atribuições do enfermeiro do trabalho

atribuições do enfermeiro do trabalho

1 Enfermeira formada na Universidade Católica Dom Bosco.

2 Enfermeira da Estratégia Agentes Comunitários de Saúde da UBS João André Madsen, Aquidauana, MS. 3. Enfermeira, cursando Especialização em MBA de Gestão em Saúde e Controle de Infecção pelo Instituto

Nacional de Ensino Superior e Pesquisa. 4. Enfermeira,Mestre e Professora do Curso de Enfermagem da Universidade Católica Dom Bosco. Email rosilene@ucdb.br 134

Carolina Uesato Tamassiro1, Nubia Karen Goulart Mendes2, Rosemeire Gamarra Medeiros Monticelli3, Rosilene Rocha Palasson4

Introdução: Promoção da saúde compreende um conjunto de ações desenvolvidas pela população, dos serviços de saúde, das autoridades sanitárias e de outros setores sociais e produtivos, dirigidas para o desenvolvimento de melhores condições de saúde individual e coletiva, conforme definidos em encontros internacionais como a Conferência Internacional sobre a Promoção da Saúde -Carta de OTAWA que conceitua a saúde como resultante de um conjunto de fatores sociais, econômicos, políticos, culturais, ambientais, comportamentais e biológicos1. Saúde do Trabalhador é o campo do saber que correlaciona o trabalho, a saúde e a doença que o envolvem. A taxa de mortalidadeassociada ao trabalho nas classes de trabalhadores assalariados é maior do que nas de profissionais liberais. A “saúde do trabalhador” é um problema público que exige ações mediadoras e reguladoras do Estado2.A transferência de responsabilidade baseia-sena culpabilidade das vítimas, acentuando a insuficiência da ação do Estado no campo da saúde do trabalhador, evidenciada pelo grande número de acidentes de trabalho notificados. A predominância do enfoque que culpabiliza as vítimas por seus “atos inseguros”, é também sustentada por agentes públicos, perpetuando-se a impunidade nos acidentes do trabalho e a injustiça social. Os acidentes ocupacionais são responsáveis pelo maior número de mortes e incapacidades graves causados pelo trabalho em todo o mundo3. O ambiente de trabalho oferece variados riscos à saúde dos indivíduos, que podem ser evitados ou reduzidos por meio de medidas de proteção variadas. Por desconhecer ou não identificar determinadas situações de risco, o trabalhador tem ações não revestidas de proteção alguma que podem conduzir a acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais como desfecho4. Esses acidentes ou doenças, além de impedir temporária ou permanentemente o trabalhador de desempenhar seu trabalho por alterações físicas, podem conduzir a transtornos psíquicos ou emocionais importantes4. Este trabalho visa apontar as ações de assistência existentes na Equipe de Atenção Básica e do profissional enfermeiro na assistência à saúde do trabalhador, atuando na promoção e prevenção à saúde. Metodologia: O presente estudo trata de uma revisão bibliográfica e documental do tipo qualitativa realizada por meio de levantamento retrospectivo de artigos e manuais científicos publicados nos últimos dez anos (1998 a 2008).Indexados na base de dados Scielo, Lilacs, Bireme, na língua portuguesa, a partir dos unitermos: saúde dos trabalhadores, saúde ocupacional e assistência à saúde do trabalhador. Foram selecionados 62

1 Enfermeira formada na Universidade Católica Dom Bosco.

2 Enfermeira da Estratégia Agentes Comunitários de Saúde da UBS João André Madsen, Aquidauana, MS. 3. Enfermeira, cursando Especialização em MBA de Gestão em Saúde e Controle de Infecção pelo Instituto

