Treinamento Interno em Direção Defensiva

Treinamento Interno em Direção Defensiva

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Coordenação de SMS Programa Interno de Treinamento

O presente texto foi elaborado pelo Engenheiro de Segurança Antonio Fernando Navarro e pode ser utilizado total ou parcialmente em trabalhos pessoais ou escolares desde que citada a fonte. Página 1

Treinamento Interno em Direção Defensiva

O Programa de Direção Defensiva foi implantado não só com o objetivo de cumprir as determinações de SMS, como também a de atualizar e aprimorar os conceitos defensivos a serem empregados pelos funcionários próprios e contratados que prestam serviços na condução dos veículos, visando salvaguardar a vida e a saúde de todos. Especificamente quanto ao treinamento interno esse é complementar ao treinamento obrigatório, realizado em empresa especializada, com o intervalo máximo de 2 anos.

Objetivo do Programa:

Capacitar os motoristas das empresas contratadas e funcionários próprios e contratados a adotar uma postura defensiva na direção dos veículos, independentemente de estarem a serviço ou a lazer, incentivando-os a adotar sempre uma postura defensiva ao volante de um carro.

Atuar defensivamente ao volante não é armar-se e atacar os outros. Atuar defensivamente é conseguir escapar ileso do trânsito e dos problemas que acontecem no meio do caminho, chegando ao seu destino. Para tanto, todos devem:

o Estar com o veículo sempre em ótimas condições de manutenção; o Confiar em seus instintos e princípios; o Conhecer o local para onde vão, e o Desconfiar o tempo todo de tudo e dos outros e a todo momento.

Se o veículo da frente está com o pisca alerta ligado para a direita, pode ser que, de repente, o motorista resolva ir para a esquerda. Se parar de repente sem sinalizar pode ser que as luzes estejam queimadas. Assim, procure ficar sempre alerta, nunca acreditando que as coisas são como deveriam ser.

A análise dos acidentes nos permite verificar que a maioria desses ocorreu devido à imprudência do próprio motorista e não dos outros. Quase sempre o excesso de confiança é mais prejudicial do que benéfico. Algumas estatísticas nos demonstram qual o perfil do motorista que está mais propenso a sofrer acidentes. São eles:

Motoristas com baixo nível de percepção; Motoristas que aceitam facilmente a provocação dos outros motoristas; Motoristas distraídos; Motoristas que gostam de conversar gesticulando; Motoristas sob elevados níveis de stress; Motoristas sob a ação de medicamentos; Motoristas estressadinhos; Motoristas com menor experiência; Motoristas que viajam com os filhos;

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Motoristas que viajam com cachorros e gatos sem estarem presos com suas coleiras nos cintos de segurança; Motoristas fumantes; Motoristas que falam ao celular; Motoristas que confiam mais nos outros do que em si; Motoristas que confiam mais em si do que nos outros; Motoristas desatentos; Motoristas que curtem um som e adoram trocar CDs com o carro em movimento; Motoristas que adoram fazer um lanche enquanto viajam; Motoristas que gostam de correr; Motoristas que pensam que entendem tudo.

Lembre-se sempre que: o excesso de confiança causa tanto mal quanto a falta de confiança.

Regras de conferência de segurança antes de por o veículo em movimento:

Algumas recomendações são importantes para quem quer dirigir com segurança. Assim, antes de dar partida no motor certifique-se de que:

O veículo está abastecido de combustível e com o plano de manutenção em dia; Os pneus estão em condições de uso e corretamente calibrados; O assento e os espelhos retrovisores interno e externo estão regulados para a posição que você costuma adotar ao volante. Todos os vidros estejam limpos; O cinto de segurança esteja afivelado; As portas estejam corretamente fechadas; As cargas conduzidas estejam adequadamente amarradas e não corram o risco de soltar-se ou de se deslocar; Todos os passageiros estejam com os seus cintos de segurança afivelados; Os itens de segurança e as luzes espia estejam funcionando adequadamente.

Definições:

Direção Defensiva:

Maneira de dirigir na qual o motorista assume uma postura defensiva frente aos demais motoristas e aos vários riscos que está exposto em sua rotina normal de direção. Para tanto, torna-se necessário que reconheça esses riscos e que saiba como se defender, planejando suas ações pessoais com antecedência, e prevenindo-se contra o mau comportamento dos outros motoristas, as condições adversas provocadas pelo próprio trânsito e as condições climáticas e de pista.

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Atuar defensivamente é atuar de modo a se proteger e a proteger aqueles que estão em sua companhia, zelando para que não sejam envolvidos nos riscos provocados intencionalmente ou não pelos demais motoristas ou pelo meio ambiente onde se trafega.

“O bom motorista é aquele que guarda toda a atenção no momento em que senta ao volante, dirigindo por si e pelos demais motoristas”.

