Interlandi 02 - história da ortodontia na europa

Interlandi 02 - história da ortodontia na europa

(Parte 1 de 2)

G.P.F. Schmuth

Em um curto tratado não é possível entrar minuciosamente em todos os aspectos de uma descrição histórica da Ortodontia. Preciso ater-me a evidenciar as diversas tendências no desenvolvimento da Ortodontia científica e prática em cada época. O desenvolvimento de uma especialização médica resulta da comparação de velhas e sempre novas informações literárias sobre os métodos de diagnóstico e terapia. Quem já está, há mais de vinte anos, envolvido numa mesma disciplina, possui também considerável grau de experiência própria. A respeito do desenvolvimento da ortodontia tive a oportunidade de discutir com meus professores AM. Schwarz (Viena) e Karl Haupl (que atuou em Innsbruck, Oslo, Braga, Berlim e Düsseldorf), e percebi que, sob o método subjetivo de observação, podem resultar diversidade de opiniões. A componente subjetiva da interpretação também será aqui inevitavelmente preservada.

Abranger totalmente todas as fontes de literatura é, mesmo com todo o cuidado, quase impossível. Selecionar todas as informações e organizá-Ias é um trabalho onde o acaso, dentre outras circunstâncias, representa um papel decisivo.

Tendências do desenvolvimento

A maioria dos autores é de opinião que, antes do final do século, será muito pouco provável que se encontre uma sistemática, não só no que se refere ao diagnóstico como também à terapia ortodôntica. Contudo, há muitas publicações pelas quais o desenvolvimento progressivo da matéria foi decisivamente influenciado. Já no francês Fauchard (1728) se encontra uma boa doutrina e também referências sobre etiologia da irregularidade nas posições dentárias. Em 1746 aparece um interessante trabalho, também de um francês, M. Bunon, no qual foi dada ênfase especial às causas da falta de espaço para os dentes. Consta que o austríaco, Adam Brunner (1771), tenha sido o primeiro notável escritor em língua alemã no ramo da ortodontia. Isto foi conhecido no ano de 1778, através da publicação do inglês J. Hunter, com o título "Natural history of the teeth and their deseases" (traduzido para o alemão em 1780). Em 1803 aparece o notável trabalho do inglês [oseph Fox sobre falta de espaço para os dentes e o tratamento com extração sucessiva. Um dos melhores manuais do século XIX é o de w. Imrie (1834). O primeiro livro de ortodontia em língua alemã foi publicado por F. Ch. Kneisel (Berlim), no ano de 1836. O francês Le

Foulon sugere, em 1841, o arco interno para expansão dos arcos dentários, no qual posteriormente foi baseado o aparelho de Mershon (1918). A primeira banda para ancoragem de um arco foi descrita no livro do francês Schange (París em 1841). Carabelli (Viena), no adenóides. Quinby, na Inglaterra, apresenta por volta de 1884, métodos para a correção de hábitos viciosos (chupar dedo, língua, lábio etc.), dando ênfase à autonormalização da mordida, após a perda do hábito. Ele foi, com isso, O desbravador do caminho à pesquisa na Inglaterra depois da I Guerra Mundial, bem como Rix, Ballard, Hovell, Pringle e Tulley.

O pesquisador alemão Walkhoff (1888 -

Munique), em suas publicações, explica não só a etiologia mas também as conseqüências das anomalias de posição dentária. Especialmente divulga da foi sua teoria da tensão (Spannungstheorie) para explicar as modificações ósseas que ocorrem sob a influência mecânica de aparelhos ortodônticos. Na sua opi- nião, a tensão faz ocorrer primeiro somente um abaulamento com transposição, e não uma transformação imediata dos elementos ósseos por reabsorção e neoformação. Esta concepção é também defendida por Kingsley, apesar de Tomes, algumas décadas antes, já ter diretamente admitido a neoformação e reabsorção óssea como efeito da ação da força ortodôntica. Walkhoff ocupou-se também com a extração dentária. A extração dos primeiros molares, que muitas vezes são prematuramente atacados pela cárie, foi tema de uma publicação de Sternfeld (1888). J. Abonyl, em 1889, menciona a análise epidemiológica em 7000 dentaduras (em parte também crânios coletados no Museu Anatõmico e Antropo-

lógico de Viena). Fenchel, em Hamburgo, ocupou-se de medições odontológicas em crânios, relatadas em 1893. As pesquisas nesta época concentram-se não só no campo da oclusão . mas também na situação dos maxilares no crânio. Ao mesmo tempo; a primeira "Escola Ortodôntica", fundada pelo americano E.H.

