, shigelose, amebíase entre outras, representando um número superior a 500 mil internações nesse período.

As doenças transmitidas por alimentos (DTAs) podem ser causadas, principalmente, por agentes químicos e biológicos.

Geralmente, a contaminação química dos alimentos ocorre, predominantemente, através da água utilizada em sua preparação, que pode funcionar como veículo de vários compostos químicos tóxicos, tais como o chumbo, o mercúrio, o cobre, o cromo hexavalente, etc., ou pelo uso inadequado de agrotóxicos que, dependendo da finalidade de seu uso, podem ser classificados em inseticidas, fungicidas, herbicidas, raticidas, acaricidas, etc.

Já a contaminação biológica dos alimentos é bem mais freqüente que a química, ocorrendo, também, através do uso de água de má qualidade, mas, principalmente, pela falta de higiene nos estabelecimentos alimentares e das pessoas envolvidas no processo de produção dos alimentos, sendo a principal causa de sua deterioração. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, protozoários e helmintos.

Entre os agentes biológicos, as bactérias se destacam por serem as principais causadores de DTAs. Sendo essas, as responsáveis pela ocorrência dos “surtos alimentares” em restaurantes, hospitais, escolas, etc. São as toxinfecções alimentares, ocasionadas pelo consumo de alimentos deteriorados, geralmente aqueles considerados de “alto risco”, como os ricos em proteínas (carnes, ovos, patês, cremes, maionese, salsichas), e que por isso, necessitam ser mantidos em refrigeração.

Portanto, podemos citar como principais causas da contaminação dos alimentos seja ela química ou biológica, o uso de água de contaminada (por produtos químicos ou excretas) nas etapas de higienização e preparação, uso de matérias-primas contaminadas, presença de animais vetores (moscas, formigas, baratas, ratos) ou animais domésticos nos ambientes de trabalho, uso de utensílios sujos (talheres, panelas, etc.), presença de poeira ou de outros contaminantes nas superfícies de trabalho (mesas, bancadas), preparação de alimentos com mãos sujas ou com ferimentos e o uso de vestuário sujo ou inadequado (Figura 4.1).

Figura 5.55. Fontes de contaminação dos alimentos

(FUNASA, 2004).

Tabela 5.11. Principais Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), causadas por agentes químicos e biológicos.

Tabela 5.2. Continuação

Fonte: FUNASA (2004).

5.4.Controle da Qualidade dos Alimentos

É de extrema importância que, durante todo o processo de produção do alimento, desde a escolha da matéria-prima, passando pelo processamento e em seguida o armazenamento, até chegar à mesa do consumidor, sejam mantidas as suas qualidades nutricionais, organolépticas e higiênicas.

Os alimentos de qualidade duvidosa devem ser imediatamente descartados, evitando o seu processamento ou consumo acidental. Isto inclui alimentos adulterados, sobras de comida, alimentos de procedência desconhecida, com sinais de deterioração (azedos, espumosos ou mofados) ou que foram manipulados por pessoas com doenças transmissíveis (FUNASA, 2004).

5.4.1Escolha da matéria-prima

Ao se adquirir alimentos para serem consumidos de imediato ou serem processados para consumo posterior, deve-se prestar atenção em algumas de suas características físicas, tais como a cor, o odor e a consistência, diminuindo, dessa forma, o risco de ocorrência de DTAs. A seguir, alguns exemplos de alimentos in natura e suas características naturais (HAZELWOOD E ZARAGOZA, 1991):

  • Frutas, verduras e legumes: devem estar íntegras, com cor característica, sem manchas ou partes amolecidas.

  • Carnes de aves: devem possuir cheiro característico, pele de cor amarelo-rosado e sem cortes, consistência firme, sem manchas azuis ou esverdeadas.

  • Carne bovina e suína: deve apresentar cor característica, cheiro suave, consistência firme, sem manchas e superfície não pegajosa.

  • Peixes: a pele deve estar úmida e não pegajosa, os olhos brilhantes, as brânquias com cor vermelha viva, as escamas bem aderidas à pele, com uma consistência firme e resistente à pressão dos dedos.

  • Ovos: a casca deve estar limpa, áspera e fosca, sem rachaduras, a clara espessa e viscosa, a gema central, redonda e firme.

