Apostila Segurança do Trabalho

Apostila Segurança do Trabalho

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As vibrações de corpo inteiro, a que estão sujeitos os operadores de grandes máquinas e motoristas de caminhões e tratores, podem produzir problemas na coluna vertebral, dores lombares, além de haver suspeita de causarem lesões nos rins.

3.2.3 - As Radiações ionizantes e não-ionizantes

As radiações são chamadas ionizantes porque produzem, nos materiais sobre os quais incidem, a subdivisão de partículas inicialmente neutras em partículas eletricamente carregadas. São provenientes de materiais radioativos como os raios Alfa, Beta e Gama ou são produzidas artificialmente em equipamentos como o de raios X. A sua manipulação deve obedecer a rigorosas normas de segurança e de proteção individual.

Os raios Alfa e Beta possuem menor poder de penetração nos organismos e oferecem menor risco; mas os raios X e Gama, de natureza eletromagnética, possuem alto poder de penetração e podem causar a anemia, a leucemia, o câncer e outras alterações genéticas que podem comprometer fisicamente gerações futuras.

As radiações não-ionizantes são as de natureza eletromagnética e os seus efeitos dependem de fatores como a duração, a intensidade de exposição, o comprimento de onda, etc.

Como exemplo temos:

- Radiação infravermelha, ou calor radiante. É encontrada em siderúrgicas, metalúrgicas, na fabricação do vidro e em trabalhos ao ar livre onde os

Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L. C. Almeida operários ficam expostos à radiação solar. Além da sobrecarga térmica imposta ao trabalhador pode causar queimaduras e catarata.

- A radiação ultravioleta é encontrada em operações com solda elétrica, fusão de metais e no controle de qualidade de peças com lâmpadas especiais. Além de estar relacionada ao câncer de pele, pode causar queimaduras, eritema e conjuntivite.

- A radiação laser é utilizada largamente na indústria, nos trabalhos topográficos e geodésicos, na medicina e nas telecomunicações. Os principais efeitos são as queimaduras na pele e nos olhos que variam de gravidade de acordo com a intensidade e a duração da exposição.

- As microondas são produzidas em instalações de radiotransmissão e de radar e utilizadas em telecomunicações, alguns processos de secagem de materiais. De acordo com a intensidade das estações de transmissão ou com a energia liberada nos processos de secagem, os operadores podem estar sujeitos à catarata, ao superaquecimento dos órgãos internos, hipertensão, alterações no sistema nervoso central, aumento da atividade da glândula tireóide, etc.

3.2.4 - Temperaturas extremas

São as condições térmicas rigorosas em que são realizadas diversas atividades profissionais.

O calor extremo é responsável por uma série de problemas que afetam a saúde e o rendimento do trabalhador como a intermação ou insolação, a prostração térmica, a desidratação e as câimbras de calor.

O frio intenso pode provocar o enregelamento dos membros, a hipotermia (queda da temperatura do núcleo do corpo) além de lesões na epiderme do trabalhador, conhecidas como ulcerações de frio.

3.2.5 - Pressões Anormais

Encontradas em trabalhos submersos ou realizados abaixo do nível do lençol freático. Dos problemas que mais comumente afetam os trabalhadores sujeitos a pressões elevadas, está a embolia.

As principais medidas de controle aos riscos físicos são os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC’s) e Individual (EPI’s) a sinalização eficiente.

3.3 - RISCOS QUÍMICOS

Os riscos químicos são causados por AGENTES QUÍMICOS, encontrados nas formas sólida, líqüida ou gasosa e que penetram no corpo humano por três vias básicas: a via respiratória, a cutânea e a digestória.

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O grau de toxidade de um agente químico vai depender do seu estado físico, da sua solubilidade, do seu PH e da via de penetração no organismo.

Algumas substâncias são inflamáveis ou apresentam risco de explosão quando em determinada proporção no ar atmosférico, ameaçando a integridade física do trabalhador.

Quanto ao seu estado físico, os agentes químicos podem ser:

· Sólidos, como as poeiras, de origem mineral (a de sílica produz a silicose), vegetal (a fibra de algodão produz a bissinose) ou animal, como as provenientes do pelo ou do couro de animais.

