Artigo de aliene

Artigo de aliene

(Parte 1 de 2)

São Luís 2009

Artigo apresentado ao Curso de Enfermagem do Centro do Centro Universitário do Maranhão – UNICEUMA como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. Orientadora: Profª. Especialista Marinete Rodrigues Farias Diniz.

São Luís 2009

Correia, Aliene Rodrigues.

Óbito fetal por descolamento prematuro da placenta / Aliene

Rodrigues Correia. – São Luís, 2009. 14.f

Artigo Científico (Graduação em Enfermagem) – Centro Universitário do Maranhão – UniCeuma, 2009.

1. Óbito. 2. Fetal. 3. Descolamento Prematuro da Placenta. I. Título.

2 ÓBITO FETAL POR DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA

Aliene Rodrigues Correia*

O Descolamento Prematuro da Placenta é uma complicação da segunda metade da gestação, na qual a placenta normalmente implantada separa-se da parede uterina. Este estudo teve por objetivo investigar óbitos fetais por Descolamento Prematuro da Placenta em uma unidade de referência de alto risco da rede pública no município de São Luís – MA. Foi realizado um estudo descritivo, retrospectivo, com análise quantitativa dos dados. A população foi composta por todos os fetos que evoluíram a óbito por complicações do Descolamento Prematuro da Placenta no ano de 2008, totalizando 18 casos. Na coleta dos dados foi utilizada uma ficha protocolo contendo dados inerentes à pesquisa, no qual as informações foram transcritas através das informações contidas na ficha de investigação de Óbito Fetal, e Declaração de Óbito. Após análise, verificou-se maior porcentagem de sexo masculino (61,10%), destacando fetos ≤2.500 e idade gestacional entre 32 e 36 semanas (4,40%). A faixa etária e escolaridade predominante foi 31 a 40 anos e ensino fundamental completo (38,90%). Com relação à variável raça, a maioria pertence à negra (61,10%). Em 6,70% das mulheres eram multíparas. Dentre as parturientes, 50% realizaram de 1 a 4 consultas de pré-natal. Parto vaginal (72%). De acordo com o fator de risco 50% delas apresentaram hipertensão arterial. Os resultados encontrados foram compatíveis com outros estudos no qual a hipertensão e a multiparidade foram considerados fatores de risco para o Descolamento Prematuro da Placenta, trazendo subsídio para tomada de decisão e melhoria das políticas públicas de saúde na área materna e infantil. Palavras-chave: Óbito. Fetal. Descolamento Prematuro da Placenta.

Aluna do 7º período do Curso de graduação de Enfermagem do Centro Universitário do Maranhão. Email: alienerc@hotmail.com

1 INTRODUÇÃO

A placenta normalmente se descola alguns minutos após o desprendimento do feto (secundamento). O descolamento da placenta antes da expulsão fetal configura o quadro de descolamento prematuro da placenta (DPP) (CARVALHO, 2002).

De acordo com Neme (2005), a placenta inserida nas paredes do útero só deve desprender-se com o nascimento do bebê, caso ocorra antes, de forma intempestiva, chamamos de descolamento prematuro da placenta que, segundo dados do Ministério da Saúde, atingem de 0,5% a 1% das gestações, sendo responsáveis por altos índices de mortalidade materna e fetal.

O descolamento prematuro da placenta resulta de uma série de processos fisiopatológicos, muitas vezes de origem desconhecida (ZUGAIB, 2008).

Mesmo não conhecendo a causa da doença obstétrica, associa-se, em muitos casos, á hipertensão arterial, anemia, desnutrição, fatores mecânicos, fatores placentários, brevidade de cordão, traumatismo, diabete melito, multiparidade, gemelaridade, idade materna, cesárea prévia e outros (BRASIL, 2000a).

Tão relevante é o comprometimento do bem estar fetal no DPP que os casos são classificados de acordo com evidência ou não de morte fetal. Do ponto de vista fisiopatológico, o sofrimento fetal no DPP, tipicamente, é grave, precoce e decorre de quatro fatores distintos: o comprometimento da respiração fetal, a hipertonia uterina que impede a chegada de oxigênio na circulação fetal, anemia aguda materna e hemorragia fetal (TRAJANO, 2001).

O diagnóstico do problema é feito somente após a sua ocorrência, que costuma ser marcada por dores intensas na região abdominal. A mortalidade materna, nesses casos, pode chegar a 3% e a mortalidade fetal a 90%. Nos casos de sobrevivência do bebê, é necessário fazer uma transfusão de sangue e uma cesárea (BENZECRY, 2001).

