Engenharia de -agrimensura

Engenharia de -agrimensura

(Parte 1 de 5)

Maceió, janeiro de 2006.

Prof. Esp. Paulo Roberto Coêlho Araújo – Coordenador Prof. Msc. Umbelino Oliveira de Andrade – Vice-Coordenador

Membros Prof. Msc. Jurandir Alves Nicácio

Prof. Msc. Luiz Tarcísio Gomes Martins Prof. Esp. Daniel Farias de Almeida

Maceió, janeiro de 2006.

CURSO:Engenharia de Agrimensura

TÍTULO OFERTADO: Engenheiro Agrimensor PORTARIA DE RECONHECIMENTO: Portaria MEC/INEP Nº 3574, de 17/10/2005 TURNO: Matutino e Vespertino

CARGA HORÁRIA TOTAL: 4640 horas (Parte Fixa/Parte Flexível) 4240/400

DURAÇÃO MÉDIA: Mínimo: 4,5 anos / Média: 5 anos / Máximo: 7,5 anos

VAGAS NO VESTIBULAR: 30

PERFIL (COMPETÊNCIA): Formar profissionais capacitados ao desempenho técnico das diversas atividades da mensuração: levantamentos topográficos, batimétricos, geodésicos e aerofotogramétricos; locação de: loteamentos, sistemas de saneamento, irrigação e drenagem, túneis; traçado de cidades, estradas, serviços afins e correlatos.

CAMPO DE ATUAÇÃO: Empresas públicas ou privadas, órgãos governamentais nas três esferas de governo, indústrias, mineradoras, escritórios de engenharia e projetos, peritagem judicial, profissional autônomo, magistério superior, centros de pesquisa.

I – INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA4
I – CAMPO DE ATUAÇÃO1
I – HABILIDADES/COMPETÊNCIAS/ATITUDES12
IV – CONTEÚDOS/MATRIZ CURRICULAR13
V – ORDENAMENTO CURRICULAR (antiga grade)38
VI – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)40
VII – ATIVIDADES COMPLEMENTARES43

A criação do Curso de AGRIMENSURA resultou da necessidade de consolidação do Departamento de GEOCIÊNCIAS, no esforço de dar uma contribuição maior ao desenvolvimento regional, por entender a sua identificação com os serviços atinentes ao perfil do profissional que se pretende formar.

Para caracterizar os marcos balizadores, a guisa de justificativa, faz-se necessário dar um passeio na história da humanidade, com o objetivo de facilitar o entendimento do perfil do profissional de AGRIMENSURA, identificando as suas características técnicas e científicas no processo de evolução desde a antigüidade até os dias atuais.

A oportunidade que se vivencia, denunciadora de uma crise sem precedente na história, não permite divagações. Mas é imprescindível a superação dos problemas desde que se tenha a coragem de ousar, procurando quebrar focos de resistências; pois se pode entender, à semelhança de Eistain, que diz: "Na crise só a imaginação é mais importante que o conhecimento". Portanto, vislumbre-se com a imaginação mais uma chance de se percorrer um caminho longo para nivelar tantos desníveis, e ver que os homens que tiveram o privilégio ou o mérito de sua cultura devem ser os principais artífices das mudanças.

Nesse processo, apesar das perspectivas serem desestimuladoras, face conjuntura geral, entende-se que a opção de se introduzir na Universidade Federal de Alagoas, o Curso de AGRIMENSURA, foi por demais oportuno, dado a carência de pessoal para atender as demandas do mercado emergente, e por se contar com poucas escolas de Agrimensuras no país.

É compreensível este estímulo em decorrência das dimensões do território brasileiro, em termos físicos, e a pequena quantidade de unidades formadoras de profissionais de AGRIMENSURA. O mapeamento possibilitado pelos levantamentos geodésicos, topográficos e aerofotogramétricos, é a pré-condição para o desenvolvimento local, regional e nacional.