Angle, ganha terreno e influencia também, sempre mais, a Ortopedia na Europa. O inglês J.E Coyler publicou, ainda em 1900, um trabalho especial sobre Ortodontia. No começo do século X aparecem na Europa numerosos relatórios sobre normalização espontânea da oclusão, após 'extração sistemática de dentes (recusada fortemente por Angle), escritos por Lipschitz (1902) e Kuhnert (1903).

A teoria "Jumping the bite" , introduzida pelo americano Kingsley, deu ensejo ao emprego de diversos aparelhos, como planos in- seu Manual de Odontologia, publicado em 1842, recomenda a construção de aparelhos ortodônticos sobre modelos dentários. Na Alemanha em 1842, J. Linderer publica (em 2ª edição) um Manual de Odontologia, no qual se fala também detalhadamente, sobre a regularização da posição dos dentes. O francês Talma (1854) é, segundo Pfaff, o primeiro or- todontista que utilizou um parafuso para expansão maxilar. Na pesquisa básica encontrase uma publicação de Engel (1849 em Viena) sobre a "Influência, na conformação maxilar, através da formação dentária". O francês Magitot escreve, nove anos depois, sobre uma análise epidemiológica, em que 2000 desvios da posição dentária normal são citados (1858).

Esta deve ter sido a primeira estatística neste campo. Foi ele também O primeiro a dar atenção ao fator hereditário na ausência congênita de dentes. A terceira assembléia anual da As- sociação Central de Dentistas Alemães (Zentralverein Deutscher Zahnârzte) tem como tema principal, "Regularização dos Dentes", sobre o qual Heider, no ano de 1862, faz referência no jornal trimestral de odontologia. G. von Langsdorff (Würzburg 1863) foi um dos primeiros a se preocupar com a influência dos tecidos moles sobre a posição dos dentes. Kleinmann (1869), em publicação sob o título "Ação da língua sobre a posição dentária", aprofunda-se mais neste tema. Em 1881, J. Iszlay (Budapeste - Hungria) torna pública uma nova nomenclatura, considerada algo complicada, Um notável enriquecimento das possibilidades mecânicas surge através do inglês W. Coffin, no ano de 1882, com a propagada placa expansora de vulcanite e mola de aço dobrada em "W" (cordas de piano). A pri- meira placa feita em caucho foi descrita já em 1840 por Brewster (E. von Schnizer). Sobre a ótima possibilidade de limpeza dos aparelhos removíveis e uma melhor higiene dentária refere-se Bock (Nürnberg 1883) num artigo especial, descrevendo ao mesmo tempo a primeira expansão violenta de sutura pala tina (Gaumennahtsprengung). Na mesma época preocupa-se J. Parreidt com uma análise sobre a etiologia das irregularidades na posição dentária, com especial atenção à pressão exercida pelas bochechas nos casos de mordida aberta e no desenvolvimento de formações clinados em bandas-molares (por Birkfeld em Hamburgo - 1902).Me Bride (1902)utilizou aparelhos a placa, numa modificação da Placa de Kingsley, e preocupou-se com teorias de neoformação da articulação temporomandibular, nas modificações da oclusão. E. Herbt (em Bremen, mais tarde em Münster) foi certamente o primeiro, em 1903,a apresentar peças pré-fabricadas para montagem de aparelhos de correção.

