Acidente vascular cerebral

Acidente vascular cerebral

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Tiago João Fialho Boaventura Ano: 2007/2008 Turma: E

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INTRODUÇÃO4
1. ACIDENTE VACULAR CEREBRAL (AVC)5
1.1- DEFINIÇÃO DE AVC ............................................................................................................................... 5
1.2- MANIFESTAÇÕES CLINICAS ................................................................................................................. 6
1.3- FACTORES DE RISCO ............................................................................................................................ 7
1.4- FISIOPATOLOGIA .................................................................................................................................. 1
1.5- TIPOS DE AVC ....................................................................................................................................... 12
1.6- PROBLEMAS ASSOCIADOS À LESÃO NEUROLÓGICA PROVOCADA POR AVC ............................. 13
1.7- PROBLEMAS SECUNDÁRIOS E COMPLICAÇÕES DAS LESÕES NEUROLÓGICAS POR AVC ....... 18
1.8- INTERVENÇÕES APÓS UM AVC .......................................................................................................... 18
2. RECUPERAÇÃO APÓS AVC24
2.1- A FASE DA RECUPERAÇÃO ................................................................................................................................. 24
2.2- FACTORES QUE INFLUENCIAM A RECUPERAÇÃO ......................................................................................... 24
2.3- DIRECTRIZES DO TRATAMENTO ........................................................................................................................ 25
2.4- PLANEAMENTO DO PROGRAMA DE REABILITAÇÃO ........................................................................................ 27
3. POSICIONAMENTO CORRECTO E MANUSEIO INICIAL28
3.1- INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................ 28
3.2- INFLUÊNCIA DA POSIÇÃO DO TONUS MUSCULAR ......................................................................................... 29
3.3- ABORDAGEM DO PACIENTE E OUTROS ESTÍMULOS SENSORIAIS ............................................................... 30
4. DEITANDO E SENTANDO NA CAMA30
4.1- DEITANDO DE COSTAS (POSIÇÃO SUPINO) ..................................................................................................... 30
4.2- POSIÇÃO DE LADO (DECÚBITO LATERAL) ....................................................................................................... 32
4.3- DEITANDO SOBRE O ESTÔMAGO (POSIÇÃO PRONO) ..................................................................................... 3
4.4- SENTANDO NA CAMA ........................................................................................................................................... 34
4.5- SENTANDO COM AS PERNAS FORA DA CAMA ................................................................................................. 34
5. TRANSFERÊNCIA DA CAMA PARA SENTADO EM UMA CADEIRA35

Índice 5.1- TRANSFERÊNCIA DA CAMA PARA A CADEIRA ................................................................................................. 35

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5.2- TRANSFERÊNCIA COM AJUDA ............................................................................................................................ 37
5.3- TRANSFERÊNCIA SEM AJUDA ............................................................................................................................ 37
6. POSIÇÃO CORRECTA37
CONCLUSÃO38
BIBLIOGRAFIA39

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ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL Página 4 o âmbito do Curso de Massagem Geral, Fisioterapia, Recuperação, Desporto e Estética, a decorrer na Feelgood, no período compreendido entre Abril e 2007 e Abril de 2008, foi solicitado pela docência a elaboração de um trabalho final de curso. Pela qual, após alguma pesquisa decidi elaborar um trabalho sobre o AVC. Dado à vasta e extensa pesquisa e matéria, tive que ultrapassar o limite de páginas estabelecidas pelos coordenadores. Tendo em conta, ao tema escolhido, este trabalho deverá servir para adquirir conhecimentos nesta área e, para que desenvolva uma série de técnicas de observação e de planeamento dos cuidados, de forma a que possa prestar esses mesmos cuidados de uma forma humana e individualizada. Aproveito para salientar que o AVC, induz a que o técnico de saúde, veja um caso como um só, pois cada utente tem os seus sinais e sintomas, logo reage de sua forma, e tem as suas dificuldades. Um assunto tão vasto como o acidente vascular cerebral, que abrange indivíduos com diferentes graus de incapacidade e grande diversidade de doenças associadas, não pode ser totalmente esgotado neste trabalho. No entanto, é aqui feita referência à maior parte das actividades essenciais à autonomia, baseadas no quadro clínico resultante do tipo de acidente vascular mais frequente. Se houver dúvidas sobre o caso concreto de um doente, deve ser consultado o médico ou um terapeuta. Explicar, de uma maneira simples, o que é um AVC é uma forma de diminuir a ansiedade que esta situação pode provocar e de tornar mais claros os procedimentos a adoptar. Os objectivos deste trabalho:

• Aprofundar conhecimentos teórico-práticos para a carreira de técnico de saúde.

• Saber fazer um diagnóstico.

• Qual o tratamento adequado para cada situação.

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1. ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC)

O acidente vascular cerebral é a mais vulgar do sistema nervoso e de morte em vários países de todo o mundo. E ainda principal causa de incapacidade neurológica, dependente de cuidados de reabilitação, estando a sua incidência relacionada com a idade.

1.1 DEFINIÇÃO DE AVC

O acidente vascular cerebral (AVC) refere-se a um complexo de sintomas de deficiência neurológica, durando pelo menos vinte e quatro horas e resultantes de lesões cerebrais provocadas por alterações da irrigação sanguínea, ou seja, quando parte do cérebro deixa de ser irrigada pelo sangue. Isto sucede sempre que um coágulo se forma num vaso sanguíneo cerebral ou é transportado para o cérebro depois de se ter formado noutra parte do corpo, interrompendo o fornecimento de sangue a uma região do cérebro. Pode, também, resultar da ruptura de uma artéria cerebral e, neste caso, o sangue que dela extravasa vai destruir o tecido cerebral circundante. Em qualquer dos casos, o tecido cerebral é destruído e o seu funcionamento afectado.

As lesões cerebrais são provocadas por um enfarte, devido a Isquémia ou hemorragia, de que resulta o comprometimento da função cerebral. Este acontecimento pode ocorrer de forma ictiforme (súbito), devido à presença de factores de risco vascular ou por defeito neurológico focal (aneurisma).

A presença de danos nas funções neurológicas origina deficits a nível das funções motoras, sensoriais, comportamentais, perceptivas e da linguagem. Os deficits motores são caracterizados por paralisias completas (Hemiplegia) ou parciais/ incompletas (hemiparésia) no hemicorpo oposto ao local da lesão que ocorreu no cérebro. É do cérebro que partem os estímulos para movimentar os músculos. A metade direita do cérebro comanda o lado esquerdo do corpo e vice-versa. Por conseguinte, uma lesão na metade direita do cérebro pode causar paralisia do lado esquerdo, enquanto que uma lesão da metade esquerda do cérebro pode causar paralisia do lado direito. As lesões da metade esquerda do cérebro podem dar origem a perturbações da fala e levar o doente a perder percepção do lado direito do corpo ou do ambiente que o rodeia. À paralisia de um dos lados do corpo dá-se o nome de hemiplegia (esquerda ou direita); a perda da capacidade da linguagem chama-se afasia. Podem ainda ocorrer outros problemas, como a perda da sensibilidade ou da força no lado afectado, perturbações do equilíbrio e alterações da visão.

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Uma pessoa que sofre um acidente vascular cerebral deve sempre ser observada num hospital, no mais curso espaço de tempo, para se avaliar a necessidade de internamento e ser estabelecido tratamento adequado, até para evitar que o acidente se repita.

A localização e extensão exactas da lesão provocada pelo AVC determinam o quadro neurológico apresentado por cada utente e, o seu aparecimento é normalmente repentino, oscilando entre leves ou graves, podendo ser temporários ou permanentes.