Pode-se dizer que a AGRIMENSURA em sua forma elementar é tão antiga como a história da civilização, que igualmente as outras ciências, do ponto de vista histórico, a sua evolução se divide em grandes épocas:

No limiar da civilização sabe-se que o homem em seu estado primitivo de selvajaria era nômade, ou seja, não habitava um só lugar, viajando de sítio em sítio a procura de frutos para sua alimentação e, ainda bárbaro, começa a cultivar as plantas e domesticar os animais. Nessa época se apresenta a primeira utilização da AGRIMENSURA nas construções das suas casas e dos canais, e na fase final da barbárie surgem as grandes obras de arquitetura representadas pelas cidades emuralhadas e guarnecidas pelas suas torres. O homem primitivo, sedentário, tinha a terra como propriedade comum a toda tribo, a princípio; porém logo se dar a mudança para o regime de propriedade privada e aí surge a necessidade de utilização da AGRIMENSURA para locação de marcos que identificassem os limites entre uma gleba e outra. Isto é mostrado em registros a exemplo da Bíblia em Provérbios 2 .28 que diz: "Não removas os antigos limites, que puseram teus pais."

Sabe-se, também, por investigações realizadas pelos arqueólogos que os babilônios praticavam a AGRIMENSURA em suas obras há 2.500 a.C., conforme registros gravados em argila onde se faz referência aos levantamentos das cidades que tinham traçados de ruas e construções de estradas. Os mesmos registros dão conta de que o grande rei Nabucodonozor construiu, entre outras obras, o maior reservatório de que se tem conhecimento na história da humanidade; com 277.800 metros de circunferência e 59.40 metros de profundidade média tal reservatório, construído em 568 a.C., destinava-se a reserva de água para irrigação. O grande aqueduto de Ezequias, de 592 metros de comprimento, escavado em rocha viva, é um dos artifícios mais estupendos, para suprimento de água no período bíblico, comparável aos túneis de Megido e Gezer, o que constitui notável feito de engenharia.

Heródoto, o pai da história, faz referência do uso da AGRIMENSURA há 1.400 a.C. no Egito, onde se dava a sua aplicação no restabelecimento dos sinais demarcatórios das propriedades, que eram retirados quando das inundações provocadas pelo rio Nilo. Do esforço para a reimplantação desses sinais demarcatórios nasceu a geometria plana.

Graças a propriedade privada e a divisão do trabalho em suas formas mais comuns como a agricultura e os ofícios, apresenta-se uma mudança na organização do povo com a criação do estado e com este o aumento da competição, o que exigia a formação de um grupo controlador das desordens que, para pagar os seus serviços se inventou de cobrar impostos dos donos dos terrenos, surgindo daí outra utilização da AGRIMENSURA, que é o Cadastro fiscal; pois em função do tamanho da propriedade era que se fixava o pagamento do imposto.

Dentre as ciências que tiveram seu desenvolvimento neste período estão a

Matemática, a Filosofia e a Astronomia que utilizaram de métodos dedutivos para conhecer os fenômenos naturais que se apresentavam; estudos esses realizados pelos ricos ou classe alta e os trabalhos manuais eram realizados pelos pobres e/ ou escravos, onde nessa época separava-se nitidamente o trabalho dos "cientistas e dos técnicos”; os últimos encarregados de realizar as grandes construções, com o aporte teórico científico da matemática, especialmente da geometria, o que ajudou em muito o desenvolvimento da AGRIMENSURA nas medições dos terrenos.

É inegável a utilização da topografia na construção das pirâmides, principalmente na marcação das suas bases e na orientação das mesmas, como a de

Quéfrem construída 4.500 a.C.; a de Queóps, com sua base quadrada de 50.0 m2; apesar do método rudimentar de medição o erro cometido foi de um centímetro. Outro exemplo é a construção de sistemas de irrigação implantados para conduzir água a terrenos onde a mesma era insuficiente.

Os primeiros mapas cadastrais se encontram no Egito e se atribui a

Anaximandro da Grécia. A confecção dos mesmos era feito a partir de informações de viajantes de comerciantes e exploradores. Daí conter muitas imprecisões.

