Informe tecnico vacina H1N1

Informe tecnico vacina H1N1

(Parte 1 de 6)

Estratégia Nacional de

Vacinação Contra o Vírus Influenza Pandêmico (H1N1) 2009

8 de março a 21 de maio de 2010

Informe Técnico Operacional

Brasília, DF 2010

Ministro da Saúde José Gomes Temporão

Secretário de Vigilância em Saúde Gerson Oliveira Penna

Diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica Eduardo Hage Carmo

Diretora Adjunta de Vigilância Epidemiológica Carla Magda A. S. Domingues

Coordenadora Geral do Programa Nacional de Imunizações Carmem Osterno Lucia Silva

Elaboração

Assessores Externos da CGPNI/DEVEP/SVS Cristina Maria Vieira Rocha Marilia Mattos Bulhões Marlene Tavares Carvalho Márcia Cristina Rangel Chaves DanieluK

Equipe CGPNI/DEVEP/SVS/MS Ana Rosa dos Santos Antonia Maria da Silva Teixeira Catarina Aparecida Schubert Carmem Lucia Osterno Silva Cristiane Pereira de Barros Giane Rodrigues Costa Ribeiro Karla Maria Carmona Queiroz Laura Dina B. Bertollo S. Arruda Luana Alves D’ Almeida Nair Florentino de Menezes Marcelo Pinheiro Chaves Marcos Aurélio de Souza Mara El-Corab Moreira de Oliveira Paulo Ricardo Brites Esteves Rayana de Castro da Paz Regina Célia Silva Oliveira Sâmia Abdul Samad Sandra Maria Deotti Carvalho Silvia Cristina Viana Silva Lima Sirlene de Fátima Pereira

Equipe COVER/CGTD/DEVEP/SVS/MS Marcia Lopes de Carvalho Camile de Moraes Dirce Regina Simczak Dionéia Garcia de Medeiros Guedes

Equipe NUCOM/DEVEP/SVS/MS Vanessa Borges

Colaboração Alexandre Fernandes - UFF/RJ Brendan Flannery - OPAS do Brasil Helena Keico Sato - Programa de Imunizações/SES/SP Maria Tereza M. T. Schermann - Programa de Imunizações/SES/RS Renate Mohrdieck - Programa de Imunizações/SES/RS Marta Casagrande Koehler - Programa de Imunizações/SES/ES Tânia Maria Soares Arruda Caldeira Brant - Programa de Imunizações/SES/MG Vera Regina Barea – Dasis/SVS/MS

Sumário

Apresentação 1

1. Introdução2

1.1. Influenza pandêmica (H1N1) 2009: Descrição e Histórico2 1.2. Situação Epidemiológica da Influenza Pandêmica (H1N1) 20093

2. Estratégia Nacional de Vacinação Contra o Vírus da Influenza Pandêmica (H1N1) 20096

2.2. Grupos Prioritários a Serem Vacinados6

2.2.1. Caracterizações dos grupos prioritários e recomendações9

2.2.1.1. Trabalhadores de saúde9 2.2.1.2. População indígena aldeada9 2.2.1.3. Gestantes9 2.2.1.4. Portadores de doenças crônicas10 2.2.1.5. População com 60 anos e mais portadora de comorbidade11 2.2.1.6. Crianças com idade entre seis meses a menores de dois anos (um ano, 1 meses e 29 dias)12 2.2.1.7. População adulta de 20 a 39 anos12

4. Operacionalização da Estratégia de Vacinação13 5. Cronograma13 6. Pontos a Serem Considerados na Estratégia15

7. Imunobiológios e Outros Insumos15

7.1. Vacinas a Serem Utilizadas na Estratégia de Vacinação15 7.2. Seringas e Agulhas a Serem Utilizadas na Estratégia de Vacinação17 7.3. Conservação da Vacina18

8. Administração da Vacina Influenza (H1N1) 200918

8.1. Nota aos Doadores de Sangue18 8.2. Eficácia Após Administração da Vacina18 8.3. Administração Simultânea com Outras Vacinas18