Os principais meios para diagnosticar o DPP são através da anamnese (dor, hemorragia, idade gestacional), do exame físico (hemorragia, estado geral, sinais vitais), do exame obstétrico, da ultra-sonografia. Também são necessárias as condutas de emergência tais como: administrar medicação para dor; estabelecer acesso intravenoso por cateter de grande calibre; administrar oxigenoterapia por cateter nasal ou máscara; avaliar o estado hemodinâmico para prevenir a progressão do choque, monitorar batimentos cardíacos fetais (BCF) a cada 15 minutos; verificar a ocorrência de sangramento vaginal; preparar uma cesariana imediata se houver sofrimento fetal. (BRASIL, 2000b).

Quanto à ocorrência do sangramento, é bom ressaltar que a lesão primária é a vascular, acometendo as arteríolas espiraladas da decídua com a formação de processos ateromatosos agudos, acúmulo de macrófagos, degeneração fibrinóide da túnica íntima, concorrendo para rotura ou oclusão dos vasos (NARDOZZA; CAMANO, 2001).

Há, portanto, pequeno derrame de sangue na decídua basal formando área hemorrágica dentro da própria placenta. Essa hemorragia pode tornasse mais profusa, culminando com o descolamento prematuro da placenta. O sangue pode ficar retido atrás da placenta, cujas bordas permanecem aderidas à parede uterina (SOUZA; CAMANO, 2002).

De acordo com Silva (2005) a placenta pode se apresentar completamente destacada, mas mantendo as membranas acoladas ao útero. O sangue coletado ainda pode romper as membranas e penetrar na câmara âmnica, ou ainda descolar as membranas e se exteriorizar pela vagina. À exceção desta última, a hemorragia é dita oculta ou interna.

Na assistência de Enfermagem, portanto, é necessário: manter o repouso da paciente; agilizar coleta de exames laboratoriais; controlar anemia, as contrações e os sangramentos; reservar o sangue; controlar pulso, respiração, pressão arterial e batimento cardíaco fetal; estabelecer oxigenoterapia, verificar tônus muscular uterino, controlar débito urinário, entre outros (CARVALHO, 2002).

Devido à gravidade do Descolamento Prematuro da Placenta (DPP), é necessário alertar a mãe sobre os fatores de risco, mediante prevenção adequada, iniciada no pré-natal, pois, independente da causa, a placenta se desloca do útero, provocando sangramento e hemorragia interna, a qual pode não causar um sangramento vaginal (NEME, 2005).

Frente a toda exposição em relação ao tema da pesquisa proposto, buscouse estudar os óbitos fetais por Descolamento Prematuro da Placenta ocorrido em uma Unidade de Referência de alto risco da Rede Pública no Município de São Luís - MA.

2 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, com variáveis quantitativas. A pesquisa foi realizada nos meses de setembro e outubro de 2009 durante o turno matutino nos arquivos do Comitê de Mortalidade Materno Infantil, os dados eram referentes aos óbitos fetais por complicações do Descolamento Prematuro da Placenta ocorrido em uma unidade de referência de alto risco da rede pública no município de São Luís - MA.

A população deste estudo foi composta por todos os fetos que evoluíram a óbito por Descolamento Prematuro da Placenta no ano de 2008, totalizando 18 casos.

O instrumento de Coleta de dados da pesquisa utilizada constituiu-se de uma ficha protocolo contendo dados inerentes à pesquisa, no qual as informações foram transcritas através das informações contidas na Ficha de Investigação de Óbito Fetal e Declaração de Óbito. As questões foram elaboradas com o objetivo de identificar o número de casos de óbitos fetais por complicações do Descolamento Prematuro da Placenta, os fatores de risco, característica da mãe quanto à idade, escolaridade, raça e caracterizar o feto quanto ao sexo e o peso ao nascer.

Para realização da coleta dos dados foi necessário a autorização do

Comitê de Mortalidade Materno Infantil. Sendo enviado ao referido órgão, um ofício do Centro Universitário do Maranhão – UniCeuma, solicitando a realização do estudo, junto com um Termo de Compromisso esclarecendo sobre os objetivos da pesquisa. Em respeito aos aspectos éticos, assegura-se os direitos de privacidade e confidencialidade desses dados pela autora, deixando-os em sigilo de acordo com termo de compromisso firmado entre a mesma e o Comitê de Mortalidade Materno Infantil de São Luís – MA, conforme preconiza a portaria da Comissão Nacional de Ética, nº 196/96. Após a coleta, foi realizada análise dos dados no programa estatístico específico, Excel versão 2007, e os resultados demonstrados através de tabelas e gráficos.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Seguem-se os resultados tabulados com as freqüências e percentuais das informações coletadas, para melhor compreensão e posterior discussão com embasamento da literatura relacionada ao tema:

Tabela 1: Distribuição numérica e percentual de fetos que evoluíram a óbito por complicações do Descolamento Prematuro da Placenta no ano de 2008, segundo idade gestacional, sexo e peso, em uma Unidade de Referência de alto risco da Rede Pública no Município de São Luís – MA.