1.2- MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

O AVC manifesta-se de modo diferente em cada pessoa, pois depende de muitos factores, como sejam, a área do cérebro atingida, o tipo de AVC (Isquémico ou Hemorrágico), a causa geral do AVC, os factores de risco presentes, o estado de saúde geral da pessoa, entre outros. De modo geral, a principal característica é a rapidez com que aparecem as alterações, sendo de segundos a horas, ou seja, de maneira abrupta ou rapidamente progressiva. Os sintomas mais comuns são: ● Fraqueza ou adormecimento de um membro ou de um lado do corpo;

● Formigueiro de um lado do corpo ou de um membro;

● Dificuldade de movimentação, tonturas ou perda de coordenação e de balanço;

● Alteração da linguagem (dificuldades na fala) e incapacidade de compreensão (não conseguir entender o que é dito); ● Perda de visão num olho ou em ambos;

● Dor de cabeça súbita, seguida de vómitos, sonolência ou coma;

● Perda de memória, confusão mental e dificuldades para executar tarefas habituais.

Estes sintomas não são exclusivos de um AVC, mas servem de alerta. Deve-se procurar auxílio médico imediatamente e evitar medicação sem orientação médica. No caso de pacientes mais idosos, já acamados, é importante prestar atenção à sua capacidade habitual de movimentação dos membros e à quantidade e horário de sono, entre outros.

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No hospital o médico faz vários exames para: - Confirmar ou afastar o diagnóstico;

- Verificar a gravidade e evolução da doença;

- Certificar-se do local da lesão.

Para determinar os exames necessários, é preciso informação fornecida pelos acompanhantes ou pelo próprio paciente quando possível. No geral as informações mais importantes são: os sintomas (o que o paciente está a sentir), se a evolução dos sintomas foi rápida ou lenta, quais os medicamentos que o paciente toma, e quais as doenças prévias e actuais. Os exames complementares mais comuns são exames laboratoriais se sangue e urina, avaliação cardíaca e pulmonar, e exames de imagem do encéfalo.

1.3 -FACTORES DE RISCO

Os factores de risco aumentam a probalidade de um acidente vascular cerebral, mas, muitos deles, podem atenuar-se com tratamento médico ou mudança nos estilos de vida.

Os principais factores de risco de AVC são, a arteriosclerose, a hipertensão arterial, o tabagismo, o colesterol elevado (dislipidémia), o Diabetes Mellitus, a obesidade, doenças das válvulas e arritmias cardíacas, dilatações do coração como na doença de Chagas, a hereditariedade, sedentarismo, o uso de anticoncepcionais orais e a idade (a probalidade de ocorrência de AVC aumenta com a idade).

Na história familiar, em Portugal, cerca de 30% de doentes com AVC’S têm história familiar de AVC’S, isto é, esses pacientes têm pelo menos um familiar afectado por esta doença. A influência de um estilo de vida comum entre membros de uma família pode também contribuir para um “AVC familiar”. Os genes têm um papel na expressão de factores de risco de AVC como hipertensão, doenças cardíacas, diabetes e malformações vasculares. Existe evidência que sugere a existência de genes que predispõem um individuo para desenvolver ou ser resistente a AVC’S.

Existem outras causas menos frequentes de AVC como doenças inflamatórias das artérias, alguns tipos de reumatismo, uso de drogas como a cocaína, doenças do sangue e da coagulação sanguínea.

Finalmente, a presença de Acidentes Isquémicos Transitórios (AIT’s) é um factor de risco extremamente importante visto que cerca de 1/3 dos indivíduos que sofrem AIT’s acabarão por sofrer um AVC dentro de cinco anos.

Quanto maior for o numero de factores de riscos identificados no individuo, menor será a probalidade de ocorrência de AVC.

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1.3.1 - FACTORES DE RISCO NÃO MODIFICÁVEIS

Idade – O risco de AVC aumenta com a idade.

Sexo – Os homens correm maior risco de ter um AVC, embora mais mulheres morram de AVC’S. Isto ocorre porque os homens têm AVC’S mais cedo, tendo maiores hipóteses de recuperação.

Grupo étnico e racial – Certos grupos étnicos têm maior risco de ter AVC’S que outros. Por exemplo, pessoas da África ocidental e das Caraíbas têm o dobro do risco de ter um AVC em relação a uma pessoa caucasiana.

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