Modulo i - aula 03 - como se classificam os organismos

Modulo i - aula 03 - como se classificam os organismos

PROFº: HUBERTT GRÜN. Página 1

O estudo descritivo de todas as espécies de seres vivos e sua classificação dentro de uma verdadeira hierarquia de grupamentos constitui a sistemática ou taxionomia. Tradicionalmente, distinguiam-se a sistemática zoológica, que se encarregava do estudo dos animais, e a sistemática botânica, na qual se classificavam as plantas. Modernamente, com a divisão dos seres em cinco reinos, o estudo da sistemática assume uma complexidade horizontal maior.

Observação: Etimologicamente, taxionomia vem do grego taxis, 'ordem', e nomos, 'lei'. Ela é a parte da Biologia que trata da classificação dos sistemas viventes.

Vamos começar a interpretar o papel da taxionomia vendo o conceito de espécie. Podemos dizer que espécie é um grupamento de indivíduos que revelam profundas semelhanças entre si, tanto no aspecto estrutural quanto no funcional, mostrando grandes similaridades bioquímicas, e no cariótipo (quadro cromossomial das células diplóides), com capacidade de se cruzarem naturalmente, dando origem a descendentes férteis.

Observação: São da mesma espécie os indivíduos que apresentam: ﺽ Profundas semelhanças estruturais e funcionais; ﺽ Similaridades bioquímicas; ﺽ O mesmo cariótipo; ﺽ Capacidade de reprodução entre si.

Observação: Considera-se como um sistema natural de classificação aquele que se baseia na morfologia e fisiologia dos organismos adultos, no desenvolvimento embrionário dos indivíduos, no cariótipo de cada espécie, na sua distribuição geográfica e, notadamente, nas relações dos seres com o processo da evolução das espécies.

Um sistema artificial de classificação (que biologicamente não é correto) é aquele em que o taxionomista se baseia em uns poucos caracteres escolhidos arbitrariamente para classificar um determinado organismo. Classificações que dividissem os seres em aquáticos e terrestres, em macroscópicos e microscópicos, ou em alados e sem asas, seriam sistemas artificiais de classificação e não teriam qualquer valor cientifico.

Para melhor entendimento, imagine que todas as criaturas humanas são razoavelmente semelhantes na sua anatomia e na sua fisiologia, têm grandes similaridades bioquímicas (a hemoglobina, a insulina, a tiroxina, a tripsina e numerosas outras substâncias são molecularmente idênticas em todos os indivíduos), possuem todos eles o mesmo número de cromossomos nas suas células somáticas (2n = 46), os quais correspondem a 23 tipos (pares homólogos) que se repetem em todas as pessoas e que, finalmente, cruzam-se e reproduzem-se naturalmente, originando descendentes férteis. Com essa observação, estamos afirmando que todos os seres humanos pertencem a uma mesma espécie. Essa espécie recebeu o nome de Homo sapiens.

Ocorre, entretanto, que na Natureza existem espécies que, embora diferentes entre si, guardam grandes aproximações. O cão doméstico, o cachorro-do-mato, o lobo e o coiote revelam grandes semelhanças entre si, mas também demonstram algumas diferenças. Espécies muito próximas assim são enquadradas dentro de uma categoria taxionômica comum, que é o gênero. Portanto, no gênero Canis são reunidas as quatro espécies citadas: Canis familiaris (cão doméstico), Canis thou (cachorro-do-mato), Canis lúpus (lobo) e Canis latrans (coiote). Também com os vegetais observamos semelhante fato. O marmelo (Pirus cydonia), a maçã (Pirus malus) e a pêra (Pirus communis) constituem espécies distintas que se enquadram todas elas no mesmo gênero — Pirus.

Como se vê, o gênero pode ser definido como um grupamento de espécies muito parecidas.

Seguindo o mesmo raciocínio, podemos compreender que diversos gêneros muito próximos devam ser reunidos num grupamento taxionômico comum. Surge, então, a família. Todos os integrantes do gênero Canis, juntamente com a raposa-vermelha (Vulpes vulpes) e a raposa polar (Alopex lagopus), integram a família Canidae. Mencionamos três gêneros — Canis, Vulpes e Alopex, que pertencem a uma mesma família — Canidae.

Você conclui, portanto, que família é uma reunião de gêneros afins, isto é, muito próximos ou parecidos.

Agora, veja bem: o cão, o lobo, a raposa e demais organismos integrantes da família Canidae são todos carnívoros. Possuem dentes especiais para a alimentação à base de carne. Mas não são os únicos animais carnívoros. Os ursos, as hienas, os felinos (leão, tigre, onça, gato) também são carnívoros. E, no entanto, pertencem a famílias diferentes: Ursidae, Hienidae e Felidae, respectivamente.

A reunião das famílias Canidae, Ursidae, Hienidae e Felidae resulta na formação de uma ordem — Carnívora.

Logo, uma ordem é um grupamento de famílias que têm algo em comum.

Por sua vez, as ordens se reúnem e formam as classes. Assim, a ordem Carnívora, juntamente com as ordens Rodentia (dos roedores), Primatas (dos macacos e do homem), Edentata (dos desdentados, como tamanduá, preguiça e tatu), Chiroptera (dos morcegos), Ungulata (dos portadores de cascos, como cavalos e bois) e Cetácea (baleias e golfinhos), forma a classe Mammalia (dos mamíferos). Realmente, em todas essas ordens, a fêmea é dotada de glândulas mamárias funcionais e suas crias, logo após o nascimento, são alimentadas com leite materno.