Em relação à variável da idade gestacional, na tabela 1, mostra que 4,40% das mulheres que apresentaram óbito fetal por Descolamento Prematuro da Placenta, tinham entre 32 a 36 semanas de idade gestacional. De acordo com Zubaib (2008), diz que aproximadamente 50% dos casos de DPP ocorrem antes de 36ª semana de gestação.

Um fator que influencia e parece dobrar a freqüência de DPP, segundo

Trajano (2001), é o tabagismo, principalmente, antes de 32 semanas. Após esta idade gestacional, a influência não seria tão relevante.

Na variável sexo, na tabela 1, predominou o sexo masculino 61,10%. Em conformidade com Cunha (2004), o sexo masculino foi associado ao aumento do risco de sofrimento fetal em estudo no qual foram incluídas 423.033 gestações únicas do Registro Nacional Holandês, com o que concorda o presente estudo, uma vez que foi observado efeito protetor do sexo feminino.

Nomura et al (2004), identificou em seu estudo uma associação de asfixia fetal com descolamento prematuro da placenta baixo peso ao nascer (≤2.500), préeclampsia, sexo masculino e pequeno para a idade gestacional.

De acordo com o peso fetal, na tabela 1, destacou-se o de baixo peso ao nascer (≤ 2.500g) 4,40%. Afirma Martins et al (2006), que os resultados perinatais adversos que acompanham o diagnóstico de Descolamento Prematuro da Placenta, são: prematuridade, baixo peso ao nascer, sofrimento fetal e morte perinatal.

As gestantes com diagnóstico de DPP apresentam uma grande incidência de feto de baixo peso (CARVALHO, 2002).

Tabela 2: Distribuição numérica e percentual de mulheres com Descolamento Prematuro da Placenta e Óbito fetal, segundo características maternas em uma Unidade de Referência de alto risco da Rede Pública no Município de São Luís – MA 2008.

Conforme mostra na tabela 2, em relação à variável idade, destacou a faixa etária entre 31 a 40 anos (38,90%) em mulheres que apresentaram óbito fetal devido o Descolamento Prematuro da Placenta. Segundo Rezende (2002),

26 a 306 3,30
Negra1 61,10
Total 1810,0

Nenhuma 2 1,10 Ensino Fundamental Incompleto 6 3,30 Ensino Fundamental Completo 7 38,90 Ensino Médio Incompleto 2 1,10 Ensino Médio Completo 1 5,60 Superior Completo 0 0,0 tradicionalmente o DPP tem sido referido como mais comum entre as mulheres de maior idade.

A literatura clássica e estudos mais recentes destacam a idade materna avançada como um dos principais aspectos etiológicos mais importantes, com destaque para os chamados fatores predisponentes (SOUZA ; CAMANO, 2006).

Em termos proporcionais, observou-se na mesma tabela, a variável raça que predominou a negra com 61,10%. De acordo com Trajano (2001), ao se considerar o fator racial, a análise parece apontar uma freqüência maior em mulheres da raça negra.

A característica racial é um fator que também pode influenciar nos casos de complicação do DPP, pois há maior concentração de população negra, em mulheres no qual os problemas de anemia falciforme e hipertensão ocorrem com maior freqüência (MARTINS, 2000).

Em relação à variável escolaridade, na tabela 2, mostra que maioria das mulheres tinha nível fundamental completo 38,90% e fundamental incompleto de 3,30%. De acordo com Andrade et al (2009), Em relação ao nível de escolaridade da mãe, é notada uma chance 2,3 vezes maior de os natimortos serem filhos de mulheres com escolaridade menor que oito anos de estudo.

Na variável número de parto, na tabela 2, mostra que 6,70% das mulheres eram multíparas. Segundo Zubaib (2008), diz que um dos fatores de risco para o DPP é a multiparidade. Fato este que, de acordo com Benzecry (2001), afirma que o DPP associa-se com a hipertensão e aumenta com a paridade.

(Parte 1 de 2)

Comentários