Revista Enfermagem .84 Corem-sp

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Isso talvez ocorra justamente porque as vítimas temem denunciar formalmente, com medo do “revide” que poderia ser a demissão ou o rebaixamento de cargo, por exemplo; além disso, denúncias tornariam público o processo de humilhação, o que deixaria as vítimas ainda mais constrangidas e envergonhadas. Assim, o medo (de caráter mais objetivo) e a vergonha (mais subjetiva, porém de consequências devastadoras) unem-se, acobertando a covardia dos ataques.

A violência moral no trabalho não é novidade. Existe há muito tempo em todo o mundo. O que é novo é a gravidade, a generalização e a trivialização do problema. Há vinte anos, a maioria das pessoas poderia acreditar que trabalharia durante os anos necessários à sua aposentadoria sem um incidente sério de assédio moral. Hoje, ao contrário, quase todos os trabalhadores parecem correr riscos de ser seriamente assediados em suas carreiras, talvez mais de uma vez.

Não existe assédio individual de um sobre o outro sem a cumplicidade dos outros, testemunhas silenciosas ou coniventes com o fenômeno e atores implícitos ou explícitos da dominação ou de seu agravamento; no plano político, não existe conquista ou defesa dos direitos e liberdades sem a expressão de exigências e ações de resistência em relação às instituições de poder.

No Brasil há dificuldade de comprovar o assédio moral quando ele tem aparência sutil, quando há uma hostilidade difusa. No entanto a justiça e a legislação brasileira são aliadas do assediado se bem aplicadas em determinados casos.

O assediado muitas vezes demora a perceber que está sendo assediado, pois o assédio é processo quieto, imperceptível. A literatura menciona que ele, após algum tempo, tem um “insight” do problema que está passando.

A perversidade muitas vezes chega a tal ponto, que o assediador, quando observa que o assediado começa a apresentar os primeiros sinais e sintomas decorrentes do processo de assédio e que isso pode causar comprometimento, transfere-o ou põe-no à disposição, o que configura a dimensão do problema.”

Após a leitura deste trecho brilhantemente redigido pelo advogado Rogério Guimarães Frota Cordeiro, cabe a cada profissional de Enfermagem refletir sobre o tema e, aos que estiverem vivendo este tipo de situação, buscar apoio, seja em seu Conselho, seja no Sindicato a que estiver vinculado, criando condições que possam modificar a situação de opressão, de subjugação, de subserviência e servidão, reconquistando sua identidade profissional e, até mesmo, sua própria identidade.

O silêncio, mediante a opressão, é a pior forma de enfrentar este problema, pois permitirá a continuidade dos atos de violência moral e ético-profissional.

O COREN-SP, a ABEn-SP e os Sindicatos Profissionais estão unidos e determinados a prestar, seja como for, o apoio necessário ao profissional ou profissionais que estejam nestas situações.

Temos as armas e todos os instrumentos necessários a este enfrentamento. Faça, então, a sua parte, se nesta situação estiver incluído(a).

combatida, com punição

A prática do assédio moral deve ser séria e exaustivamente investigada e exemplarmente Gestão 2008-2011

Editorial

Revista Enfermagem, Nº 84 Expediente

Tania de Oliveira Ortega

Presidente Cláudio Alves Porto Vice-Presidente Cleide Mazuela Canavezi Primeiro-secretário Edmilson Viveiros Segunda-secretária Josiane Cristina Ferrari Primeiro-tesoureiro Marcos Luís Covre Segunda-tesoureira

Presidente da Comissão de Tomada de Contas-CTC Mariangela Gonsalez

Membros da CTC Marlene Uehara Moritsugu Marcia Rodrigues

Conselheiros efetivos Andréa P. da Cruz, Denilson Cardoso, Edna Mukai Corrêa, Edwiges da Silva Esper, Francisca Nere do Nascimento, Henrique C. Cardoso, Lidia Fumie Matsuda, Maria Angélica G. Guglielmi, Marinete Floriano Silva, Paula Regina de Almeida Oliveira, Paulo Roberto N. de Paula, Rosana de Oliveira S. Lopes

Conselheiros suplentes Aldomir P. de Oliveira, Brígida B. da Silva, Cicera Maria Andre de Souza, Demerson Gabriel Bussoni, Elaine Garcia, Elizete P. do Amaral, Flávia Alvarez F. Caramelo, Gutemberg do Brasil B. Moreira, Ivone Valdelice dos S. Oliveira, José Messias Rosa, Lúcia Regina P. L. Sentoma, Luciana Maria C. P. de Almeida, Luciene Marrero Soares, Roberta P. de Campos Vergueiro, Sandra Ogata de Oliveira, Sebastião Cezar da Silva, Selma Regina C. Casagrande, Sonia Marly Mitsue Yanase Rebelato, Tamami Ikuno, Zainet Nogimi, Zeneide Maria Cavalcanti

