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Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Departamento de Engenharia de Construção Civil PCC 436 – Tecnologia da Construção de Edifícios I

Prof. Dr. Francisco Ferreira Cardoso

Assistentes de Ensino:

Luciana A. de Oliveira Marcelo Gustavo Martins

São Paulo Novembro, 2000

1I ntrodução2
2 Coberturas em telhados2
2.1 PARTES CONSTITUINTES2
2.1.1.1 Telhas Cerâmicas4
2.1.1.2 Telhas Onduladas de Fibrocimento7
2.1.1.3 Telha de Concreto9
2.1.1.4 Telha Ondulada de Poliéster10
2.1.1.5 Telha de Aço1
2.1.1.6Telha de asfalto coberta por grânulos (telha tipo 6KLQJOH)13
2.1.2.1 Estrutura de Madeira17
2.1.2.2 Estrutura Metálica18

3Principais aspectos do método executivo de telhamentos em

telhas cerâmicas2
3.1 COLOCAÇÃO DAS TELHAS2
3.2 BEIRAL23
3.3 CUMEEIRA23
3.4 ESPIGÃO23
3.5 RINCÃO OU ÁGUA FURTADA23
3.6 ARREMATES24
3.7 ARGAMASSA DE EMBOÇAMENTO24
4 Conclusões24

A cobertura é um subsistema do edifício e pode ser dividida em dois grupos principais: - lajes de concreto impermeabilizadas;

- coberturas em telhado.

As lajes de concreto impermeabilizadas foram apresentadas por MELHADO (1991) em apostila, e suas partes constituintes e funções foram discutidas durante as aulas de impermeabilização.

Assim, neste trabalho serão apresentados os principais conceitos relacionados às coberturas em telhados.

Ante, porém, apresenta-se um quadro comparativo entre as duas tipologias de cobertura, que consta da tabela 1.

Assim, as coberturas em telhados possuem as seguintes características quando comparadas às lajes de concreto impermeabilizadas:

- menor peso;

- melhor estanqueidade;

- maior durabilidade;

- menor participação estrutural;

- menos suscetibilidade às movimentações do edifício;

- necessidade de forro.

Caracteriza-se aqui o telhado como sendo um revestimento descontínuo constituído de materiais capazes de prover estanqueidade à água de chuva, repousados ou fixados sobre uma estruturação leve.

Neste item serão apresentados as partes constituintes das coberturas em telhados.

As partes constituintes das coberturas em telhados e suas funções principais são assim:

a) telhamento: constituído por telhas de diversos materiais (cerâmica, fibrocimento, concreto, metálica e outros) e dimensões, tendo a função de vedação; b) trama: constituída geralmente por terças, caibros e ripas, tendo como função a sustentação das telhas; c) estrutura de apoio: constituída geralmente por tesouras, oitões, pontaletes ou vigas, tendo a função de receber e distribuir adequadamente as cargas verticais ao restante do edifício; d) sistemas de captação de águas pluviais: constituídos geralmente por rufos, calhas, condutores verticais e acessórios, tendo como função a drenagem das águas pluviais.

Cada uma dessas partes serão apresentadas com mais detalhes a seguir.

3HVR

Os materiais de revestimento utilizados são leves (telhas) e os vãos são vencidos geralmente por treliças, resultando em estruturas leves.

Os vãos são vencidos pelo próprio concreto armado ou protendido, resultando geralmente em coberturas mais pesadas.

É garantida pelo detalhe de justaposição das telhas (encaixe, comprimento de tal sobreposição, etc.) e pela inclinação; a inclinação é fundamental, de forma a garantir uma velocidade de escoamento das águas que evite a penetração pelas juntas, através do efeito do vento, ou através das próprias peças constituintes, quando o material não é suficientemente impermeável.

A continuidade é garantida pela continuidade da superfície vedante; o concreto, pela sua fissuração (devido à retração, movimentação térmica e carregamento), não garante por si só esta continuidade, sendo exigidas as impermeabilizações.

As coberturas em telhados apenas se apoiam sobre o suporte, não tendo participação estrutural significativa no conjunto da edificação. E, ainda, a movimentação devida a mudanças de temperatura ou a outros motivos (até um certo limite) não compromete sua estanqueidade, por estarem as telhas soltas e sobrepostas.