A influência do americano Angle foi sempre nítida. Seus primeiros discípulos euro- peus, Grünber (Berlim) como também Oppenheim (Viena) e Friel (Dublin/Irlanda), leva- ram a nova doutrina de Angle para a Europa. Mas, de nenhum modo, a Ortodontia euro- péia foi totalmente influenciada pela Escola de Angle. Em seus ensinamentos dava Angle especial atenção à necessidade de pesquisas básicas, sobre as quais ele mesmo ainda não podia demonstrar nada de concreto. Por outro lado, o sueco Sandstedt, em 1904 e 1905, ocupou-se de análises histológicas para explicar as modificações ósseas decorrentes dos movimentos dentários efetuados ortodonticamente. Em 1911 Oppenheim publicou um relatório sobre pesquisas histológicas em macacos. Os resultados são descritos no conhecido manual de E.H. Angle, razão

por que Sandstedt fora menos divulgado. O progresso da Ortodontia, de 1911 a 1936 (25 anos), foi apresentado claramente por Sh. Friel na Revista de Odontologia, em 1936, na Holanda. Ele dividiu o tema como segue: 1. Crescimento e desenvolvimento da face e dos maxilares 2. Oclusão dentária

3. Etiologia da maloclusão 4. Diagnóstico da maloclusão 5. Tratamento.

1. O crescimento não é um processo contínuo, mas ocorre em surtos e nem sempre na mesma intensidade ou direção. 2. A oclusão dentária não é predominantemente um arranjo mecânico, porém uma visível expressão do crescimento ósseo. A oclusão é continuamente modificada à me- dida que o crescimento progride, desde a erupção dos dentes de leite até a de todos os permanentes.

3. Brash compilou, em 1929, todas as 'publicações sobre etiologia da maloclusão, contudo tidas como de pouco valor científico. Ao mesmo tempo foram efetuadas por Kantorowicz e Korkhaus extensas pesqui- sas a respeito, na Escola de Bonn. Também A.M. Schwarz (Viena) ocupou-se intensi- vamente com este problema. 4. O diagnóstico alcançou notável enriqueci- mento através da exata orientação dos modelos e análise sistemática de Simon (Berlim), Rudolf Schwarz (Basel), Korkhaus (Bonn) e de Coster (Bruxelas).A técnica te- lerradiográfica, introduzida na Ortopedia dos Maxilares em 1931por Hofrath (Düsseldorf), não mereceu, na metade da déca- da de trinta, qualquer parecer. Já alguns anos antes, o holandês van Loon havia recomendado o uso de "Cubuscraniopho- rus" para orientação dos arcos dentários efi' relação ao crânio.

Broadbent (USA) havia introduzido, também em 1931, a técnica telerradiográfica em ortodontia, que foi antes de tudo utilizada para o estudo do crescimento. Isto teve um caráter muito importante porque, como foi afirmado por de Coster (Bruxelas), simples anomalias de posição dentária deviam ser apreciadas e tratadas diferentemente dos distúrbios de crescimento. Por isso era necessário, muitas vezes, um tratamento em etapas.

5. Com respeito à terapia não há, até o ano de 1936,na opinião de Friel, nada de novo. Ao lado dos aparelhos fixos de arco e banda, utilizavam-se esporadicamente também aparelhos a placa, que foram propalados, em especial, pelo holandês Ch. EL.

Hord, como sendo o método ideal para uma ortopedia de caráter social.

Nesta época foram desenvolvidas as Placas ativas por A.M. Schwarz (Viena) e os Ati- vadores por Andresen e Hâupl (Oslo).Apare- lhos de Ortopedia Funcional dos Maxilares já existiam de forma rudimentar, muito antes, ou seja, o Monobloco de P. Robin, que mais tarde seria utilizado e recomendado também por Watry (Bélgica).

O tratamento com aparelhos de ortopedia maxilar removíveis alcançou grande aceitação pela simplicidade de construção dos mesmos, fabricados em vulcanite pelo método (Streichverfahren) a que se referiu AM. Schwarz (Viena),em 1926.O mesmo autor introduziu o grampo "ponta de flecha", depois de haver provado todos os meios de retenção de placas, desde o pó para estabilização de próteses até os grampos fundidos (z.f. Stomat. 1935 H.23). Da mesma forma, foi considerada como um progresso importante, a introdução do fio de aço inoxidável de Wipla. Rudolf Schwarz (Basel)já havia utilizado, antes dos americanos, o aço inoxidável como arco vestibular retangular, segundo afirma Hotz.