Os gregos nos legaram várias obras de aplicação da topografia, como o traçado de cidades, com suas construções a exemplo de teatros para 5.0 espectadores e ruas com divisão entre as casas, como a cidade de Ampurias do I século a.C. Na construção de templos houve a substituição da madeira pela pedra em alguns processos construtivos.

A contribuição dos Romanos em termos de aplicação da AGRIMENSURA é imensa, na construção de estradas; já no governo de Trajano, no I século a.C., na locação e construção dos arcos em todo império. Na construção de pontes como a de Fabrícios, de 62 a.C., com revestimento para dar maior durabilidade. Os edifícios públicos destinados aos jogos e muito especialmente o traçado das cidades por coordenadas retangulares, onde os topógrafos da época usavam a Groma para medir ângulo de 90o .

Os povos indígenas das Américas nos deixaram também vários exemplos de aplicação da AGRIMENSURA na antigüidade, como demonstra as ruínas de Machupichu no Peru, bem como registros construtivos na Guatemala e no México.

Na Idade Média, como se sabe, houve um atraso da ciência devido ao dogmatismo religioso desta época; porém, pode-se destacar nesse período, o avanço da Cartografia na elaboração dos mapas, motivado pelas informações de comerciantes e viajantes, surgindo, assim, as primeiras cartas náuticas.

Devido a cientistas como Issac Newton, Galileu Galiley, Francis Bacon, entre outros, o método experimental teve a sua valorização. Novos equipamentos foram criados para auxiliar nas pesquisas científicas como o Telescópio e a Bússola, inventos estes que revolucionaram a aplicação da AGRIMENSURA.

No século XVII, com o Método Científico, deu-se a articulação da teoria e a experimentação controlada e sistemática para explicar e fundamentar as generalizações sobre os fenômenos da natureza. Em face desse trabalho experimental e conseqüente descobrimento de algumas leis que regem a elaboração de importantes teorias, é que se dá, nesse período da história, a chamada Revolução Científica.

As atividades científicas deixam de ser atividades individuais para se tornarem atividades coletivas dada a criação de entidades como a Royal Society(1662) na Inglaterra e a Academie de Sciences(1668) na França.

Com o uso do Telescópio, em 1611, as medições dos arcos, baseadas na noção de esfericidade terrestre, se faz com a introdução de nova metodologia denominada de triangulação, uma das áreas de aplicação da topografia que foi elaborada por Trisiles nos Países Baixos (1555), por Tycho Brahe (l546-l601) na Dinamarca, cabendo ao holandês Willebrod Snellius (1580-1626) a direção da primeira triangulação para determinar a forma da terra.

A revolução industrial foi muito favorável ao desenvolvimento da Agrimensura como técnica e como ciência. Antes da era industrial as medidas lineares eram definidas por cadeias subdivididas por passos ou por pés como unidades de medidas. Foi na Revolução Industrial que se assumiu como unidade padrão para medidas lineares o Metro, convencionalmente, representando a décima milionésima parte do quadrante terrestre. A utilização do metro junto com a bússola possibilitou uma reviravolta na historia da topografia.

A França realizou a triangulação de todo o reino para fixar as cidades e representa-las cartograficamente em levantamentos de primeira, segunda e terceira ordens. Os trabalhos topográficos modernos eram patrocinados geralmente pelo Estado e realizados por organismos oficiais.

Na Alemanha existem bons mapas, plantas topográficas e cartas militares de seu território, dessa época, que enriquecem a AGRIMENSURA, mormente os baseados nas triangulações geodésicas que tiveram o aperfeiçoamento com os trabalhos de Gauss, com a teoria dos mínimos quadrados em Brunswick entre 1803 e 1807. Nessa época entra em cena os Estados Unidas da América com trabalhos geodésicos, muito aceitáveis.

A AGRIMENSURA é eminentemente prática. As grandes triangulações topográficas são embasadas pelas triangulações geodésicas e as curvas de nível das antigas cartas são traçadas com alturas referenciadas ao nível do mar, curvas de altitudes.