As coberturas de concreto, integram a estrutura do edifício. As movimentações estruturais (variações dimensionais, recalques diferenciais) introduzem tensões na cobertura, o que pode comprometer sua estanqueidade devido à fissuração ou ao trincamento.

Geralmente utiliza-se um forro, que desempenha dupla função: uma é de nivelar o teto e fornecer suporte às instalações, outra é a de propiciar correção térmica, uma vez que os telhados têm em geral pequena espessura. Podese dizer que o espaço de ar confinado entre a cobertura e o forro, e o próprio forro, participam da correção térmica.

Em geral, dispensam a utilização de forros. Por exemplo, nas coberturas em lajes horizontais, o nivelamento do teto e suporte para as instalações já é obtido pela própria laje.

7DEHOD : Quadro comparativo entre coberturas em telhados e lajes de concreto impermeabilizadas (PICCHI, 1994).

Neste item serão apresentados os seguintes tipos de telhas: - cerâmicas;

- onduladas de fibrocimento;

- de concreto;

- ondulada de poliéster;

- de aço;

- de asfalto coberta por grânulos ( telha tipo 6KLQJOH).

Conforme seu tipo, devem atender às disposições da norma “NBR 9601 – Telha cerâmica de capa e canal – Especificações” ou “NBR 7172 – Telha cerâmica tipo francesa – Especificações”.

O controle expedito da impermeabilidade (estanqueidade à agua) é feito moldando sobre ela um anel de argamassa, no interior do qual se põe água até 5 cm de altura. Uma boa telha, em 24 horas, não deixa infiltrar umidade. A umidade só aparecerá após 48 horas, e sem gotejamento. Normalmente, exige-se que a absorção não seja superior a 18%, mas convém registrar que as telhas têm sua impermeabilidade aumentada com o tempo. Isso se deve ao fato de que os poros se obstruem com o limo e a poeira depositada. A superfície das telhas tem de ser lisa, para deixar a água escorrer facilmente e para diminuir a proliferação de musgo (YAZIGI, 1998).

A estanqueidade e o desempenho térmico constituem os dois principais pontos para a avaliação de utilização de um telhado. Dentre as causas das falhas de adequabilidade a esses aspectos têm-se:

- grande número de juntas;

- deslocamento dos componentes durante fortes ventos (declividades e assentamentos inadequados);

- deslocamento das telhas decorrentes de deformações excessivas das estruturas de sustentação;

- projeto inadequado de arremates (encontro de telhados e paredes), extravasores de água, etc.;

- acúmulo de algas, liquens e musgos nos encaixes;

- trasbordamento de calhas e rufos.

O desenvolvimento de musgos nos telhados obstruem os ressaltos das telhas e provocam refluxo das água tornando os telhados escuros, e as calhas podem sofrer obstruções. A mudança de cor avermelhada para tonalidades escuras do marrom aumenta a quantidade de calor de radiação gerado na cobertura e piora as condições de conforto térmico. Os musgos podem ser eliminados por meio da escovação e de lavagem das telhas com produtos tóxicos como, por exemplo, água sanitária e cloro. A escovação é recomendada para ser executada após os períodos de temporadas úmidas.

No recebimento das telhas cerâmicas no canteiro não poderão ser aceitos defeitos sistemáticos como quebras, rebarbas, esfoliações, trincas, empenamentos, desvios geométricos em geral e não uniformidade de cor.

Cada caminhão entregue na obra será considerado como um lote para efeito de inspeção. Segundo SOUZA (1996), com exceção da espessura, que deve ser verificada em uma amostra de 13 peças retiradas aleatoriamente de cada lote, todas as demais propriedades são verificadas em amostras de 20 peças.

As telhas cerâmicas têm de ser estocadas na posição vertical, em até três fiadas sobrepostas. No caso de armazenamento em laje, verificar sua capacidade de resistência para evitar sobrecarga (figura 1).

)LJXUD : Armazenamento de telhas (transparência de aula).