Conselho Editorial Cleide Mazuela Canavezi, Maria Angélica Azevedo Rosin, Mônica Farias, Silvia Regina Martins Alves, Tânia de Oliveira Ortega

Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo Alameda Ribeirão Preto, 82 – Bela Vista São Paulo – SP CEP 01331-0 Fone: (1) 3225-6300 w.corensp.org.br

Redação, fotos e revisão: Marco Petucco Junior, Mônica Farias, Patrícia Julien

Foto de Capa: Hiroto Yoshiota Criação e Diagramação: DeBRITO Propaganda

Publicação oficial bimestral do COREN-SP / Reg. Nº 24.929 / 4º registro / 323 mil exemplares/ distribuição gratuita dirigida

ExpedienteASSÉDIO MORAL: INSTRUMENTO DE USO INDIGNO E

Revista Enfermagem • Fevereiro/2010 | 5

Começou no dia 30 de novembro, no CAPE, uma série de Plenárias Corporativas entre o COREN-SP e as diversas sociedades de especialistas, associações e sindicados de enfermagem. O principal objetivo das reuniões é aproximar ainda mais as entidades que representam a enfermagem e, consequentemente, fortalecer a profissão, além de discutir decisões que afetem a categoria.

Durante a primeira reunião plenária, após uma breve apresentação de cada uma das 18 entidades presentes, discutiram-se as regras de utilização do CAPE pelas diversas entidades de enfermagem e a contrapartida da oferta de aulas e cursos para os profissionais. Foi unanimidade entre os presentes a importância do CAPE para a sociedade e para os profissionais de enfermagem, assim como a ousadia do COREN-SP neste investimento.

Também foram discutidos outros assuntos mais pontuais, como o 2º SEPAGE, o 1 Fórum de Enfermagem do COREN-SP, que acontece em maio, o ônibus do CORENSP Itinerante e a futura TV COREN.

A segunda reunião plenária aconteceu no dia 18 de janeiro e uma das principais pautas foi a união das entidades na campanha pelas 30h (Projeto de Lei nº 2295/2000).

Houve um consenso sobre a necessidade desta união para demonstrar a força da categoria. Discutiu-se, por exemplo, a possibilidade do aluguel de cinco ônibus, que levariam os profissionais até Brasília à época da votação do projeto na Câmara dos Deputados. Para isso, formouse uma comissão com representantes do COREN-SP, ABEn-SP, ABESE, SEESP e SINDSAÚDE para a captação e organização de profissionais de enfermagem para deslocamento até Brasília.

Também ficou decidida a confecção de camisetas e faixas com frases de impacto para o evento bem como a criação de um logo representando a união das entidades tanto para essa ocasião quanto para futuras.

A plenária volta a se reunir em fevereiro, quando se deve discutir o projeto de um possível Fórum Sindical Paulista e os próximos passos da manifestação pelas 30h.

COREN faz Representantes das entidades de enfermagem se reúnem no plenário do CAPE

Plenária Corporativa discute rumos da enfermagem

6 | Revista Enfermagem • Fevereiro/2010

Mais uma iniciativa do COREN-SP reuniu centenas de enfermeiros para discutir questões que envolvem a profissão. Desta vez o foco foi o profissional e a equipe, com abordagem que levou em conta as estratégias que compõem equipes competentes e bem-estruturadas e as ações internas voltadas para a valorização profissional. O I Fórum Paulista de RH em Enfermagem aconteceu nos dias 12 e 13 de novembro, na Universidade Paulista – UNIP, em Ribeirão Preto.

Os trabalhos foram abertos pelo Assessor de Desenvolvimento Institucional do COREN-SP e responsável pelo PGQ (Programa Gestão com Qualidade), Dr. Sérgio Luz, que destacou a importância em fortalecer a política de gestão de pessoas nas instituições, com ações voltadas ao aprimoramento do colaborador e ao desenvolvimento científico da profissão. “Além de capacitar o profissional, também precisamos criar mecanismos para avaliar a eficiência deste treinamento”, enfatizou.

Representando o presidente do COFEN, Dr. Manoel Neri, o Dr. Claudio Souza destacou a importância da iniciativa do COREN-SP em organizar o I Fórum Paulista de RH. “O Conselho Federal de Enfermagem se sente prestigiado e honrado em participar de mais um evento de relevante importância para os profissionais de enfermagem”, comentou.

