Processamento de Artigos e Superfícies

Processamento de Artigos e Superfícies

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Ministério da Saúde Secretaria de Assistência à Saúde Departamento de Assistência e Promoção à Saúde Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar

Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos de Saúde

2a Edição

Brasília - DF 1994

© 1994. Ministério da Saúde1" edição - 1993É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.Tiragem: 30.0 exemplaresImpresso com recursos do Acordo de Cooperação Técnica Brasil/PNUD - Projeto BRA/90-32 Desenvolvimento Institucional do Ministério da Saúde

Equipe técnica responsável: Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar / Departamento de Assistência e Promoção à Saúde / Secretaria de Assistência à Saúde / MS SAS Quadra 4, Bloco "N" - 10º andar 70058-902 - Brasília - DF Fones: (061) 224.4251 / 314.6490

Impresso no Brasil / Printed in Brazil ISBN: 85-334-0048-9

BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação de Controle de Infecção

Hospitalar. Processamento de Artigos e Superficies em Estabelecimentos de

Saúde. -- 2. ed. -- Brasília,1994. 50 p.

ISBN: 85-334-0048-9 1. Infecção Hospitalar I. Título

Este trabalho foi possível a partir do empenho e da colaboração técnica e científica na redação e revisão do conteúdo de:

Sra. Alda Lúcia Neiva Pinheiro - Chefe do Serviço de Normatização / MS, Sr. Cássio Tadeu S. Barros - ABIPLA, Enf. Eliana Auxiliadora M. Costa - CCIH do Hospital da Lagoa - RJ, Farm. Gracce Marie Scott Barreta - CCIH do Hospital de Clínicas da UFPR, Enf. Heloísa Hoefel - Coordenadora da CCIH do Hospital de Clínicas; de Porto Alegre, Enf. Heloísa Santos Vieira - CCIH do Hospital de Base de Brasília,

Enf. Joane Maria Queiróz Félix - Coordenação Estadual de CIH da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia,

Farm. João Batista Almeida Bonafé - Farmácia do Hospital Militar do Estado de MG, Enf Kátia Liberato Sales Scheidt - CCIH - IFF - FIOCRUZ e Consultora da SVS/MS, Enf. Maria Eleuza G. Farias - Consultora da DST/AIDS / MS, Enf. Maria de Fátima Rabelo Costa - CME do Hospital de Base de Brasília, Enf. Maria Helena Peraccini - ABIPLA, Farm. Maria José Tenório - CCIH do Hospital de Clínicas da UFPE, Enf. Maria de Lourdes Cunha Pereira - Chefe do CME do Hospital de Base de Brasília, Dra. Enf. Maria Lúcia P. de Assis e Moura - Enf. Chefe do Hospital 9 de Julho - SP, Enf. Maria Luiza M. Costa - CCIH do Hospital da Escola Paulista de Medicina - SP, Farm. Maria Zenaide Paiva Gadêlha - COCIN / Secretaria de Assistência à Saúde/ MS. Farm. Mauro Silveira de Castro - CCIH do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Enf. Monalisa Suzy Leite Barbosa - CCIH do Hospital de Base do Distrito Federal. e Enf. Sandra Suzana Prade - COCIN / Secretaria de Assistência à Saúde / MS

Apresentação 07

Introdução 09

1. Métodos, produtos e processamento de artigos e superfícies em estabelecimentos de saúde 1

1.1. Artigos 1

1.2. Superfícies 30

2. Seleção, escolha e aquisição de produtos químicos para limpeza, descontaminação, desinfecção e esterilização em estabelecimentos de saúde

2. l. Seleção 3

2.2. Critérios mínimos para aquisição 34

Quadros 37

Referências Bibliográficas 43

Bibliografia 45

Glossário 47

Esta norma técnica é parte de um conjunto de ações desenvolvidas no ano de 1992, em oficinas de trabalho pela Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar / Secretaria de Assistência à Saúde e pela Divisão de Serviços, Qualidade, Técnica e Produtos / Secretaria de Vigilância Sanitária. A proposta foi elaborar um documento básico de racionalização da escolha e do uso dos produtos e métodos para processamento de artigos e superfícies em estabelecimentos de saúde.

Este trabalho contou com a participação de técnicos da área de assistência e gerenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e de profissionais da indústria. O conteúdo apresenta os parâmetros para avaliar a adesão dos hospitais à norma; explicita critérios de seleção, escolha, aquisição e uso de produtos; e descreve métodos físicos e químicos do processamento de artigos e superfícies e de algumas substâncias em estabelecimentos de saúde.

Assim, tem-se como objetivo proporcionar aos profissionais a possibilidade de esclarecer dúvidas , bem como colocar em prática as especificações apresentadas, optando pelo que melhor se adeque às condições de cada unidade de saúde.