9. Vacinação Segura20

10. Monitoramento dos Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV)20 1. Contra Indicações à Administração da Vacina21 12. Registro e Informações21 13. Financiamento24

14. Comunicação Social26 14.1. Gerenciamento da Comunicação de Risco27 15. Monitoramento e Avaliação da Estratégia27

Referências Bibliográficas 28 Lista de Abreviaturas e Siglas30 Lista de Figuras31 Lista de Quadros31 Lista de Tabelas31

Apresentação

O Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), realizará, no período de 8 de março a 21 de maio de 2010 a Estratégia Nacional de Vacinação Contra o Vírus da Influenza Pandêmica (H1N1) 2009. Esta ação visa contribuir para a redução de morbimortalidade pelo vírus da influenza (H1N1) 2009 e manter a infraestrutura dos serviços de saúde para atendimento à população.

A estratégia de vacinação fundamentou-se – conjuntamente – na análise de vários fatores, entre eles, a situação epidemiológica no Brasil, a vigência da segunda onda da pandemia no hemisfério norte, a gravidade da doença, o risco de adoecer e morrer e a disponibilidade da vacina.

O governo brasileiro, com base nas experiências de outras campanhas de imunizações, estreitou, ainda mais, a parceria com as Sociedades Científicas (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Imunizações, Pediatria, Pneumologia e Tisiologia), Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e um conjunto de instituições, a exemplo do Conselho Federal de Medicina (CFM), núcleos de educação e saúde coletiva, bem como instituições que têm assento no Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (CTAI), para estabelecer a estratégia de enfrentamento da influenza pandêmica (H1N1) 2009.

A pandemia causada pelo vírus influenza pandêmica (H1N1) 2009, associada à sua virulência, constitui-se em grande desafio para a saúde pública e nesse sentido os países membros da Organização Mundial e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) acordaram a realização da vacinação, não para conter a epidemia, mas para preparar os países para enfrentar a segunda onda da pandemia.

O Ministério da Saúde objetiva com este Informe Técnico Operacional, revisado, presencialmente, com todas as Secretarias Estaduais de Saúde orientar a estruturação e a avaliação da estratégia nacional de vacinação contra o vírus da influenza pandêmica (H1N1) 2009.

O êxito dessa maior campanha de vacinação do planeta é creditado ao imenso esforço coordenado do Sistema Único de Saúde, mas, sobretudo, aos milhares de trabalhadores, civis e militares, do setor público, privado e do terceiro setor que levarão a vacina a cada brasileiro.

Estratégia Nacional de Vacinação contra o Vírus Influenza Pandêmico (H1N1) 2009

Secretaria de Vigilância em Saúde/MS

1. Introdução

1.1. Influenza Pandêmica (H1n1) 2009: Descrição e Histórico

A influenza ou gripe é uma infecção viral aguda do sistema respiratório, de distribuição global e elevada transmissibilidade (Brasil, 2002). Os vírus influenza são compostos de RNA de hélice única, da família dos Ortomixovírus, e subdividem-se em três tipos A, B e C, de acordo com sua diversidade antigênica. Os vírus podem sofrer mutações, ou seja, podem passar por transformações em sua estrutura. Os tipos A e B, comparados ao tipo C, têm maior poder de causar a doença (morbidade) e morte (mortalidade). As epidemias e pandemias, geralmente, estão associadas ao vírus influenza A.

A doença inicia-se, clinicamente, com a instalação abrupta de febre alta, em geral acima de 38ºC, aferida ou mencionada, seguida de mialgia, dor de garganta, prostração, dor de cabeça e tosse seca. A febre é o sintoma mais importante, com duração em torno de três dias. Com a progressão da doença, os sintomas respiratórios tornam-se mais evidentes e mantêm-se em geral por três a quatro dias, após o desaparecimento da febre.