Para encerrar a mesa de abertura, o presidente do COREN-SP, Dr. Claudio Porto, lembrou que em apenas um ano todas as metas e os planos da gestão 2008-

2011 já foram implantados. “Estamos completando um ano de gestão e já colocamos a termo todos os planos, todas as metas que esperávamos alcançar até o fim desta gestão. Este é mais um passo no projeto de melhoria da qualidade da formação do profissional de enfermagem”, complementou.

Nos dois dias de palestra, o evento reuniu 370 profissionais que debateram políticas de gestão de pessoas em enfermagem. As palestras foram ministradas por profissionais renomados na área de RH e saúde e destacaram as tendências, as práticas inovadoras e os bons resultados alcançados através de uma política de gestão de pessoas eficiente e alinhada com as necessidades das instituições. “Os temas foram cuidadosamente escolhidos para abranger e atingir a realidade vivida pelos enfermeiros gestores nas instituições de saúde. Nestes dois dias de Fórum, pudemos conhecer experiências bemsucedidas, políticas de gestão, técnicas de avaliação, além de abrir espaço para que os profissionais tirassem dúvidas e trocassem experiências”, avalia o Dr. Sérgio Luz.

Equipes vencedoras e gerenciamento de pessoal

No primeiro dia do Fórum (12/1), o ciclo de palestras começou com a Dra. Helen Maria Benito Scapolan Petrolino, Gerente de Desenvolvimento de Enfermagem do Hospital Sírio-Libanês, que trabalhou com o tema ‘Equipes vencedoras, qual o segredo?’. A enfermeira destacou a experiência do hospital em valorizar a aprendizagem e o desenvolvimento profissional dos colaboradores alinhado ao perfil de competência do cargo como um fator primordial para o sucesso da equipe que reflete diretamente na qualidade da assistência. A Dra. Helen apresentou o organograma da instituição, ressaltando que as premissas de gestão do Sírio-Libanês se apoiam na relação de longo prazo, na liderança pelo exemplo, na manutenção de um ambiente de constante aprendizagem e na integração entre áreas e equipes, sempre com foco nos resultados e na eficiência.

Os trabalhos continuaram com a palestra Dimensionamento de Pessoal, ministrada pela Dra. Cleide Mazuela Canavezi, vice-presidente do COREN-SP, que destacou que a atividade gerencial do enfermeiro deve prover e manter pessoal de enfermagem qualificado e em número suficiente, garantir a continuidade da assistência (necessidades diretas e indiretas e vigília) e promover assistência livre de danos. A Dra. Cleide ressaltou a necessidade de estabelecer processos

Da esq. para a dir. Dr. Claudio Souza, o presidente do COREN-SP, Dr. Claudio Porto, e o Assessor de Desenvolvimento Institucional do COREN-SP e responsável pelo PGQ (Programa Gestão com Qualidade), Dr. Sérgio Luz, na cerimônia de abertura.

COREN faz I Fórum Paulista de RH em Enfermagem

Revista Enfermagem • Fevereiro/2010 | 7 de trabalhos que englobem manual de procedimentos, protocolos, rotinas, regimento, modelo gerencial, avaliação e retroavaliação, entre outros.

Ainda dentro deste tema, a palestrante abordou a necessidade em se conhecer e implementar indicadores e que o embasamento para todas as ações deve ser a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), que legitima e embasa a prática, e o Sistema de Classificação de Pacientes (SCP), que é uma ferramenta administrativa que proporciona ao Enfermeiro estabelecer o grau de dependência de um paciente para quantificar e qualificar a equipe de Enfermagem, utilizando o Método de Escore de Schein/Rensis Likert. Para demonstrar exemplos práticos de dimensionamento de pessoal várias situações foram simuladas para unidades de atendimento, levando em conta o nível de cuidado de cada paciente, taxa de ocupação, jornada semanal dos profissionais e o tempo de assistência a cada paciente.

Na sequência, a Dra. Hilcides Fernanda Ferrari Allucci, apresentou a palestra ‘Avaliação de Desempenho – Estratégia de Desenvolvimento’ em que destacou as novas diretrizes em relação à estratégia e à gestão de pessoas. A quebra de paradigmas trouxe novas competências que passaram a ser valorizadas dentro da instituição. “O modelo de gestão por competências criou parâmetros para desenvolver as pessoas para implantar estratégias. Porém, não podemos esquecer que as competências devem ser contextualizadas e ‘customizadas’ para cada organização”, destacou.

Segundo a profissional, a avaliação das competências deve ser realizada 360º, através de um processo que consiste em ler a competência do colaborador (seu subordinado/ par/superior), lembrar uma situação típica e recorrente relativa à competência descrita, avaliar a situação da competência (‘não é desenvolvida’, ‘desenvolvimento’,

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