Nacional de Ensino Superior e Pesquisa. 4. Enfermeira,Mestre e Professora do Curso de Enfermagem da Universidade Católica Dom Bosco. Email rosilene@ucdb.br 135 artigos e após análise identificados. No decorrer da análise bibliográfica os critérios de exclusão foram os artigos que não ofereciam subsídios a temática em estudo, ou que não se enquadravam dentro do objeto da pesquisa. Os artigos selecionados foram divididos em categorias para a formação do artigo. Discussão: No Brasil, verifica-se que a mortalidade anual por acidentes de trabalho é estimada em 13,2/100.0 trabalhadores segurados e que a incidência cumulativa anual para os acidentes não-fatais, com base em dadosda população geral, varia entre 3% a 6% 3. O local mais recorrido pelos acidentados é o Sistema Único de Saúde (SUS), órgão público, no qual a preocupação com a saúde do trabalhador ganhou destaque à partir da construção da Rede de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) sendo esta a principal estratégia adotada pela área Técnica de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde estabelecida à partir de janeiro de 20035. Em Salvador, Bahia, no registro de 628 trabalhadores que sofreram acidentes de trabalho num período de 12 meses, utilizaram o SUS como atendimento de urgência, mostraram-se satisfeitos, o que nem sempre é expressão fiel da qualidade de atendimento e tratamento desses acidentes3. A dinâmica da produção, as condições de trabalho e o modo de vida continuam sendo fontes importantes na compreensão do processo de saúde, adoecimento e morte dos trabalhadores6. Mesmo os acidentes que ocorrem pelo descuidodo trabalhador podem ser condicionados por diferentes determinantes: o cansaço pelas horas extras, estafa crônica, horas não dormidas, alimentação e transporte deficientes, precárias condições ambientais, más condições de vida e de trabalho, dentre outras. Essas devem ser orientadas como situações de risco para o trabalhador e instruídas pelo profissional de saúde,em especial pelo enfermeiro6. O Ministério da Saúde traz as ações a serem desenvolvidas à nível local de saúde, apontando como Atribuições da Equipe de Saúde identificar e registrar, a população economicamente ativa; as atividades produtivas existentes na área; os integrantes das famílias que são trabalhadores (formal ou informal); a existência de trabalho precoce; a ocorrência de acidentes e/ou doenças relacionadas ao trabalho7. Cabe aos Serviços de Saúde local, organizar e analisar os dados obtidos em visitas domiciliares; desenvolver programas de Educação em Saúde do Trabalhador; incluir o item ocupação e ramo de atividadeem toda ficha de atendimentoindividual de crianças acima de 5 anos, adolescentes e adultos; e em caso de acidente ou doença relacionada ao trabalho, adotar condutas cabíveis. Para o Ministério da Saúde, o enfermeiro deve realizar ações de assistência básica ao trabalhador7. É necessário coleta de informações que irão apoiar essas ações de enfermagem, trazendo suporte para avaliação, planejamento e implementação de tais ações no cuidado em saúde8. A entrevista com ênfase no trabalho é uma ação importante a ser realizada pelo enfermeiro utilizando as etapas da

1 Enfermeira formada na Universidade Católica Dom Bosco.

2 Enfermeira da Estratégia Agentes Comunitários de Saúde da UBS João André Madsen, Aquidauana, MS. 3. Enfermeira, cursando Especialização em MBA de Gestão em Saúde e Controle de Infecção pelo Instituto

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Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), considerando os dados: demográficos, de história ocupacional, de história da saúde, devidamente captados e processados podem facilitar a identificação precoce de alguns dos fatores agressivos à saúde relacionados ao trabalho7,8Inicia-se o planejamento da assistência de enfermagem com um plano de ação aos trabalhadores, tendo em especial a prevenção e promoção da saúde. Depois, avalia-se o sucesso da implantação do planejamento de acordo com a evolução do cliente, e conforme suas modificações biopsicossociais aenfemeira faz nova adequação9. É necessário realizar investigação no ambiente de trabalho, a partir desse levantamento o enfermeiro identificará problemas ou riscos neste local, considerando primeiro a avaliação do nível de trabalho, de satisfação, aceitação e adaptação de cada trabalhador em relação às atividades que exercem, cabendo ao profissional avaliar deficiências, e planejar meios de solucionar os problemas identificados, adequando o ambiente de trabalho ao trabalhador, reduzindo os fatores nocivosà sua saúde7. AVigilância à Saúde do Trabalhador como atribuição do profissional enfermeiro e a descreve como uma atuação contínua e sistemática, no sentido de detectar, conhecer, pesquisar e analisar os fatores determinantes e condicionantes dos agravosà saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho, em seus aspectos tecnológico, social, organizacional e epidemiológico, com o objetivo de planejar, executar e avaliar intervenções sobre esses aspectos, de forma a eliminá-los ou controlá-los10. O Ministério da Saúde concorda, acrescentando a programação e realização de ações de vigilância e de notificação7. Também de competência doenfermeiro é a realização de ações educativas, através da execução de programas para promover e prevenir doenças ocupacionais e sua avaliação, ocorre neste momento a ligação com o processo de enfermagem, que apresenta suas etapas, sendo elas, coleta de dados, diagnóstico de enfermagem, implementação e avaliação da assistência de enfermagem9. Assim, conforme a teoria de relações humanas, o paciente que sofre acidente de trabalho deve ser atendido pelo profissional enfermeiro de maneira a trazer-lhe conforto no momento crítico, para, na medida do possível, retornar a suas atividades normalmente10. Visualizando o benefício do paciente, a enfermagem tem buscado sua especialização, realizando pesquisas que embasam sua prática profissional na área da saúde do trabalhador9Considerações Finais: No Brasil anualmente, centenas de trabalhadores sofrem com condições de trabalho precárias sem a assistência adequada à prevenção. Muitas vezes o ambiente de trabalho é completamente impróprio, e o trabalhador por desconhecer ou não identificar determinadas situações de risco, ou apenas para garantir sua subsistência,sofre acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. A criação do processo de enfermagem permite a utilização como instrumento básico para a