  • Leite: deve estar homogêneo, com cor branca levemente amarelada, cheiro suave e gosto levemente adocicado.

O leite pode estar naturalmente infectado, quando proveniente de animal doente, ou ser contaminado durante ou após a ordenha. Quando não asseguradas as condições sanitárias, torna-se excelente veículo de doenças, pelo fato de ser um bom meio de crescimento para bactérias.

No que dizem respeito aos alimentos industrializados, os seguintes cuidados devem ser tomados no momento da escolha:

  • Observar sempre se no produto constam informações como (Figura 5.2): ingredientes, data de fabricação e validade, identificação do fabricante e registro no órgão fiscalizador competente.

Figura 5.56. Informações que devem estar presentes no produto.

(COVISA–RN, 1994).

  • Verificar se o produto encontra-se armazenado em condições adequadas de umidade, temperatura e exposição ao sol.

  • Não adquirir produtos que estiverem em sacos, embalagens ou latas estufadas, amassadas, enferrujadas, furadas ou com vazamentos (Figura 5.3).

5.4.2Conservação dos alimentos:

Os alimentos, de acordo com a sua capacidade de deterioração, podem ser classificados como:

  • Perecíveis: são aqueles que se deterioram rapidamente e, que por isso necessitam permanecer sob refrigeração (frutas, verduras, carnes, frutos do mar, laticínios etc.).

  • Semi-perecíveis: não necessitam de refrigeração, mas sofrem alterações após algum tempo, dependendo das condições de armazenamento (feijão e arroz crus, farinhas, condimentos, sal, açúcar etc.).

  • Não-perecíveis: apresentam um longo prazo de validade, estando neste período livres de alterações (refrigerantes, enlatados, mortadelas, salames, carnes salgadas, etc.).

Os processos mais simples e eficientes para conservação dos alimentos são os físicos, que se utilizam da ação do calor (aquecimento) ou do frio (refrigeração ou congelamento) para evitar a sua deterioração (FUNASA, 2004).

Denominamos “zona de perigo” a faixa de temperatura localizada entre 5ºC e 65ºC, onde existe um risco elevado de ocorrer uma multiplicação bacteriana excessiva, levando à deterioração dos alimentos. Portanto, os alimentos não consumidos imediatamente depois do cozimento devem ser mantidos a uma temperatura superior a 65ºC ou inferior a 5ºC, para que se possa garantir sua segurança microbiológica (HAZELWOOD E ZARAGOZA, 1991).

Deve-se atentar para os riscos de se manter alimentos dentro da zona térmica de perigo por longos períodos de tempo, principalmente em estabelecimentos alimentares que operam com o sistema “self-service”, onde os alimentos preparados ficam expostos durante várias horas, sofrendo uma contaminação constante por parte dos consumidores e do próprio ambiente. Neste caso, tanto a temperatura de refrigeração como a de aquecimento devem ser atentamente controladas.

Os principais processos de conservação de alimentos por calor são: a cocção ou cozimento (temperatura varia de 100ºC no fogão a 280ºC no forno), a pasteurização e a ultra-pasteurização (aquecimento varia de 62ºC a 135ºC durante alguns segundos ou minutos, seguido de resfriamento brusco), a desidratação (em túneis de ar seco ou exposição ao sol) e a defumação (exposição à fumaça).

Quanto aos processos de conservação pela ação do frio, os mais utilizados são a refrigeração (temperatura variando de 3ºC a 10ºC) e o congelamento (temperaturas abaixo de -18ºC). Alimentos como laticínios, por exemplo, devem ser mantidos em temperatura de 3 a 10ºC; carnes e pescados devem ser mantidos, resfriados, de 4 a 10ºC e, congelados, a -18ºC (18ºC negativos) (FUNASA,2004).

Figura 5.57. O desenho mostra a “zona de perigo” (5º C – 65º C).

(HAZELWOOD E ZARAGOZA, 1991).

Deve-se dispensar atenção especial para a conservação dos chamados alimentos de “alto risco”, que são aqueles que possuem elevado teor de proteínas e que se destinam ao consumo sem passarem por novos processos de cozimento ou preservação. Eles encontram-se quase sempre envolvidos nos casos de epidemia de intoxicação alimentar (HAZELWOOD e ZARAGOZA, 1991).