Entre as recomendações de pesquisa e de novos estudos, foram apontadas: a necessidade de critérios e métodos para validar e monitorar os processos de desinfecção e esterilização, e para determinar o tempo de validade dos artigos processados; uma análise das condições de tempo de estoque dos artigos antes de serem processados; modificações na Portaria nº15 (D.O.U de 23/08/8)' para inclusão dos conceitos de desinfecção de baixo, médio e alto nível; a retirada do conceito de sanitarização; a inclusão do álcool, dos iodados, do formaldeído e dos peróxidos, nos testes-padrão; e a atualização das recomendações sobre óxido de etileno e material médicohospitalar de uso único.

Face à adesão às medidas propostas na presente norma, verificada não somente pelo rápido esgotamento da primeira edição, mas também pelas inúmeras solicitações recebidas, a Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar apresenta a segunda edição revisada desta publicação, reafirmando sua disposição para receber críticas e sugestões que atualizem e ampliem o leque de opções práticas neste campo de trabalho e reiterando que a participação dos profissionais é condição determinante para a melhoria da qualidade na assistência à saúde da população brasileira.

Sandra Suzana Prade Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar

Os artigos de múltiplos uso em estabelecimentos de saúde podem se tornar veículos de agentes infecciosos, se não sofrerem processos de descontaminação após cada uso.

Os locais onde estes artigos são processados e as pessoas que os manuseiam também podem tornar-se fontes de infecção para hospedeiros suscetíveis.

No mecanismo de transmissão de infecção nos hospitais, as mãos contaminadas do pessoal hospitalar atuam como importante meio de disseminação.

Um dos processos que podem interromper esta cadeia é a esterilização de artigos, e outro, a desinfecção de artigos e ambientes, dentro das devidas proporções de necessidade.

O que se observa, frente às tentativas de múltiplos uso de artigos, é que a utilização de germicidas tem substituído erroneamente a ação mecânica da fricção, havendo um uso exagerado de produtos químicos em áreas e locais que representam pouco ou nenhum risco de infecção para os usuários e trabalhadores dos estabelecimentos de saúde; e que inexiste indicação detalhada sobre quais os locais, superfícies e artigos hospitalares que necessitam de processamento de limpeza, descontaminação, desinfecção e esterilização, e quais os métodos indicados para cada uso e processamento.

Além do desperdício de produtos, os quais tem alto custo aquisitivo num sistema de saúde, existe o desgaste/corrosão precoce de artigos e superfícies, bem como os problemas da toxicidade aos manuseadores e aos usuários, contribuindo, inclusive, para a poluição ambiental.

O custo da assistência e os recursos disponíveis forçam a múltipla utilização de artigos, pois estes são mais escassos que a demanda necessária e têm alto custo aquisitivo num sistema de saúde como o nosso.

O uso indevido e inadequado de produtos destinados a limpeza, descontaminação, desinfecção de superfícies e artigos hospitalares, e a esterilização de artigos levam milhões de dólares a serem gastos por ano, sem que os objetivos sejam atingidos.

A Portaria nº 930 *( D.O.U. de 27/08/92) substituída pela Portaria 2616, de 12-05-9, que atualiza conceitos e normas do controle de infecção hospitalar, relaciona, no seu anexo V, métodos e produtos químicos para limpeza, desinfecção e esterilização de artigos e áreas em estabelecimentos de saúde do pais. Ha necessidade de se detalhar prioridades, opções e considerações quanto ao tipo de carga microbiana depositada na superfície a ser processada, concentração de produtos, tempo de exposição, validade em uso e outros fatores relacionados.

Os objetivos desta norma técnica são orientar profissionais de saúde para o melhor uso e métodos de desinfecção e esterilização, e selecionar a aquisição de produtos de forma eficiente e eficaz, racionalizando esforços, recursos e tempo.

O processamento descrito nesta norma técnica refere-se aos métodos de limpeza, descontaminação, desinfecção de superfícies e artigos, e à esterilização de artigos e de algumas substâncias.

Os artigos compreendem instrumentos, objetos de natureza diversa, utensílios( talheres, louças, comadres, papagaios, etc.), acessórios de equipamentos e outros.

Nas superfícies estão compreendidos mobiliários, pisos, paredes, portas, tetos, janelas, equipamentos e demais instalações. Substâncias compreendem os produtos como água, pós, vaselina e outros.

1. MÉTODOS, PRODUTOS E PROCESSAMENTO DE ARTIGOS E SUPERFÍCIES EM ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE.

1.1. ARTIGOS

Os artigos destinados à penetração através da pele e mucosas adjacentes, nos tecidos subepiteliais e no sistema vascular, bem como todos os que estejam diretamente conectados com este sistema, são chamados de ARTIGOS CRÍTICOS. Estes requerem esterilização para satisfazer os objetivos a que se propõem.

Os artigos destinados ao contato com a pele não-íntegra ou com mucosas íntegras são chamados de ARTIGOS SEMI-CRITICOS e requerem desinfecção de médio ou de alto nível, ou esterilização, para ter garantida a qualidade do múltiplo uso destes.

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