Literatura Brasileira

Literatura Brasileira

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Pois, se os textos literários têm uma relação diferente com a realidade, o leitor deve recriar esta realidade utilizando evidências do texto e de seu próprio conhecimento do mundo.

Uma redefinição ou reorientação quanto ao uso do texto literário - tanto nos textos em língua estrangeira como na língua padrão (português) - se toma necessária. Assim, é de suma importância a utilização de textos literários em sala de aula, considerando seu caráter autêntico e dando exemplos de recursos lingüísticos usados na integra.

De acordo com Brumfit (1985), as aulas de literatura dão genuínas oportunidades para o aluno trabalhar as habilidades de leitura, desenvolvendo e aperfeiçoando sua capacidade lingüística.

2.2 FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Existe a ausência de professores de literatura. Quem é afinal professor de literatura? É esta questão complexa que importa esclarecer, guardando para outros cenários uma resposta mais fundamentada. Há uma diferença profissional e formativa entre o professor que aprendeu técnicas de leitura e interpretação do texto literário e aquele professor que, depois de realizada essa aprendizagem essencial, cresceu ainda mais produzindo ele próprio leituras e interpretações. Neste sentido, podemos dizer que uma coisa é ser profissional de literatura e outra bem diferente é ser professor de literatura. Existe uma competência literária profissional dirigida para o ensino técnico da literatura e uma competência literária artística que aponta para a criação textual. O professor de Português possui normalmente a primeira; o professor de literatura tem que possuir ambas. E este último não se identifica pelo grau de licenciado que se vai buscar à universidade.

A profissionalidade do professor de literatura está intimamente ligada às metodologias de ensino. Em vez de reclamarmos a falência do ensino da literatura, que hipoteticamente arrasta o aluno para níveis de incompetência lingüística, em vez de apontarmos o dedo ao ensino da história literária como responsável pela deseducação literária dos alunos portugueses, o melhor seria rever as metodologias de ensino, as rotinas de trabalho, os esquemas conceptuais e as práticas redundantes do professor de Português, a meu ver os verdadeiros problemas que devíamos combater e reformar. Obviamente que esta reforma será sempre a mais difícil de concretizar, porque implica, em primeiro lugar, que o professor de Português assuma que as suas metodologias devem ser revistas; em segundo lugar, implica também que a tutela assuma a adequada responsabilidade formativa, sem a qual nenhum professor poderá corrigir por si próprio a forma como ensina. Defende-se uma vez mais o fim do estudo da história literária e, para fundamentar a tese, cita-se Aguiar e Silva, como se esta opinião fosse original. Falta-se à verdade, uma vez mais, porque não se diz também que essa tese do Professor Aguiar e Silva foi considerada na reforma curricular de 1991 e esteve em vigor no Ensino Secundário até 1996. Durante estes cinco anos de Português sem história literária todos pudemos compreender os equívocos históricos de alunos que desaprenderam as coordenadas da literatura para ficarem entretidos a falar do amor, do mar e da natureza em geral. Se essa experiência apenas conduziu a uma total iliteracia literária e cultural, por que havemos de insistir nela agora?

Estudar história literária é uma aberração, porque, supõe-se e não se demonstra, o aluno fica preso a um catálogo de nomes de autores e de livros que o distraem da aprendizagem dos tais “mecanismos cognitivos essenciais” da língua. E a “resolução de questões da vida quotidiana” fica totalmente nas mãos do novo pedagogo que será o único capaz de integrar socialmente o indivíduo que vai à escola para aprender a ser cidadão. O ensino da literatura é tido como um ato anti-comunicativo, porque o professor de literatura apenas se preocupa com a transmissão de dados culturais e teóricos sobre o texto.

Obviamente, o novo pedagogo desconhece que também é possível ensinar literatura sem ficar preso a esquemas de comunicação passiva. Por outro lado, era importante que o novo pedagogo nos explicasse como é que todas as novas aulas de língua passam a ter o selo de garantia da comunicação interativa, ou seja, como é que os novos professores de Língua Portuguesa vão apenas lecionar aulas dinâmicas e de acordo total com os interesses do aluno. É uma pena que este novo pedagogo não tenha nunca revisitado a Idade Média. Esta experiência de extermínio literário foi tentada pela escolástica. Na altura, o ensino da retórica venceu o ensino da literatura. A 2 Idade Média não compreendeu que a retórica também pode servir o ensino da literatura e vice-versa. Precisamos de uma revolução renascentista para corrigir em parte o problema, como precisamos hoje que o espírito humanista renasça e ilumine de novo quem tem a responsabilidade de construir um currículo nacional.