O leite é um desses alimentos e, como está entre os mais consumidos pela população, alguns cuidados específicos devem ser tomados no seu tratamento e conservação, uma vez que pode funcionar como veículo de várias doenças, tais como tuberculose, brucelose, febre tifóide e paratifóide, disenterias, carbúnculo e febre aftosa (FUNASA, 2004).

No domicílio, o meio mais prático de garantir a qualidade do leite in natura, sob o aspecto sanitário, é a fervura, que destrói grande parte dos microorganismos presentes. Após a fervura, o leite deve ser mantido tampado na mesma vasilha em que tiver sido fervido, a fim de evitar sua contaminação.

O método de pasteurização usado na industrialização do leite tem duas modalidades:

  • Pasteurização à baixa temperatura: consiste no aquecimento do leite a 63ºC por 30 minutos, e resfriamento imediato abaixo de 6ºC;

  • Pasteurização em placas: aquecimento de 71ºC a 75ºC, durante 15 segundos e resfriamento imediato (FUNASA, 2004).

Ambos os processos eliminam as bactérias “patogênicas” (causadoras de doenças) presentes. O leite pasteurizado precisa ser mantido sempre sob refrigeração, pois do contrário a flora bacteriana remanescente desenvolve-se com a elevação da temperatura, ocasionando sua acidificação e coagulação.

Existem ainda os processos químicos de conservação dos alimentos, sendo os mais comuns o uso do sal (salga), do açúcar (compotas) e do vinagre (picles), bem como a fermentação, realizada por microrganismos cuja multiplicação controlada acidifica o meio, ajudando a conservar o alimento, através da inibição do crescimento de microrganismos nocivos causadores de deterioração (produção de vinho, cerveja, iogurte, queijo etc.) (FUNASA, 2004).

Os alimentos semi-perecíveis e não-perecíveis, apesar de sua validade estendida, requerem certos cuidados no seu armazenamento, devendo ser mantidos sempre em local seco e fresco, protegidos do sol e de pragas.

5.4.3Controle dos Manipuladores de Alimentos:

Denominamos manipuladores de alimentos aquelas pessoas que participam da cadeia alimentar, nas etapas de produção, manipulação e/ou venda dos produtos alimentícios (HAZELWOOD e ZARAGOZA, 1991).

O controle higiênico-sanitário desses profissionais tem por objetivos:

  • Evitar que a manipulação dos alimentos seja feita por indivíduos portadores de doenças transmissíveis.

  • Prevenir a contaminação e a adulteração do alimento durante a sua manipulação, por meio de cuidados adotados pelo próprio manipulador.

A empresa produtora de alimentos deve contar com um programa de exames de saúde periódicos e admissionais. O pessoal das áreas de produção/manipulação deve ser submetido a exames de saúde pelo menos uma vez por ano, para que se possa detectar a existência de empregados portadores de quaisquer doenças passíveis de serem veiculadas por alimentos.

Quanto à higiene pessoal, os seguintes cuidados devem ser tomados pelos manipuladores de alimentos:

  • Usar vestuário limpo e adequado (aventais fechados, ou macacões de cores claras, sapatos fechados, máscaras e luvas quando necessárias). Figura 5.5.

  • Os cabelos devem manter-se protegidos sob toucas, gorros, redinhas ou bonés.

Lavar bem as mãos e de forma adequada sempre que for manipular alimentos, principalmente após usar o sanitário, manusear dinheiro ou transportar o lixo. Figura. 5.5.

  • Manter a higiene corporal, tomando banho completo antes de iniciar o trabalho, mantendo as unhas sempre curtas e limpas. Figura 5.6.

Figura 5.5. O desenho mostra os cuidados com o vestuário.

Fonte: FUNASA (2004).

Figura 5.6 – O desenho mostra os cuidados Higiene pessoal

Fonte: FUNASA (2004).

  • Não espirrar sobre os alimentos, não assuar o nariz, não cuspir nem escarrar, não colocar os dedos na boca, não roer as unhas, não fumar, ou seja, não executar qualquer ato que possa colocar em risco a qualidade do alimento. Figura 5.7.

Figura 5.7 – Outros atos que não devem ser realizados durante a manipulação de alimentos.

Fonte: FUNASA (2004).

Vale salientar que qualquer descuido de higiene na manipulação dos alimentos pode ocasionar um surto alimentar, que terá conseqüências graves para os consumidores, podendo levá-los inclusive a óbito (HAZELWOOD e ZARAGOZA, 1991).