Em princípio, há dois tipos de telhas cerâmicas: as planas e as curvas. As telhas planas são do tipo Marselha, também conhecidas por telhas francesas, e as telhas de escamas, pouco encontradas. As telhas francesas são planas, com encaixes laterais e nas extremidades, com agarração para fixação às ripas. Pesam aproximadamente 2 kg e são necessárias 15 peças por metro quadrado de cobertura. Para a inclinação usual de 30º, isso corresponde a 2 peças por metro quadrado de projeção. As normas técnicas dividem as telhas cerâmicas tipo Marselha em duas classificações, conforme sua resistência a uma carga aplicada sobre o centro da telha, estando ela sobre dois apoios:

1a categoria: resistência mínima de 85 kg; 2a categoria: resistência mínima de 70 kg.

Ainda segundo YAZIGI (1998). uma telha cerâmica, mesmo de 2a categoria, precisa resistir bem ao peso de um homem médio, estando apoiada nas extremidades. Esse é um processo para verificar a qualidade no momento do recebimento, sendo que a espessura média para essas telhas é de 1 a 3 cm.

As telhas de escamas são feitas para emprego em mansardas e telhados de ponto elevado, situação em que as telhas francesas escorregariam sob o efeito do vento. Essas telhas são simples placas planas com dois furos, pelos quais se passa arame para prendê-las às ripas. Para a caracterização do conceito de ponto, ver figura 2.

As telhas do tipo capa e canal, também chamadas romanas ou coloniais, podem ser simples ou com encaixes e de cumeeira. As coloniais simples, sem encaixe, pesam 1,80 kg por unidade. As coloniais de encaixe são de diversos desenhos e tamanhos. O sistema de fixação destas telhas também variam muito. As telhas de cumeeira são usadas nas cumeeiras e nos espigões, são do tipo capa, mas com encaixe e desenho de arremate.

As dimensões usuais das telhas cerâmicas estão representadas na figura 3.

O ponto é a relação H/L, sendo ainda usada a seguinte nomenclatura: 1:2 – ponto meio

1:3 – ponto terço 1:4 – ponto quarto

O ponto é dito elevado a partir de 1:3 (inclinação acima de 33º40’ ou declividade maior do que 100%)

)LJXUD – Caracterização do ponto elevado (notas de aula).

)LJXUD : Dimensões e declividades de telhas cerâmicas (transparência de aula).

Pelo baixo custo dos telhados executados com as telhas onduladas de fibrocimento, estas são bastante utilizadas em edifícios habitacionais de padrão popular, inclusive unifamiliares, embora não proporcionem adequado conforto, sobretudo térmico. Juntamente com as telhas de aço, são bastante empregadas em edifícios comerciais e industriais.

Devem atender às disposições da norma “NBR 7581 – Telha ondulada de fibrocimento – Especificações”.

Trata-se de produto fabricado com mistura homogênea de cimento Portland e fibras de amianto. A tabela apresenta as dimensões padronizadas das telhas onduladas de fibrocimento.

7DEHOD dimensões padronizadas das telhas onduladas de fibrocimento (YAZIGI, 1998).

O recobrimento lateral é de ¼ de onda. O recobrimento mínimo longitudinal é de 14 cm.

As telhas com comprimento superior a 1,83 m (de 6 m) e de 2,13 m (de 8 m) exigem terça intermediária de apoio.

Apoiadas em estrutura de madeira, metálicas ou de concreto, as telhas deverão ser fixadas com acessórios apropriados, fornecidos pelo fabricante. Tal fixação é feita com ganchos, parafusos e grampos de ferro zincado, com utilização de conjunto de arruelas elásticas de vedação, massa de vedação e cordões de vedação.

As telhas precisam apresentar a superfície das faces regular e uniforme, bem como obedecer às especificações de dimensões, resistência à flexão, impermeabilidade e absorção de água.

A observação de trincas, quebras, superfícies das faces irregulares, arestas interrompidas por quebras, caroços, remendos e deformações, será feita visualmente, inspecionando as amostras retiradas de cada lote.

Cada caminhão entregue na obra com um máximo de 500 telhas será considerado como um lote para efeito de inspeção. Segundo SOUZA (1996), as propriedades são verificadas em amostras de 13 peças, retiradas aleatoriamente de cada lote.