Agora, preste muita atenção: todos os animais citados até aqui são dotados de coluna vertebral. Então, são vertebrados. Acontece, todavia, que existem outros vertebrados na Natureza que não são mamíferos. Assim são as aves, os répteis, os anfíbios e os peixes. As diversas classes desses animais se reúnem com a classe Mammalia e formam um filo ou ramo — o filo Chordata (animais que possuem notocórdio durante a formação embrionária, o qual geralmente é substituído por coluna vertebral).

O filo é uma grande categoria taxionômica, pois encerra elevado número de espécies. Ele é um grupamento de classes. Em Botânica, a categoria taxionômica correspondente ao filo era tradicionalmente denominada divisão. Começa-se, agora, a não mais se fazer essa diferença.

Os animais estão divididos e enquadrados em diversos filos. Os cordados formam apenas um deles.

Se reunirmos o filo Chordata aos demais filos (Porifera,

Coelenterata, Platyhelminthes, Nemathelminthes, Annelida, Arthropoda, Mollusca e Echinodermata), teremos a maior das categorias taxionômicas — o reino. Teremos, então, uma idéia global do reino Metazoa ou Animalia, no qual se reúnem todos os animais conhecidos.

Um raciocínio em sentido contrário nos conduz à conclusão de que o reino se divide em filos; os filos se dividem em classes; as classes se dividem em ordens; as ordens se dividem em famílias; as famílias se dividem em gêneros; os gêneros se dividem em espécies.

Reino é um grupo de filos. Filo é um grupo de classes. Classe é um grupo de ordens. Ordem é um grupo de famílias. Famílias é um grupo de gêneros. Gênero é um grupo de espécies. Espécie é um grupo de indivíduos semelhantes que se reproduzem entre si.

Muitas vezes, os biólogos encontram dificuldade em classificar os seres dividindo-os em apenas sete grupamentos, que são as categorias taxionômicas.

Por essa razão, foram criadas as subcategorias: sub-reinos, subfilos, subclasses, subordens, subfamílias, subgêneros e subespécies.

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As sete categorias taxionômicas fundamentais se organizam formando uma verdadeira hierarquia decrescente em grandeza, que vai de reino a espécie.

Observação: A unidade básica da taxionomia é a espécie.

Todos os indivíduos de uma espécie provêm de um antepassado comum. Indivíduos de espécies diferentes, porém do mesmo gênero provêm de um ancestral comum, menos próximo, entretanto. Indivíduos de gêneros diferentes, mas da mesma família certamente descendem de um antepassado comum, porém bastante remoto.

A classificação dos seres será tanto mais correta quanto mais se aproximar dos verdadeiros caminhos da evolução das espécies.

Exercícios gerais:

02 - (AEUDF-DF). A frase: "Conjunto de organismos possuindo caracteres idênticos ou pouco diferentes e reproduzindo-se exclusivamente entre si" servirá para definir: a) gênero b) subfamília c) subgênero d) espécie e) ordem

03 – (CESGRANRIO-RJ). Podem ser considerados como pertencentes à mesma espécie: a) organismos muito semelhantes que podem cruzar-se, mas dão origem a descendentes estéreis. b) organismos muito semelhantes que vivem no mesmo lugar, mas não se cruzam. c) organismos que, na Natureza, recombinam genes. d) organismos que vivem no mesmo habitat e pertencem ao mesmo gênero. e) organismos semelhantes que vivem no mesmo ambiente e têm hábitos alimentares idênticos.

04 - (CESGRANRIO-RJ). As categorias taxionômicas em que se classificam os seres vivos são ordenadas, de modo ascendente, da seguinte forma: a) espécie, gênero, ordem, família, classe e filo. b) filo, classe, família, ordem, gênero e espécie. c) filo, ordem, classe, família, gênero e espécie. d) filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. e) espécie, gênero, família, ordem, classe e filo.

05 - (UFPA-PA). Quando dois organismos pertencem a uma mesma classe, obrigatoriamente devem pertencer à (ao) mesma (o): a) ordem b) família c) espécie d) gênero e) filo

06 - (UCPR-PR). Em termos de classificação de animais e de plantas, o nível correspondente ao filo entre animais, corresponde, entre vegetais, a: a) classe b) ordem c) superfamília d) família e) divisão

fazem

Importante: Enquanto você mantiver as mesmas políticas, provavelmente seus resultados serão os mesmos; veja o que realmente é importante na sua vida, quem realmente está comprometido em lhe ajudar, não se encante pelo simples canto da sereia. Esses cantos são bonitos, mas já levaram grandes navegadores para o fundo dos oceanos. Os grandes marinheiros devem sua reputação aos grandes temporais, portanto, não repita os mesmos erros, aprenda com os temporais que passaram na sua vida, não despreze essa instrução da velha marinha mercante e vença. Boa sorte na sua viagem e cuidado com as sereias que muito cantam e pouco

FORMATAÇÃO E EDIÇÃO: LAST UPDATE: 29.01.2011 PROF: LIMA VERDE, HUBERTT. huberttlima@gmail.com BIOLOGIA MÓDULO I – TAXONOMIA.

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