As competências do professor de literatura não são certamente aquelas que o grupo de professores ligados à Associação de Professores de Português tentaram definir naquilo a que chamaram os “contributivos para a definição do perfil do professor do Século XXI”. Estes contributos fazem parte do Projeto Português 2002, cujo relatório preliminar, apoiado pelo Ministério da Educação, e agora tão publicitado pela APP como seu legado histórico, é uma tentativa de descrição do perfil do professor de Português que não quer, não pode ou não sonha em ser professor de literatura. Quer-se um novo professor de Português, mas sempre se conclui que “o sucesso de toda a arquitetura do ensino assenta, em grande parte, no sucesso do ensino da língua” (p.30), por isso o novo professor tem que provar aos seus alunos “todos os dias que a língua portuguesa é também a pátria de todos nós” (p.31); para isso, não é suficiente o contacto com a literatura (não mencionada), mas “é preciso que na aula de Português se conviva com uma grande diversidade de tipologias textuais”, deduzindo-se que a literatura não possa servir este objetivo, acreditando-se que as obras literárias não podem ilustrar os diferentes tipos textuais. No meio de um sem número de citações gratuitas e generalidades de sebenta pedagógica, ainda encontramos a curiosidade da separação entre a função do professor e a do investigador, duas atividades que não se cruzam, o que pode constituir um insulto para muitos de nós. O professor de Português, porque leciona, “não tem disponibilidade para se dedicar à pesquisa. Daí que caiba ao investigador cumprir esta função de recolher, tratar e divulgar a informação referente ao sistema escolar, para além do seu papel de formador” (p.101).

Talvez seja esta a diferença entre um investigador, um profissional de literatura e um professor de literatura. Mas não há maior equívoco. Todos são um só e quem se dividir ou demitir de todas estas funções não é coisa nenhuma, simplesmente. Não se investiga para servir de bandeja a um professor o produto da investigação, que por sua vez o há de servir em outra bandeja ao aluno, pobre receptor de produto roubado à imaginação alheia. Os sete “mandamentos” do professor de Português do século XXI (p.105) são os legados que a atual equipa dirigente da APP nos quer deixar neste seu projeto: 1) Conhecer e dominar a língua; 2) Estimular as competências comunicativas; 3) Praticar metodologias ativas e diversificadas; 4) Regular o processo de ensino e aprendizagem; 5) Gerir a(s) diversidade(s) e a(s) diferença(s); 6) Envolver-se em dinâmicas de grupo; 7) Promover a mudança. Como vemos, não há espaço para as competências literárias, culturais, sociais, filosóficas, éticas e tantas outras que devem também fazer parte da formação geral e da formação específica do professor de Português. Não há, pois, lugar para a literatura, porque se assume que esta é apenas um meio para alcançar o grande objetivo da formação lingüística, a suprema virtude de um sistema que se fecha sobre si próprio e que é um sinal dos tempos.

O professor de literatura tem que ser em primeiro lugar um investigador de literatura e um profundo conhecedor dos mecanismos da(s) língua(s) em que é possível a revelação (ou materialização, ou concretização, etc.) do texto literário. Não é possível ensinar com rigor científico o que não se leu de forma refletida. O saber teórico do investigador é uma falácia, porque, neste caso, é o mesmo saber da teoria do professor.

2.3O ENSINO DE LITERATURA NÃO TEM SE EFETIVADO NO TEXTO LITERÁRIO, MAS SIM NO LIVRO DIDÁTICO. E ASSIM NÃO VAMOS FORMANDO LEITORES CRÍTICOS NEM HÁBEIS.

Muito se tem discutido sobre Literatura, suas teorias e seu papel no processo ensino-aprendizagem. Percebe-se, claramente, que há uma diversidade de opiniões de acordo com a visão e a formação de cada um. Conceituar Literatura se tornou uma tarefa árdua e inacabada devido às diversas teorias que se desenvolveram através dos tempos. A leitura como fonte de prazer e conhecimento levou os teóricos a abordagens múltiplas, cujo foco principal está no próprio texto.

