Modulo III - aula 30 - tecidos vegetais - parte 01

Modulo III - aula 30 - tecidos vegetais - parte 01

PROFº: HUBERTT GRÜN. Página 1

MÓDULO I -- BOTÂNICA:: TECIDOS VEGETAIS – PARTE 01

A organização do corpo animal é muito diferente da organização do corpo vegetal. A maior parte dessas diferenças deve ser interpretada como adaptações à nutrição autotrófica dos vegetais, em oposição à nutrição heterotrófica dos animais. Assim, somente os vegetais possuem tecidos especializados para a fotossíntese e para a condução da seiva do solo.

Os tecidos vegetais, podem ser divididos em tecidos de formação ou embrionários — meristemas — e tecidos permanentes ou diferenciados. Os tecidos permanentes são subdivididos em: tecidos de revestimento ou proteção; tecidos de assimilação e reserva; tecidos de sustentação; tecidos de condução e de secreção.

Os Meristemas:

Á medida que as células do embrião da planta se especializam, elas perdem gradativamente a capacidade de se dividir. Em algumas regiões da planta, porém, persistem grupos de células de estrutura simples, não diferenciadas ou não-especializadas, que conservam as características embrionárias (células pequenas, com parede celular fina, muitos vacúolos pequenos, etc.). Esses grupos de células — chamadas meristemas (meris = divisão) — encontram-se em constante divisão, promovendo o crescimento da planta e originando, por diferenciação, os outros tecidos vegetais.

O meristema se divide em dois tipos: meristema primário ou apical e meristema secundário ou lateral.

Meristema Primário:

Constituindo o embrião da planta, o meristema primário é responsável pelo seu desenvolvimento e crescimento em comprimento. Conforme a planta se desenvolve, a maior parte desse meristema transforma - se em outros tipos de tecido. Outra parte permanece nas extremidades da raiz e do caule, promovendo o crescimento em comprimento da planta. O meristema persiste ainda ao longo do caule, nos pontos onde surgem novos ramos, folhas e flores. O meristema do caule forma pequenos brotos: as gemas apicais (na ponta do caule) e as gemas laterais ou axilares (nas ramificações do caule).

O meristema da ponta da raiz é protegido contra o atrito e micróbios por uma espécie de capacete de células: a coifa ou caliptra. As células da coifa se desgastam à medida que a raiz cresce, mas são repostas pelo meristema dessa região que, por isso, é chamado de caliptrogênio (caliptro = cobertura).

Observe que há uma diferença entre o crescimento da planta e o crescimento do pêlo dos mamíferos: o pêlo cresce pela base (folículo), onde estão as células epiteliais vivas e em divisão; o vegetal cresce pelas pontas, onde estão os pontos com meristema.

O meristema primário, encontrado na ponta do caule e na ponta da raiz, divide - se em três regiões: a protoderme (ou protoderma), o procâmbio e o meristema fundamental.

A protoderme origina um tecido protetor — a epiderme — que reveste o vegetal.

O procâmbio vai se diferenciar nos tecidos condutores de seiva, localizados no interior da raiz e do caule: o xilema ou lenho — que conduz a seiva bruta (água e sais minerais retirados do solo) — e o floema ou líber — que conduz a seiva elaborada (substâncias orgânicas sintetizadas nas folhas).

O meristema fundamental irá produzir os demais tecidos da planta, responsáveis pela sustentação, fotossíntese, armazenamento de substâncias, etc. (figura 1).

Os tecidos formados pela multiplicação e diferenciação do meristema primário formam a estrutura primária da planta. Nas samambaias — plantas do grupo das pteridófitas, sem sementes e com vasos condutores de seiva — e nas plantas herbáceas (como o milho, a beterraba e a cenoura) só há meristema primário. Essas plantas crescem, portanto, apenas em comprimento. Em outras plantas, vamos encontrar também um crescimento em espessura, provocado por outro tipo de meristema, como veremos a seguir.

Meristema secundário:

O meristema secundário é encontrado no meio dos tecidos diferenciados da raiz e do caule, sendo formado a partir de células adultas, já diferenciadas, que voltam ao estado embrionário, readquirindo a capacidade de se dividir. Esse fenômeno è chamado desdiferenciação celular.

Figura 1: A localização do meristema primário.

Esse meristema é responsável pelo crescimento em espessura, sendo encontrado na gimnospermas (plantas com semente mas sem fruto, como o pinheiro) e nas angiospermas (plantas com flor e fruto) lenhosas (árvores e arbustos).

O meristema secundário forma - se nas regiões laterais do caule e da raiz. Na parte externa ele é chamado felogênio; na parte mais interna, onde estão os vasos condutores, ele é chamado câmbio. Na realidade, uma parte desse câmbio já estava presente, na forma de um resíduo do procâmbio, entre os vasos condutores; mas ele é complementado por células adultas, que se desdiferenciam. Dessa forma, o câmbio tem origem dupla: parte é meristema primário e parte é meristema secundário.

O felogênio e o câmbio produzem, por mitoses, células que se dirigem tanto para dentro da raiz e do caule, como para fora, em direção à superfície. Estas células se especializam em células adultas, promovendo o aumento da espessura do vegetal.