AM. Schwarz tem o especial mérito de haver pesquisado as diversas forças ortodôn-

ticas através de estudos histológicos e experimentos correspondentes, tendo concluído que as forças biologicamente favoráveis são aquelas que não ultrapassam a pressão capilar de 15 - 20g por em". Forças maiores também podiam ser utilizadas sempre que a ação pudesse ser interrompida (aparelhos ortopédicos removíveis). AM. Schwarz propagou o conceito dos quatro graus de ação biológica. Através deste trabalho científico e da introdução da Ortopedia Maxilar pelo dinamarquês Andresen e, mais particularmente, por sua ligação teórica e científica com o austríaco Karl Haupl e mais tarde com o discípulo Josef Eschler,foi aberto o caminho para a substituição dos aparelhos ortodônticos fixos pelos removíveis e, em especial, para a Ortopedia Funcional dos Maxilares. Em particular, na Alemanha, houve um aumento do emprego de placas expansoras depois que, em 1935, fora proibido o emprego de ouro e outros metais preciosos na ortodontia.

Os Primeiros Especialistas em Ortodontia na Europa

Na publicação comemorativa a Ch. F.L.

Nord, na Revista Holandesa de Odontologia em 1936, encontra-se uma fonte literária na qual são mencionados alguns dos primeiros especialistas em ortodontia. Deles fazem parte Geo Villain,da École Dentaire de Paris, e Harold Chapman, o primeiro na Inglaterra (1921), que desde 1911já era Lecturer in Orthodontics no London Hospital Dental School. A seguir menciona-se J. Lucien de Coster (Bruxelas), que, desde 1923praticou exclusivamente ortodontia como pioneiro na Bélgica.Sh. Friel, irlandês de Dublin, trabalhou desde 1910como primeiro ortodontista na Irlanda e foi, além disso, Lecturer in Orthodontics na Dental School/Dublin. Na Alemanha, ao lado de al- guns americanos que foram provavelmente enviados por Angle a Berlim, trabalhou P.W.

Simon, que exercia a ortodontia em consultó- rio.Apartir de 1921foi chefedo Departamento de Ortopedia Maxilar,no Zahnârztliches Universitâtsinsttut - Berlim. Em 1922 publicou

Simon as bases de um sistema de diagnóstico das anomalias dentárias e em 1925,um trabalho sobre o conceito de normal (Normbegriff) em ortodontia. Em 1926foi realizada uma tradução de ambos os livros para o inglês. Em 1934,Simon demonstrou no Congresso da European Orthodontic Society,em Scheveningen, o Aparelho de Wipla (Wipla- Flat - apparatur), constituído de bandas e que podia ser construído com alicates especiais sem exigir soldagem. Até para a construção de tubos foram apresentados alicates próprios.

Esta lista dos primeiros especialistas em ortodontia na Europa é, sem dúvida, incompleta. Pretende lembrar somente que a prática da ortodontia, nos diversos países europeus, foi primeiramente exercida por uma minoria de especialistas e, talvez, sem caráter exclusivo. Ainda hoje o número de dentistas clínicos que exercem a ortodontia, na maior parte dos países, é bem maior do que os especialistas na matéria. Muitos ortodontistas renomados nunca se dedicaram exclusivamente ao campo ortodôntico. Deles fazem parte, por exemplo, os conhecidos professores de ortodontia: Viggo Waldemar Julius Andresen (Oslo/Noruega), desde 1925 diretor do Departamento de Ortodontia em Oslo, Prof. Dr. A Cieszynski, na Polônia e os Prof. Oppenheim, AM. Schwarz e Petrik, em Viena.Na Áustria, somente depois da 'Il Guerra Mundial, surgiu o primeiro consultório exclusivamente orto- dôntico (montado pelo autor, em Viena, no ano de 1952). Até hoje não há, na Áustria, França, Itália, Suíça e Bélgica,nenhuma regulamentação oficial para a especialização em Ortopedia Maxilar. Na Alemanha, no ano de 1939,foi decreta- da uma portaria segundo a qual era permitido, sob determinadas condições, o uso da designação especial "Ortodontia" à porta do consultório (Zahnârztliche Mitteilunge - ZM

1939, Nr. 25, S. 472). O regulamento alemão para a especialização ortodôntica foi mais de uma vez reformulado, (por último em 1967), tendo em vista o reconhecimento de locais para o ensino daquela especialidade. No momento há na Alemanha Ocidental cerca de 700 especialistas. O reconhecimento efetua-se através da Câmara Regional de odontologistas (Landeszahnârztekammer), após a revisão efetuada por comissão especializada da Associação Alemã de Odontologistas (Bundesverband der Deutschen Zahnârzte - correspon- dente à American Board of Orthodontics). Os membros da comissão são: Hausser /Hambur- go, Schmuth/Bonn, Krogmann/Dortmund, Zehle/Stuttgart e Cünther /Colônía.