Técnica e Ciência se unem nesse momento para tornar possível as modernas conquistas da humanidade com a aplicação de novas tecnologias. Em face disso a Topografia se vê na obrigação de mudar seus conceitos teóricos, adequando-os a nova realidade sob pena de retroceder no seu desenvolvimento. Graças ao uso da tecnologia, a topografia também vem evoluindo nos seus processos, pois passou dos telescópios primitivos para os trânsitos mecânicos; destes aos teodolitos opticomecânicos; depois os teodolitos eletrônicos, assim também com as medições de distâncias que se realizam indiretamente com os medidores eletrônicos de distâncias. MED.

A eletrônica e a informática introduziram mais avanços na prática da

AGRIMENSURA do dia a dia, onde no passado a ótica e a mecânica reinavam absolutas. Com o desenvolvimento da eletrônica e da informática a AGRIMENSURA passou a tomar conhecimento dos assuntos como o processamento digital de imagens; o sensoriamento remoto satelial e por microondas; as tecnologias ópticas (giroscópios ópticos e níveis a laser); os sistemas gráficos de informações; projetos e apresentações ( CAD- Computer- Aided Desigh , SIG - Sistema de Informação Geográfica, SIC - Sistema de Informação Cartográfica).O último passo nesta evolução é a contribuição dada a AGRIMENSURA pelo Sistema de Posicionamento Global. Sistema esse formado por satélites integrantes do sistema internacional NAVSTAR/ GPS- Global Positioning System, um empreendimento da tecnologia militar da OTAN, que se tornou um eficaz instrumento de ação para a topografia civil.

A primeira tentativa de Levantamento Sistemático do país remonta a 1873, com a criação da Comissão da Carta Geral do Império. Em 1896 decidiu-se a elaboração da Carta Geral do Brasil, a cargo do Estado-Maior do Exército que, em 1932 criou o Serviço Geogáfico do Exército. Em 1936 foi criado o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na época, preocupado com questões mais puramente geográficas e estatísticas que especificamente cartográficas. Em 1937 surgiu a primeira companhia privada dedicada a levantamentos aerofotogramétricos. Em 1944 foi constituído no IBGE o Conselho Nacional de Geografia - CNG, contendo uma divisão de Geodésia e Topografia.

Como se observa a preocupação dos órgãos governamentais com os levantamentos e conseqüente mapeamento no Brasil remonta há mais de um século. Mais recentemente o Decreto 89.817/84 firma as Instruções Reguladoras das Normas Técnicas da Cartografia Nacional, classificando nas suas Especificações Gerais as Cartas quanto à exatidão.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, aprova a NBR-13.133-

Normas Técnicas para os levantamentos topográficos, objetivando regulamentar os serviços com as precisões requeridas para os apoios topográficos e referenciando-os ao Sistema Geodésico Brasileiro e ao Sistema de Projeção UTM, em decorrência das exigências dos métodos aplicados de globalização.

O procedimento para atender as demandas requer profissional com qualificação superior e que tenha competência específica dada a necessidade de interpretação dos dados e o manuseio de instrumental adequado.

O Cadastro Técnico Multifinalitário, que é a ferramenta ideal para o

Planejamento, seja ele local, regional ou nacional, deve utilizar recursos de tecnologia moderna, tais como, GPS, Estação Total, Sistema de Informações Geográficas e principalmente as Ortofotos Digitais.

A legislação brasileira, quanto às questões de direito de propriedade no país passou do antigo sentido privativista para o princípio da função social da propriedade inscrito na Constituição Federal de 1988. O imóvel deixou consequentemente, de representar uma mera parcela do patrimônio de alguém, para constituir um fator de desenvolvimento econômico e social. O Projeto de Parcelamento, ou Lei de Cadastro dar ênfase a observação de três pontos fundamentais: a relevância do documento cartográfico, a necessidade de registro no órgão de Cadastro Territorial e a imprescindível participação de profissional habilitado.

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