Trabalho sobre lítio

Trabalho sobre lítio

  1. Farmacocinética e modo de usar

  2. Farmacodinâmica e mecanismo de ação (ilustrado)

  3. Reações adversas e efeitos colaterais mais comuns

  4. Indicações

  5. Contra-indicações

  6. Intoxicação

  7. Situações especiais (gravidez, lactação, crianças, idosos, entre outras).

  8. Precauções

  9. Interações medicamentosas

  1. Lítio

O efeito psicotrópico do lítio foi descoberto em 1949 por CADE, que previu que os sais de urato deveriam impedir a indução pela uremia de um estado de hiperexcitabilidade em cobaias. Ele verificou que o urato de lítio produzia um efeito, rapidamente visto que se devia ao lítio, e não ao urato, e prosseguiu mostrando que o lítio produzia melhora rápida em um grupo de pacientes maníacos. A adoção do lítio para profilaxia de mania demorou nos Estados Unidos pela experiência mais antiga dos estadunidenses com o lítio como substituto do sal com venda livre para pacientem com recomendação de dieta hipossódica em razão de insuficiência cardíaca, nos quais causou grande toxicidade.

Outros fármacos são igualmente eficazes em tratar de mania aguda; atuam mais rapidamente e são consideravelmente mais seguros, de modo que o uso clinico do lítio é confinado principalmente ao controle profilático da doença maníaco-depressiva.

  1. Farmacocinética

O lítio é uma droga com um índice terapêutico bastante reduzido (menor do que 2), o que leva à necessidade de titulação individual da dosagem com monitorização do seu nível sérico.

Essa droga é freqüentemente apresentada para uso sob forma de carbonato de lítio. É rapidamente absorvida pelo trato digestivo, com picos plasmáticos entre uma hora e meia a duas horas após a administração via oral. O lítio, na sua maior parte, é excretado inalterado pelo rim, com uma meia-vida entre 14 e 30 horas. Fatores que diminuem a função renal, como a idade e certas doenças, levarão a significativas diminuições na excreção do lítio. Em conseqüência da competição do lítio com o sódio para a reabsorção nos túbulos renais, a deficiência de sódio levará a maior reabsorção do lítio, com conseqüente aumento dos níveis plasmáticos.

  1. Modo de usar:

Mania Aguda: Doses a partir de 600 mg ao dia. As doses devem ser ajustadas individualmente de acordo com os níveis séricos e resposta clínica. No tratamento agudo da mania recomenda-se litemias entre 0,8 e 1,4 mEq/l, o que equivale a 900 a 2400 mg/dia em dose fracionada 2 vezes ao dia. A dose única não é recomendada no início do tratamento ou quando são necessárias doses superiores a 1800 mg. Litemias devem ser determinadas 2 vezes por semana na fase aguda do tratamento e até que o quadro clínico do paciente esteja estabilizado.

Fase de Manutenção: Para a fase de profilaxia os níveis séricos do lítio podem ser reduzidos para uma faixa de 0,6 a 1,0 mEq/l (600 a 1200 mg/dia) Litemias devem ser colhidas em intervalos de pelo menos 2 meses.

Pacientes sensíveis ao lítio podem exibir sinais de toxicidade em concentrações entre 1,0 e 1,5 mEq/l. Pacientes idosos geralmente respondem bem a doses mais baixas e podem apresentar toxicidade em doses geralmente bem toleradas por outros pacientes.

As amostras de sangue devem ser colhidas de 8 a 12 horas após a última tomada e antes da seguinte.

O produto exige um controle da litemia (nível plasmático de lítio), pois é através dele que chegamos ao nível terapêutico, porém, as litemias são apenas referências. As doses devem ser ajustadas individualmente seguindo critérios de eficácia e tolerância.

  1. Efeitos farmacológicos e mecanismo de ação

São descritos diversos efeitos farmacológicos com o uso do lítio, apesar de ser encontrado em nosso organismo em pequena quantidade e não exercer papel importante, e também é encontrado na natureza em grande quantidade.

Pode-se descrever os efeitos farmacológicos do lítio em 75% dos pacientes que fazem uso dessa droga:

Em relação a dose:

  • Poliúria;

  • Polidipsia;

  • Ganho de peso;

  • Problemas cognitivos (dificuldade de concentração e memória);

  • Tremor;

  • Sedação;

  • Problemas de coordenação;

  • Distúrbios gastrintestinais (como náuseas, vômitos, diarréia, etc);

  • Perda de cabelos;

  • Leucocitose benigna;

  • Acne;

  • Edema.