É aconselhável que todos os manipuladores sejam capacitados antes da sua admissão em qualquer estabelecimento de produção/manipulação de alimentos e que este disponha de programa de treinamento continuado.

Entretanto, não é suficiente que o manipulador receba treinamento especializado, sendo também necessário que o mesmo tenha consciência do papel que representa em relação à saúde e à segurança dos consumidores. A falta de senso de responsabilidade do manipulador pode anular todos os outros esforços empreendidos para a manipulação higiênica e garantia da qualidade do alimento (HAZELWOOD e ZARAGOZA, 1991).

5.5.Controle das Instalações e Edificações em Estabelecimentos Alimentares

Ao planejar, construir ou adaptar uma área para manipulação de produtos alimentícios, prioritariamente, devemos voltar a nossa atenção para os aspectos físicos do projeto. Para garantir um alto padrão de higiene operacional durante o processamento de alimentos, devemos levar em consideração as características do local selecionado para a instalação do estabelecimento, bem como do seu entorno (HAZELWOOD e ZARAGOZA, 1991).

5.5.1Condições da edificação:

  • Deve estar localizada em área isenta de insalubridade, em terreno acessível, não sujeito inundações, sem a presença de lixo, sucatas, animais, insetos e roedores nas áreas externas e vizinhança;

  • Apresentar condições de segurança para resguardar a integridade física dos ocupantes: acesso direto e independente, corredores e saídas amplos;

  • Possuir pisos de material liso, resistente, não escorregadio, impermeável e de fácil limpeza (livre de defeitos, rachaduras, trincas e buracos), com ralos removíveis para escoamento das águas de limpeza;

  • Possuir instalações em perfeitas condições de conservação e limpeza, bem como dispositivos de proteção contra incêndio e outras;

  • Apresentar iluminação das dependências adequada (de acordo com a NR-24/MT) para o conforto e a prevenção dos acidentes, dando preferência, se possível, à iluminação natural;

  • Permitir ventilação adequada a fim de garantir o conforto térmico e o ambiente livre de fungos, bolores, gases, fumaças e condensação de vapores;

  • Possuir tetos, paredes e divisórias lisas, impermeáveis, laváveis, de cor clara, em boas condições de higiene e conservação e de fácil limpeza;

  • Possuir portas e janelas construídas com superfície lisa e material lavável, em bom estado de conservação e de fácil limpeza; proteção contra mosquitos, moscas e roedores, com todas as aberturas teladas; portas externas ou de isolamento com fechamento automático e proteção inferior; sifão e proteção para os ralos (FUNASA, 2004).

5.5.2Instalações hidrossanitárias

a) Abastecimento de água potável

O abastecimento de água potável deve ser ligado à rede pública de abastecimento, em quantidade satisfatória, sem falta de água. Quando se tratar de sistema de captação próprio, ter a potabilidade da água atestada por laudos laboratoriais do monitoramento bacteriológico (coliformes totais e fecais), no mínimo (FUNASA,2004).

O estabelecimento deve contar com um programa de limpeza e desinfecção periódica dos reservatórios, por empresas especializadas e com responsável técnico, dispondo de registro do serviço executado.

As instalações para utilização da água potável devem ser em número suficiente e estar em bom estado de conservação, limpeza e funcionamento. As instalações necessárias são as seguintes:

  • Lavatórios com água corrente para as mãos, em perfeitas condições de higiene, dotados de sabão líquido, escova para as mãos, desinfetantes, toalhas descartáveis ou outro sistema de secagem apropriado, localizados nas áreas de manipulação e compatíveis com o fluxo de produção e serviço;

  • Bebedouros e chuveiros conforme o número de pessoas;

  • Instalação de água quente, conforme as necessidades do estabelecimento;

  • Torneiras para ligação de mangueiras ou outros dispositivos destinados a lavar pisos, paredes e equipamentos (FUNASA, 2004).

b) Destino dos dejetos e das águas servidas

  • As instalações sanitárias devem ser separadas por sexo, em quantidade suficiente conforme o número de pessoas, dispondo de vasos com tampa, mictórios e lavatórios em número suficiente e em bom estado de conservação e higiene e conectados às redes de água e esgoto ou fossa apropriada;