As principais características do processo de transmissão são: a) alta transmissibilidade, principalmente em relação à influenza A; b) maior gravidade entre os idosos, as crianças, os imunodeprimidos, os cardiopatas e os pneumopatas; c) rápida variação antigênica do vírus influenza pandêmica, favorecendo maior suscetibilidade da população; e d) circulação dos vírus entre aves selvagens e domésticas, suínos, focas e eqüinos, que, desse modo, também tornam-se em reservatórios dos vírus, constituindo-se, assim, em uma zoonose.

Os sintomas da influenza ou gripe, muitas vezes, são semelhantes aos do resfriado comum, que se caracterizam pelo comprometimento das vias aéreas superiores como congestão nasal, rinorreia, tosse, rouquidão; febre variável e, com menor frequência, mal-estar, mialgia e cefaleia. O quadro do resfriado comum, geralmente, é brando, de evolução benigna (de dois a quatro dias), podendo, no entanto, ocorrer complicações como otites, sinusites e bronquites; e quadros graves de acordo com o agente etiológico em questão.

O principal agente causal do resfriado é o Rhinovírus (mais de 100 sorotipos), mas também pode ser causado pelo vírus Parainfluenza, Coronavírus, Vírus Sincicial Respiratório, Adenovírus, Enterovírus. Outros agentes infecciosos podem provocar sintomas respiratórios que simulam um quadro de resfriado comum, como a Clamydia pneumoniae e a Mycoplasma pneumoniae, Streptococcus sp. Agravos não infecciosos, do mesmo modo, podem apresentar sintomas do resfriado comum (tosse, congestão nasal, rinorreia, rouquidão e dor de garganta), a exemplo da rinite alérgica (mais comum), da polipose nasal, da rinite atrófica, alterações do septo nasal e a presença de corpo estranho na cavidade nasal.

As primeiras suspeitas de infecção pelo vírus Influenza ocorreram por volta do século V a.C., identificadas por Hipócrates, conhecido como pai da medicina, que relatou casos de uma doença respiratória que, em algumas semanas, matou muitas pessoas e depois desapareceu.

A primeira epidemia de gripe relatada foi em 1889, quando morreram cerca de 300 mil pessoas, principalmente idosos, em decorrência de complicações, como pneumonia bacteriana secundária. Em 1918, a epidemia conhecida como Gripe Espanhola acometeu cerca de 50% da população mundial e vitimou mais de 40 milhões de pessoas. No Brasil, aproximadamente 65% da população foram infectados e mais de 35 mil pessoas morreram.

A gripe asiática e a de Hong Kong são as epidemias mais recentes e de maior repercussão, juntamente com a gripe aviária. A primeira, em 1957, matou, em seis meses, cerca de um milhão de pessoas em todo o mundo. A segunda, em 1968, produziu uma epidemia de grande extensão, que se propagou ao mundo, seguindo as mesmas linhas de difusão da gripe asiática.

Estratégia Nacional de Vacinação contra o Vírus Influenza Pandêmico (H1N1) 2009

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No período de 1976 a 1978, ocorreram a gripe de Nova Jérsei e a gripe russa. Essa última infectou, sobretudo, crianças e adultos jovens.

Em 2003, foi reportado um surto da gripe aviária na Ásia, que levou as autoridades a sacrificarem dezenas de milhões de aves de criação. A doença, desde então, atingiu 121 pessoas e matou 62 naquele continente.

Em meados de março de 2009, o México registrou os primeiros sintomas da influenza pandêmica (H1N1) 2009. Atualmente, 212 países registram casos da doença, dentre eles o Brasil.

1.2. Situação Epidemiológica da Influenza Pandêmica (H1N1) 2009

Segundo o boletim nº 8 da Organização Mundial da Saúde (OMS), disponível no site http:// w.who.int/csr/don/2010_02_19/en/index.html, até 19 de fevereiro de 2010, mais de 212 países têm casos confirmados de influenza (H1N1) 2009, com, pelo menos, 15.921 óbitos.

A infecção da gripe humana tem sido reduzida em quase todos os países dos Hemisférios Norte e Sul, onde ela é relatada. Entretanto, o vírus da influenza pandêmico (H1N1) 2009 continua a ser predominante entre todos os subtipos.