Também foram relatadas alterações eletrocardiografias. E em 5 a 35% dos pacientes crônicos, apresentaram hipotireoidismo.

Pacientes com níveis plasmáticos acima de 1,5mEq/l (níveis considerados terapêuticos variam, em media, de 0,6mEq/l a 1,2mEq/l) podem apresentar sinais de intoxicação, que em fases iniciais incluem intenso tremor, náusea e diarréia, visão borrada, vertigem, confusão mental e aumento dos reflexos tendinosos profundos. Níveis acima de 2,5mEq/l podem produzir convulsões, coma, arritmias cardíacas, dano neurológico permanente e, por fim, morte.

Entre os efeitos adversos não relacionados a dose estão a exacerbação de psoríase e uma forma de acne pustular. Existe ainda preocupação com possíveis danos renais com o uso crônico do lítio.

  1. Interação medicamentosa:

O uso simultâneo com antitireóideos, iodeto de cálcio, glicerol iodado ou iodeto de potássio pode potencializar os efeitos hipotireóideos destes fármacos e do lítio. Os antiinflamatórios não esteróides (AINE) podem aumentar os efeitos tóxicos do lítio pela diminuição de sua excreção renal. 

FÁRMACO OU SITUAÇÃO

INTERAÇÃO

Diuréticos tiazídicos

Aumentam os níveis séricos do lítio por diminuírem sua depuração

Antiinflamatórios não-esteroidais

Aumentam os níveis séricos do lítio por diminuírem sua depuração (exceções: aspirina e sulindac)

Teofilina

Diminui os níveis séricos do lítio por aumentar sua depuração.

Inibidoras da enzima conversora da angiotensina

Podem aumentar os níveis séricos do lítio

Bloqueadores neuromusculares

O lítio pode prolongar o bloqueio neuromuscular

Neurolépticos

O lírio pode piorar os sintomas extrapiramidais ou aumentar o risco de síndrome neuroléptica maligna.

Carbamazepina

Pode ocorrer efeito aditivo sobre a nefrotoxicidade

Aumento da filtração glomerular (p. ex. na gestação)

Diminui os níveis séricos do lítio por diminuir sua depuração.

Diminuição da filtração glomerular (p. ex. por insuficiência renal ou idade)

Aumenta os níveis séricos do lítio por aumentar sua depuração.

Aumento da reabsorção glomerular (p.ex., por desidratação, diminuição de ingestão de sódio ou perda extra-renal de sódio)

Aumenta os níveis séricos do lítio por diminuir sua depuração.

  1. Intoxicação:

A toxicidade por lítio pode aparecer em concentrações séricas terapêuticas ou próximas a elas. Durante a fase maníaca aguda, o paciente pode ter uma grande capacidade para tolerar o lítio, dado que este diminui a reabsorção de sódio pelos túbulos renais. Recomenda-se o consumo de cloreto de sódio e uma adequada ingestão de líquidos (2,5 a 3 litros por dia). Sua administração deve ser cuidadosa nos casos de bócio ou hipotireoidismo, já que pode agravá-los. O uso de diuréticos pode provocar uma toxicidade grave ao retardar sua excreção renal e aumentar, em conseqüência, as concentrações séricas. A associação com haloperidol (freqüente) tem produzido, em alguns casos, toxicidade neurológica e lesão cerebral irreversível.

Os principais efeitos tóxicos que podem ocorrer durante o tratamento são os seguintes:

  • Náuseas, vômitos e diarréia;

  • Tremor;

  • Efeitos renais: poliúria (com sede resultante), decorrente de inibição da ação do hormônio antidiurético. Ao mesmo tempo, há certa retenção de Na+ associada ao aumento da secreção de aldosterona. Como tratamento prolongado, pode ocorrer dano renal grave, tornando essencial monitorar a função renal regularmente em pacientes tratados com lítio.

O Lítio é potencialmente tóxico para o sistema nervoso central, inclusive em concentrações séricas dentro do alcance terapêutico. Deve ser administrado com precaução na presença de doença cardiovascular (pode exacerbar-se), na presença de alterações do sistema nervoso central (epilepsia e parkinsonismo), em casos de desidratação grave (aumenta o risco de toxicidade) e quando existir insuficiência renal ou retenção urinária. 