  • Os pisos, as paredes, os forros e as janelas devem estar em bom estado de conservação;

  • Essas instalações devem ser separadas, sem ligação direta com a área de manipulação e refeitório;

  • as caixas de descarga, os ralos, os sifões, as caixas de gordura, as caixas de passagem de esgotos e os tanques sépticos devem estar em ótimo estado de conservação e funcionamento e serem freqüentemente inspecionados (FUNASA, 2004).

c) Destino dos resíduos sólidos (lixo)

O lixo, no interior do estabelecimento, deve ser acondicionado para coleta em recipientes com tampa, limpos e higienizados constantemente, a fim de evitar risco de contaminação do ambiente e dos alimentos.

Não deve ser tolerada a disposição de lixo e refugos nos arredores do estabelecimento. Esses devem ser recolhidos e encaminhados ao destino final por meio do serviço de limpeza pública. Caso o estabelecimento não seja atendido por esse serviço, deve ser dada ao lixo uma solução individual (FUNASA, 2004).

O acondicionamento do lixo deve ser feito em recipientes próprios, metálicos, de plástico rígido, ou sacos plásticos de polietileno coloridos, não devendo ser transparentes. Os recipientes de lixo devem ser resistentes, laváveis, herméticos, à prova d’água, dotados de tampa e, depois de esvaziados, devem ser imediatamente limpos (HAZELWOOD e ZARAGOZA, 1991).

Deve-se tomar bastante cuidado no armazenamento do lixo nos arredores de estabelecimentos alimentares, uma vez que os restos de alimentos constituem-se em um local perfeito para alimentação e reprodução de ratos, moscas e baratas. O ideal é armazenar os resíduos alimentares em recipientes fora do chão, a uma altura mínima de 40 cm e, afastados das paredes, para permitir exames fáceis e regulares de todos os depósitos.

5.5.3Equipamentos e utensílios

Em todas as áreas de processamento de alimentos é preciso dar ênfase especial à facilidade de limpeza, de maneira que todas as superfícies e equipamentos possam ser limpos com o mínimo de esforço.

Todo equipamento instalado na cozinha deve ficar a pelo menos 30 cm de distância das paredes, para permitir uma limpeza completa e adequada. Se isso não for possível, o equipamento deverá ser instalado sobre rodas, de forma a permitir uma fácil movimentação na hora da limpeza e desinfecção (HAZELWOOD e ZARAGOZA, 1991).

Os seguintes aspectos devem ser observados em relação aos equipamentos e utensílios utilizados nas áreas de produção/manipulação/venda de alimentos:

  • Os equipamentos devem ser dotados de superfície lisa, de fácil limpeza e desinfecção, em bom estado de conservação e funcionamento e acessíveis à inspeção;

  • Os móveis (bancadas, mesas, vitrines, armários etc.) devem ser em número suficiente, constituídos de material apropriado, resistente, liso e impermeável, com superfícies íntegras e em bom estado de conservação e limpeza;

  • Os fogões devem ser dotados de exaustores;

  • Os equipamentos para proteção e conservação dos alimentos devem ser constituídos de superfícies lisas, resistentes e impermeáveis, dotados de termômetro, e em bom estado de conservação e funcionamento;

  • Os utensílios devem ser lisos, constituídos de material não contaminante, de tamanho e forma que permitam fácil limpeza e em bom estado de conservação e uso e perfeitas condições de higiene;

  • Devem-se evitar quinas vivas, gotejamento de lubrificantes e outras condições que coloquem em risco a qualidade do alimento e segurança do manipulador;

  • A limpeza e higienização dos utensílios devem considerar quatro etapas: lavagem feita com água e sabão ou detergentes; enxágüe com água limpa; desinfecção com solução de hipoclorito de sódio a 50g/L e secagem (FUNASA, 2004).

Figura 5.8 – A limpeza e higienização dos utensílios.

Fonte: FUNASA (2004).

Em áreas de processamento de alimentos, deve-se evitar o uso de bancadas e utensílios de madeira, uma vez que esse material é bastante absorvente e difícil de higienizar, tornando-se riscada e apresentando rachaduras com o passar do tempo, o que leva a um acúmulo de grande quantidade de bactérias, possibilitando a ocorrência de uma “contaminação cruzada” (quando alimentos crus contaminam alimentos prontos para consumo) (FUNASA, 2004).