Afinal, é possível ensinar Literatura? Dentro do processo ensino-aprendizagem tradicional nas escolas de cursos regulares, pode-se dizer que sim, pois seu objetivo é apenas mensurar o aluno, ou seja, transformá-lo em um número de zero a dez e classificá-lo como aprovado ou retido. Na verdade, saber Literatura e Ciência em geral acaba se tornando condição necessária para a evolução acadêmica do aluno, menosprezando-se, em contrapartida, suas competências e habilidades no processo crítico e criativo, objetivo final do ensino de Literatura e Ciência.

A Literatura, enquanto disciplina curricular no Ensino Médio, preocupa-se em preparar o aluno para os processos seletivos, ou seja, torná-lo capaz de ingressar nas melhores universidades, no entanto, não o prepara para a futura vida acadêmica.

Essa prática vai de encontro ao posicionamento de muitos teóricos e suas teorias literárias, que privilegiam o texto, dissociado do autor e do momento em que foi escrito. Essas teorias, uma vez aplicadas, permitem a multiplicidade de sentidos, a plurissignificação dos textos, ampliando seu campo semântico e até extrapolando os limites lógicos da análise direcionada.

Seria esse o caminho ideal para o estudo da literatura que, na verdade, deve-se entender como "estudo do texto literário". Ensinar Literatura é apenas expor informações pré-definidas, prontas para serem "decoradas" e, posteriormente, cobradas nas avaliações e processos seletivos. Percebe-se que saber Literatura é apenas decorar o nome das escolas literárias, suas características, autores, obras e personagens.

Essa prática não desenvolve a habilidade da "trilogia" fundamental para a leitura: análise, síntese e antítese. Muito menos desenvolve o senso crítico, tão necessário à formação global do aluno. Ela apenas serve como um indicador se esse aluno pode ou não cursar uma universidade.

Cabe, então, ao professor apossar-se das teorias e levar o aluno a aprender Literatura através do texto. Este deve ser o princípio e não o fim desse estudo. O aluno não deve receber as informações prontas, os conceitos já definidos, mas sim ir construindo-os a partir do texto literário. Este sim não vem pronto nem acabado, pelo contrário, deve ser visto como o ponto de partida no ensino de Literatura. Ler um poema de Álvares de Azevedo e, através dele, levantar as características de sua poesia, é efetivamente aprender Literatura. E não "decorar" essas características, que vêm prontas no livro didático, para depois observá-las, se isso realmente ocorrer, no texto literário. Portanto, saber Literatura não é saber, por exemplo, que Mário de Andrade é um autor modernista da primeira fase e escreveu Macunaíma, mas sim ter a habilidade de ler, interpretar e analisar de forma crítica o comportamento e as peripécias humoradas e "abrasileiradas" de Macunaíma. Assim, podemos dizer que as teorias literárias têm validade, diferentemente do ensino de Literatura proposto atualmente nas escolas regulares.

3. DISCUSSÃO DOS DADOS

Como vimos à literatura é muito mais que uma simples disciplina no curso médio ou de algum curso nível superior. A literatura vai muito mais alem, mexendo com toda a sociedade, dos mais diferentes lugares, bastando a nós a compreendê-la. Então? Vamos dobrar as mangas e irmos buscar suas profundezas, conhecendo pessoas novas, sua historia, seus costumes e suas crenças. Vamos nos mobilizar nos especializando de forma criativa, tendo como critério a qualidade. Tendo como objetivo de fazer-nos leitores críticos de uma sociedade amorosa, amarga e critica , capazes de entender o mais profundo sentimento de uma pessoa, e a mais alta indignação através dos escritos literários.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Espero ter respondido as perguntas da introdução. Vemos a literatura de modo chato e sem nenhum atrativo. Isso só enquanto não a conhecemos a imensidão de sua riqueza. Literatura é intelectualidade. Se conseguirmos realmente entende-la a pessoas entenderão elas mesmas. Já que literatura são as próprias pessoas escritas nos livros, onde são representados seus medos, suas angústias, e além de tudo isso pode criticar elas mesmas e a sociedade em geral.

Concluo aqui esse TCC, e espero ter contribuído de forma satisfatória e progressiva o modo em que enxergam a literatura, vende-a de modo especial, essencial na formação de uma pessoa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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