Uréia na Alimentação de Vacas Leiteiras

Uréia na Alimentação de Vacas Leiteiras

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Uréia na Alimentação de Vacas Leiteiras

Uréia na Alimentação de Vacas Leiteiras

Embrapa Cerrados Planaltina, DF 2007

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Cerrados Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

ISSN 1517-5111 Outubro, 2007

Roberto Guimarães Júnior Luiz Gustavo Ribeiro Pereira Thierry Ribeiro Tomich Lúcio Carlos Gonçalves Francisco Duarte Fernandes Luís Gustavo Barioni Geraldo Bueno Martha Júnior

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Supervisão editorial: Fernanda Vidigal Cabral de Miranda Revisão de texto: Fernanda Vidigal Cabral de Miranda Normalização bibliográfica: Rosângela Lacerda de Castro Editoração eletrônica: Leila Sandra Gomes Alencar Capa: Leila Sandra Gomes Alencar Foto da capa: Ana Luiza Costa Cruz Borges Impressão e acabamento: Divino Batista de Sousa Jaime Arbués Carneiro

Impresso no Serviço Gráfico da Embrapa Cerrados

1 edição 1 impressão (2007): tiragem 100 exemplares

Uréia na alimentação de vacas leiteiras / Roberto Guimarães Júnior

1. Nutrição animal. 2. Bovino. 3. Composto nitrogenado. I. Guimarães Júnior, Roberto. I. Série.

636.08521 - CDD 21

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Cerrados

Embrapa 2007

Autores

Roberto Guimarães Júnior Med. Vet., D.Sc. Embrapa Cerrados guimaraes@cpac.embrapa.br

Luiz Gustavo Ribeiro Pereira Med. Vet., D.Sc. Embrapa Semi-árido Rodovia BR 428, km 152 56302-970, Petrolina, PE luiz.gustavo@cpatsa.embrapa.br

Thierry Ribeiro Tomich Med. Vet., D.Sc. Embrapa Pantanal Rua 21 de Setembro, 1880 79320-900, Corumbá, MS thierry@cpap.embrapa.br

Lúcio Carlos Gonçalves Eng. Agrôn., D.Sc. Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais Av. Antônio Carlos, 6627 30123-970, Belo Horizonte, MG luciocg@vet.ufmg.br

Francisco Duarte Fernandes Eng. Agrôn., M.Sc. Embrapa Cerrados duarte@cpac.embrapa.br

Luís Gustavo Barioni Eng. Agrôn., D.Sc. Embrapa Cerrados barioni@cpac.embrapa.br

Geraldo Bueno Martha Júnior Eng. Agrôn., D.Sc. Embrapa Cerrados gbmartha@cpac.embrapa.br

Apresentação

Nos sistemas de produção leiteiros, a alimentação do rebanho é sabidamente um dos itens do custo de produção de maior representatividade. Portanto, estratégias que viabilizem a formulação de dietas mais baratas e que possam manter ou proporcionar ganhos em produtividade são de grande utilidade para o setor pecuário. Nesse sentido, a utilização da uréia em dietas de ruminantes apresenta grande aplicabilidade.

Este documento aborda questões relacionadas ao fornecimento da uréia na alimentação de vacas leiteiras. Ao longo do texto, são discutidos, em detalhes, como a uréia é metabolizada pelo animal, as formas de sua utilização na dieta, bem como resultados experimentais de desempenho de vacas alimentando-se desse composto nitrogenado não-protéico. As orientações técnicas deste trabalho são práticas e fornecem subsídios para utilização de forma eficiente e segura dessa tecnologia.

Roberto Teixeira Alves Chefe-Geral da Embrapa Cerrados

Introdução9
Características Químicas10
Metabolismo da Uréia12
Microbiana14
Formas de Utilização na Dieta e Desempenho Animal18
Toxicidade25
Conclusões26
Referências27

Sumário Eficiência de Utilização de Compostos Nitrogenados e Produção de Proteína Abstract ....................................................................................3

Uréia na Alimentação de Vacas de Leiteiras

Roberto Guimarães Júnior Luiz Gustavo Ribeiro Pereira Thierry Ribeiro Tomich Lúcio Carlos Gonçalves Francisco Duarte Fernandes Luís Gustavo Barioni Geraldo Bueno Martha Júnior

Introdução

Ao longo dos anos, tem-se observado uma exigência crescente pelo aumento da eficiência no processo produtivo da pecuária. Essa pressão tem sido exercida, principalmente, pelo avanço da agricultura, impulsionando maior valorização da terra e redução da área para outras atividades. Tal acontecimento obriga, cada vez mais, o pecuarista a otimizar os recursos disponíveis na fazenda, visando a aumentar a rentabilidade e a competitividade de seu negócio.