5.6.Controle da Armazenagem e Transporte de Alimentos

Alguns aspectos importantes devem ser observados tanto no armazenamento quanto no transporte dos alimentos.

5.6.1Armazenamento

O correto armazenamento dos produtos é fundamental em qualquer empresa alimentícia. Devem ser observadas e mantidas as condições satisfatórias de controle de temperatura, limpeza, ventilação e rotatividade dos estoques, para garantir a conquista e a manutenção de bons padrões de higiene.

Independente do tamanho da empresa e da quantidade de produtos a ser armazenada deve ser destinada áreas separadas para cada categoria de alimento adquirido (HAZELWOOD E ZARAGOZA, 1991).

Os principais aspectos que devem ser observados ao se armazenar alimentos são:

  • Alimentos perecíveis devem ser mantidos à temperatura de congelamento (-18ºC); refrigeração entre 2ºC e 4ºC, ou mantidos em aquecimento acima de 65ºC, conforme o tipo de alimento;

  • O armazenamento dos alimentos semi-perecíveis e não-perecíveis deve ser feito sobre estrados ou prateleiras, constituídos de material apropriado, de fácil limpeza, liso e íntegro, localizado em ambiente limpo;

Figura 5.9 – O armazenamento dos alimentos semi-perecíveis e não-perecíveis.

Fonte: FUNASA (2004).

  • Os alimentos crus devem ser armazenados sempre em locais separados dos alimentos prontos para consumo, como uma forma de se evitar a ocorrência de contaminação cruzada.

  • Os equipamentos e utensílios devem ser armazenados em local apropriado, limpo, de forma ordenada e protegidos de contaminação;

  • Deve ser dada atenção a aspectos tais como controle de umidade relativa, controle da temperatura, controle do tempo de permanência, proteção e controle contra vetores e roedores, condições sanitárias do ambiente interno e externo, controle e proteção na armazenagem de produtos químicos etc.;

  • As sacarias, as caixas, os fardos e outras embalagens de gêneros alimentícios devem ser dispostos de modo a facilitar a inspeção dos produtos, a limpeza e a ventilação. O empilhamento deverá ser feito afastado das paredes e acima do piso cerca de 30 cm, a fim de facilitar a limpeza diária e dificultar o acesso de roedores;

  • Alguns produtos estão mais bem protegidos quando fornecidos na embalagem original. Ex.: empacotamento de farinha, açúcar etc. Para alguns alimentos, é necessária que a embalagem ofereça maior proteção, recomendando-se que seja resistente e impermeável. Ex.: margarina, leite, doces, café etc.;

  • Deve-se evitar, tanto nas vendas a varejo como no ambiente doméstico, que os alimentos expostos à comercialização ou produtos de pronto consumo, como manteiga, pão, biscoito fiquem expostos sem proteção, sob risco de contaminação. Recomenda-se a instalação de vitrines, armários dotados de telas, recipientes com tampa e outras formas de proteção adequadas;

  • Devem-se lavar os alimentos, principalmente as frutas e legumes a serem ingeridos crus e que serão mantidos em refrigeração (FUNASA, 2004).

5.6.2Transporte

Existem procedimentos de boas práticas de transporte de matérias-primas e produtos a fim de impedir sua contaminação ou a proliferação de microorganismos (FUNASA, 2004).

Há uma variedade de veículos empregados no transporte de alimentos e as exigências para o transporte variam conforme o tipo de alimento, o tipo de veículo e o tempo a ser gasto no transporte. Algumas recomendações devem ser feitas em relação ao veículo de transporte:

  • Conforme o tipo de alimento, principalmente aqueles de alto risco, deve ser utilizado veículo de transporte exclusivo. Exemplo: transporte de carnes, leite e derivados, pescado, carne de ave;

  • Para alimentos perecíveis há necessidade que o veículo seja climatizado, o que permitirá prevenir a deterioração e manter a qualidade do produto;

  • As paredes internas devem ser confeccionadas com material impermeável que possa ser lavado e desinfetado e, o piso deve conter estrados para permitir uma adequada ventilação durante o transporte e impedir o contato direto do mesmo com o alimento;

  • O veículo de transporte deve possuir condições para evitar a entrada de poeiras, vetores e roedores no seu interior (FUNASA, 2004).