A OMS continua acompanhando a evolução e a circulação mundial do vírus da gripe, incluindo a pandêmica, a gripe sazonal e outros vírus circulantes, ou com o potencial de infectar os seres humanos.

No Brasil, a descrição epidemiológica dos casos confirmados para influenza pandêmica

(H1N1) 2009 remete-se ao período de 24/4/2009 a 02/01/2010, o que corresponde às semanas epidemiológicas (SE) de 16 a 52. As informações foram obtidas a partir do banco de dados Sinan Web para pandemia de influenza (H1N1) 2009.

A pandemia foi dividida em duas fases epidemiológicas e operacionais distintas. São elas:

» Fase de contenção: período em que o vírus estava se disseminando no mundo e os casos estão relacionados às viagens internacionais ou contato com pessoas doentes que tenham realizado viagens internacionais. Nesta fase, as ações de vigilância e resposta buscaram reduzir a disseminação do vírus no país, visando proteger a população e instrumentalizar o Sistema Único de Saúde (SUS), além de permitir o acúmulo de maior conhecimento para o enfrentamento do evento. Nesta fase, o sistema apresentou maior sensibilidade, principalmente com as ações de vigilância em pontos de entrada (portos, aeroportos e passagens de fronteira), onde se buscava identificar a maioria dos casos suspeitos. Epidemiologicamente, esta fase compreendeu da semana epidemiológica (SE) 16, período de identificação dos primeiros casos suspeitos, a SE 28, período da declaração de transmissão sustentada.

» Fase de mitigação: é a fase atual e compreende o período desde a SE 29, após declaração de transmissão sustentada do vírus da influenza pandêmica em todo o território nacional. Nesta fase, o sistema vem apresentando maior especificidade nas ações de vigilância. As ações de controle de pontos de entrada perdem a relevância e a assistência apresenta maior demanda, onde se busca reduzir a gravidade e mortalidade.

Neste período, foram confirmados casos em todas as regiões. O período de maior incidência foi durante a semana epidemiológica (SE) 31, refletindo o padrão observado nas regiões Sul e Sudeste, as mais afetadas, seguido das regiões Centro-oeste e Nordeste.

A tendência de redução de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) inicia-se a partir da SE 3, incluindo casos confirmados por Influenza Pandêmica (H1N1) 2009.

A análise dos dados da fase de mitigação contempla apenas os registros com data de início dos síntomas no período da SE 29 a 52 (19/07/2009 a 02/01/2010), referentes ao ano epidemiológico de 2009. Nesta fase, houve um predomínio de casos na região Sul do país, representando 56% (46.244/82.209) dos registros (Gráfico 1).

Estratégia Nacional de Vacinação contra o Vírus Influenza Pandêmico (H1N1) 2009

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Gráfico 1. Distribuição de casos de SRAG, segundo classificação para influenza pandêmica (H1N1) 2009 e semana de início dos sintomas. Brasil, 2009

Considerando a curva epidêmica dos casos de SRAG, observa-se que, na avaliação nacional, houve uma concentração de casos na SE 31 (02 a 08/08). Entre o pico da distribuição e a SE 52, observa-se uma redução de 9,5% (31/56.616) de casos confirmados.

De acordo com os dados do Sinan Web, os casos confirmados têm quadro clínico variando entre leve e moderado, com predomínio dos seguintes sinais e sintomas: febre, tosse, coriza e mialgia (Gráfico 2).

Gráfico 2. Distribuição de sinais e sintomas dos casos de síndrome gripal confirmados para influenza pandêmica (H1N1) 2009. Brasil, 2009

Fonte: Sinan/SVS * Confirmação por critério laboratorial ou clínico-epidemiológico e considera os casos graves da fase de contenção. Observação: dados sujeitos a revisão até 30 de abril de 2010, conforme normas técnicas para encerramento do ano epidemiológico de 2009.

Outros

Conjuntivite

Diarreia Artralgia

Dispneia Calafrio

Dor de garganta Coriza

Mialgia Tosse Febre

Sinais e sintomas

Fonte: Sinan influenza on-line - Acesso: 16/01/2010

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