As despesas com a alimentação contribuem de forma significativa nos custos de produção da atividade leiteira. Entre os itens que compõem a dieta de bovinos leiteiros, os suplementos protéicos são, geralmente, os componentes mais caros. Dessa forma, a utilização de alimentos alternativos que substituam as fontes de proteína comumente utilizadas na alimentação de ruminantes é de grande interesse para a atividade pecuária. A uréia é um composto nitrogenado não-protéico (NNP) que pode ser utilizado para essa finalidade, uma vez que, comparada com outras fontes de nitrogênio, é economicamente mais barata e, se utilizada de forma adequada, tem condições de manter bons níveis de produção.

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Descoberta por Hilaire Rouelle em 1773, a uréia só foi sintetizada artificialmente em 1828, por Friedrich Wohler (LOOSLI; MCDONALD, 1968), derrubando a teoria de que os compostos orgânicos só poderiam ser sintetizados pelos organismos vivos (teoria da força vital). A sua produção em escala industrial iniciou-se em 1870, quando Bassarow conseguiu sintetizá-la a partir dos gás carbônico e da amônia, porém a sua utilização na alimentação de ruminantes só teve início em meados de 1914. Nesse período, a escassez de alimentos ocasionada pela Primeira Guerra Mundial impulsionou a Alemanha a intensificar a produção de uréia, visando a reduzir os custos de produção de carne e leite. A uréia tem sido utilizada na dieta de bovinos leiteiros por dois motivos básicos. Do ponto de vista nutricional, ela é usada para adequar a ração em proteína degradável no rúmen (PDR). Do ponto de vista econômico, é usada com o intuito de baixar o custo com a suplementação protéica (SANTOS, 2006).

O objetivo deste trabalho é discutir as potencialidades e limitações da utilização da uréia na alimentação de vacas leiteiras.

Características Químicas

A uréia é um composto orgânico cristalino, de cor branca, solúvel em água e álcool. Quimicamente é classificada como amida e, por isso, é considerada um composto nitrogenado não-protéico (NNP), cuja fórmula química é CO(NH2)2. Embora exista uma variedade de compostos nitrogenados não-protéicos (purinas, pirimidinas, aminoácidos, peptídeos), a uréia não pode ser considerada proteína, porque não apresenta em sua estrutura aminoácidos reunidos por ligações peptídicas. Possui características específicas, uma vez que é deficiente em todos os minerais não possui valor energético próprio e é rapidamente convertida em amônia no rúmen (MAYNARD et al., 1984).

A sua fabricação industrial é obtida pela síntese da amônia com o gás carbônico em um reator, sob condições de elevada temperatura e pressão.

A amônia em presença de CO2 do ar origina o carbamato de amônia, o

11Uréia na Alimentação de Vacas Leiteiras qual, sob determinada pressão e temperatura, é decomposto em uréia e água. A partir daí, ocorre o processo de purificação, pois permanecem no reator a uréia, o carbamato de amônia, a água e o excesso de amônia. A mistura passa através de torres separadoras de alta e baixa pressão, a vácuo, onde se obtém uma solução água-uréia. Os gases NH3, CO2 e a água que saem da seção de purificação são absorvidos na seção de recuperação, retornando para o reator como solução de reciclo (PENTREATH, 2005). Na Tabela 1, verifica-se a composição química da uréia brasileira. Vale ressaltar que a pequena quantidade de ferro e chumbo encontrada em sua composição não é considerada tóxica para os animais.

Tabela1. Composição química da uréia encontrada no Brasil.

CompostosConcentração ( %)

Nitrogênio 46,4 Biureto 0,5 Água 0,25 Amônio livre0,008 Cinzas 0,003 Ferro e chumbo0,003

Fonte: Santos et al. (2001)

Teoricamente, o fornecimento de 100 g de uréia na dieta do ruminante resultaria em produção de cerca de 290 g de proteína bruta de origem microbiana. Isso ocorre em virtude da alta percentagem de nitrogênio na composição da uréia pecuária - destinada ao consumo animal - e do emprego do fator 6,25 para cálculo do conteúdo de proteína bruta. Esse fator foi obtido partindo do pressuposto que, em média, as proteínas possuem 16 % de nitrogênio. Assim, a divisão de cem por essa média (16 %) resultou em 6,25. Dessa maneira, a utilização desse fator multiplicando o conteúdo de nitrogênio da uréia pecuária (de 42 % a 46,7 %) resulta em valores variando de 262,5 % a 291,9 % em equivalente protéico.

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