5.7.Medidas sanitárias para a proteção de matérias-primas e produtos alimentícios:

É de fundamental importância que se faça o controle da qualidade das matérias-primas queserão utilizadas na produção de alimentos, o que já se constitui em um procedimento prévio para se garantir a segurança química e microbiológica de um produto (FUNASA, 2004).

Com o objetivo de prevenir a contaminação e a alteração de matérias-primas e produtos alimentícios, no âmbito da atuação do saneamento ambiental, devem-se adotar medidas em relação aos seguintes aspectos:

  • Adubação: o material proveniente de fossas e de tanques sépticos só deverá ser utilizado como adubo após ser submetido a tratamento apropriado. Durante o processo de fermentação natural, o material deve manter-se isolado por um período mínimo de 01 ano, para que ocorra a destruição dos microrganismos patogênicos.

  • Irrigação: não utilizar águas contaminadas, provenientes de valas de esgoto e de lagoas poluídas, na irrigação dos vegetais;

  • Fumigação: é necessário evitar que frutas, legumes e hortaliças sejam submetidos à fumigação que contenha alto teor de produtos tóxicos; mesmo assim devem ser lavados com água potável antes de serem consumidos crus, ressaltando-se que a utilização de água potável não elimina os resíduos dos contaminantes químicos adsorvidos por esses alimentos;

  • Abastecimento de água: a oferta e o acesso à água potável de boa qualidade são fatores fundamentais para a redução dos riscos de doenças infecciosas transmitidas pela água. O investimento em abastecimento público de água potável representa uma das medidas de proteção mais eficientes e desempenha uma função primordial na prevenção desse tipo de doenças.

  • Águas residuárias: os germes expelidos pelos excretas das fezes e urina, de doente ou portador, são responsáveis pela maioria das doenças transmissíveis e provêm geralmente dos esgotos domésticos constituídos de águas imundas que contém matéria fecal e águas de lavagem. A disposição adequada dos dejetos representa uma importante medida de saúde pública, que pode se constituir em solução individual ou coletiva dependendo da densidade populacional da área a ser beneficiada.

  • Controle de artrópodes: proteger os alimentos acondicionando-os em armários ou proteção de vidro, evitando o seu contato com moscas, baratas, etc. Fazer o controle do lixo, acondicionando-o em latões fechados e sacos de papel ou plástico e disposição final adequada. Impedir o acesso, principalmente de moscas e baratas, às fezes humanas pela disponibilidade de sistema de esgoto em áreas urbanas e diversos tipos de fossas em área rural.

  • Controle de roedores: como medida permanente, a anti-ratização permite uma ação sobre o meio ambiente, visando a eliminar o abrigo para o rato e impedir o seu acesso ao alimento. Eliminar esconderijos como entulhos, latrinas malcuidadas, matagal próximo a construções. Armazenar alimentos e gêneros alimentícios, fora do alcance de ratos, em paióis e silos, sobre estrados a 60 cm do chão e, afastados das paredes pelo menos 80 cm. Proceder à coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos, cuja disposição final deve estar fora do alcance do rato.

Figura 5.10 – Exemplos de vetores de doenças: insetos à esquerda e roedores à direita.

Fonte: FUNASA (2004).

  • Coleta e disposição de resíduos sólidos: dispor de soluções adequadas para o acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e/ou disposição dos resíduos sólidos e orientar a população a proceder ao acondicionamento adequado do lixo, de forma a evitar a proliferação e desenvolvimento de vetores como baratas, roedores e moscas. Na zona rural ou em localidades desprovidas de sistema público de coleta, o lixo deve ser enterrado, evitando-se sua exposição no meio ambiente (FUNASA, 2004).

Figura 5.11 – Exemplos de recipientes de coleta de resíduos sólidos.

Fonte: FUNASA (2004).

5.8.Considerações Finais

As doenças alimentares não acontecem por acaso. Elas são causadas sempre por pessoas que não possuem bons hábitos de higiene, seja por descuido ou por desconhecimento. Sendo assim, os profissionais que trabalham na indústria alimentícia têm a obrigação legal e moral de preservar a qualidade nutricional e microbiológica dos alimentos, sendo, portanto, co-responsáveis pela preservação da saúde dos consumidores (HAZELWOOD e ZARAGOZA, 1991).