Condições adversas:

São todas aquelas que envolvem o motorista e que podem aumentar os riscos de sua condução. São consideradas como condições adversas:

estado da pista (esburacada, sem calçamento, sem sinalização, estreita, sem acostamento, com queda de barreiras, etc.); condições climáticas (sol, chuvas, neblina, frio, vento, granizo, calor, etc.); condições de trânsito (intenso, com desvios, interrompido, com excesso de veículos lentos, a meia pista, etc.).

Para cada uma dessas condições o motorista previdente deve se cercar de todas as cautelas, planejando suas ações de modo a não ficar exposto desnecessariamente a riscos.

Condições climáticas:

As condições climáticas adversas podem reduzir a visibilidade da pista e dos outros veículos, restringir a velocidade, tornar a pista escorregadia, causar desconforto na direção, e outros fatores mais.

A chuva, granizo, neblina, sol, reduzem bastante a acuidade visual dos motoristas, podendo tornar difícil à visibilidade de outros veículos, principalmente daqueles que têm cores claras e não andam com os faroletes ou faróis baixos acesos. Afora a redução da visibilidade, as chuvas alteram a aderência entre os pneus e a pista, causando escorregamentos, capotamentos, saída da pista, etc.

O sol quando intenso reduz a capacidade de visão pelo ofuscamento, quando baixo, no final da tarde, atrapalha a visão, já que nem com o quebra sol abaixado consegue-se ter boa visibilidade. Se refletido nos pára-brisas dos veículos que vão à frente, ou que cruzam pode provocar acidentes pelo ofuscamento.

O frio ou o calor provoca desconforto ao dirigir. O calor ainda é pior para o motorista, já que o obriga a dirigir com o ar condicionado ligado, o que reduz a percepção para os barulhos externos, inclusive do mal funcionamento do motor do carro. Se o veículo não possuir ar condicionado, o motorista é obrigado a andar com os vidros da porta abertos, sujeitando-se a ser atingido por insetos, principalmente besouros ou abelhas, e pedras ou outros objetos levantados da pista pelos pneus dos carros que estão à frente.

O granizo pode provocar a quebra dos vidros dos veículos. Se o vidro for atingido por uma bola de gelo pode partir-se, provocando sustos e desviando a atenção do volante e da pista.

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→ Como se defender das más condições causadas pelo tempo?

O primeiro passo é planejar a viagem de modo que não se tenham essas condições no caminho. Se não houver possibilidade devem-se ter cuidados adicionais na verificação das condições do seu veículo, principalmente quanto a luzes, pneus e freios (não se deve esquecer que o bom motorista é aquele que verifica constantemente todos os itens de segurança do veículo antes de sair com ele).

Nem todos os motoristas têm as mesmas preocupações do que você. Nem todos sabem como se defender de um deslizamento de encosta na pista, principalmente se essa estiver escorregadia. Nem todos sabem como se defender de uma pedra que rola uma encosta, solta pela chuva excessiva. Nem todos sabem como se defender ao verificar que há um engarrafamento logo após uma curva e a menos de 30 metros de distância, quando você está a 80 km/h ou mais.

Nosso alerta é: atenção máxima, em todas as circunstâncias:

Se a pista estiver molhada não exceda o limite de velocidade que permite uma boa aderência entre os pneus e a pista, ou seja, obedeça o que informam as placas de sinalização. Deve existir nos pneus um sulco mínimo de 1,5 m. Não confie que não haverá um veículo parado na curva. Não acredite que a poça dágua na pista é rasa e não esconde um buraco. Não deixe de observar as encostas, principalmente se essas estiverem sem vegetação natural. À noite, tenha cuidado redobrado principalmente com o ofuscamento provocado pelos faróis dos carros que vem em sentido contrário. Ao se sentir cansado pare no acostamento e jogue um pouco de água no rosto. No primeiro posto de gasolina pare e descanse um pouco.

Se a chuva for intensa certifique-se que as palhetas do limpador de pára-brisa estejam funcionando adequadamente. Lembre-se que no início das chuvas há muita água com óleo nas pistas, óleo esse que costuma sujar os vidros, dificultando a visibilidade. Assim, é sempre bom ter algum produto químico desembaçante misturado à água do limpador de pára-brisa.

Pista:

A pista é por onde os veículos transitam. Pode ser calçada ou não. De um modo geral as pistas calçadas são melhores para a rodagem dos veículos.

Constituem condições adversas de pista: bloqueios, buracos, adensamentos, estreitamentos, queda de barreiras, água ou lama na pista, falta de acostamento, largura das pistas, existência de pistas simples, existência de árvores nas margens das pistas, presença de quebra molas, sujeira na pista, etc.