Na Holanda há, desde 1953, o reconhecimento da especialização. No ano de 1969 foi publicado no "Staatskourant" um artigo sobre o regulamento correspondente.

Nos Países Escandinavos e na Suíça, nos últimos anos, tem havido a preocupação de publicar uma portaria neste sentido.

Associações Ortodônticas e Revistas Especializadas

As primeiras associações européias de Ortodontia foram fundadas quase simultaneamente. Em outubro de 1907 encontraram-se em Londres, a convite de George Northgroft, os membros fundadores da "The British Soeiety for the Study of Ortodontia" (mais tarde Orthodontics): J.H. Badcock (1º Presidente), H. Chapman, M. Hopson, AC Lockett, W.T. Mellersh, G. Northcroft, M. Philpotts, J. Sim Wallace, J.E. Spiller, E.R. Tebitt e H.C Visick.

A Sociedade Alemã de Ortodontia (Deutsche Gessellschaft für Orthodontie) foi funda- da em Colônia, em maio de 1908. Foi presidente Heydenhaus, secretário Kôrbitz e tesoureiro Herbst (Osterr. ungarische Vierteljahresschrift für Zahnheilkunde 24, 1908,679). Uma revista de ortodontia já existia em 1909, em seu terceiro ano de edição. Havia, portanto, antes da fundação das sociedades, um órgão de publicação para autores de língua ale- mã (Suíça, Países Escandinavos e ocasionalmente Holanda). A revista "Fortschritt der Orthodontik" foi criada e redigida em 1931, por Korkhaus/Bonn e T.J. Quintero. Possuía eminentes co-editores, tanto no país como no exterior: V.Andresen - Oslo, P.J.J.Coebergh - Utrecht, C D'Alise - Nápoles, Sh. Friel- Dublin, A Kantorowicz - Bonn, B. Kjellgren

- Stocolomo, A Kôrbitz - Munique, P. Oppler-Berlin, W. Pfaff - Leipzig, J.T. Quintero

- Lyon, H. Salamon - Budapeste, A M. Schwarz - Viena e R. Schwarz - Basel.

No ano de 1934,em virtude de ocorrências políticas na Alemanha, a revista não pôde mais circular nos moldes iniciais. Somente em 1952Korkhaus/Bonn e E. Reichenbach/Halle puderam reeditar a "Fortschritte der Kieferorthopâdie", agora como órgão da Sociedade Alemã de Ortopedia Maxilar, cujo primeiro presidente, de 1937 a 1966, foi Korkhaus, até ser substituído por E. Hausser (Hamburgo).

Franceses, italianos e espanhóis se encontram congregados na Societé Française d'Orthopédie Dento-Facial, que foi fundada em Lyon, no ano de 1921.O órgão de publicação oficial é "L'Orthodontie Française", aí são publicados, em forma de livro, os resultados de congressos científicos que se efetuam anualmente. Existe um "Index bibliographique des traveaux publiés", volumes 1- 30, através do qual se pode ter uma excelente visão, em or- dem alfabética, de autores e publicações. No quinto ano de edição (1927),pode-se encontrar um artigo de J.T.Quintero, com o título "Histo- rique de Ia Societé Française d'Orthopédie Dento-Faciales (S. 201). No congresso de 1948 em Paris, na saudação da Sra. Tacail-Liger,são apreciadas as mais importantes personalidades da Ortodontia francesa. Quintero publicou em 1949,um artigo com o título "L'enseignemenf de l'orthodontie et sa practique en France et dans les pays voicins". Para a execução deste trabalho foram coletadas informações junto a Nord e Coenen na Holanda, Watry na Bélgica, Compte e Hotz na Suíça, principalmente sobre o problema da ortopedia de caráter social. Na França há, desde 1949,uma espécie de seguro social também no campo da ortodontia. Na Inglaterra existe uma regulamentação a respeito, desde 1948.Na Holanda Nord e Coenen, desde 1949 se voltaram para o mesmo assunto, e