5.9.Exercícios de revisão

Para pesquisar e responder:

Após a leitura desse material e refletindo um pouco sobre sua comunidade, propomos algumas atividades:

1. Liste algumas doenças transmitidas por alimentos, cujos caos foram notificados ou citados na comunidade onde você trabalha.

2. Visite um estabelecimento que comercializa alimentos, pesquise e liste pelo menos um aspecto do controle de qualidade dos alimentos que é cumprido e um que não é cumprido pelo estabelecimento.

3. Ainda como referência o estabelecimento visitado para o exercício 2, faça uma breve (máximo 10 linhas) de como se encontram as instalações e edificações do prédio?

4. Continuando no estabelecimento, tome por base um tipo de alimento e descreva como são as condições de armazenamento e transporte desses.

5. Pesquise na internet as principiais leis, portarias ou decretos que tratam do controle de vetores de doenças. Essa legislação pode ser Federal, Estadual ou Municipal.

6.Referências bibliográficas

Araújo, A.L.C. Comportamento de Formas de Fósforo em Sistemas de Lagoas de Estabilização, em Escala-Piloto, sob Diferentes Configurações, Tratando Esgoto Doméstico. Dissertação de mestrado, UFPB, Brasil. 1993.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS-ABNT - “Projeto, Construção e Operação de Tanques sépticos” – NBR 7229, Rio de Janeiro, 1993.

AZEVEDO NETTO, J. M. e ALVAREZ G. A. Manual de hidráulica. Sétima edição. Editora Edgard Blucher LTDA, São Paulo. 1988.

BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Saneamento. Brasília, 2004.

Brasil.Fundação Nacional de Saúde. Manual de Saneamento. 3. ed. Ver. – Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2004. 408 p.

CAIRNCROSS S. e FEACHEM R. Enviromental health engineering in the tropics. Segunda Edição. John Wiley and Sons, Chichester – UK.

DI BERNARDO, L. e DANTAS, A. B. Métodos e técnicas de tratamento de água. Volumes 1 e 2. Segunda Edição. Rima Editora, São Paulo. 2005.

FONSECA, E. Iniciação ao Estudo dos Resíduos sólidos e da Limpeza Urbana. João Pessoa/PB, 1999.

HAZELWOOD, D., ZARAGOZA, A D. M. Curso de higiene para manipuladores de alimentos. Espana: Acribia, 1991.

HESPANHOL, I. Água e saneamento. In: Águas doces no Brasil. Org. A. C. Rebouças, B. Braga e J. G. Tundizi. Terceira Edição. Escrituras, São Paulo. 206. pp 269 – 324. 2005.

IBGE (2000). BRASIL, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. Brasília, 2000.

IPT (2000) D’ALMEIDA, M L. O.; VILHENA(Coord.). Lixo Municipal: Manual de Gerenciamento Integrado. 2 ed. São Paulo – IPT/CEMPRE, 2000.

JORDÃO, E. P.; PESSOA, C. A. Tratamento de esgotos domésticos. 4. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2005.

LIBÂNIO, M. Fundamentos de qualidade e tratamento de água. Editora Átomo, Campinas. 2005.

LIMA, J. D. (2006). Gestão e Tecnologia de Resíduos Sólidos Urbanos. Notas de aula. Natal, 2006.

MONTEIRO, J. H. P .et al. Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro. IBAM.2001. Disponível em: <http://www.ibam.org/br> Acesso em 10 de junho de 2006.

NBR 10.004/04 – Resíduos Sólidos – Classificação

Resolução CONAMA 275/01 - Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva.

Resolução CONAMA 307/02 - Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil.

Resolução CONAMA 307/02 - Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil

Resolução CONAMA 358/01 - Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências.

SECRETARIA DE SAÚDE . Coordenadoria de Vigilância Sanitária (COVISA). Manual do manipulador de alimentos. Natal, 1994.

TELES, L. A. S. Lixo; como cuidar dele. Salvador; SRHSH, 1994.

VIANA, G.M. Sistemas públicos de abastecimento de água. 2001.

VON SPERLING, M. Lagoas de estabilização. 2. ed. rev. e atual. Belo Horizonte: UFMG/DESA, 2002.

VON SPERLING, Marcos. Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos. 2 ed. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental; Universidade Federal de Minas Gerais, 1996.

Comentários