• Os agentes em estado líqüido, constituídos por ácidos e solventes. Podem causar danos ao sistema respiratório quando em suspensão no ar, além de queimaduras e irritações quando em contato com a pele.

• A maioria das exposições aos agentes químicos na indústria se dá quando estes se encontram na forma gasosa. Os agentes mais comuns são o dióxido de enxofre, os óxidos de nitrogênio, o monóxido de carbono e os vapores de solventes. De efeitos bastante diversos, chegam a causar a morte, mesmo em pequenas concentrações, como no caso do ácido cianídrico.

Quando em suspensão ou dispersão no ar, são chamados de contaminantes atmosféricos e são classificados em:

- Aerodispersóides, como são chamadas as poeiras, os fumos, as fumaças, as névoas e as neblinas;

Segundo a reação causada no organismo humano podemos dividir, a grosso modo, os contaminantes atmosféricos em:

1. Irritantes, os que têm a propriedade de produzir inflamação nos tecidos com os quais entram em contato (amônia, ácido sulfídrico e cloro); 2. Anestésicos, que apresentam ação depressiva no sistema nervoso central (acetona, éteres e álcoois);

3. Asfixiantes, que podem provocar asfixia por reduzir a concentração de oxigênio no ar ou por interferir no processo de absorção de oxigênio no sangue ou tecidos (Metano, Hélio, Cianuretos, Hidrogênio e Nitrogênio);

4. Intoxicantes Sistêmicos, que tanto causam as lesões agudas como as crônicas:

a) podem causar lesões nos órgãos (tetracloreto de carbono e cloreto de vinila),

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23 b) lesões no sistema formador do sangue (benzeno, tolueno e xileno), c) lesões no sistema nervoso (álcoois metílico e etílico);

5. Compostos tóxicos inorgânicos, que são sais de não metais (cianureto de sódio ou de potássio, compostos de arsênico, e fluoretos) e metais tóxicos, que podem produzir dermatoses, alterações no sistema nervoso central, câncer, além de intoxicações graves (chumbo, mercúrio, cádmio, manganês, cromo, etc).

6. Material particulado, que são as poeiras, fumos e névoas que não foram classificadas como contaminantes sistêmicos. Podem ser classificadas como:

a) Poeiras produtoras de fibroses, que causam endurecimento e perda de flexibilidade dos tecidos pulmonares como a poeira de sílica, que causa a silicose, e a poeira de amianto, causadora de asbestose.

b) Poeiras inertes, as que ficam retidas nos pulmões e só apresentam problemas quando presentes em grandes concentrações, como a dos sais complexos de alumínio e a do carvão.

c) Partículas alergizantes e irritantes, podem atuar na pele, como a poeira da caviúna, de partículas de óleo de castanha de caju, de cromatos, etc., ou no sistema respiratório como pólens, e as poeiras das sementes de mamona.

Como principais medidas de controle temos a mudança de processo, a mudança de matérias-primas, o enclausuramento do processo, a ventilação local adequada, os exames médicos freqüentes, os Equipamentos de

Proteção Coletiva e Individual e a sinalização eficiente.

3.4 - RISCOS BIOLÓGICOS

Causadores dos riscos biológicos, os AGENTES BIOLÓGICOS são microorganismos invisíveis a olho nu que podem estar presentes na atmosfera do ambiente de trabalho ou podem ser transmitidos por outros seres vivos. Provocam doenças, mau cheiro, deterioração de alimentos, etc.

São eles os Vírus, as Bactérias, os Protozoários, os Fungos, os Parasitas e os Bacilos.

Entre as doenças profissionais causadas por agentes biológicos estão a tuberculose, a brucelose, o tétano, a malária, a febre tifóide, a febre amarela e o carbúnculo.

As medidas de controle mais comuns nos ambientes onde há o risco biológico são a vacinação; a esterilização; o confinamento do processo; a rigorosa higiene pessoal, das roupas e dos ambientes de trabalho; os

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Equipamentos de Proteção Coletiva; a ventilação adequada e o controle médico permanente.

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