As telhas têm de ser armazenadas em pilhas de até 35 peças, apoiadas em três pontaletes paralelos, sendo um no centro e os outros a 10 cm de cada borda. No caso de armazenamento sobre laje, verificar sua capacidade de resistência de modo a descartar qualquer risco de sobrecarga (YAZIGI, 1998).

)LJXUD : Armazenamento de telhas de fibrocimento (transparência de aula).

Na montagem da primeira fiada as chapas precisam ser fixadas com um parafuso por chapa (colocado na crista da 2a onda), necessitando a última chapa ser fixada com dois parafusos (na crista das 2a e 5a ondas). Nas chapas das fiadas intermediárias, terão de ser aplicados dois ganchos chatos na cava da 1a e 4a onda. As cumeeiras deverão ser fixadas com um parafuso de cada lado, sendo a última delas com dois parafusos de cada lado. O caimento mínimo a ser empregado é de 10º ou seja 17,6% (abaixo desse limite, estar-se-á arriscando infiltração de água através da junção das telhas).

A superposição das chapas variam conforme sua inclinação, sendo portanto:

- para telhados com menos de 15º de inclinação, usar recobrimento longitudinal mínimo de 20 cm;

- para caimentos maiores de 15º, pode-se usar recobrimento longitudinal de 14 cm.

O espaçamento máximo entre as terças é de 1,69 m. Por essa razão, a chapa mais econômica é a de 1,83 m, já que para as telhas maiores se torna indispensável a colocação de terça intermediária (para telhas de 6 m de espessura). Quanto aos beirais, os comprimentos das chapas, máximo e mínimo, em balanço são:

- beirais sem calha: máximo 40 cm e mínimo 25 cm;

- beirais com calha: máximo 25 cm e mínimo 10 cm.

A montagem das telhas deverá ser iniciada a partir do beiral para a cumeeira. Para uma montagem e utilização do sistema de cobertura em telhas onduladas de fibrocimento eficientes, precisam ser seguidas as seguintes recomendações:

- não se pode pisar diretamente sobre as telhas; usar tábuas apoiadas em três terças, em coberturas muito inclinadas, amarrar as tábuas;

- utilizar ferramentas manuais (serrote, arco de pua, etc.). Se houver a necessidade de utilização de serras elétricas, recomenda-se as de baixa rotação para evitar a dispersão do pó de amianto;

- procurar sempre realizar o trabalho ao ar livre;

- umedecer as peças de fibrocimento antes de cortá-las ou perfurá-las.

Finalmente, cabe dizer que existem outras telhas em fibrocimento com seções diversas e capazes de vencer grandes vãos, que são sobretudo empregadas em edifícios comerciais e industriais, em abrigos para veículos.

As telhas de concreto e suas peças complementares são compostas de aglomerantes, agregados e óxidos que são responsáveis pela sua coloração. Têm uso ainda limitado no Brasil, sendo empregadas sobretudo em edifícios de médio e alto padrão.

A tabela apresenta as dimensões nominais da telha de concreto, comumente conhecida como tipo 7pJXOD, que é o seu principal fabricante.

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7DEHOD : Dimensões nominais da telha de concreto do tipo 7pJXOD (GUIA TÉGULA,1999).

Segundo catálogo do fornecedor (GUIA TÉGULA, 1999) esta telha apresenta uma espessura média de 12 m, absorção de água entre 7 a 10% e resistência mínima à flexão de 300 kg.

Para as montagens dessas telhas, inicia-se da direita para a esquerda e de baixo para cima.

A sobreposição de uma cumeeira sobre outra é de 7 cm. É muito importante que no emboçamento das peças complementares a argamassa utilizada fique protegida pela cumeeira, ou seja, significando que a massa não deve ficar exposta às intempéries. Podese ainda adicionar um pigmento à argamassa de assentamento da mesma coloração das telhas.

Deve-se, no caso de armazenamento das peças, providenciar com antecedência um local plano para a descarga das telhas e prepará-lo com uma camada de 5 cm de areia, evitando assim que as telhas estocadas sujem em contato com a terra ou barro. É importante considerar a quantidade de telhas empilhadas, e recomenda-se no máximo três na vertical.

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