16 ORTODONTIA - BASES PARA A INICIAÇÃO também na Bélgica surgem as primeiras providências a respeito. Na Suíça existe uma Ortodontia Social, em Genebra e Lausanne, nos moldes da clínica dentária escolar, ocorrendo o mesmo, também em Zurique, onde predominam aparelhos removíveis e a terapia por extração. Na Itália ainda não há Ortopedia Social. Quintero nos dá a seguinte estimativa:

Na Bélgica deve haver 6 especialistas; na

Holanda, 10; na Inglaterra, 16-18; na Suíça, 5- 6; na Itália, 2-3; e sobre a França e Espanha ele não apresenta nenhum dado. Menciona a seguir que, em 1949, na Europa, eram utilizados predominantemente aparelhos removíveis. Só alguns poucos especialistas trabalhavam com aparelhos fixos. Também a expansão rápida da sutura pala tina (Gaumennahtsprengung) foi empregada naquela época. Seguem ainda algumas informações detalhadas sobre a formação ortodôntica acadêmica na França.

Não consta no trabalho qualquer estatística referente à Alemanha.

A Ortopedia Social já foi propagada na

Alemanha, no início da década de 30. Desde 1936, os pacientes recebiam oficialmente uma subvenção da caixa social para o pagamento do tratamento. Debates sobre o assunto tiveram lugar, sobretudo, depois da 11Guerra. A Inglaterra desenvolveu, por esta época, o serviço estatal de saúde. Também na Suécia existe, há mais de 20 anos, uma crescente socialização em todo o campo médico, inclusive na ortodontia. O mesmo se observa nos países do Bloco Oriental (Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Hungria, Polônia, Rumênia, Bul- gária e Iugoslávia). O primeiro professor polonês de ortodontia foi W. Zawidzki, discípu- lo e colaborador de Kõrbitz. A especialização dos ortodontistas, na Polônia, tinha lugar anteriormente em Berlim, Viena, Petersburgo e Moscou. Hoje há sete Academias de Medicina com Departamentos de Ortodontia. No campo da Ortodontia Social se encontram clínicas especiais nas principais cidades (Dominik).

Na Holanda foi instituído, em 1936, um

Clube de Estudos Ortodônticos. Por ocasião da 11Guerra, de 1942 a 1946, houve uma interrup- ção que levou, conseqüentemente, à fundação da "Nederlandse Vereniging voor orthodontis- che Studie". O primeiro presidente foi J. A C Duyzings, vice-presidente Edel e Secretário

Sindram. Em 1948 foi eleito Bijlstra para vicepresidente. Esta associação organiza anualmente um congresso e, a cada 5 anos, uma semana de estudos (Studieweek). As conferências apresentadas nestas sessões foram coletadas em livro. Há também publicações sobre os congressos de 1955, 1960, 1965 e 1970. O ano de 1948 tem, como um dos primeiros conferencis- tas, o sueco Kjellgren, que falou sobre Extração Sucessiva. Em 1950 foram ministrados na Ho- landa dois cursos sobre a "Twinarch- Technik" (Madden/USA e Kranerua/Suécia). No Congresso da Sociedade Ortodôntica Européia, realizado em Scheveningen, em 1952, proferiu Brodie um curso sobre Edgewise-arch-Technik. Na Holanda, logo após a guerra, desenvolveuse a tendência sempre crescente para a aparelhagem fixa dos americanos, como também em diversas regiões da França e Escandinávia. Desde 1969 existe uma "Scandinavian orthodontic Society" que realiza seus congressos anuais alternadamente na Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia e Islândia. Um quadro geral de todas as associações ortodônticas da Europa e de seus membros integrantes pode ser encontrado em W.H. Oliver, em sua publicação "Orthodontic Directory of the world" (25. Ed. 1970), onde são mencionados os seguintes países: Bélgica, Inglaterra, Dinamarca,

Finlândia, França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Suécia e Iugoslávia. Há também a "Sociedade Ortodôntica Espanhola" que não foi registrada.

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