Enquanto o câmbio produz o xilema e o floema, o felogênio produz células de preenchimento e reserva — o feloderma — e células de proteção — o súber (cortiça), que vai substituir a epiderme (figura 2).

O conjunto formado pelo felogênio, feloderma e súber é chamado periderme.

Figura 2: O meristema secundário: câmbio e felogênio. O Câmbio se multiplica e produz os vasos condutores de seiva para dentro e para fora da parte central do caule. O felogênio se multiplica e produz um tecido de revestimento chamado súber (do qual é feita a cortiça), para fora do córtex, e um tecido com células cheias de amido, o feloderma, para dentro do córtex.

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Os tecidos derivados da multiplicação e diferenciação do meristema secundário formam a estrutura secundária do vegetal.

Em resumo, o meristema primário é responsável pelo crescimento em comprimento da planta — altura e profundidade —, enquanto o meristema secundário (e uma parte do primário) promove o crescimento em espessura — alargamento. Árvores sem meristema secundário:

Os vegetais com flores e frutos dividem - se em dois grupos:

Monocotiledôneas: incluindo, entre outros, o capim, o trigo, o coqueiro e a orquídea;

Dicotiledôneas: incluindo muitas flores de jardim, como girassol e margarida, além de árvores e arbustos, como tomateiro, algodoeiro, macieira, roseira, leguminosas (feijão, soja, etc.), seringueira, etc.

Esses dois grupos de vegetais diferem pelo número de folhas especiais — chamadas cotilédones —, presentes nas sementes e que têm a função de nutrir o embrião. As monocotiledôneas têm um cotilédone; as dicotiledôneas têm dois cotilédones.

A maioria das dicotiledôneas tem meristema secundário, ausente na maioria das monocotiledôneas. Somente algumas monocotiledôneas lenhosas, que formam arbustos, têm meristema secundário e podem crescer em espessura.

Um caso interessante é o das palmeiras. Elas fazem parte do grupo das monocotiledôneas lenhosas, que não possuem meristema secundário; no entanto, as palmeiras têm, geralmente, grande porte. Isto se deve ao fato de o meristema apical produzir tecidos primários que se espalham para baixo do caule, aumentando a espessura da planta. Isso permite uma maior base de sustentação, conferindo maior altura para a planta, como é o caso da carnaubeira (figura 3).

As plantas herbáceas (mono ou dicotiledôneas) que não possuem o meristema secundário chamam-se plantas anuais, pois as células da raiz e do caule morrem e não são substituídas. Assim, a planta cresce e, depois de florescer, morre após um ano (dois anos, em alguns casos). As plantas herbáceas tropicais, porém, permanecem com partes subterrâneas dormentes e podem crescer novamente.

Enquanto isso, as plantas lenhosas, com meristema secundário, substituem as células mortas do caule e da raiz e sobrevivem por tempo indeterminado. Por isso, chamam - se plantas perenes.

Crescendo sem parar:

O meristema secundário é responsável por uma característica dos vegetais que contrasta com os animais.

Nos animais, o crescimento é, em geral, determinado. Quando eles chegam a um certo tamanho, típico para cada espécie, param de crescer. O mesmo não ocorre com os vegetais lenhosos. Esse crescimento é indeterminado (exceto em certos órgãos, como a folha), permitindo, em muitos casos, uma longevidade que leva a uma potencial imortalidade. Este é o caso, por exemplo, de uma espécie de pinheiro (Pinus longaeva), que chega a durar quase cinco mil anos.

Questões para Revisão: 1. O que é meristema?

2. Cite a localização e a função dos dois tipos de meristema.

Questões de Múltipla Escolha: 1. (UFRS) O tecido responsável pelo crescimento em espessura dos vegetais é o: a) meristema primário. b) meristema secundário.

c) parênquima. d) esderênquima. e) colênquima.

2. (Cesgranrio - RJ) No segundo ano de vida de uma planta dicotiledônea, depois do período de descanso invernal, aparecem no caule dois meristemas que a fazem crescer em espessura. Um deles se forma entre o floema e o xilema, dando líber para fora e lenho para dentro; o outro aparece perto da periferia, formando especialmente o súber ou a cortiça. Esses meristemas secundários são, respectivamente: a) feloderma e esderênquima. b) câmbio e esderênquima. c) câmbio e felogênio. d) felogênio e endoderma. e) felogênio e câmbio.

Gabarito: Questões para Revisão: 1. É um tecido formado por células indiferenciadas, capazes de se dividir e originar outros tecidos.

2. Meristema primário: localiza - se nas extremidades do caule e da raiz; é responsável pelo crescimento vertical da planta. Meristema secundário: localiza - se no interior do caule e da raiz; é responsável pelo crescimento em espessura.

Questões de Múltipla Escolha: 1. b; 2. c;

FORMATAÇÃO E EDIÇÃO: LAST UPDATE: 30.01.2011 PROF: LIMA VERDE, HUBERTT. huberttlima@gmail.com; BIOLOGIA MÓDULO I - BOTÂNICA.

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