1 Enfermeira formada na Universidade Católica Dom Bosco.

2 Enfermeira da Estratégia Agentes Comunitários de Saúde da UBS João André Madsen, Aquidauana, MS. 3. Enfermeira, cursando Especialização em MBA de Gestão em Saúde e Controle de Infecção pelo Instituto

Nacional de Ensino Superior e Pesquisa. 4. Enfermeira,Mestre e Professora do Curso de Enfermagem da Universidade Católica Dom Bosco. Email rosilene@ucdb.br 137 concretização de nossas atividades profissionais. O planejamento das nossas ações embasadas neste processo é essencial para o sucesso daassistência prestada ao trabalhador. Para a correta promoção da saúde, a Equipe de Atenção Básica e o profissional enfermeiro, precisam adequar-se aos princípios do SUS e cumprir as ações propostas para o nível local de saúde obedecendo às atribuições gerais e específicas preconizadas pelo Ministério da Saúde. Através desta revisão, constata-se que a presença do enfermeiro é essencial na participação das ações a serem desenvolvidas em benefício ao trabalhador.

Referencias

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2 Vilela RAG, Iguti AM, Almeida IM. Culpa da vítima: um modelo para perpetuar a impunidade nos acidentes do trabalho. Cad. Saúde Pública 2004.[Acesso 2008 fev 28]; 20(2): 570-579. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2004000200026&lng=en. doi: 10.1590/S0102-311X2004000200026.

3 Santana, VS. et al. A utilização de serviços de saúde por acidentados de trabalho. Revista Brasileira de

Saúde Ocupacional, 2007 [Acesso 2008 fev 28]; 32(115): 135-143.Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/ RBSO_115.pdf.

4 Azambuja, EP; Kerber, NPC.; Kirchhof, AL. A saúde do trabalhador na concepção de acadêmicos de enfermagem. Revista Escola de Enfermagem, 2007.[Acesso 2008 fev 28]; 41(3): 355-362, Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S008062342007000300003&lng=pt&nrm= iso&tlng=pt.

5 Dias, EC; Hoefel, M.G. O desafio de implementar as ações de saúde do trabalhador no SUS: a estratégia da RENAST. Ciência & Saúde Coletiva, 2005. [Acesso 2008 fev 28]; 10(4): 817-828,. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 81232005000400007&lng =&nrm=iso.

6 Mendes, JMR; Wünsch, DS. Elementos para uma nova cultura em segurança e saúde no trabalho.

Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2007. [Acesso 2008 fev 28];32(115): 153-163, jan-jun. Disponível em: http://bvsms.sa ude.gov.br/bvs/periodicos/RBSO_115.pdf.

7 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção àSaúde. Departamento de Atenção Básica. Área

Técnica de Saúde do Trabalhador. 2002.[Acesso 2008 fev 12] Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/caderno atencao basica.pdf.

1 Enfermeira formada na Universidade Católica Dom Bosco.

2 Enfermeira da Estratégia Agentes Comunitários de Saúde da UBS João André Madsen, Aquidauana, MS. 3. Enfermeira, cursando Especialização em MBA de Gestão em Saúde e Controle de Infecção pelo Instituto

Nacional de Ensino Superior e Pesquisa. 4. Enfermeira,Mestre e Professora do Curso de Enfermagem da Universidade Católica Dom Bosco. Email rosilene@ucdb.br 138

8 Silveira, DT; Marin, HF. Conjunto de Dados Mínimos de Enfermagem: construindo um modelo em sáude ocupacional. Acta Paulista de Enfermagem2006.[Acesso 2008 set25]; 19(2): 218-227. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103100200600020001 &lng=&nrm=iso.

9 Baggio, MCF; Marziale, MHP. A participação da enfermeira do trabalho no programa de conservação auditiva. Revista Latino-Americana de Enfermagem2001. [Acesso 2008 fev 12]; 9(5): 97-9, Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104- 11692001000500015&lng=&nrm=iso.

10 Monteiro, M. S. et al. O ensino de vigilância à saúde do trabalhador no Curso de

Enfermagem.Revista Escola Enfermagem USP, 2007.[Acesso 2008 set30];41(2): 306-310,. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.phpscriptsciar ttext& pidS008062342007000200019lng&nrmiso.

Descritores:Saúde do trabalhador, Enfermagem do trabalho Área Temática:Competência e autonomia dos profissionais da Enfermagem na Atenção Básica em Saúde

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