Antes e durante o tratamento, recomenda-se efetuar a determinação da função renal, contagem de leucócitos e eletrocardiogramas. É aconselhável efetuar exames do lítio sérico durante o tratamento.

  1. Situações especiais (gravidez, lactação, crianças, idosos, entre outras).:

Na gravidez, o  lítio deve  se possível  ser  evitado  no  primeiro  trimestre.   Para  o  seu  eventual  uso  deve-se levar em conta  a relação entre o risco de ocorrerem malformações com o uso do lítio, ou sem o seu uso, caso houver descontrole dos sintomas.

Os idosos necessitam, geralmente, de uma dose menor, devido a o volume de distribuição e a velocidade do clearance renal estarem reduzidos.  O lítio é excretado no leite materno e em alguns lactentes foram descritos sinais de toxicidade, tais como hipotonia, hipotermia, cianose e alterações no eletrocardiograma.

  1. Efeitos colaterais e reações adversas:

  

Os mais comuns são acne, aumento do apetite, edema,  fezes amolecidas, ganho  de  peso,  gosto  metálico,  leucocitose,  náuseas,  polidipsia,  poliúria, tremores finos.  É importante destacar que o lítio tem uma faixa de níveis séricos terapêuticos bastante estreita, podendo facilmente atingir níveis tóxicos (vômitos, dor abdominal, ataxia, tonturas, tremores grosseiros, disartria, nistagmo, letargia, fraqueza muscular, que podem evoluir para o estupor, coma,   queda acentuada de pressão, parada do funcionamento renal e morte).  

  1. Contra-indicações:Gravidez, lactação, disfunção renal ou cardíaca grave.

  1. Indicação:

Tratamento da doença maníaco-depressiva, na profilaxia e tratamento da mania e na profilaxia do transtorno bipolar ou unipolar (depressão maníaca ou depressão recorrente).

  1. Precauções:

O lítio pode causar má formação fetal quando administrado à mulheres grávidas. Dados sugerem um aumento no número de anomalias cardíacas, entre outras, ao nascimento, causadas pelo lítio, especialmente a anomalia de ebstein. Se a mulher engravidar durante o tratamento com o lítio, ela deve estar ciente dos potenciais riscos para o feto, a litioterapia deve ser retirada durante o primeiro trimestre de gravidez, se possível, a menos que isso determine um sério dano para a mulher. Uma vez que o lítio é excretado no leite, também não é aconselhável a amamentação natural.

A terapia crônica com o lítio pode determinar a diminuíção da capacidade de concentração renal, presente na diabetes insipidus levando a poliúria e polidipsia. Devendo ser monitorados com cuidado para evitar a desidratação e os riscos da intoxicação pelo lítio. Esta condição geralmente é revertida com a retirada do líto. Alterações na morfologia dos glomérulos, fibrose intersticial e atrofia dos nefrons são observadas durante a terapia crônica com o lítio. Estas alterações também são observadas em indivíduos bipolares que nunca foram expostos ao tratamento com o lítio. A relação entre função renal, alterações morfológicas e a associação destas com a litioterapia não está bem estabelecida. O que se sabe é que o lítio, quando em doses terapêuticas não está associado à doenças renais terminais.

Alterações súbitas ou progressivas da função renal, durante o uso do lítio, devem levar a reavaliação do tratamento.

A toxicidade do lítio está relacionada com os seus níveis séricos e ocorre próximo às doses terapêuticas.

Doenças na tireóide prévias não necessariamente constituem uma contraindicação ao uso do lítio; em casos de hipotireoidismo, monitoração cuidadosa da função tireoideana durante as fases de estabilização e de manutenção da litioterapia, permitem a correção das alterações tireoideanas, quando ocorrerem. Se o hipotireoidismo ocorrer durante a fase de estabilização ou de manutenção, hormônios tireoideanos suplementares podem ser utilizados.

O lítio não provoca ou leva à dependência.

Referência bibliográfica:

RANG, H.P. et AL. Farmacologia. 6 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

GRAEFF, F.G.; GUIMARAES, F.S. Fundamentos de psicofarmacologia. São Paulo. Atheneu, 2001.

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