Muitos motoristas confiam em suas habilidades, sorte e perícia, acreditando que não ocorrerá nada com eles. Quase sempre são os que mais correm, ou os que desafiam todas as leis do trânsito. São os que andam em alta velocidade porque assim ficam com um nível maior de adrenalina e se mantêm espertos.

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São os super-homens. Nada lhes ocorrerá. Nesses casos, temos um grande problema que é o de confiar no reflexo desses para não sofrermos acidentes. Ou então, agir preventivamente.

→ Como se defender de problemas ocorridos na pista?

Devem-se verificadas as condições de pista, observando-se as placas de sinalização constantemente. Se na pista oposta há um buraco grande com certeza os veículos que ali trafegam vão querer se desviar. Ou vão para o lado do acostamento ou para o seu lado. Se um veículo estiver ultrapassando outro e na pista houver um buraco é provável que queira ir para o lado do acostamento.

Quando há estreitamento de pista, se um veículo está ultrapassando outro a tendência é a de aumente a velocidade para conseguir ultrapassar. Muitos motoristas não gostam de ser ultrapassados. Assim, aumentam a velocidade, reduzindo as chances de uma boa ultrapassagem dos outros, com risco de acidentes.

Não é raro descobrirmos as imperfeições da pista depois que já passamos por elas. Trânsito:

O trânsito representa o fluxo de veículos em uma pista, de maneira ordenada ou caótica. Quando se processa ordenadamente tem-se um fluxo regular. Quando não, tem-se os inevitáveis engarrafamentos.

Os problemas mais comuns que podem representar riscos adicionais para os motoristas são:

excesso de veículos na pista; bloqueios diversos provocados por fiscalização rodoviária; presença de animais atravessando as pistas; presença de veículos lentos, como tratores, máquinas agrícolas, vias vicinais com trânsito elevado, e outras.

→ Como se defender dessas condições?

Quando se fala de trânsito deve-se pensar, imediatamente, em paciência.

Não adianta ficar buzinando para o veículo da frente andar meio metro em um engarrafamento quilométrico porque isso somente deixará o motorista do carro da frente mais irritado.

Não adianta querer ficar com raiva porque um motorista mais esperto aproveitou-se que você não acelerou o suficiente e lhe passou a dianteira.

Não adianta reclamar do motorista que só anda no acostamento para não ficar engarrafado.

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O que se observa é que a maior parte dos problemas decorre da falta de educação dos outros motoristas. Não é você que irá ensiná-los a ser educados, ofendendo-os. O que você irá conseguir é ficar exaltado e arriscar a ser destratado ou algum mal educado tirar um revolver da cintura e apontar para você.

Se você não tem paciência ou estiver atrasado não se arrisque a cair em um engarrafamento. Se seu veículo é lento, não adianta competir com os outros para ficar na dianteira. Se a ponte que você irá atravessar é estreita não fique brigando com o veículo do lado para resolver quem irá passar primeiro.

Lembre-se sempre que a melhor arma que você tem é a paciência e a educação. Não seja você o exemplo do “nervosinho” ou do “mal educado”. Sua masculinidade não irá ser afetada se outro veículo o ultrapassou. Há casos em que os motoristas procuram descarregar ao volante de seu carro as raivas e as mágoas acumuladas durante um dia inteiro de estresse. Se você estiver na hora errada e no momento errado, e revidar às grosserias dos outros poderá sair mal dessa.

Nunca pense que você é maior e mais forte do que o motorista do outro carro. Se esse estiver armado você não passará de um anão fraco. Lembre-se constantemente que atuar defensivamente na direção não é ficar armado ou andando com porretes dentro do carro.

Não vá querer tirar satisfações do motorista do carro da frente se ele atirou uma lata de cerveja no chão, na frente do seu carro. Não fique furioso se ele parou de repente na esquina sem sinalizar. Não espere que ele tenha coerência, dando a seta para o lado esquerdo e entrando no lado esquerdo.

Se você estiver transitando em uma área rural poderá se defrontar com animais ou tratores que cruzam a pista. Assim, se houver um cavalo pastando na margem da via não se espante se ele resolver atravessar a pista sem lhe avisar. Lembre-se que os atropelamentos com cavalos ou bois costumam ser fatais, para o motorista e para os animais.

Muitos atropelamentos ocorrem quando os motoristas imprudentes passam junto a paradas de ônibus em velocidade, ou ultrapassam ônibus com esses parados em paradas de ônibus. Você não deve querer racionalidade de todos. Uma criança ou um adulto desatento pode atravessar a rua passando pela frente do ônibus parado sem prestar atenção nos veículos que estão atrás do mesmo. Ocorre também que alguém que esteja na parada do ônibus resolva voltar para casa, atravessando a rua, sem se preocupar muito com o trânsito.

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